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dezembro 31, 2004

Traços 1-94

Yono.
Miguel S.

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Ireninha

O primeiro Natal sem ir à sua casa.

O sorriso sempre pronto com o olhar meigo permanentemente disponível ao abrir a porta. Os arranjos de flores por toda a casa. Todos os anos era assim e foi assim até à última vez em que estivemos juntos. Na entrada, na cozinha, na sala de jantar, nos quartos, nas varandas… O sumol de ananás e a água do luso a marcar sempre presença, assim como as mulatinhas menos frequentes nos últimos tempos. As Selecções do Reader’s Digest na casa-de-banho (sorrio ao pensar nisto porque ao longo dos anos era sempre lá que estavam). A família à volta da mesa, quatro gerações em conjunto. O bacalhau, a roupa velha, os rojões, o arroz torrado no topo, a broa de avintes frita, os torresmos, as tripas, a galinha assada no forno como só ela sabia fazer, o bolo de mármore, o ouriço e tantas coisas mais que só alguém com o seu saber de décadas sabia fazer de forma tão perfeita. O cabelo sempre arranjado, as unhas sempre pintadas e o colar de pérolas (não interessa se eram verdadeiras ou não) ao peito. As histórias de outros tempos. De tantas vivências. A vivacidade que incutia ao relato de cada uma como se estivesse a vivê-las uma vez mais. Já adulto e a chamar-me sempre “meu menino”. O acenar em cada despedida da varanda.

Ficam os caramelos espanhóis que trazia sempre na carteira pronta para as guloseimas da praxe, nos já longínquos verões de Espinho. Ou as caixas metálicas antiquíssimas forradas a papel vegetal onde remetia a tempos as bolachas e biscoitos que fazia para a família toda (as bolachas belgas, os bolos de azeite, as bolachas com amêndoa circulares, as bolachas circulares sem meio, as rectangulares com pedaços de amêndoa deliciosas com chá), os bolinhos de coco, as mulatinhas, o ouriço da mesma massa das mulatinhas com amêndoas cortadas em tiras espetadas no ouriço, a doçaria toda que dominava, a marmelada, a cozinha do norte de quem natural de Matosinhos guardou um saber impressionante da arte de bem cozinhar (os rojões eram divinais). Ficam as corridas com os chinelos de pano a alta velocidade no soalho de madeira na casa de Viana do Castelo. A primeira vez que vi fazer pipocas naquela cozinha enorme da casa de Viana.

Apesar de ser o único de Lisboa, adorei conhecê-la. Teimosamente decidiu não chegar aos cem conforme tínhamos combinado. Nos últimos tempos sempre me dizia a cada despedida que seria a última vez que me veria. Foi tudo tão rápido. Estava em África. Fui vê-la e não a vi. Fiquei triste.

Um grande beijo e abraço do seu neto.
Miguel S.

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dezembro 30, 2004

De uma forma mais clara...

..."Queres-me?" de India Knight. Última. Fechada.

Yono.
Miguel S.

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A ti dedicado

"Nua e crua" de Marta Gautier, a ver se percebo melhor.

Yono.
Miguel S.

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5ª Geração*

Yono.
Miguel S.

*que conheci (a minha é a 4ª)

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Traços n1-91

Yono.
Miguel S.

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Traços 2-89

Yono.
Miguel S.

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Traços 1-89

Yono.
Miguel S.

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dezembro 29, 2004

Traços 2-94

Yono.
Miguel S.

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dezembro 28, 2004

Ad infinitum

Yono.
Miguel S.

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dezembro 27, 2004

A [nova] campanha do PS

De regresso à capital do império, registo a decepção pelos outdoors afixados em nome do Partido Socialista. Fraco, fraco, fraco. Não tem nada a ver com a primeira campanha de Guterres, essa sim bem montada e com algum sumo. Quem é que será o responsável pelo marketing do PS?

Yono.
Miguel S.

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Perplexidades lusitanas

Não são de admirar as estatísticas. Nos mais de 800km feitos nas últimas 36h ia tendo 3 acidentes... 2 devido aos telemóveis com os condutores a saírem da sua faixa de rodagem para a minha e 1 não sei bem porquê mas quando ia a passar a 140 por ele, decidiu ultrapassar o carro que estava à sua frente. Safou-me a [pequena] margem de segurança entre a faixa da esquerda e o separador central, os travões e os sinais de luzes reflectidos nos espelhos do tipo (penso eu!).

Como se isto não bastasse, continuo sem perceber porque é que tenho que pagar o mesmo de portagem quer a AE esteja 100% operacional quer apresente uns larguíssimos quilómetros de auto-estrada condicionada, mal pintada e sinalizada! Porque é que será que ontem vários acidentes ocorreram nessa zona?!

Yono.
Miguel S.

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dezembro 24, 2004

Ca frio!

Prefiro de longe o bafo do calor húmido tropical à secura fria do quente Portugal. Ca frio por estas bandas!...

Yono.
Miguel S.

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O avião da discórdia

Yono.
Miguel S.

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Sobrevoando os arredores da capital

Yono.
Miguel S.

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Praça de Touros de Luanda (vista aérea)

Yono.
Miguel S.

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À saída

Yono.
Miguel S.

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dezembro 23, 2004

Safei-me!

Acho eu... lolll E de repente, perante o desespero, vemos realmente como são importantes as amizades por estas paragens. Contactos feitos por mim e em meu nome, arranjaram-me lugar em 3 vôos diferentes para esta tarde estando eles repletos! Em particular o Bon foi um espectáculo, assim como a Pel e, claro, o Mal que acabou por ser o mais rápido.

Yono.
Miguel S.

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Lixei-me!

É preciso ter um grande galo. Directa nos meus ombros e não é que o vôo que era suposto eu ter apanhado ontem foi cancelado tendo a TAAG transferido todos os passageiros para o vôo de hoje? Resultado: estou apeado! Bonito... A ver se me safo no primeiro teco-teco. RS: manda aí aquecer o Falcon que isto está com má cara!!! ...se!

Yono.
Miguel S.

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Pedido

Cabi.nda, aos 22.12.2004
Exmo Senhor,
Miguel S.; etc
da Empresa etc Lda.

Excelência,

Tenho profundo dores, para lhe pedir o que, aqui vou narrar.
Senhor Director, baseando a confiança que sempre me depositou. Eu, Fra Mu, agradeço muito; e, não tenho o que lhe ofertar.

Peço a Sua Excelência, se possível me perdoar: os sete mil, quatro centos kwanzas que, tenho para pagar este mês de Dezembro 2004. Que, eu Fra Mu, lhes pago em Janeiro 2005 por favor. Só Director, não me considera dum aventureiro; é por causa da família que, tenho.

Não irei, lhe abandonar: vê bem a minha idade.

Obrigado Senhor Director; boa viagem.

Feliz Natal e um ano cheios de prosperidades.

Fra Mu

Isto é lixado!...

Yono.
Miguel S.

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Como os americanos passam por cá...

Yono.
Miguel S.

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Igreja restaurada em Luanda

Yonp.
Miguel S.

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dezembro 22, 2004

Vista da zona sul a partir do Gika

Yono.
Miguel S.

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Praia dos pescadores

Yono.
Miguel S.

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Directa em cima

Nada mesmo a fazer. Vai ser uma noite longa. Pelo menos devo dormir a viagem toda até Lisboa.

Yono.
Miguel S.

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O stress a apertar

No meio da confusão da secretária em finalizações à queima-roupa, no meio das impressões e uma espreitadela ao que por aqui vai em jeito de descontração concluí de forma aterradora: não, jamais serei um intelectual...

Yono.
Miguel S.

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Vim buscar a minha parte

No meio da [longa] espera, cá fora, surge o 2º empatado e após a troca de palavras meramente circunstanciais, não resistiu a contar-me uma história. Após a sua chegada à cidade, sendo de cá, entendeu por bem receber em audiência o povo. Um determinado dia, após a longa lista de audiências estar praticamente terminada, a secretária foi alertá-lo que apenas tinha ficado uma senhora e alguns miúdos. A senhora com trapos tradicionais já algo gastos e os putos com um ar algo maltrapilho. Bom, após ter olhado lá anuiu em receber a senhora. Entrada na sala, rematou a direito "Eu não fala português vô falar em dialecto" ao que o interlocutor correspondeu afirmativamente dizendo à senhora para estar à vontade pois também era de cá. Sem grandes delongas, após informá-lo que o marido tinha morrido e que por causa disso ela e os filhos estavam a passar mal, disse-lhe que o tinha procurado afim de receber a sua parte do petróleo! O que ele teve que suar para convencer a senhora que as coisas não funcionavam assim. E convencê-la disso? Ainda hoje deve acreditar ter sido enganada...

Yono.
Miguel S.

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[sempre] ao seu dispor, senhora

Yono.
Miguel S.

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Unhas castanhas

Muito reparei nas unhas acastanhadas de muitas mãos - homens e mulheres - por estas paragens. Sempre pensei que se tratasse de um fungo e procurei proteger-me contra qualquer contágio. Afinal, soube hoje acidentalmente, trata-se de cosmética. Haverá uma planta a qual, após esmagamento, é espalhada pelas unhas a que se segue a colocação de uma espécie de dedais maleáveis nas pontas dos dedos durante a primeira noite. Na manhã seguinte retiram-se as protecções dos dedos e as unhas encontram-se completamente castanhas. Com o tempo, o castanho vai adquirindo tonalidades cada vez mais claras até desaparecer por completo com o crescimento da unha. Dizem que fica bonito!...

Yono.
Miguel S.

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Novo adiamento

Ainda me lixo com a brincadeira. Disse-me agora a Pel que o vôo das 7 da manhã foi adiado para as 18! E eu não fui hoje porque era às 7 e ainda tinha muitos assuntos para resolver. Miguelices. Se se complicar apanho o primeiro teco-teco para Luanda. Nem que seja no Il-76!

Yono.
Miguel S.

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Há um ano atrás

Já tínhamos mais de um mês de vida. Pouco fácil. O arranque tinha sido difícil com o processo de recrutamento a obrigar-nos à colocação de ninjas à porta, alguns embaraços durante a inauguração entre outras peripécias. Afinal parece ser mesmo verdade o que se diz do monte sobranceiro à cidade. Nem mesmo a benção tradicional nos safou das pragas rogadas de há muito. Até durante a missa. Terá sido pela ausência deliberada do clero? Ainda bem que não vieram pois abomino-os. Não duvido da reciprocidade. Não por nós, somos demasiadamente insignificantes enquanto indivíduos. Adiante...

Greve abortada (após 1 mês de existência greve???) com a coragem dos malucos e firmeza na postura perante a adversidade, conseguimos não só repor a marcha como dar-lhe um pouco mais de jindungo. O trabalho tinha sido intenso até às vésperas de Natal. Eu e o puto (epa desculpa lá a designação mas sabes que te foi colocada com carinho pelo teu companheiro de casa e prefiro-a a Manu ou Lei whatever) estávamos estoirados. Tinha sido muito trabalho em tão pouco tempo e ele ainda a adaptar-se ao novo ambiente. Olhámos um para o outro ao fim do dia, tarde anoitecida, a tentar decidir onde iríamos passar o raio do Natal. A contragosto lá fomos para casa da Furacão, a convite e muita insistência dela. Já nem me lembro se por lá passámos a meia-noite. O puto aflito com o assédio da Furacão, eu de lado a observar com um ar de gozo às evasivas dele e a outra anormal a abrir a boca de vez em quando para só dizer asneiras. Só sei é que fugimos. Cabe na cabeça de alguém um jantar à luz das velas na noite de Natal, mesclado com uma conversa de merda? São pesados os efeitos secundários...

Yono.
Miguel S.

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Recepção intermédia

Yono.
Miguel S.

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dezembro 21, 2004

Apanhei um puxão de orelhas

E com razão. Bem sei que o português para aqui despejado peca pela falta de qualidade. É importante realçar que não estou particularmente preocupado com esse fenómeno e muito menos em elaborar entradas com um léxico demasiadamente erudito. Limito-me a escrever, de rajada, os pensamentos e memórias sem pensar frase a frase, palavra a palavra. Por uma razão muito simples. Serve de descarga e não tenho muito tempo para um exercício dessa natureza.

Yono.
Miguel S.

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Adiei a viagem

Saída de cá agora marcada para 24. Se o avião falha lá se vai o Natal. Não tive alternativa que não fosse o adiar da saída amanhã. Não podia deixar o puto sozinho sem deixar isto bem arrumado.

Yono.
Miguel S.

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Rio acima

Yono.
Miguel S.

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A música do momento

Não há festa ou discoteca que não a passe. "Karolina" de Awilo Longomba. Só para apreciadores, claro.

Yono.
Miguel S.

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dezembro 20, 2004

Futebol?

Esta será a única vez que falarei de futebol aqui para me recordar porque é que não vou a um estádio há mais de 20 anos... Sou Sportinguista desde que me lembro. O meu melhor amigo quando eu tinha 4 ou 5 anos era do Sporting e eu também passei a ser. O pai era do Sporting e eu também. Epa, toda a gente à minha volta era do Sporting (porque é que mesmo assim a minha irmã foi para o Benfica? hummmm). Felizmente, não sou fanático. Não sou sócio, não tenho cadeira e nem sequer sei o nome dos jogadores... Se ganharem óptimo, se não ganharem paciência. Longe vão os tempos em que um clube ganhava numa só época os campeonatos nacionais de futebol, hóquei em patins, basquetebol, andebol, voleibol, etc. Nos tempos em que o desporto era mais genuíno e são.

Estou a trabalhar com o SS7 a transmitir o Guimarães-Sporting. Chamou-me a atenção a confusão toda. Independentemente de tudo, acho que uma parte do público que vai aos estádios está mal enquadrada. Podiam eles, perfeitamente, constituir um espectáculo secundário dentro do próprio espectáculo que é o jogo. Reservar-se-ia nos estádios um espaço próprio, gradeado, com instrumentos e artefactos próprios, com entradas nas extremidades opostas do recinto e com vista para o campo. Uma vez aí soltar-se-iam as bestas, de ambas as equipas, para se digladiarem em condições de não aleijarem mais ninguém para além deles, até não poderem mais. Talvez assim nos poupassem ao miserável e degradante espectáculo que dão quando algo não lhes corre de feição.

É que é de homem gritar "filho da puta!" com ar profundamente indignado, peito feito e a gesticular com firmeza. Um homem de família. Da mesma forma que é de homem quando se descem as escadas a correr em direcção à polícia estando a vedação pelo meio. E ainda é mais de homem quando se tem à volta umas centenas ou milhares de correlegionários. Mas o supra-sumo é arrancar cadeiras e atirar tudo o que se tem à mão para dentro do estádio. Gostaria de vê-los a todos num espaço fechado sem hipótese de fuga para ver no que daria: 2 em 1 [para todos os outros]?

Yono.
Miguel S.

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A bela e o vozeirão

Com o calor húmido a apertar, nesta altura do ano, abrir a porta e sentir o ar fresco do interior do edifício foi recebido com [grande] satisfação. Depois da burocracia o gabinete da secretária. "Hummm afinal trabalhas aqui?", pensei. Bonita e sensual a secretária. Bem apresentada. De fato e sapatos elegantes. Nada daquelas extravagâncias que frequentemente vemos por aqui. Muita sobriedade. Fato cinzento, top preto, sapatos pretos, um fino fio de ouro ao pescoço, relógio fino, alguns anéis e a silhueta de quem poderia ter chegado mais "longe". Linhas [ainda] perfeitas de 20 anos.

"O Director está à sua espera?", perguntou-me com aquele vozeirão a que ainda não me habituei. Já anunciado, levou-nos para uma sala de reuniões toda desarrumada. Ligou a televisão e sintonizou no canal nacional cheio de chuva. De seguida foi mudando os canais. Trocava de comando. Vi-a atrapalhada. Estávamos com uma vontade de rir despregadamente, de tal forma que as caras já deviam estar inchadas perante tão insólita situação. Depois de uns bons minutos a alternar entre os canais nacionais e o azul da falta de sinal lá deixou aquilo num canal [brasileiro?] com um casal a dar uma queca. A vontade de rir aumentou exponencialmente. Meio atrapalhada abriu a porta de uma sala contígua que comunicava com o gabinete do Director para onde fomos de seguida. 2 minutos de conversa e estava o assunto resolvido. "Então conseguiu resolver a situação?" perguntou sorrindo enquanto alguém do outro lado do telemóvel esperava.

Ahn?

Yono.
Miguel S.

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Tragédia d'África (1º Acto)

A propósito do ArT: mulheres bonitas e família.

Yono.
Miguel S.

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Está quase...

Yono.
Miguel S.

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Eleições em Moçambique: e agora?

No que parece recolher um cada vez maior número de opiniões e declarações, tudo aponta para que as eleições em Moçambique tenham sido alvo de irregularidades. As "anomalias" continuam a aumentar segundo a notícia hoje publicada na África do Sul. Hoje, as ONGs que acompanharam o processo eleitoral declararam haver algumas evidências que suportam a contestação da Renamo-UE. Fala-se, por exemplo, de votações na ordem dos 92 a 101% em algumas mesas de voto com a grande maioria a recair na Frelimo e Guebuza quando a média estimada ao nível nacional é para uma participação de 30%.

A mim o que me espanta é a grande evolução da Frelimo no país, consagrando-se vencedora em 9 das 11 províncias com um candidato que não será dos mais queridos em Moçambique.

Yono.
Miguel S.

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Vôo alucinante ao Ibo [sinopse]

Relato da viagem à ilha do Ibo no âmbito da geminação das cidades de Pemba e Aveiro, ocorrida em 1996 (daí a falta de memória para muitos dos detalhes da mesma) e alinhavada pelo Uli (sorte a minha estar lá na altura).

Vôo a bordo de um Norman Pilatus da TTA pilotado pelo malogrado Comandante Luís Faria, numa viagem que me marcará para sempre dado adorar voar.

A ilha do Ibo, localizada no nordeste do país já próximo da Tanzânia (12°20'34S e 40°36'27E) desempenhou um papel fulcral na afirmação da expansão portuguesa naquela região do planeta.

Os intrépidos "voadores": Cmdte Faria, Miguel S., Uli P., F. Cab, A. And, Coronel e autarca de Aveiro.

Yono.
Miguel S.

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Vôo alucinante ao Ibo [4-fim]

4. Regresso a Pemba: adrenalina ao máximo!
"Agora estamos a sair da Quirimba já a regressar a Pemba" blá blá blá, continuava a melga do coronel, enquanto filmava. O avião já a postos, hélices a fazer vibrar o avião e um último adeus aos Gessner à margem da pista junto ao seu velho jipe. Ah o Índico naquelas paragens é mesmo qualquer coisa do outro mundo. Seguimos para Pemba a uma altitude inferior à da vinda, as praias iam-se sucedendo assim como pequenas ilhotas, sobrevoámos Pangane - ainda tentei ver algum elefante mas sem sucesso - e finalmente, ao longe, a cidade.

Perto da ponta do diabo o vôo ganhou uma dinâmica [muito] mais vertiginosa. O Faria ainda disse lá para trás qualquer coisa colocando alguns dos passageiros algo nervosos, em particular o Uli e o Cab. Picou o avião em direcção ao mar reduzindo o tecto de vôo a uns meros metros dando a sensação de estarmos a rasar a água. Atravessámos o estreito que dá acesso à baía de Pemba a alta velocidade em direcção ao imbondeiro perto da casa do Ruela e, já lá perto, o Faria puxou o manche de tal forma que sentimos bem a força do avião, primeiro a subir e depois a guinar à direita, permitindo-nos ver de lado os barcos de pesca, a casa do Ruela e depois a marginal que dava acesso ao porto. Com a baixa da cidade por baixo de nós, o Faria ainda fez dois círculos bastante apertados por cima do porto com os tripulantes do navio que estava atracado a olharem para o céu assim como as demais pessoas que se encontravam na zona. De lado, completamente de lado dando a sensação de estarmos com uma inclinação de 90º. Já com o pessoal lá atrás a berrar e a agarrar-se aos bancos da frente (Cab, Cab...), o Faria seguiu então em direcção ao Meia-Via, passando por cima do Paquite, do farol, da TDM, e picou aí em direcção ao mar passando muito baixo em frente ao Nautilus e da praia do Wimbe ao ponto de reconhecermos as pessoas. De tal forma que era tudo a dizer adeus (a malta do Engenheiro, entre outros). Estando ao lado do piloto, confesso que comecei a ficar apreensivo quando vi a discoteca Aeroclube à nossa frente e a tentar adivinhar pelo Faria quando é que ele ia puxar o raio do manche. Chegou o mais perto que pode e já com o edifício bem perto nova subida a alta velocidade para depois a curva à direita em direcção ao Alto Gingone. O estômago estava às voltas e a excitação ao rubro. Lá atrás respirava-se de alívio. A aterragem foi calma no aeroporto já perto do fim da tarde. Apesar do nervosismo de alguns, este vôo ficou na memória de todos. Onde mais seria possível senão onde ainda se respira alguma liberdade?

[Ao Faria, o meu muito obrigado e desejo de bons vôos onde quer que esteja.]

Yono.
Miguel S.

1.Os preparativos
2. Do que vimos até lá
3. Quirimba: o sonho tornado realidade?

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Foto de fim-de-semana

Yono.
Miguel S.

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Tudo a postos para mais uma guerra no Zaire

A ONU não tem mão no leste do país e o Ruanda poderá ter invadido o território atrás dos grupos hutus o que indicia poder estar envolvido nos combates que deram origem ao mais recente êxodo. Hoje, como se não bastasse, em Bujumbura o governo burundês anunciava a realização de um ataque da força aérea no decorrer da semana passada contra posições de extremistas hutus em território zairense. Continuo, por isso, a acreditar cada vez mais na possível implosão do país faltando aquilatar sobre as suas consequências para o espaço onde me encontro actualmente.

Yono.
Miguel S.

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A seguir à natureza morta, o verde!

Yono.
Miguel S.

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dezembro 19, 2004

Domingo em cheio

Para registo. Um domingo a agradecer ao meu bom amigo Bon. Graças a ele, os que me mandaram parar esta manhã foram os que me transportaram igualmente rio abaixo para o piquenique junto à foz do rio. A adrenalina da velocidade num rio com forte corrente, alguns crocodilos e gibóias, de vez em quando segundo os fuzas. Não vimos nada disso, mas vimos muitas aves de diferentes espécies e porte na floresta densa nas margens do rio. Malta que se torna extremamente simpática e acolhedora quando estamos com as pessoas "certas". Ainda vou pensar se colocarei aqui o registo fotográfico...

Yono.
Miguel S.

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Afinal é bom ou mau?

Delicioso o jantar ontem. O casal indiano originário de Moçambique - laurentino - de lá rumado a Portugal aquando do 24/20 presenteou-nos com um manjar que nos fez lembrar ao de leve quão boa era a gastronomia moçambicana. O caril de camarão estava bom mas nada de semelhante ao zambeziano ou nortenho, com aquele camarão tigre. Faltaram as apas e bagias, entre outros, para que o manjar me transportasse completamente para o "outro lado".

Divagações à parte, o que me levou ao título desta entrada: as [grandes] assimetrias culturais. Em determinada altura estávamos a falar do facto de uma boa parte de nós, malta em torno dos 30 (+/- 10% lol), ainda não ter filhos e eis que o nosso comparsa Bon, atento, intervém "olha", disse, "você aqui com essa idade ainda não ter filho" fazendo gestos com o indicador e a mão no ar "é muito mau! Se você disser aqui a uma miúda que não tem filho ela te rejeita logo. Isso significa que você não vale nada quer quer a largar o kumbu" dizia já com os olhos bem abertos como quem quer reforçar o que acabava de dizer enquanto o sorriso largo denunciava a linha de pensamento. "Mas mais, se você até aos 24/25 anos cá não tiver filho, os pais começavam a empurrar-te para fora de casa" continuava para rematar com um "e se você ao fim de 1/2 anos de casamento não tiver filho eh eh! a coisa fica feia".

Claro que rematei que da próxima vez que alguém me pergunte quantos filhos tenho lá terei que dizer uns 7! E 1 de cada mulher!...Em Portugal não costuma ser ao contrário?...

Yono.
Miguel S.

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dezembro 18, 2004

Por isso é que depois já não querem sair daqui...

Yono.
Miguel S.

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Hoje correu bem...

Yono.
Miguel S.

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Coluna de plasticina

Yono.
Miguel S.

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Caras da festa

Yono.
Miguel S.

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dezembro 17, 2004

Oh! Tanta gente?

Não o fosse o excelso jpt com a sua magnífica Maschamba secundado pela inusitada e descontraída catarina do refrescante 100nada, ambos com gestos inesperados quanto a este caderno de papel reciclado [com algumas páginas novas] e a diversidade nunca teria sido tamanha.

Apesar de ter concebido este espaço para mim e amigos (incluídos aqui alguns familiares) permitindo a estes últimos ir acompanhando, quando lhes apetecer (sim virá cá quem quiser contrariamente aos e-mails que lhes vão cair ao colo), o que por aqui vai acontecendo, não deixo de sorrir ao imaginar as transfigurações diante dos monitores pelo discorrer de baboseiras que aqui vou deixando.

Yono.
Miguel S.

PS-Ai o bacalhau assado no forno com azeite da quinta e alho, muito alho! 6 dias para o lançamento...

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Destemidos, em frente

Yono.
Miguel S.

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dezembro 16, 2004

Já com o pensamento nas férias

Estou bestialmente cansado... A precisar mesmo do repouso reservado aos bravos e destemidos (cof...cof...), a banhos [de termas claro ou algo parecido] rodeado de ninfas [aceita-se equivalentes lol] e fruta da época [não sou muito exigente] mas nunca enlatada.

Recordo-me, quando era puto, como olhávamos para os emigrantes que em Agosto demandavam a santa terrinha para matar saudades e levar, no regresso, os presuntos, queijinhos, pinga e azeite lá da terra. Isso nunca trago quando regresso, mas lá que já me cresce a água na boca só de pensar no que vou comer quando chegar aí, lá isso já! :D

Isso e apanhar com o vento húmido do mar salgado do nosso Portugal, numa qualquer praia ventosa. O resto, fica no segredo dos deuses...

Yono.
Miguel S.

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Cahora Bassa: isso é que resolveria o défice!

O montante da dívida, pasme-se, ascende já aos USD 2.000 milhões(!) segundo Lisboa. Com um Zimbabwe nas ruas da amargura, uma África do Sul a querer impôr regras inadmissíveis obrigando a arbitragem internacional e um mercado doméstico ainda incipiente, Cahora Bassa continua a ser "o" elefante branco. Isto já para não falar da solução chamada gás natural que a África do Sul utilizará em larga escala para produção de energia eléctrica (incluído aqui o gás de Pande).

O mais interessante da notícia, é a referência à impreparação da equipa de negociadores portugueses que se deslocou a Maputo no mês passado, evidenciada pelo alegado desconhecimento dos passos dados entretanto entre os dois governos, incluindo as discussões sobre o assunto entre Joaquim Chissano e Santana Lopes!...

Yono.
Miguel S.

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China quer mais petróleo africano

Pois, já se tinha notado. Por alguma razão andam por toda a parte por estas paragens...

Yono.
Miguel S.

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Cruzamento de dois mundos

Yono.
Miguel S.

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Já nasceu

É menina, a recém-nascida da minha amiga P (a mais simpática de todas, com umas sardas desconcertantes e olhar matreiro...) ontem no Rio de Janeiro. Ainda não consegui perceber a panca do Brasil por estas paragens! Novela a mais?! Ela bem dizia que podia alguma coisa correr mal e lá estaria melhor. E nem por azar, foi de cesariana.

Yono.
Miguel S.

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Angola: depois de Moçambique mais um "aluno" bem comportado?

Depois de Moçambique, a vez de Angola. Impressionante a evolução destes dois países. Independentemente de tudo, Moçambique mostrou ao mundo e aos cépticos que era possível dar passos firmes rumo ao desenvolvimento. Agora, Angola, procura o mesmo caminho tendo seguido nos últimos 18 meses uma política de sucesso na estabilização de alguns indicadores da economia (inflação e taxa de câmbio, por exemplo), correndo [alguns] riscos como a subida de 200% dos combustíveis (altamente subsidiados pelo Estado) no espaço de 1 ano, a guerra "aberta" às kinguilas pela semi-liberalização do acesso ao USD ou ainda a introdução de papel-moeda com novos valores faciais (200, 500 e 1,000 Kwanzas) sem que tal se tenha repercutido de uma forma nefasta ao nível da formação dos preços, como era habitual não há muito tempo.

O OGE2005 ontem aprovado mantém o ritmo da estabilidade, condição fundamental, entre outras, para o progresso e desenvolvimento sustentados do país. A corrida está aberta e muitos são os que tentam posicionar-se na primeira fila. A 5ª maior taxa de crescimento económico mundial, perspectivada para 2005 (+11.9%, segundo a EIU) e precedida de uma das maiores em 2004, fala por si.

Moçambique foi, para mim, uma grande escola permitindo-me viver as diversas metamorfoses. Parece-me que Angola não gorará quaisquer expectativas, pois o coração deste país está a bater muito forte!

Yono.
Miguel S.

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Ai agora é porque o Império do Meio acordou?

No início da décade de 90 do século passado, jovens caloiros imberbes no Minho, vivemos in loco a primeira (?) crise da indústria têxtil com particular incidência no vale do Ave. Fábricas fechavam todos os dias. Famílias inteiras no desemprego. A depressão tomou conta de toda uma região do norte. Ora volvidos 13-14 anos nota-se que pouco ou nada terá sido feito. E agora a culpa é dos chineses?! Vamos cantando, rindo e assobiando para o lado. Até quando?

Yono.
Miguel S.

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Na capital

Yono.
Miguel S.

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Seguro contra a fome: conceito revolucionário?

Achei este artigo particularmente interessante pela forma invulgar como aborda o tema tão delicado da fome, seja ela estrutural ou ocasional. Interessante porque procura fazer uso de instrumentos financeiros profundamente especulativos, visando a salvaguarda dos mais desfavorecidos e vítimas crónicas das catástrofes naturais. Os seus autores, funcionários do WFP/PMA, defendem que poderá vir a ser uma solução muito mais eficaz no combate a este flagelo sobretudo devido ao facto do retorno ser imediato.

Pessoalmente, tenho algumas dúvidas decorrentes de questões tão fundamentais como as que se prendem com a ética, controlo e mesmo boa gestão [de parte] do dinheiro dos financiadores do Programa Mundial da Alimentação em instrumentos tão especulativos com potenciais perdas elevadíssimas. Tenho igualmente dúvidas que tal mecanismo sirva para financiar inconsequentemente porque da coisa pública uma indústria especulativa com resultados duvidosos. Qual o prémio a pagar por forma a evitar a fome a algumas dezenas de milhões de etíopes um ano de seca brutal? Qual o valor global a desembolsar para proteger as mais diversas zonas do planeta passíveis de catástrofes naturais? As respostas a muitas perguntas, incluindo estas, sairão certamente do estudo que está a ser efectuado neste momento pelo PMA visando a eventual implementação deste sistema já em 2007.

Quer se trate do ovo de colombo ou não, a indústria estará já a esfregar as mãos de contente, independentemente dos famintos...

Yono.
Miguel S.

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dezembro 15, 2004

Zoologia? Tu? Siquê?

Realmente descer abaixo disto deve ser quase impossível. Ao menos na Formosa, sacam logo dos sapatos, atiram pedaços de comida uns aos outros e ainda têm tempo para uns golpes de artes marciais. Vá lá, deixem-se de brincadeiras de putos e façam como os grandes!...

Yono.
Miguel S.

PS-Se o Tristão e o Zarco soubessem que ia dar nisto eram bem capazes de ter dado meia volta.

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Oh! O Rei vai nu?!

De quem falará ele?! Hummmmmmmm...

Nu estará ele amanhã a caminhar pela prancha fora, mandada instalar entretanto pelo Paulo Portas em São Julião da Barra, à frente da pontiaguda espada do ministro, sedento de vê-lo nas profundezas do mar dos políticos de vão de escada.

Yono.
Miguel S.

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Vôo alucinante ao Ibo [3]

3. Quirimba: o sonho tornado realidade?
Já não podia mais ouvir o raio do coronel e a sua máquina de filmar para a qual falava de uma forma monocórdica, em jeito de documentário em terras de áfrica...Até no avião! Xô! Xôoooo! Felizmente, o barulho ensurdecedor das hélices abafou o relator. Ver o Ibo a ficar para trás, olhando de lado pela janela para as ruas estreitas e cheias de casas semi-abandonadas entristeceu-em um pouco. Uma sensação estranha de nostalgia improcedente.

Pouco depois da descolagem, lá apareceu ela. Verde. Alinhada. Bela. Impoluta. Prenha de coqueiros geometricamente alinhados. Fizemos a abordagem do costume. Um vôo baixo em direcção a sueste a alta velocidade e Herr Gessner a sair de casa para entrar no jipe. Subimos ligeiramente sempre a abrir e curva algo apertada à direita já depois da ilha para aterrarmos na pista que a atravessava em boa parte, também ela verde do capim cortado, virados para norte. Notou-se alguma inquietação a bordo, já que alguns dos passageiros tinham pavor a aviões... O Faria era bom. Corte dos motores antes do touch down. Que gozo ir ao lado dele e aperceber-me dos truques todos. Ver o Gessner ao lado do jipe com o seu avião particular mais à frente.

Ah o Gessner! Já bastante idoso mas com um porte admirável. Ele e Frau Gessner há décadas que viviam na ilha. O seu palmo de terra longe da terrífica Alemanha do pós-guerra, fria, cinzenta, taciturna, destruída e violada até não poder mais. O palmar. A praia paradisíaca. Quão diferente de uma qualquer Leipzig ou Neumarkt! Ao longo do tempo, desenvolveram um estilo de vida muito própria que fariam corar de inveja, eventualmente, os anacoretas pós-modernos. Uma vez, numa das idas à cidade eis que me deparei com um velhote enorme de cabelo branco a bordo de um jipe a cair de podre. Perguntei quem era ao que prontamente me responderam. Passei, também eu, a ser seu cliente: do magnífico queijo e manteiga que produzia na ilha.

Apresentações feitas, levou-nos até casa onde fomos recebidos pela Frau Gessner. Insisto em chamar-lhe Frau tão germânica se preservou em terras do Índico. Muito simpática. A casa um verdadeiro sonho. Uma decoração doutros tempos. De alguém que, afastado do mundo, soube preservar num espaço que era o seu as memórias doutros tempos. Os livros antigos, a televisão cheia de rugas, o mobiliário original. Descobri então que não eram só queijo e manteiga as originalidades daquele casal auto-suficiente. Bebemos igualmente do seu café e compota! Magnífico. Mostraram-nos as pequenas casas viradas para a praia e a meia dúzia de metros da água. Recebiam turistas provenientes da África do Sul e da Europa. Na extremidade noroeste da ilha havia uma pequena povoação, imposição (disseram-nos mais tarde) dos governos pós-independência, de onde provinha a grande maioria dos trabalhadores da ilha. Os pastores, os ordenhadores, os apanhadores de coco, os escafuladores, os ensacadores, os fogueiros, os descascadores, os mainatos entre tantos outros. Eles e as suas famílias.

Contemplámos a paisagem virada para o mar aberto, tão bonita ela era. O azul esverdeado da água cristalina. A areia quase branca e limpa escurecida aqui e acolá pela sombra dos coqueiros. A pequena rebentação por cima do recife de coral. Constatado o paraíso e dois dedos de conversa mais tarde, embarcámos novamente. Mal sabíamos nós a grande surpresa que o ás voador nos tinha reservado...

Yono.
Miguel S.

1.Os preparativos
2. Do que vimos até lá

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[No meio do mato] a dança colorida

Yono.
Miguel S.

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O quê? O Mugabe é o quê? Repete lá! Ai é? Dentro! Já!

No cada vez mais tolerante Zimbabwe mencionar o nome do Deus zimbabweano de uma forma menos própria pode dar cadeia. Que o digam Arnold Bunya e Douglas Suangweme. O primeiro foi detido pela polícia secreta por, numa discussão com o irmão num autocarro, ter exclamado "Não sejas casmurro como o Mugabe!". Esta simples frase valeu-lhe duas semanas de prisão. Já o segundo teve mais azar pois, também numa conversa enquanto viajava de autocarro, descreveu Mugabe como um ditador resultando essa caracterização do Rei-Sol numa pena de prisão de 8 meses suspensa devendo cumprir 140 horas de serviço comunitário e não repetir a brincadeira durante 5 anos.

Yono.
Miguel S.

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Não, não vou por aí.

(ainda atónito)
Embora não seja pela sacralização do ritual, não abdicarei em momento algum da [minha] auto-estima.

Yono.
Miguel S.

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dezembro 14, 2004

Olhem, ide mas é blogar pá!

Estou cansado da piada recorrente chamada Canas de Senhorim. Os timings de cada eclosão. A instrumentalização do povo em prol de desígnios conhecidos apenas por alguns. Em que papel estará o bigodes quando aparecer nos noticiários daqui a alguns anos?

Resolvia eu o problema [rapidamente]: Canas de Senhorim a Concelho? nannnnnnn dava-lhes mas é a independência!!!

Yono.
Miguel S.

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Ai o meu USD!

Durante 3 1/2 anos, as taxas de juro nos EUA estiveram mais baixas que as taxas da zona Euro. Quando hoje se encerra esse ciclo, após 5 subidas de 25pb desde o dia 30 de Junho de 2004(!), o cross praticamente nem pestanejou...

USD [14.12.04] 2.25%|2.00% [06.06.03] EUR

Isto no meio de dados interessantes das economias dos dois lados do Atlântico e um dado ainda mais curioso: 80% das treasuries norte-americanas emitidas em 2004 foram adquiridas pela China e Japão...

Yono.
Miguel S.

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Por cá, esta manhã

Yono.
Miguel S.

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Merhaba Portekiz!

Taniştiğimiza memnum oldum!

Limadas as arestas, sou igualmente dos que defendem a adesão da Turquia à UE. Por muitas razões. Quanto mais não seja porque acredito numa Europa para além dos Urais e do Bósforo, onde seja possível coabitarem povos tão díspares como os lapões e os curdos, os bascos e os cipriotas em prol da paz e do desenvolvimento futuros. Não é por virarmos costas ou construirmos muros que consolidaremos os ganhos das últimas décadas. Cinicamente, é do interesse geoestratégico da Europa contar com a Turquia no seu seio nas próximas décadas. Será fulcral para o nosso futuro colectivo.

Não irei, para já, tecer quaisquer considerações adicionais pois o assunto é-me caro e aqui ficaria por muito tempo. Esta entrada deve-se tão só às reacções estranhas que tenho lido aqui e acolá, perspectivando o caos caso o país adira à UE.

Nada melhor do que darem lá uma volta e depois abordarem a questão turca de uma forma mais descontraída. Serão eles assim tão tão diferentes de nós?

Yono. ou melhor...Görüşürüz
Miguel S.

(passei para aqui pois ocupavam muito espaço lá em cima...)

Ficam algumas dicas para o futuro:

Türk alfabesi/Alfabeto turco
A B C Ç D E F G Ğ H I I J K L M N O Ö P R S Ş T U Ü V Y Z
a b c ç d e f g ğ h ı i j k l m n o ö p r s ş t u ü v y z

Sayilar/Números
0 Sifir|Zero
1 Bir|Um
2 Iki|Dois
3 Üç|Três
4 Dört|Quatro
5 Beş|Cinco
6 Alti|Seis
7 Yedi|Sete
8 Sekiz|Oito
9 Dokuz|Nove
10 On|Dez
20 Yirmi|Vinte
30 Otuz|Trinta
40 Kirk|Quarenta
50 Elli|Cinquenta
60 Altmiş|Sessenta
70 Yetmiş|Setenta
80 Seksen|Oitenta
90 Doksan|Noventa
100 Yüz|Cem
110 Yüzon|Cento e dez
200 Ikiyüz|Duzentos
235 Ikiüzotuzbeş|Duzentos e trinta e cinco
500 Beşyüz|Quinhentos
1.000 Bin|Mil
1.000.000 Bir milyon|Um milhão
1.996 Bindokuzyüzdoksanalti|Mil, novecentos e noventa e seis

Mais uma ajudinha...
Tünaydin/Iyi akşamlar|Boa-noite
Günaydin|Bom-dia
Nasilsin?|Como estás?
Iyiyim|Estou bem
De|Também
Teşekkür ederim|Obrigado
Çok teşekkür ederim|Muito obrigado
Ben|Eu
Sen|Tu
Ben Portekizli/Portekizce|Eu sou português(a)

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Derrame

Mais um, noticiaram. Que o crude começou a dar à costa naquela praia que já mostrei aqui. Que os pescadores não puderam sair. Que algum peixe morto começou a dar à costa. Que a camisa do pescador ficou toda suja por causa do crude na vã tentativa de salvar a rede e algum peixe. Que apareceram técnicos de "lá" para avaliar a situação. Que. Que. Que!...

O que a mim me incomoda é que as praias são giras. Nada que se compare a Moçambique, sobretudo ao idílico norte. Por causa do rio Zaire, do Chiloango e do Cacongo, também o mar aqui é cinzento. Estranho é quando nos banhamos, ficar uma substância gordurosa na pele. Estranho é quando enterramos os pés na areia ficar uma substância escura nos pés que exige um grande esforço para sair, na banheira. Estranhas são as linhas claras sem fim e começo nas plataformas vistas do ar. São muitas as visões de África.

Yono.
Miguel S.

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Só me faltava [mais] esta

Ainda tentei recusar. Mas o sentido de missão é a maior das armadilhas que encontramos ao andar por aqui. Acabei por anuir meio contrariado por limitações temporais mas a partir do próximo ano, enquanto por aqui andar, lá darei algum apoio ao grupo teatral cabendo-me a mim o teatro comunitário. Tenho que deixar de beber esta água.

Yono.
Miguel S.

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"Há 20 anos que almoçamos [juntos]"

A grande revelação feita por Paulo Portas, por entre risadas e olhares coniventes, perante os jornalistas que os apanharam de surpresa...

Os portugueses já podem ficar mais tranquilos e deixar de dormir mal à noite. Enquanto não forem matabichos...

Yono.
Miguel S.

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Vôo alucinante ao Ibo [2]

2. Do que vimos até lá

Largado, o avião começou a percorrer a pista cada vez mais rapidamente até que descolou. Que sensação! Ao nosso lado direito a praia ao longe, em frente o céu azul daquela manhã e do lado direito a magnífica baía de Pemba com as colunas de fumo a erguerem-se no céu ao longo do seu perímetro.

Finalmente, passava para o lado de lá. Muito ouvira já falar do outro lado. Da sua beleza. E, realmente, do ar a paisagem era fenomenal. Do muito verde, às praias recônditas e desertas, os pescadores aqui e acolá, os recortes da costa, a Quirimba, as ilhas e, finalmente, a ilha do Ibo! Tão pequena e outrora tão importante. Fizémos uma primeira passagem a baixa altitude para que reparassem que já tínhamos chegado. Uma vez confirmado o movimento lá acabámos por aterrar no que se convencionou chamar de "pista". Gostei do corte do Faria. Era um pro.

Já de jipe a caminho do "centro" da ilha ficámos maravilhados e consternados simultaneamente. As casas em ruínas, o forte que servira em tempos como cadeia da PIDE e o aspecto desolador das ruas causou um impacto forte entre nós. Também, em meados de 1996, Moçambique ainda não tinha sequer iniciado o processo que o catapultou na senda do desenvolvimento.

Resolvemos dar uma volta pela localidade que era realmente pequena. Aquela que tinha sido em tempos um grande entreposto comercial e porto de abrigo e reabastecimento de tantas naves ao longo de séculos, era agora uma ténue sombra desse gradioso passado.

A fortaleza degradada, servia de abrigo a alguns artesãos que vendiam os famosos fios de prata do Ibo (prata essa obtida a partir de moedas derretidas, tanto quanto nos pudemos aperceber), mais à frente e no início da localidade o coreto ainda de pé mas já desprovido de quaisquer sinais vitais, em frente a rua principal. Poucas, as casas. Ao nosso lado direito, algures, a casa de hóspedes da Janine. Um espanto. A Janine tinha umas mãos e um gosto fenomenais. A casa que ela quis transformar no único espaço da ilha para acolhimento aos turistas destemidos, era espectacular. Preservando a estrutura original, o seu interior era surpreendentemente fresco. O chão todo em mármore branco de Montepuez, tecidos, muitos tecidos em toda a parte, um ar extremamente confortável. Praia privativa nas traseiras da casa com pneumático e tudo. O forno. O sítio onde a Janine fazia o peixe fumado que vendia na cidade. Lembro-me dela com o peixe fumado - tipo salmão - em saquinhos, correndo as capelinhas todas. Uma iguaria para quem vivia em Pemba, made in Ibo!

O Ibo estava praticamente abandonado. Os estrangeiros dos Médicins Sans Frontiéres já tinham saído da ilha há algum tempo. Apenas os Marins Sans Frontiéres lá iam esporadicamente... Os únicos estrangeiros da ilha eram a Janine*, residente, e o Faria que lá ia de vez em quando visitar o seu Complexo nas imediações da fortaleza (e carregar peixe para a cidade, de avião). Com praia à frente.

O passeio na parte oeste da ilha, virada para o continente, era lindíssima. Tanto verde. Tantas árvores. O estreito. Os barcos à vela artesanais. Os bancos junto ao passeio virados para a costa. As ruínas do que tinham sido todos aqueles espaços. O imaginário de um fim de tarde naquela zona do planeta há 50 anos atrás...

Última visita ao cemitério semi-abandonado cheio de túmulos, em português. Lá ficaram. Por entre as ruínas das ruas, das casas e dos que lá ficaram.

Já a bordo, fomos logo avisados que a viagem seria curta até à Quirimba de Herr und Frau Gessner!

(continua[rá])

Yono.
Miguel S.

* a Janine era um espanto. Loiríssima francesa na casa dos 50 que descobriu Moçambique no tempo da Onumoz. Deixou tudo para trás após a descoberta do norte do país (como a compreendo!). Recuperou a casa. Sonhava numa espécie de turismo de habitação no Ibo, se calhar avançado demais para a época. Investiu num barco de pesca. Ainda a encontrei diversas vezes nos anos de 1995 e 1996. A última vez que a vi foi na passagem de ano de 1999 para 2000, em Pemba. Era ela a responsável pelos "comes e bebes" da festa na casa circular a caminho da Maringanha. Divinal o banquete. Como a Janine, igual a si mesma...

1. Os preparativos

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Ainda do Iraque

Yono.
Miguel S.

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dezembro 13, 2004

Moçambique: retratos na viragem do século XXI

Yono.
Miguel S.

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A verdadeira intensidade do terramoto em Lisboa

Ao que parece não terá sido de 5,4 na escala de Richter mas sim de 4,1 na escala de Trapattoni (cof, cof...).

Yono.
Miguel S.

PS-Não resisti dids...

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Santana, o David do "pobo"

Por mais incrível que pareça ainda vai o homem ser legitimado nas urnas. É que, descobri hoje, o Santana Lopes é mesmo um pobre coitado que ousou desafiar os poderosos, aqueles que ficaram muito incomodados com as suas medidas, aqueles que sempre foram protegidos por todos os governantes. Só e apenas por isso é que o "deitaram" abaixo.

Se isto pega mesmo, estamos "feitos"!

Yono.
Miguel S.

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A [última] cabala! (óptica do Governo)

Foi com algum interesse que reparei num ponto comum aos discursos do Santana Lopes e Paulo Portas. Sinais dos tempos, talvez ecoando os resultados dos estudos de opinião, ambos disseram de uma forma clara que logo agora que a economia estava a andar tão bem tinha que vir o Presidente da República dar cabo de tudo... Ou eles disseram isso ou eu estava a sonhar. De qualquer forma, quando o INE divulga os últimos números da economia ainda se refere a Portugal ou não?

Yono.
Miguel S.

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"Dhlakama não convenceu a classe média...

...[moçambicana], daí que naturalmente perca as eleições" rezava esta manhã um comentador local numa das rádios. Fiquei atónito. O que será a classe média moçambicana e qual o seu peso no seio do eleitorado? Este tipo de comentários faz-me lembrar o que ouvi há umas semanas atrás "quando se deu a independência, mais de 99% da população era analfabeta". Pois...

Yono.
Miguel S.

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Pinóquio em 2004

Yono.
Miguel S.

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dezembro 12, 2004

Declarei guerra aos mosquitos...

...mas sem grande sucesso. Só espero que não sejam Anopheles...

Depois de escurecer é impossível andar na rua, tantos são eles.

Em casa, ar condicionado no máximo mas os tipos, mesmo assim, continuam a voar. Já devem ter, numa das suas mutações genéticas, desenvolvido um sistema anti-gelo das asas pois não se despenham. Contrariamente a mim que enregelo na vã expectativa de reduzir a população de mosquitos residentes.

Inicialmente ainda atacava com a arma química mais poderosa conhecida: insecticida! Mas também aqui já reparei que o inimigo deve já estar dotado de fardamento e máscaras próprios para a guerra química porque continuam a voar na "boa", meio ga[n]sados e aos "esses" durante algum tempo.

Ainda pensei no repelente mas confesso que me faz confusão ter que besuntar-me todo várias vezes ao fim do dia até ir para a cama. E, afinal, dizem que faz mal à saúde pela toxicidade do produto!

Só me resta a última opção: utilização de forças convencionais. Matá-los à chapada. Cada vez mais estou um perito na arte. Só hoje já foram uns 5 ou 6. Até quando escaparei à malária?

Yono.
Miguel S.

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Foto de fim-de-semana

Yono.
Miguel S.

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Um quarto da população do Zimbabwe "desapareceu"

Achei o Zimbabwe extremamente interessante aquando da minha viagem ao país em 1999, por terra. Saímos de jipe de Quelimane, um Land-Rover Defender 110 TDi (que saudades!) cabine simples estrada e picada fora! O que vimos, após a entrada no Zimbabwe, foi um país arrumado e bem arranjado, uma capital extremamente bonita e com rasgos arquitectónicos fantásticos. Desenvolvido. Desde então é só notícias trágicas. A última publicada na última The Economist é extremamente preocupante.

O Zimbabwe é o exemplo contemporâneo da destruição de um país da vanguarda, líder na África Austral em vários domínios, por alguém cuja senilidade é patente em nome de uma lógica partidária/clientelista e tribal que jamais se poderia esperar naquele país. Ainda encontrei uma Harare cosmopolita e cheia de vida, apesar de muitos quadros terem então dado já início à "grande fuga". Como é possível? Fica o artigo...

Artigo
"Dois ou três milhões de zimbabweanos estão em falta de uma população inferior a 12 milhões de habitantes, o que parece ser bastante. Por diversas razões, o regime do presidente Mugabe recusa-se a publicar os resultados dos censos nacionais levados a cabo em 2002. Apesar disso, a The Economist conseguiu ter acesso a um sumário detalhado. Caso a população tivesse continuado a crescer ao ritmo esperado depois dos últimos censos, de 1992, a população do Zimbabwe deveria ter atingido os 14 milhões e não os 11,6 milhões "encontrados" nos censos de 2002. O que é que aconteceu aos restantes?

Alguns terão morrido de SIDA, a qual reduziu drasticamente a esperança de vida dos 61 anos em 1990 para os 34. A doença torna igualmente as mulheres menos férteis, reduzindo assim a taxa de natalidade a qual tem sofrido uma pressão adicional, pelo menos nas cidades, proveniente da escassez crónica de alimentos. "Eu gostaria de ter mais filhos," diz o pai de uma criança, "Mas como é que eu os alimentaria?"

Contudo, provavelmente o maior factor será a emigração. Desde que o Sr. Mugabe iniciou a "reforma agrária" - sendo a agricultura o sector mais forte da economia zimbabweana - expropriando quintas a farmeiros brancos e entregando-as de seguida aos seus apoiantes, a economia colapsou. De 1999 ao ano passado a economia zimbabweana registou uma contracção superior a 2/5 e espera-se que este ano sofra uma contracção de 8%. Sem empregos no seu país, os jovens, sobretudo homens, estão a tentar a sua sorte na África do Sul. O governo deste país diz que qualquer coisa como 3 milhões de zimbabweanos vivem no país, embora este número nada mais seja do que uma estimativa.

Entretanto, o sul do Zimbabwe está fantasmagoricamente calmo. O vosso correspondente passeou-se por ruas vazias na semana passada: poucos condutores, à excepção da polícia, têm capacidade para adquirir ou mesmo encontrar combustível. Diz-se que alguns hospitais utilizam já carroças em vez de ambulâncias. Os restaurantes, unidades hoteleiras e lojas que ainda permanecem abertas estão quase vazias. Os locais de venda de artesanato para turistas que abundavam junto às estradas encontram-se completamente abandonados.

Actualmente, as mulheres são em maior número do que os homens no Zimbabwe, com as camadas mais jovens e mais idosas a ultrapassarem em número os adultos em idade activa. Num lar típico em Pumula South, um subúrbio de Bulawayo, dez crianças comem xima/funge de pratos plásticos debaixo de um escaldante telhado de zinco. Todos os seus progenitores "saíram" há já vários meses, disse a avó. Ou seja, estão em Joanesburgo, a grelhar bifes ou a trabalhar ilegalmente nas lojas. De vez em quando enviam para casa um saco de farinha (de milho) com algumas notas escondidas no seu interior. Mas só às vezes. Noutros subúrbios, a história é a mesma. "Quase todos os meus amigos estão na África do Sul e os meus parentes na Grã-Bretanha," diz um homem em Nkulumane, também nas proximidades de Bulawayo.

A sangria de cérebros e competências remeteu à desorganização total dos outrora excelentes serviços públicos. Os professores agora têm turmas de 80 alunos. As clínicas estão sem enfermeiros. O lixo em Bulawayo é raramente recolhido, reclamam os seus habitantes. "Se atirar uma pedra agora, acertará num rato," diz alguém. São necessários três meses de salário para comprar uma bicicleta. As pensões de reforma não valem praticamente nada, cifrando-se em cerca de $2 por mês.

Mesmo os poucos sortudos que receberam terras no âmbito da reforma agrária do Sr. Mugabe estão descontentes. Tal deve-se à incapacidade financeira da maioria para a exploração das terras. Um tractor usado que custava Z$800.000 há dois anos atrás, custa agora Z$70.000.000. Os farmeiros que, apesar de tudo, logram alguma colheita vendável encontram imensas dificuldades em fazê-lo devido às restrições impostas pelo governo, através de um monopólio rígido da distribuição dos cereais, de modo a garantir a alimentação dos seus apoiantes e não a dos dissidentes. Qualquer cidadão que seja encontrado a transportar mais do que dois sacos de milho corre o risco de ser detido.

Mudará alguma coisa? O "afundanço" económico não pode durar para sempre. Os investimentos na exploração da platina podem provocar algum crescimento no decorrer do próximo ano. Mas sem um governo legítimo, não haverá lugar à retoma da ajuda, relações comerciais normais e muito menos haverá lugar ao regresso dos exilados. Haverá eleições legislativas em Março mas espera-se, tal como nas eleições anteriores, o mesmo tipo de "resultados".

Seria uma aposta quase ganha considerar que os milhões de emigrantes gostariam de derrotar o partido no poder, mas o Sr. Mugabe deu já os passos necessários para interditar o seu voto. A oposição não pode aceder aos meios de comunicação social mais importantes. A maioria dos jornais independentes foram encerrados. A polícia secreta aterroriza os camponeses para que não falem de política e ameaça dispersar coersivamente todas as "reuniões públicas" com mais do que 5 indivíduos. A comissão eleitoral proposta está debaixo do controlo do Sr. Mugabe.

O principal partido da oposição, o Movimento para a Mudança Democrática, poderá nem sequer contestar os resultados das próximas eleições. "O que é que poderá trazer o MDC?" pergunta um homem em Nkulumane. "A maioria dos seus membros desapareceram, foram presos, morreram ou estão na África do Sul. Não há esperança." Depois pede para que não citem o seu nome, com medo que a polícia lhe bata à porta."

Yono.
Miguel S.

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Darf Ich dihr mein...

...briefmarkensamlung zeigen, bitte?!

Yono.
Miguel S.

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dezembro 11, 2004

Vôo alucinante ao Ibo

1. Os preparativos

Amanhecera como habitualmente, no Alto Gingone. 5 e meia e hop! qu'a empresa começava a labuta bem cedo. O Cab há muito que já estava a pé, pois era ele que abria a fábrica por volta das 5 e qualquer coisa.

Apesar da hora, tínhamos acordado todos com um entusiasmo redobrado. Afinal íamos com as visitas da terra do sado ao Ibo. A mística Ibo sobre a qual já tínhamos ouvido tanto falar, para além de ser uma viagem única a não perder devido às condições do terreno. Ainda por cima de avião com o que se viria a revelar autêntico maluco voador, Cdte. Faria*.

Encontro marcado no aeroporto de Pemba às 6:30. Fomos os primeiros pois morávamos mesmo em frente ao aeroporto da cidade. Vazio. Finalmente o carro assomou por detrás dos arbustos, vindo da única estrada que ligava a cidade de Pemba ao resto do país. Lá dentro os 3. O militar na reserva com a câmara de vídeo sempre em riste a filmar e a falar é que já nos tirava do sério. Que rico cromo!

Na placa com o piloto nas últimas verificações. O avião da TTA tinha já um aspecto bem cansado. O bombeiro, à civil, com a roupa toda rota e de chinelos permanecia estático junto aos extintores até que, de repente, abandona os extintores e desatou a mandar vir com o militar na reserva porque estava a filmar o avião. Ui! O que ele estava a fazer?! Quem é que lhe tinha dado autorização para filmar o avião? A intervenção do piloto não foi suficiente para demover o insignificante bombeiro. Foi necessária a intervenção do Director do Aeroporto e, mesmo assim, o homenzinho não ficou muito convencido...

A verificação do exterior da aeronava estava concluída. Hora de embarcar. À falta de outros candidatos mais "corajosos", o Faria convidou-me a ladeá-lo na viagem indo no lugar do co-piloto. Caramba! Havia muito tempo que já não viajava num cockpit e jamais tinha voado com um manche à minha frente e toda aquela parafernália de instrumentos. Cintos postos, calços retirados, hélices em rotação e fizémo-nos à pista com descolagem autorizada no sentido sul-norte.

Estávamos com sorte. A manhã estava cristalina, tal como as águas da praia do Wimbe. Ao meu lado, o Faria puxava a rotação das hélices ao "máximo" tal não era já o barulho ensurdecedor dentro da cabina dos bancos estofados a cheirar a mofo. O avião abanava qual touro antes de se lançar na corrida decidida, com a ansiedade entre os medrosos a crescer a olhos vistos.

(continua[rá])

Yono.
Miguel S.

* o cdte. faria era uma figura reservada que coabitava connosco em Pemba. Tipo alto, calvo, magro, barbudo e sempre fardado à piloto. Morreu há poucos anos em Mocímboa da Praia, tanto quanto fui informado, devido a uma falha estrutural grave que esteve na origem do despenhamento da sua aeronave após a descolagem. Um abraço e o meu muito obrigado pelo vôo mais alucinante da minha vida!

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Kota Jota

Uma breve incursão à literatura angolana escrita por gente jovem, num registo bastante original e contemporâneo, a ler por quem já cá passou e ouviu tantas vezes o calão angolano sem perceber nada do seu significado.

Ao ler o "Zépovito" do Paulo dos Santos (Australivros, 1998), passei a perceber muito melhor muitos dos monólogos e diálogos que fui ouvindo pelas deambulações em Luanda, da mesma forma que a personagem principal do livro se encaixa perfeitamente - distâncias à parte - numa figura que conheci, luso-angolano, a quem chamavam kota E..

"Ele também era um kota bué fezadeiro nas garinas. Nem parecia ser já um kota assim lá p'rós quarenta e tal anos. Ele dizia que nos seus tempos que já passaram era grosso; treinava karaté e quê quê. Só que quando começou a bular e a torrar, todas as batatas bazaram e ficou bué fininho, mais fininho que aquele esqueleto que tinham dito que era do Bén-Bén mas que afinal não era; ficou bem fininho como a pantera cor-de-rosa.

Na bila, xééé! Ti Jota mandava kíbwa! Diziam que quando esteve na kwemba era bué lixado. Dava tungo a todo o subordinado que não lhe batesse pala."

Yono.
Miguel S.

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O cagão do filho do "patrão"

Estando nós* habituados a ambientes de trabalho algo "selectos" e formais, para além de condutas algo mais elevadas - pelo menos educadas - entre pessoas ditas civilizadas, eis que nos surge um "puto" com educação num dos países europeus mais selectos, caído não se sabe bem de onde...

Convocado para um encontro de trabalho no gabinete de um colega, eis que o dito jovem aparece de caneca de cerveja na mão, "abanca" na cadeira em frente à secretária e toca de arremessar uns valentes traques seguidos de alguns arrotos intervalados pela geladinha a escorrer-lhe pela garganta abaixo. Na maior das descontrações. Para além do episódio, a figura obesa, com barba por fazer e ar desleixado, configura de facto um episódio dantesco e degradante.

Não percebo é porque necessitou o colega de 3 ou mais replays para o pôr a andar a alta velocidade do seu gabinete com um bilhete só de ida!

O que se vê por aqui...

Yono.
Miguel S.

* malta portuguesa, mais ou menos civilizada, que veio daí há pouco tempo...

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Lá, bem no mato

A minha primeira saída da cidade para o interior, bem no coração daquela que dizem ser uma das maiores florestas tropicais do mundo. Vai daqui até ao Gabão.

Para além do "descanso do guerreiro" que aposto bem merecido pela necessidade de ter pronto atempadamente tudo o que fomos encontrar no local, a singularidade das frases pintadas na casa de madeira também ela solitária no meio do nada: "Que Deus esteja com nosco Amen!" e "Welcome at our street". No meio do nada. Dá que pensar...

Yono.
Miguel S.

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dezembro 10, 2004

Ao jantar, mais um singular

Uma das situações mais recorrentes por que tenho passado nestes anos de África são as personagens singulares que vamos conhecendo aqui e acolá. Esta noite travei conhecimento com mais uma, deveras impressionante.

Um puto português, pouco mais novo do que eu (epa aos 30 e poucos recuso-me ainda a considerar-me um cota, apesar da minha irmã não achar o mesmo...), com uma experiência castrense assustadora. Contou-nos como foi parar aos rangers, como tirou o curso de SEAL nos EUA, de como foi parar à Somália aquando da intervenção da ONU, do que lá viu e viveu. Confesso que, a determinada altura, começaram a vir-me à memória trechos do "Dumba Nengue [...]" da Lina Magaia...

Yono.
Miguel S.

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Sampaio, deputados e outros em Quelimane (memórias)

A comitiva que foi receber o Presidente da República à pista do aeroporto era considerável. Até eu lá estava apesar da carga de malária que tinha em cima. Naquele fim de tarde em 1997, tudo o que era gente importante da comunidade portuguesa fez questão de marcar presença. Foi impressionante ver o C-130 da Força Aérea Portuguesa fazer-se à pista e o chinfrim que fez até chegar à nossa beira. Depois dos homens do costume lá apareceu ele, aquela figura frágil: Jorge Sampaio. Foi tudo muito rápido porque a visita seria apenas de algumas horas apesar de passar a noite na cidade. Ponto de reencontro com a comunidade portuguesa: o Hotel Chuabo (a melhor sopa de Moçambique! Ai D. Amélia!...).

O banquete estava bem composto e impressionava pela sua riqueza, apesar da pobreza do enquadramento local. Estava cheio de lagostas, camarão tigre (do bom e do melhor), caranguejos grandes, mucapata (conheces jpt?), galinha à zambeziana e demais iguarias preparadas a preceito. Enquanto a comunidade trocava algumas impressões circunstanciais, notou-se alguma agitação junto à entrada para o restaurante do hotel e eis que surgiram diversos elementos da comitiva entre os quais deputados e jornalistas. Pura e simplesmente cagaram na comunidade, os representantes da nação. Provavelmente, para eles claro está, nós seríamos apenas hologramas (boa, catarina) e não gente.

Pouco tempo depois o Presidente, acompanhado da esposa. Sinceramente que desde esse dia, pese embora não achar particular piada ao Sampaio, passou a ser merecedor do meu respeito. Um a um, independentemente da sua condição, o Presidente Sampaio cumprimentou todos os portugueses que foram ao jantar realizado no Hotel Chuabo em sua homenagem. Não só lhes foram apresentados todos os elementos que ali estavam (+ de 100), como ainda se fartou de trocar impressões com muitos de nós.

E os deputados?

Quem?

Passado o ritual dos cumprimentos deu-se o "tiro da partida". Refiro-o pois parecia uma corrida... Não sei de onde é que todos eles vinham, mas parecia que estavam a vir de um país muito pior do que aquele em que nos encontrávamos. Muitos de nós, olhávamos para o espectáculo que se desenrolava diante de nós com um ar de gozo descomunal: muitos elementos da comitiva, deputados incluídos, numa de "deixa-me apanhar antes que acabe", a "atirarem-se" literalmente para cima dos camarões, das lagostas e por aí fora. Tanta sofreguidão ahahahahaha Coitados! É uma imagem que jamais esquecerei. Essa e a da serenidade do Presidente.

Passada a azáfama do marisco, já sem gritos, pratos a cair no chão, pés pisados, encontrões, dentadas nas orelhas e murros nas costas uns dos outros, os senhores deputados e demais membros da comitiva lá se acantonaram com a sensação do dever cumprido estampado nos rostos. Felizmente os então ministros Marçal Grilo e João Cravinho foram fantásticos. No meio do pessoal, a responderem a perguntas e tudo num ambiente completamente informal.

No dia seguinte, alguns acontecimentos dignos de registo. O Presidente de Portugal a andar a pé pelas ruas de Quelimane, a cumprimentar e a falar com pessoas comuns que ia encontrando pela rua, à porta das empresas e estabelecimentos comerciais, enfim, algo nunca visto numa terra onde o Governador para se deslocar do palácio para o Governo, uns meros 400 metros, levava escolta policial com as sirenes ligadas e raramente era visto a passear a pé na cidade que também era sua. Contrastes.

Ficou-me igualmente na memória, a grande quantidade de gente que se juntou nos passeios com bandeirinhas portuguesas ao longo do trajecto da cidade para o aeroporto aquando da saída da comitiva. Foi bonito.

Yono.
Miguel S.

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Dos pequenos prazeres

Hoje é o 48º. A cidade está engalanada com faixas por toda a parte. Dia normal para a grande maioria. O céu carregado prenunciou a chegada de mais uma tarde diluviana. O grande acontecimento parece ter sido adiado para amanhã. Dar e fugir, não vá o diabo tecê-las. Fiquei-me pelo Roquefort (nunca imaginei encontrá-lo por estas paragens, muito menos a $80 o Kg!) e um Piriquita (preferia o Nederburg) para repasto. Como sabem bem nestes meios.

Yono.
Miguel S.

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O fim da 9ª Legislatura

Também ri e aplaudi de pé ontem ao ouvir o pequeno discurso do Mota Amaral na Assembleia da República. Até porque nós, aqui em África, necessitamos de motivos para nos rirmos um bocadinho. Em particular, achei a referência ao Ludwig e ao Franz algo de espantafabulástico.

Agora vamos às coisas importantes: para quando o fim desta República do pós-25 de Abril e a renovação total do sistema?

Yono.
Miguel S.

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dezembro 09, 2004

A caminho do Congo Brazaville

Yono.
Miguel S.

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Porque é que os políticos são baixinhos?

(pergunta resultante de ter visto há momentos os tipos do PP em Belém na SICn e de me ter vindo à memória as imagens de tantos outros que já conheci aqui e acolá...)

1. Porque não tinham altura para serem jogadores de basquetebol?
2. Porque o espaço para as pernas no parlamento só dá para baixotes?
3. Porque as miúdas sempre preferiram tipos acima de 1.69?
4. Porque "os homens não se medem aos palmos"?
5. Porque para se ser inútil chega ser baixinho?
6. Porque, hoje em dia, a política é só para putos birrentos e mal-educados?
7. ...

Enfim, talvez um dia perceba porquê...

Yono.
Miguel S.

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Da Felicidade

Com maiúscula sim.

Numa das últimas idas a Portugal, trouxe na bagagem alguns livritos para não esquecer a língua. Fascinado por H.Hesse desde a leitura de Siddartha aos 20 (obrigado prof., leitor de português em Clermont-Ferrand nos idos de 1991), optei por ir para o "Da Felicidade" (ISBN 972-29-0708-5).

Não sendo eu propriamente um crítico literário, longe disso, não resisto a deixar aqui um excerto pela sua contemporaneidade, apesar de escrito em 1899, comungando assim da opinião de Paulo Rêgo:

(...)A grande valorização do minuto, a urgência, motivo mais importante da nossa vida, é sem sombra de dúvida o mais perigoso inimigo da alegria. É esboçando um sorriso nostálgico que lemos os idílios e viagens sentimentais de épocas já passadas. Não tinham os nossos avós tempo para tudo? (...)
in Pequenas Alegrias

Yono.
Miguel S.

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Iraque

Um dos melhores cartoons sobre o tema.


Fonte: The Christian Science Monitor

Yono.
Miguel S.

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O B. e as SMS

[para memória futura]
O B. é um porreiraço, na verdadeira acepção do termo. De tal maneira que tem um telemóvel dedicado [apenas] para a recepção e envio de SMS. Garante que aquele telemóvel tem capacidade sei lá para quantas SMS, dizendo que duvida que haja quem tenha outro com espaço para mais [cá no burgo]. No outro dia, estava eu já mais para lá do que para cá e eis que oiço o telemóvel a dar sinais de vida. Fui ver, não fosse algum convite inesperado, e eis o que me apareceu no visor do telemóvel:

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z
Por hoje é tudo amanha ensino-te a FODER.

Ca raio?!!

Yono.
Miguel S.

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dezembro 08, 2004

Fatwa a GWBush

Desde que vim para aqui o USD já desvalorizou mais de 35% em relação ao EUR! Com esta é que eu não contava...

Yono.
Miguel S.

PS-Vi-me forçado a editar esta última entrada não por causa de Houston (olá Nuno!) mas por causa do Spanish Fork/Utah que não faço a mínima ideia quem será. A Fatwa ao GWBush é apenas a brincar... (isto é o trauma resultante de em Julho de 2000, à pergunta feita no check-in em Nova Iorque para Joanesburgo se levaria comigo explosivos, armas ou algo parecido ter respondido que para além de duas granadas, uma pistola e a metralhadora não levava mais nada seguido de um sorriso, ter apanhado um valente susto)

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Moçambique: números "interessantes" [99 revisited?]

Entre reclamações de fraude e situações recambolescas, mas matematicamente possíveis, as contagens paralelas da Rádio Moçambique são um espanto. Os resultados [parciais] por eles apurados dão conta de 1.657.130 votos nas legislativas para os 2 maiores partidos (Frelimo 1.170.096|66,7% e Renamo-UE 627.242|33,3%) e de 1.797.338 votos nas presidenciais (Guebuza 1.104.920|65,1% e Dhlakama 552.210|34,9%).

Há alguma coisa estranha nos números apresentados?! Claro que não. Quaisquer diferenças dever-se-ão aos brancos+nulos+outras forças políticas, certamente.

Yono.
Miguel S.

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PSL, PC e FCP, esta manhã no bar do Hotel

Os dois sentados no balcão de costas para a entrada do bar, foram os primeiros, logo às 7:30 da manhã. Meia idade, a acabar umas obras públicas e preocupados com as datas que se avizinham. Nisto, chegou o último comparsa.

-Ora então bom dia!
-Bom dia.
-Então o Porto lá se safou, ahn?
-E o Santana? - ouviu-se uma voz ao fundo do bar.
-Ai foi?
-Fecha a porta! - gritava outro não se sabe bem de onde.
-Aquilo cheirou-me a arranjinho...
-Fecha a porta! - continuava a gritar alguém alto e bom som.
-Pois, só pode. O Porto como está alguma vez ganhava ao Chelsea? Da forma como anda a jogar?
-E o Santana? - repetia a voz ao fundo do bar.
-E o Pinto da Costa lá saiu, ahn?
-Fecha a porta! - ouvia-se o grito cada vez mais forte.
-Coitado do homem. Esses gajos são uns sacanas. Isso não se faz, logo ao Pinto da Costa. - dizia o mais novo dos três, gesticulando com um ar indignado.
-Pois, deixaram-no sair faltavam 4 minutos para acabar o jogo.
-E o Santana? - já cansado perguntava alguém ao fundo do bar.
-Sacanas!
-Fecha a porta, porra! - gritava já indignado alguém.
-E ainda o obrigaram a pagar cento e vinte e cinco mil euros! -exclamava indignado com a perna esquerda acima e abaixo tique típico de uma geração.
-E o Santana? - já boquiaberto perante tamanha indiferença o homem ao fundo do bar.
-Realmente aquele país vai de mal a pior, safa! - dizia o mais velho enquanto os outros anuíam com a cabeça.
-Oh se vai! Bem, tem que ser. Até logo. - e saíram sem mais.
-E o Santana? - já sem ninguém a ouvir a não ser os empregados do hotel alheios à realidade lusa e o que gritava de algures.
-Fecha a porta!!!! - insistia o que nunca se viu.

Yono.
Miguel S.

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dezembro 07, 2004

Teto do quarto

O velhote Ângelo, emigrado da Índia portuguesa para Moçambique ainda no tempo colonial, nem queria acreditar no que eu lhe pedia. "Mas quer mesmo pintar um quarto de amarelo e o outro de azul?" perguntava com o cigarro a pender para o lado esquerdo enquanto sorria. "Quero mesmo Senhor Fernandes, estou farto do branco! Isto parece um hospital" insisti. "Mas tem a certeza?" retorquia encostado à ombreira da porta devido ao peso dos mais de 70 anos em cima das já frágeis pernas arqueadas. "Tenho. Faça o que quiser, mas quero a casa pintada de amarelo forte e azul forte." Assim foi e assim ficou.

Muito se riu o senhor Ângelo a olhar para mim e enquanto as obras duraram. A casa, essa, era do tempo colonial datada de 1929. Estava toda rebentada quando para lá fui. As chapas de zinco do grande telhado há muito que estavam podres, com buracos, fazendo com que na época das chuvas a água entrasse no interior da casa. Tal como o soalho que há muito não sabia o que era ser encerado ou varrido. Maltrataram-no com petróleo, por causa do "bicho". Apresentava-se esburacado. Ouvia os ratos à noite por baixo dele.

Mandei arrancar os aparelhos de ar condicionado que estavam no seu interior, arranjar o telhado todo, pintar a casa, lixar o soalho e colocar ventoínhas no teto de todas as divisões (prefiro ao ar condicionado, mesmo com os +48ºC que apanhámos em Dezembro de 1999), reconstruir a casa-de-banho, fazer eu os móveis ou desenhá-los. Tudo muito minimalista, mas confortável.

O velho muito se riu enquanto lá vivi. Não sei o que lhe terão feito os senhores que se seguiram.

Yono.
Miguel S.

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Moçambique: retratos na viragem do século XXI

Yono.
Miguel S.

Esta é bonita não é Zé Teixeira?

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Loco loco na ilha continental

"Entao, tas no ma... a beber café?" <04-DEC 12:25 Loco loco>

Hummm, estranhei o raio do SMS. Brincalhão o loco loco. Estava a acabar o dia de trabalho, cheio de papelada em cima da secretária e com uma soneira do outro mundo.

"Convidas-me para um café ou nao?" <04-DEC 12:34 Loco loco>

(Sorriso). Está cá na cidade. Chamei a malta mas já não os apanhei. O "puto" (esta é porreira, se ele lê isto...) já se tinha pirado e o faquico estava "incontactável" (problemas de rede). Ou seriam ainda os problemas da dentada do Paco na barriga da Mir? (sorrisos e mais sorrisos).

Aquele abraço. Eléctrico como de costume. Sempre com um speedo impressionante, John! Por alguma razão eras o dinamizador atómico cá da "terra" (gargalhada incontida). Ficaste famoso nestas partes de África. Quer pela dinâmica quer pelos galos. Como ontem. Já sem termos tido tempo para "matabicharmos" todos, correste para o avião que voltou para trás (gargalhada) e depois a seca monumental no aeroporto por nunca se saber, a não ser quando o avião sobrevoa a cidade, a que horas chega o vôo "dá cápitál".

Volta sempre pá!

Yono.
Miguel S.

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Especificidades autóctones

Descobri durante a viagem a caminho da fronteira com o Zaire (não me apetece chamar-lhe República Democrática do Congo, acho que o Kabila devia estar grosso quando mudou o nome ao país), este fim-de-semana, a razão pela qual achava algumas pessoas com um ar muito estranho. Não sei. A cor da pele muito pálida, estranha. Havia qualquer coisa de diferente. Foi então que o meu comparsa de viagem, o mais velho Loi, me disse que esta malta do Zaire tem a mania de passar no corpo um produto [deles] para aclarar a pele. Rematou logo que não concordava. Cada qual nasce da cor que nasce e deve é preservar a sua imagem e higiene pessoal.

Para além desta especificidade, o que mais me espanta aqui é uma certa moda feminina que nunca vi em qualquer outra das paragens por onde tenho andado. Na África Oriental e no hinterland jamais vi tal coisa. Mas chamou-me a atenção pois a Con usa-as assim. Muitas mulheres aqui, mais suburbanas e mescladas gostam de usar as unhas dos pés compridas. Blhaaaaaaaaaacccccccccc!!!

Eu devo ser masoquista, só pode. Aquilo chama-me bastante a atenção, não consigo deixar de reparar. Entendo que os pés de qualquer pessoa, em particular das mulheres, revelam bastante da própria. Ora aqui, para além de um qualquer fungo patente em muitas mãos e pés que tornam as unhas castanho-avermelhadas da ponta para o sabugo e dos pés geralmente mal tratados, ainda cultivam o deixar crescer as unhas como se das mãos se tratasse.

Ainda me ponho a pensar, quando olho para elas, se alguém o aprecia. Imagino-as a calçar sapatos fechados ou ainda à noite a dormir com alguém os estragos que poderão fazer resultantes de um movimento mais brusco apesar de, se calhar, serem mais eficazes a coçar as costas! LOL

As da Con metem-me uma impressão terrível. Aquela mulher quando vem trabalhar de sandálias ou calçado aberto até me passo. O tamanho já é de 1/4 ou mesmo 1/3 da unha normal (rasa). O verniz é horrível e normalmente mal pintadas. Já as vi de todos os modos e feitios. Fazem-me lembrar as garras de um animal pois curvam para baixo.

Impressionantes estas modas locais...

Yono.
Miguel S.

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dezembro 06, 2004

Moçambique: retratos na viragem do século XXI

Yono.
Miguel S.

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30 segundos…

1 minuto…

2 minutos…

3 minutos…

ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh… 3 minutos 32 segundos e 17 centésimos confirmados debaixo de água. O dia estava escaldante e aos domingos poucas alternativas havia a uma ida ao Gauteng. A piscina do melhor hotel do continente era um espanto. Bom enquadramento paisagístico, água sempre limpa e um serviço irrepreensível. Pouca gente, maioritariamente caucasianos de tez clara, cabelos loiros e olhos claros. Um bálsamo dominical da cada vez mais reduzida presença estrangeira.

Estava cansado. A alienação levada ao limite da apneia estática permitia testar cada vez mais a sua própria resistência física estando a psicológica já de rastos. Tudo era encarado como uma sobrecarga. Já não conseguia encontrar a beleza de outrora na paisagem, nos cheiros, na gastronomia, nas danças nacionais – saudosa memória dos makondes – nas lindas mwanis, nas curvilíneas e sensuais figuras deambulantes um pouco por toda a parte, na kizomba, na batucada domingueira no Alto Gingone com os batuqueiros de dentes afiados, fartas tatuagens na face e olhos revirados pela soruma. Sim! Aquilo dava pica. Tal não era o frenesim com que tocavam os tambores, depois de aquecidas as peles de cobra na fogueira. A energia do Mapiko era algo de estonteante para gáudio das mulheres e crianças que ali se reuniam todos os domingos.

Durante os 3 minutos em apneia tomara a decisão: regressar a casa. Estavam completamente esgotados os motivos pelos quais tinha decidido sair.

4 dias antes da partida, a catástrofe. Foram dias inesquecíveis. De paixão e amor até à última gota. Entre lágrimas, beijos e ternurentos gestos a despedida, rápida e eficaz. Não nos voltaremos a ver, eu sei, soluçava. Não te preocupes, dizia.

Soube bem sentir o avião a rolar na pista. As grandes avenidas iam ficando para trás. Assim como os musseques que iam desaparecendo gradualmente… De repente o planalto, frio do inverno de Setembro. A agitação de uma grande urbe. Documentos! Os seus documentos! Para onde vai? Lisboa. Onde vive? Lisboa. Nasceu onde? Lisboa. Para onde vai? Lisboa. Onde vive? Lisboa. O interrogatório era enfadonho. Repetitivo. O cabelo encaracolado escuro, a pele queimada pelo sol do índico e a confusão estava instalada. O casal muçulmano a passar ao lado sem grandes delongas enquanto o segurança via se o passaporte do “suspeito” era falso. Os cuidados eram poucos. Alguma irritação de quem está cansado e pretende regressar a casa rapidamente e hop lá seguiu.

Londres. Tudo calmo. Aparentemente. Revista detalhada ao embarcar para Lisboa. Chegada a Lisboa, segurança apertadíssima comparativamente a Londres. Sim! Tinha chegado a Portugal. Agora sim, tudo começava a ser familiar. O ar marcial da segurança tipo all muscles no brains. O ar de porco dos taxistas. A alfândega com eles barrigudos e óculos graduados castanhos, elas enfim… O pessoal do costume que só vai uma vez por ano ao aeroporto lá estava a marcar presença. O cheirinho a suor, que saudades. Ei Manel! Estamos aquiiiiiii!!!!!! Manel, cota emigra sabe-se lá onde, faces rosadas da pinga e com uma pinta algo saloia nem sabia bem por onde sair. Alguém mediático tinha igualmente chegado no mesmo vôo. De repente foi um corre corre com as câmeras ligadas, muitas luzes e gente a correr. Logo uns de grandes bigodes a gritar “é aquele jogador! Olha! Ai como é que o gajo se chama?!”

Um café se faz favor. Sim, sai já. Dez minutos depois, teve que limpar o balcão todo e lavar diversas chávenas, lá saiu o café. Bom. Que sabor! Lá fora, o polícia de trânsito com as cenas do costume. Não, não pode parar aqui. Circule, circule minha senhora senão vou ter que multar. O trânsito caótico do costume. A adrenalina entrou em acção de imediato. Boaaaaaaaaaaaaaa! 140 na 2ª Circular. Chegar a casa foi rápido. Tudo montado, estava preparado para recomeçar não sem antes experimentar um longo e demorado descanso de vários anos de trabalho duro e extenuante.

Yono.
Miguel S.

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Catarse da alma e outros quejandos

Prometi-me a mim próprio um dia fazê-lo, coisa que não aconteceu até à data de uma forma algo consistente. A passagem por diversas zonas de África, da costa à contracosta, as incursões no hinterland, as paisagens inesquecíveis e as muitas histórias que levamos para contar - as que sempre contamos - fazem os outros crer, por vezes, que isto perspectivando devidamente até é porreiro. E é. Porém, escondemos bem lá no fundo os momentos [muito] maus. Para [minha] memória futura, dos que vieram, dos que ficaram, dos que nos acompanharam, dos que regressaram...

Yono.
Miguel S.

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A televisão por cá [em português]

A mudança de hora em Portugal entalou-nos por estas paragens. Agora, à nossa hora do almoço, não temos a sorte de poder acompanhar o noticiário da SICi ou da RTPi. Dos 3 canais portugueses que por aqui temos, para além dos já citados a SIC Notícias, nenhum deles dá o que quer que seja minimamente interessante: na SICn apanho com o jornal de desporto (já não suporto aqueles tipos), na RTPi o programa da Sónia e na SICi o SIC 10 Horas. De vez em quando, enquanto almoço, deixo na SICi e fico a ver aquelas três "gajas" a falar da vida dos outros ficando eu a pensar para os meus botões "estranha forma de ganhar a vida, esta. Mais valia ser estivador!".

Yono.
Miguel S.

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"Porquê que tu sofres?" por Dr. Simbapoli

Sem comentários.

Yono.
Miguel S.

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dezembro 05, 2004

Paco, o macaco

Yono.
Miguel S.

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Foto de fim-de-semana

Yono.
Miguel S.

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A caminho do outro lado

Foi com alguma apreensão que alguns elementos da comitiva viram a canoa/piroga (almadia, em Moçambique) onde teriam que entrar para chegar ao "outro" lado.

Antes da partida a piada do local. O comandante teria dado ordens ao graduado que por aquela fronteira não queria ver mais tambores com combustível a passar para o "outro" lado. Passado algum tempo chegou ao local em visita surpresa e deparou-se com tambores de combustível pelo que se virou para o graduado e perguntou "eu não lhe disse que não queria ver mais tambores de combustível a passar para o lado de lá?" ao que respondeu o graduado "Sim chefe, não tem passado nenhum tambor de combustível. Só gasolina e diesel."

Diante dos nosso olhos, as canoas chegavam e partiam. Ora com os passageiros e remador todos em pé ora todos sentados à excepção do remador. Numas só pessoas e noutras pessoas e carga: cerveja, gasosas e combustível.

Só esta manhã vi a fotografia que tinha tirado. Tentei fotografar o remador e afinal acabei por fotografar o ajudante que não me pareceu muito satisfeito com a minha acção...

Já no regresso a beleza da grande planície verdejante, com o céu bem carregado para um fim de dia cheio de chuva e trovoada.

Yono.
Miguel S.

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dezembro 04, 2004

A praia do peixe

Miguel S.

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dezembro 03, 2004

Ufa! 6ª feira.

Hoje foi um daqueles dias mais "carregados". A cidade agitou-se logo pela manhã com a chegada do G8 para negociações sobre os do lado de lá. Talvez por isso o Padre Professor Doutor ande tão calado. Pelo menos não lhe tenho ouvido a voz gutural nem o semblante sempre carregado no bar do hotel.

Ni nó ni, ni nó ni, ni nó ni o carro da polícia a abrir atrás de nós com os carros a encostar que a coluna aproximava-se. Acelerei. Os outros começaram a encostar, como mandam as regras. Viraram à direita. Desacelerei...

"Sô Director, e...e...e...eu te...te...tenho uma preocu... preocu... preocupação." dizia-me o Puc aflito gaguejando mais do que é o normal.

"Sim, diga lá Puc. O que é que se passa desta vez?" lá disse cansado de o ouvir sempre com os problemas dele.

"A... a... a... mulher estava do... do... do... doente no hos... hos... hospital e" de repente acelerou a cadência das palavras "morreu esta manhã. Lá no hos... hos... hos... hospital nega... nega... negaram tratar disseram que chei... chei... chei... cheirava mal e que isso e... e... e... era pro... pro... problema de família e não de hos... hos... hospital" prosseguia comigo já cansado apesar de chocado com o relato que ouvia. É que a mulher tinha dado à luz o primeiro filho deles há três meses atrás. Prosseguiu "levámos em ca... ca... ca... casa e demos re... re... remédio tra... tra... tradicional e vomitou coisas ve... ve... verdes, deixou de falar ontem e hoje mo... mo... morreu!" dizia ele algo aflito."Foi en... en... enve... enve... envenenada." concluiu.

Pensei cá para comigo "grandes sacanas!" Quer dizer a mulher teve o filho há 3 meses. Nasceu em casa e depois foi para o hospital para a limpeza. Sabe-se lá se fizeram o trabalho bem feito? Não era agora tão fácil junto dos ignorantes e crentes em feitiçaria como são aqui dizer que o mal da mulher era "tradição" logo incurável nos hospitais? Fiquei chocado. Ajudei-o no que pude. Nestas coisas há o caixão (foi comprar tábuas para fazer o caixão), os panos, as cerimónias no bairro com os "mais velhos" a cantar a noite toda em frente à fotografia da que partiu, come-se, bebe-se e não se dorme a noite toda. Ela não tinha ainda sequer 20 anos. Ficou ele, 21 anos, viúvo e com um puto de 3 meses a quem deu o meu nome por lhe ter emprestado algum dinheiro após o parto.

À tarde tive que lá ir. O vôo das 15 estava a chegar. Confusão. Discussão na Alfândega com uma senhora que não percebi o que é que estava lá a fazer. Ela, a funcionária, à procura do código em "Têxteis", na Pauta Aduaneira, para classificar umas fotografias tipo cartaz que chegaram hoje da Europa. Até a vi à procura daquilo em "Máquinas pesadas", "Motores", "Relógios", entre outras coisas tão ou mais estapafúrdias enquanto ela ia olhando para mim pelo canto do olho tipo "este gajo está a topar que não pesco nada disto". Até que me enchi de coragem e perguntei-lhe "A senhora desculpe, não se importa que eu a ajude?". Aceitou com um sorriso do tipo "você safaste-me desta pá! Estava a ver que você nunca mais perguntavas...". É que já estava farto de ali estar. Um barracão melhorado com chapas de lusalite, aberto mas com pequenos compartimentos de 2,5 x 2 metros (onde nós estávamos) e 8 pessoas lá dentro, o bafo era forte tal não era o calor que lá se fazia sentir.

Que lentidão... Quero ver as fotos ainda hoje pá! Agitava-me, para trás e para a frente. Lá iam fazendo os cálculos, langsam que hoje é 6ª feira e a festa está quase a começar. Saí que já não aguentava mais aquilo.

Pus-me a ver quem chegava. O pessoal vinha carregado. Sacos, sacolas, saquinhos, malas, o pessoal traz tudo o que pode quando vai à capital. Tudo vinha nas malas porque no corpo vinha pouca coisa... A esse propósito lembro-me de olhar para alguém que estava a chegar e de pensar "eh lá! grande par de mamas!". Ao menos esta descontração. Ia-me por a olhar para os polícias de azul escuro e cacetete na mão a dar umas cacetadas de vez em quando nos carregadores oficiosos?! Ou para a dentuça sobressaída e maxilar inferior retraído do funcionário da alfândega que preenchia metodicamente a papelada do despacho, com a boca entreaberta, enquanto o polícia fiscal chorava a gasosa?! Ao menos as grandes curvas acalmavam o espírito já de si agitado pela lentidão do sistema.

Finalmente as fotos. Lindas, soberbas. Vai ser bonita a exposição.

O jantar de anos já deve ter começado e eu ainda aqui a descarregar estas palavras. Não posso perder mais uma oportunidade de estar com gente engraçada, mais uma noite tropical, com uns copos bem bebidos. Barba, duche, roupa lavada e perfumada que o "dever" chama-nos!

Yono,
Miguel S.

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Os oito...

...chegaram sem grande pompa nem circunstância para além dos trinta que os foram receber à pista. Eles descontraídos de balalaica em claro contraste com os anfitriões, à espera em pé na pista, perante o sol das 9 que já escalda nesta altura do ano por estas paragens. Recordou-me uma experiência em Moçambique, já lá vão uns anos.

O Presidente Chissano ia em visita oficial à cidade. Estava-se já em pré-campanha eleitoral para as eleições de 1999. Como é normal nestas paragens, convidam-se algumas entidades "importantes" para ter uma composição mais diversificada na plateia. Fica bem e é de bom tom. Acabei por ir. Afinal era o Presidente Chissano. Lá fui buscar o fato que nunca usara em Moçambique. A custo lá o vesti depois do raio da camisa de manga comprida e da gravata tropical aposta desajeitadamente. Que desconforto. Até porque descobri, na ocasião, que tinha engordado bastante. A camisa já só muito esforçadamente fechou no pescoço. Por simpatia.

Ainda não tinha chegado ao hotel e já suava em bica. Éramos poucos na sala sem cartão do partido. Do sector privado contavam-se pelos dedos de uma mão os presentes. A sala mais parecia um crematório. Janelas abertas porque o ar condicionado há muito que não funcionava, sem corrente de ar perceptível e mais de 60 pessoas lá dentro, juntas porque não havia espaço para mais, deixa espaço à imaginação para adivinhar a densidade do ar...

À minha frente um Administrador Municipal - estavam lá todos! - conhecido que só contava anedotas e relatava as suas façanhas sexuais no lugarejo onde era o mais importante. Agitava bastante as mãos, falava suficientemente alto para que a vários metros dele pudessem estar a par dos seus feitos e ria-se despregadamente enquanto ia olhando em várias direcções à procura de quem comungasse do seu estado entre os demais. Ao meu lado esquerdo, azar o meu, um político de carreira e também Administrador no cú de judas onde eu nunca tinha ido, lá bem no mato. Coitado do homem. Metia pena. Bem magro, um fato vários números acima do seu tamanho e as mangas da camisa bem maiores do que as do fato cobrindo metade das mãos. O ar coçado do fato, os sapatos a pedir reforma, as meias às riscas brancas e vermelhas e todo o cenário era sofrível.

Já tinha passado mais de uma hora e nada. Toda a gente a morrer de calor e a suar por tudo quanto era poro e nada. Nem Presidente, nem Governador e nem sequer uma garrafa de água...

Esperámos...

Esperámos...

E de repente notou-se uma movimentação atrás de nós. As anedotas calaram-se em simultâneo com os risos. A movimentação que foi para os lugares serem todos preenchidos à pressa. Ainda meio torcido para ver o que se passava atrás de mim, eis que surge o Presidente logo seguido do Governador. Uma camisa africana aberta ao meio, a sua pulseira de ouro e um ar todo descontraído. Toda a gente se levantou. Das palmas iniciais passou-se a um bater de palmas ritmado com um som grave nasalado a acompanhar pois as bocas mantinham-se fechadas. E isto durou alguns minutos até que o Presidente, com as mãos, pediu o fim das "boas-vindas".

Começou o discurso. Inicialmente proferido pelo Governador em que exaltou os "grandes feitos" e "obra" realizados durante o seu mandato. Nada de novo no horizonte. Finalmente, o actor principal da peça. Gosto do homem. Não há nada a fazer. Independentemente de tudo. Falou, falou e falou. Até que chegou um momento em que perguntou a um dos seus assessores se já teria chegado o fax de que estaria à espera. Trouxeram-lhe o documento e começou a falar de Dhlakama e da Renamo. Começou a falar da situação política da altura e, de repente, alguém lhe segredou algo ao ouvido e parou.

Agradeceram imenso a nossa presença, mas os convidados deviam abandonar a sala porque ir-se-ia tratar de assuntos políticos correntes onde apenas deveriam estar os elementos do Governo Provincial e do partido. Ufa que sorte! Já não aguentava mais o fato.

2 litros depois, já mais leve, retirava a gravata ainda no elevador para respirar melhor. Mas estava satisfeito. A experiência tinha sido extraordinária.

Miguel S.

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dezembro 02, 2004

Momentos

Miguel S.

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Ao Vasco...

...homenagem atrasada ao amigo lá de casa, ao mais de 200 à hora na A1 [ainda curta e sem radares] a caminho de Leiria e ao Yoga no Estádio Universitário, a quem a vida pregou a rasteira derradeira nos idos 80.

Abraço.
Miguel S.

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Vai uma mobilização?

Quantos de nós, aos 30 e poucos anos, já se conformaram à [nossa]realidade? Quantos de nós permanecem ainda inconformados e dispostos a pôr mãos à obra? A presente situação, corolário de um lento e progressivo definhar do Estado, das suas instituições e, consequentemente, da sociedade em geral implica uma acção activa por parte de todos nós para além do quotidiano individual.

O momento [mais um] reveste-se de grande importância já que o país não tem muito mais tempo.

Nunca mais esquecerei as palavras doutas do Prof. Maciel em Integração Económica, já lá vão uns bons 12 anos. Dizia ele na altura: "Mesmo que o PIB cresça 1,5% acima da média da CE, só daqui a 50 anos é que Portugal terá um PIB equivalente à média dos 12." Ou seja, lá para 2043, nós já acima dos 70 anos de idade, atingiríamos um patamar de riqueza próximo dos Estados mais bem acomodados da CE. Que grande balde de água fria representaram aquelas palavras na altura para todos nós perante tão dura realidade. Mais espantado fiquei quando há 2 anos atrás (10 anos depois do Prof. Maciel), economistas próximos do PSD, publicaram em livro os resultados de um estudo sobre a economia portuguesa retirando praticamente as mesmas ilações, ie, perderam-se entretanto 10 anos. Ou seja, só quando eu e os meus colegas tivermos mais de 80 anos, se ainda estivermos vivos, é que o PIB português poderá atingir a média do PIB dos 12 de então... Dá que pensar... E isto não é ser derrotista ou velho do Restelo mas tão-só realista. A não ser que venha daí um milagre. E esse não se afigura para já se se mantiver o actual espírito lusitano.

Mas, para além disso, é o facto de assistirmos à rotação das cadeiras [sempre] com as mesmas caras: hoje és tu, amanhã sou eu, depois novamente tu e somos todos [quase] amigos, a bem da Nação claro está. Muitos dos que vão saindo do sistema aproveitam as "oportunidades" trabalhadas a partir de "dentro", dando então lugar a outros mais novos mas já com todos os vícios do sistema [en]doutrinados pelas "jotas" em muitos casos. Com os [maus] vícios a começarem nas academias. Não se recordam das RGAs e das eleições para as Associações Académicas? As fortes infiltrações das “Jotas”? A sensação clara entre nós, apartidários, que a discussão e luta no nosso seio ultrapassavam bastante o que nos dizia directamente respeito? E agora a sensação entre nós que está a ser formada uma geração de novos políticos com os quais não nos identificamos em nada?! Muitos dos quais não fazendo a mínima ideia do que é trabalhar, como é que podem representar condignamente os seus e dispôr assim de uma maior capacidade de reflexão induzida também pela [fundamental] experiência? Ou a arte de ser político resume-se apenas a um pseudo exercício intelectual dessincronizado com a realidade dos milhões que, através dos seus impostos, sustentam classe tão inútil?

É preciso cortar definitivamente com as amarras do passado e que a nós, um dia designados por um acéfalo iluminado de “geração rasca”, cada vez menos dizem alguma coisa. Claramente, tal como noutros processos revolucionários, é preciso dar o respectivo “lugar ao sol dos combatentes pela liberdade e democracia” para que os que não carregam o fardo das vivências em ditadura possam procurar e encontrar o [melhor] caminho. Torna-se igualmente claro que a geração de 60 e jovens adultos à data da revolução deixa muito a desejar, sendo poucos os casos a destacar, quer na política quer no mundo empresarial. A prova disso mesmo é que, volvidos 30 anos da Revolução e 18 anos de adesão à então CEE, Portugal continua a ser o país adiado onde, para grande vergonha nossa, as situações mais recambolescas continuam a ocorrer com a maior das naturalidades.

Com as devidas distâncias, “Até Quando?” de Gabriel O Pensador espelha bem o meu estado de espírito. Fica a letra:

Até Quando? (Gabriel, O Pensador)
Não adianta olhar por céu, com muita fé e pouca luta.
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve, você pode, você deve, pode crer.
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver.
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer.
Até quando você vai ficar usando rédea?
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea? (Pobre, rico, ou classe média).
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura.
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura.

Até quando você vai levando?
(Porrada! Porrada!)
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando?
(Porrada! Porrada!)
Até quando vai ser saco de pancada?

[...]

Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá.
Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar.
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar.
Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?

[...]

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro, na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada, até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?


É fundamental a mobilização e começar a pensar na pedrada que terá que ser dada no charco. Ficam os links da nossa Constituição e de alguns partidos políticos para alguma reflexão:

A Lei Fundamental
Constituição da República Portuguesa

Os do costume
Partido Popular
Partido Social Democrata
Partido Socialista
Bloco de Esquerda
Partido Comunista Português

Aspirantes
Partido da Nova Democracia

Uma forma diferente de estar
Partido da Terra

Só por causa do Garcia Pereira...
Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses


Um abraço,
Miguel S.

PS-E desta é que vou deixar mesmo de falar de política e regressar às crónicas...

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A musa

Miguel S.

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