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novembro 30, 2004
Moçambique: status quo ante...
Em vésperas de mais umas eleições em Moçambique, gostaria de tecer algumas considerações sobre as mesmas e a minha perspectiva pessoal do futuro algo sombrio que se poderá abater sobre o país, sobretudo se apostar na continuidade. Considerações estas por alguém que conhece o país do Rovuma ao Maputo e lá passou quase 20% da sua existência na década de 90 tendo convivido de perto com os macuas, makondes, muanis, chuabos, rongas, xanganes, entre outros...
Confesso que após o que vivi nas eleições de 1999 e todo o circo montado, espero que desta vez os resultados eleitorais não coloquem os ovos todos no mesmo saco e surpreendam-se a eles próprios rumo ao progresso e desenvolvimento numa democracia de juri e de facto com o fim de algumas anomalias.
Sobre o Dhlakama não vale a pena falar muito. Todo o seu passado profusamente conhecido e difundido pelo "sistema" fala por si. As grandes alterações registaram-se no seio da Frelimo.
Assistiu-se em finais da década de 90 mas sobretudo no início do século ao definhar da ala moderada e reformista da Frelimo. Afinal os escândalos sucediam-se. As mortes também. Impossível de dissociar, quanto mais não seja enquanto exercício mental, os homicídios do Administrador português do BIM e homem de confiança de Jardim Gonçalves, de Carlos Cardoso e Siba Siba de uma possível conspiração. Afinal as suas mortes tiveram todas um denominador comum: o sector financeiro moçambicano. Mas adiante que não vale a pena falar muito do que não se conhece...
Falou-se muito, em determinada altura, da perca de influência de Chissano no seio do partido com a estratégia do mesmo a sofrer diversas alterações. Muitos eram os descontentes com algumas das acções reformistas de Chissano. Afinal, foi com Chissano que a Frelimo mais se aproximou da Renamo, foi com Chissano que o país se abriu ao exterior, foi com Chissano que se apostou em gente da terra para governar as Províncias (autêntico tiro no pé) e foi ainda com Chissano que se procurou encostar os homens das armas e rústicos pelos homens com estudos e educados. Mas tudo tem um preço. A linha dura do partido acabou por vingar contra uma das mais sérias candidatas à sucessão de Chissano: Graça Machel. A única mulher, provavelmente, a ter sido 1ª Dama com presidentes de diferentes países (Moçambique e África do Sul). A sucessão de Chissano pelo "homem do cachimbo" apanhou muitos de surpresa e foi um autêntico balde de água fria para quem achava que Moçambique tinha encontrado o caminho do desenvolvimento, independentemente das ineficiências e defeitos do "sistema".
O "homem do cachimbo" é apenas o pai do famoso 24/20. Um anti português básico e primário. Este verdadeiro crâneo inventou esta medida que consistia em dar aos "colonos" portugueses 24h e 20Kg de bagagem para abandonarem o país no período quente do início da segunda metade da década de 70... Foi igualmente o pai dos famosos campos de "reeducação" na Província da Niassa para os então designados "eufemisticamente" por "desempregados". Não vou escrever aqui muito mais sobre isto. A história do país dos últimos 30 anos será escrita algum dia a bem da verdade.
E é este senhor que muito provavelmente ganhará as eleições presidenciais e legislativas em Moçambique. Pobres dos meus [grandes] amigos moçambicanos.
Miguel S.
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Comentários
Bem ... parece o José hermano Saraiva ...
O único comentário possível:
Querem avaliar? Vão a qualquer País e analisem o que é o que os 30 anos lhe fizeram.
As revoluções e as independências, não têm raça, credo, ou côr.
Foi o grande erro de quem põe a raça no seu BI.
Mais nada.
Publicado por: Fosga-se para VOCÊS ... em dezembro 1, 2004 02:29 PM










