Portugal radical
A candidata do POUS por Beja.
Yono.
Miguel S.
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« dezembro 2004 | Entrada | fevereiro 2005 »
A candidata do POUS por Beja.
Yono.
Miguel S.
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Ou apenas boatos? Só me faltava mais esta. Depois de Agosto, novamente mais do mesmo. Embora o P. me tenha dito "não se preocupa, está tudo sob controlo. Não meta coisas na sua cabeça." Pois!
Yono.
Miguel S.
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Comungamos o mesmo estatuto: forasteiros. Com o ginásio fechado, lá me safou deixando-me treinar no dele, lá em casa. É um tipo porreiro. Maníaco do desporto. Agora estamos a pensar organizar um clube de cicloturismo, caso fiquemos por cá o tempo suficiente.
Yono.
Miguel S.
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Apertador de colhões testículos. Com mãos fortes e vasta experiência. Admissão imediata. Não precisa de saber falar. Para estar ao meu lado, amanhã.
Yono.
Miguel S.
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O autorizado acabou por decorrer normalmente. O quotidiano manteve-se inalterado. Alguns sinais, normais. Amanhã já ninguém se lembra. A inteligência começa a tomar conta dos acontecimentos.
Yono.
Miguel S.
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Não faço a mínima ideia e confesso não ter assim tanta curiosidade. Mas pelo acontecimento autorizado, serei forçado a inventar trabalhos de casa num domingo solarengo e quente. Hummmm. Ainda sou capaz de arriscar uma volta de bicicleta logo de manhã...
Yono.
Miguel S.
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Como é próprio dos sítios mais pequenos, os nossos seguem a tendência do azeite quando despejado na água...
Curtem bué e curtem-se bué, certamente. Devo ser eu o esquisito. Passo a explicar: custam-me os sorrisos de circunstância, o fingir que aquela pessoa até me agrada quando numa amostragem de 10 milhões de habitantes só por pura coincidência os 15 ou 20 portugueses da nossa idade que aqui vieram parar seriam compatíveis com a minha maneira de ser, forma de estar, para que a socialização funcionasse genuinamente. Sendo este sentimento passível de reciprocidade. Mesmo assim tive sorte: o puto é porreiro tal como o faquico, a ana quico e o nm. Malta simpática e pouco dada a merdas.
E depois têm comportamentos curiosos, dignos de registo num qualquer almanaque. É uma fauna dos diabos. Era capaz de ser um tema interessante para um qualquer doutorando da área da sociologia.
Moçambique foi uma grande escola no que se refere a nós. Cedo aprendi que o mesmo passaporte não era suficiente para o social. Diverti-me muito mais com a Ann B., à volta de muitas caixas de Nederburg e míscaros feitos à sua maneira. Isso e os jantares, as longas conversas no casarão com as ventoínhas a rodar por cima das nossas cabeças ao ritmo das oscilações da energia. As suas histórias de guerrilheira na Nicarágua pelos contras. Alguns segredos das ONGs. Os muitos anos de África. Boa companheira.
Por cá não há muita gente. Na verdadeira acepção da palavra. Faltarão as ONGs provavelmente...
Yono.
Miguel S.
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A única razão pela qual nutria alguma simpatia pelo puto Q., devia-se à forma como o vi aquando do enterro do seu pai.
O velho Q. era um dos melhores. Cumpridor e grande trabalhador. Impecável em tudo, até no relacionamento. Sorria sempre, mesmo sem perceber bem o que lhe dizíamos pois era mais dado ao Lingala e Kikongo.
Estava o velho Q. a ser enterrado, depois de muitas voltas lá dentro, quando reparei no puto Q. sentado à beira da picada com as mãos na cabeça e a chorar com grande intensidade. Aproximei-me. Disse-me que não sabia o que iria ser deles daí em diante. O pai era o único que ganhava lá em casa e ele era o mais velho cabendo-lhe agora a responsabilidade do sustento para a viúva e irmãos menores. Tive pena do puto de 20 anos. Franzino. Desempregado. Estrábico. Dei-lhe emprego em honra do pai e para ajudá-los. Tornou-se também ele um bom funcionário.
No regresso de férias fui posto ao corrente, entre outros assuntos, das movimentações de trabalhadores. Fui surpreendido com o pedido de demissão do puto Q. Afinal, desde que entrara na empresa sofria pressões familiares. Porque tinha sido graças a eles que tinha conseguido emprego, diziam-lhe, e que não acreditavam que ganhasse tão pouco. De certeza que ganharia muito mais! Andava a escondê-lo da família. E que por isso tinha que dividir com a família do pai e com a viúva. Começaram a ameaçá-lo de morte. Optou por se ir embora...
Yono.
Miguel S.
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Na entrevista da rádio...
"Bom e Deus, quando se tratou de distribuir a riqueza, disse aos negros "tomem e vão!", depois quando chegaram os brancos Deus disse "tomem a forma de explorar a riqueza e vão!"".
Mas valerá a pena dizer alguma coisa!? Imaginem-se as homilias deste fulano... E temos nós que lidar com este tipo de cromos.
Yono.
Miguel S.
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O trio foi contido. Um em claro desafio à ordem instituída pensando ser ainda o capitão do exército capitaneando os camaradas, outro chorava porque constatava que um acto irreflectido lhe tinha valido o despedimento e o último, vindo da RDC, continuava com os papos dele armado em herói. É muito complicada a situação actual de ter que lidar com ex-combatentes que desconhecem o que é a Lei e acham que pela força, anarquia e destabilização atingem os seus intuitos.
Para a semana há mais. Com mais calma, serenidade. Momentos há em que mais vale agir com astúcia. Assim foi ao fim desta manhã.
Yono.
Miguel S.
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A reunião acabou por não se realizar por ausência de condições de segurança. É como digo, começo a ficar cansado de algumas paragens no planeta...
Yono.
Miguel S.
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Amanhã. As mesas geometricamente alinhadas e num plano mais elevado. O conjunto será alegre pelo colorido dos tecidos. Só. Muitos abus serão ditos. O contexto favorece-nos à partida já que nos destacamos pela positiva. Os incendiários entretêm-se com os inocentes pois a humidade não lhes permite pegar fogo à floresta. Fica então o encontro marcado para amanhã à tarde para mais umas letras.
Yono.
Miguel S.
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...desaparecer o Santana Lopes? Há paciência? Agora é porque há mega fraude nas sondagens e se ganhar vai punir os responsáveis? E ele não poderá ser processado judicialmente por calúnia ao proferir estas afirmações graves? O pobre coitado e humilde PM que quer continuar a sê-lo!?
Yono.
Miguel S.
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O A380 serviu de desculpa para comparar a UE à URSS num blog que já não me lembro qual. Terá sido por causa do tamanho da coisa?
Yono.
Miguel S.
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O cego prosseguia impávido e sereno com os seus discursos mudos incendiários para a multidão inexistente. Esquecera-se que a cela não era sua. Apenas era convidado ocasional e agora já nem isso. Como acéfalo profissional, dos que se levam muito a sério, com uma acefalia provada e comprovada por muitos que com ele se cruzaram acidentalmente, a besta, também chamado de cego, nem reparou na espada de Damocles que sobre a sua cabeça pendia. Também, como poderia vê-la se é só e apenas cego!?
Yono.
Miguel S.
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E é por cenas como esta que levou à expulsão do Hugo Viana que não me apanham nos estádios, nem sou um adepto fervoroso do futebol. Como desportista que fui (e sou) sempre e acima de tudo a verdade desportiva. Que nojo!
Yono.
Miguel S.
PS-O João Pereira na conferência de imprensa mostrou bem o seu calibre. Tirando isso, o Sporting perdeu infelizmente mas tanto dava para um ou para o outro. Azar nosso.
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Fechado na cela sem portas e sem janelas gritava palavras mudas para a multidão inexistente. Gritava. Gritava. Cada vez mais alto. Mesmo sendo mudo. Não percebia que o céu não estava a seus pés e que o sol não girava à sua volta. E assim foi.
Yono.
Miguel S.
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Espectacular o vôo com paisagens magníficas de Marrocos, Sahara Ocidental e Mauritânia. O calor de Luanda soube bem. Isso e vir já para cima esta manhã. Business as usual, afinal. Pelo menos por enquanto.
Yono.
Miguel S.
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Easy - The Commodores
Know it sounds funny
But, I just can't stand the pain
Girl, I'm leaving you tomorrow
Seems to me girl
You know I've done all I can
You see I begged, stole and I borrowed! (Yeah)
Ooh, that's why I am easy
I'm easy like sunday morning
That's why I'm easy
I'm easy like sunday morning
Why in the world would anybody put chains on me
I've paid my dues to make it
Everybody wants me to be
What they want me to be
I'm not happy when I try to fake it! No!
Ooh, that's why I am easy
I'm easy like sunday morning
That's why I'm easy
I'm easy like sunday morning
I wanna be high, so high
I wanna be free to know
The things I do are right
I wanna be free
Just me! Whoa, oh! Babe!
That's why I am easy
I'm easy like sunday morning, yeah
That's why I'm easy
I'm easy like sunday morning, whoa
'cause I'm easy
easy like sunday morning, yeah
'cause I'm easy
easy like sunday morning
Yono.
Miguel S.
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E não é que descobri hoje num dos meus livros em branco, de 1989, as receitas dos biscoitos e bolachas da minha avó? Aos 18 anos deu-me para lhe pedir as receitas dos doces que fazia tendo na altura recebido das suas mãos diversos instrumentos e assistido à feitura de alguns doces :D
Yono 'vó!
Miguel S.
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Caramba pá! Não tem nada a ver. Se fosse escrever aqui as coisas que gosto em Portugal nunca mais acabava. Sou é bastante mais crítico com isto por ser a "minha gente", a "minha terra" e estarem aqui as "minhas raízes (?)" independentemente do meu avô me chamar marroquino!
Yono.
Miguel S.
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Meu amor já não me quer,
Já me esqueceu e me desama.
Tão pouco tempo a mulher
leva a provar que não ama!
Fernando Pessoa
in "Cartas de Amor de Fernando Pessoa", Ed. Nova Ática
Yono.
Miguel S.
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1º dia
Segurança: Não, hoje já não damos mais senhas mas se quiser fale com a técnica porque só fechamos às 16h e ainda são 14h e qualquer coisa.
Técnica: Pois hoje já não dá. É melhor amanhã.
2º dia
Segurança: Vem para? Ah, muito bem aqui está a senha tem que aguardar ali atrás até que o chamem.
Técnica: Bem, tem que fazer isto, isto e mais isto. Está tudo explicado nesta folha. Depois volte cá.
Em casa li bem o papel e reparei que era necessário adquirir o modelo xpto1 e o modelo xpto2. Regressei à Instituição Estatal.
3º dia
Segurança: Pois, para isso tem que tirar senha e aguardar pela sua vez.
Fui embora pois o meu número ainda estava "longe". Que seca. Só para comprar dois impressos? Tinha que ser o técnico????
4º dia
Segurança: Ah o senhor esteve cá ontem não foi? Pois, olhe está muita gente porque é que não faz uma marcação? Ai não pode? Vai para o estrangeiro? Então olhe chegue-se junto a um dos técnicos e assim que sair alguém o senhor pede para comprar os impressos.
Claro que o não fiz porque não estava disposto a passar à frente de quem esperava há horas à minha frente e muito menos disposto a ouvir bocas por causa da merda de uns impressos.
A minha amiga ac safou-me e trouxe-me os impressos do norte, carago!
5º dia
Segurança: Ah os impressos já estão preenchidos. Olhe fez mal porque os técnicos não gostam. Têm que ser preenchidos na sua presença. E hoje também já não vai ser atendido porque já não temos mais senhas. Porque é que não faz uma marcação? Ah vai amanhã para o estrangeiro? Olhe porque é que não vai ao nosso escritório na Rua KYZ? Nunca tem ninguém e é capaz de ter sorte.
Segurança do escritório sito na Rua KYZ: É para? Aqui está a sua senha. É já a seguir, pode entrar.
30 segundos depois de entrar na sala com 2 técnicos e apenas 1 a trabalhar fui chamado.
Técnica: Sim? Ah muito bem. Ora já tem os impressos, falta só preencher aqui. Ok. Assine. Vamos então para ali. Paga acolá. Ok. Poderá telefonar para este número para saber como está a andar o processo.
Em 30 minutos, no meio de malta jovem e bastante simpática, uma técnica extremamente simpática e cheia de sorrisos resolvemos o assunto. A Instituição Estatal em causa estava vazia. Só com os funcionários e uma pessoa a ser atendida. Foi tudo bastante célere na Rua KYZ.
Dá para acreditar nesta merda!? Querem desenvolver assim o país!?
Yono.
Miguel S.
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Foram umas férias e peras. Cá no burgo. Se dúvidas tinha com mais dúvidas regressarei sobre a sensatez de por cá assentar arraiais. É que, atendendo ao esvaziamento da alma lusitana, numa perspectiva meramente materialista será que o "melhor que o dinheiro pode comprar" estará em Portugal? A dissertar com mais tempo após o regresso aos trópicos...
Yono.
Miguel S.
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É. Ainda se tentou mas não deu. Os tempos mudaram e os campeões passaram a ser maiores, treinos diários de não sei quantas horas e todas as condições do mundo. Ainda ganhei algumas coisitas mas nada de especial. Não me dava pica nenhuma aquilo. O stress antes do "Aos seus lugares!" e até ao apito era terrível. Isso e a grande cabeçada que mandei no fim dos primeiros 25 metros no Areeiro por não ter visto a merda da parede...
Ao mexer nas "coisas" velhas, deparei-me com um cromo do meu pai a preto e branco. No verso diz que naquele ano tinha sido campeão nacional sénior de natação dos 400 e 1500 metros livres, no tempo em que nem todas as competições eram feitas em piscinas... Diz no verso do cromo "Com os tempos de 5m 52,7s e 23m 49,6s, respectivamente, nos 400 e 1500metros livres, a sua superioridade sobre os restantes competidores foi notória, em especial na 2ª prova em que a "distância" que o separou do 2º classificado se cifrou em 1m 56,4s".
Yono.
Miguel S.
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Tive uma sorte dos diabos em conhecer algumas pessoas da minha família. Ainda mais pelo facto dos 60 anos de diferença não terem sido impedimento para um conhecimento mais profundo ao longo de várias décadas (a malta tem a mania de morrer [muito] depois dos 80 com o bisavô a dizer até já depois dos 100...). Mas introdução à parte, esta entrada é apenas para aqui deixar dois poemas escritos pela minha avó ao meu avô, não sabia eu ainda que viria a nascer, por altura dos seus aniversários. Ei-los:
Ao meu querido esposo
Esta prenda venho dar
É pouco p'ró que merece
Mas foi o que pude arranjar
Pois como deves saber
Tenho falta de dinheiro
Pois que por minha vontade
Te daria o mundo inteiro
Um cravo também queria
Para te dar de presente
Mas só encontrei a rosa
Que te envio juntamente
Muitos parabéns e beijos da
Irene
14.12.1965
Três anos depois escreveu:
Ângelo:
Pelo teu aniversário
Muitos, muitos parabéns
E que gozes com saúde
Juntamente com teu bem
No dia dos namorados
É que tu fazes anos
Que importa a nossa idade
Se ainda nos amamos
Um dia muito feliz
São os votos da tua
Irene
14.12.1968
Fiquei parvo quando os li. Que orgulho.
Yono.
Miguel S.
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Teve que ser. Fica o calor mais para a frente. Mas confesso começar já a ficar fartíssimo de África... (é só um desabafo). Meu rico Moçambique ;)
Yono.
Miguel S.
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...que por lá encontrarei temperaturas em torno dos +30ºC, nada mau, muita humidade [e chuva?] e muito do mesmo. Vá lá que, dividido o mal pelas aldeias, vamos todos artilhados para matar o tempo enquanto ele não nos mata a nós!
Cada vez mais sinto que um ciclo está a aproximar-se do fim, pelo menos nos moldes actuais. 6 meses? 1 ano? ano e meio?
Yono.
Miguel S.
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Já começou. Hummmm. 48h.
Yono.
Miguel S.
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FireFox
Converti-me [também eu] a esta alternativa ao IE que já me cansava com tantos "bloqueios".
Yono.
Miguel S.
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A ver se 2005 poderá registar valores mais interessantes. Depois dos 3:02:27' em 1992 (21) na Sardenha (Itália) (mar), bati consecutivamente alguns recordes pessoais até atingir o máximo de sempre nos 4:01:52' a 25.12.2003 (32) na piscina do Por-do-Sol (Angola). Desde então tenho feito marcas na "brincadeira" entre os 2:30:00 e os 3:15:00.
Yono.
Miguel S.
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Gostei. Foi giro. O Mendes é de uma pessoa se atirar para o chão a rir. Cheguei a chorar de tanto rir. Alguns dos bailarinos são simplesmente excepcionais. Assim como algumas vozes. Interessantes as diferenças das expressões de alguns cantores.
Yono.
Miguel S.
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Como habitualmente, comprei mais do que podia ler durante as férias. É uma mania já antiga. Separo alguns para levar no regresso e os demais ficam à espera de melhores dias. Achei piada ao "Nua e crua" da Marta Gautier e muita piada ao "Queres-me?" da India Knight. Adorei o "Militaermusik" de Wladimir Kaminer por me ter feito regressar a um dos períodos mais fantásticos da história contemporânea e em que nós, adolescentes e jovens adultos, chegámos a acreditar que o mundo tornar-se-ia fantástico daí em diante (Gorbatchiov, Glasnost, Perestroika, Mathia Rust e a célebre aterragem na Praça Vermelha, entre outras situações)... Não achei grande piada ao "Histórias de 1 minuto, vol.1" do István Oerkény. 1000 vezes o Kafka!!! Agora ando deliciado com as "Cartas de Amor de Fernando Pessoa", deve ser das férias.
Yono.
Miguel S.
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É tão bom [ver] assim.
Yono.
Miguel S.
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...estou-me nas tintas para algumas constatações. Se as pessoas continuam estúpidas e mal-educadas. Se na estrada são uns perfeitos animais. Se continuam a cheirar mal e com um mau aspecto geral terrível. Se continuam a dizer que foram para Varadero, que em Havana andaram a pé pelas ruas a falar com os cubanos e tudo, como nos filmes. Se os fardados continuam uns merdas armados em presidente da república quando se sentem por cima. Se a malta ganha mal e porcamente. Se a inveja e mesquinhez dominam. Se o ambiente geral é mau. Se as pessoas cada vez mais estão completamente a cagar-se para esta merda toda. Se cada vez mais lutar significa apenas manter-se à tona de água custe o que custar, pise-se quem se pisar. Se, se e se... O que gostei mesmo foi de te [re]ver, de estar contigo, de te ver sorrir e ouvir a rir, de ver as tuas caretas, de ver que continuas combativa e em forma, a tua dança hilariante, elegante e sempre bonita.
Yono.
Miguel S.
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...durante algum tempo por esta inesquecível foto da Sharon Stone (1996? 97?). Isto de mexer nas coisas velhas, dá nisto. Grande fotografia!

Yono.
Miguel S.
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Dois
Conduzindo velozmente pela 106, como já era hábito após um almoço na praia do Wimbe no regresso à fábrica, completamente absorto nos seus pensamentos, Daniel Saraiva deparou-se repentinamente com um espectáculo completamente novo e desolador: a algumas centenas de metros encontrava-se o corpo de uma criança estendido no meio da estrada e, logo adiante, um carro branco abandonado. Perante o imobilismo dos que presenciaram o acidente, Daniel abandonou o carro na vã tentativa de auxiliar a criança. O espectáculo era macabro. Esvaindo-se em sangue jazia Abdul Carina no alcatrão quente das catorze horas enquanto Manuel Catorze, em choque, chorava e gritava girando sobre si próprio. De Abdul, o oposto… O único som que se lhe ouvia era a respiração frenética e desconcertada, inconsciente, de que os olhos semi-cerrados eram a prova mais evidente. O corpo estava completamente dobrado, numa posição impossível até para o melhor contorcionista…
De repente, emergindo do meio da vegetação, surgiu a mãe de Abdul brandindo a sua catana escurecida pelo uso ao mesmo tempo que gritava e chorava: — Abdul! Abdul! Aiêêêê, aiêêêêêê!— avançando rapidamente para o local onde se encontrava o filho. Logo atrás dela corriam duas outras mulheres munidas do mesmo instrumento, fazendo Daniel sentir alguns calafrios. Com a ajuda de quem ainda tinha algum discernimento, colocaram Abdul e a sua mãe na parte de trás da carrinha onde se deslocava e, já com Manuel Catorze mais calmo a seu lado, dirigiram-se a toda a velocidade para o Hospital Provincial na tentativa de salvar o petiz. Rolando por cima de buracos e todo o tipo de materiais que se encontravam no meio do caminho, em pouco menos de cinco minutos colocavam Abdul na maca das urgências do Hospital para de lá não mais sair com vida.
Daniel ainda tentara consolar quer a mãe, certa da morte do filho, quer o condutor, consciente da situação em que se encontrava. Após uma breve troca de palavras com o seu amigo Moisés, polícia makonde, de serviço na altura no Hospital, Daniel retomou o seu caminho vindo a saber, posteriormente, que a criança não tinha aguentado o embate. Manuel entrou nos calabouços da cidade, como já era habitual naquelas situações, para aí pernoitar e sair no dia seguinte. A manutenção da sua vida dependia desta imposição.
Yono.
Miguel S.
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Cena 1
Faço apneia estática e dinâmica. Comprei um relógio a preceito. Partiu-se a pulseira. Fui à loja. Indicaram-me o representante que faria a mudança na hora senão só passados 15 dias. Na loja do representante remeteram-me ao 2º andar. O 1º estava já encerrado. No 2º davam-me o relógio no dia seguinte. Cheguei ao 2º andar. Afinal só me devolviam o relógio passados 10 dias. Vivo no estrangeiro. Então mandavam-me pelo correio. Disse onde vivia e agradeci abrindo a porta para me ir embora sem a pulseira mudada (claro que nunca mais na vida compraria um relógio da mesma marca). Pediu-me o relógio. Ligou uma extensão. Desapareceu atrás de uma porta. 5 minutos depois dava-me o relógio. 10 Euros.
Cena 2
Lisboa. Em frente ao liceu Camões. Apressado um tipo bate na traseira do jipe. Sai o meu pai do carro para ver os estragos e pergunta-lhe "então?". Sem meias medidas, desfere um murro no meu pai e mete-se em fuga.
Cena 3
Restaurante novo. Entrámos. Hummmmm não sei não. Pela primeira vez na vida serviram-me bacalhau cru. Reclamei. Passado um bocadão devolvem-me o bacalhau achando que já estava bom e que o incidente se devia à grossura da posta, sem desculpas 100nada...
Cena 4
45 minutos de espera num número 707. Sim, não tenho sistema desde ontem. Dê-me os seus dados. Ei-los. Pois, não conseguimos aceder ao sistema. Fizemos uma migração. Amanhã já deve estar operacional. 30 minutos de espera. Continuo sem sistema. Já lá vão 2 dias. Lamento imenso informá-lo mas não consigo ver os seus dados neste momento. Mas o sistema está algo lento e amanhã já deve estar operacional. 50 minutos de espera. Já é a 3ª vez que telefono para aí. Ainda não tenho acesso. Já gastei uma fortuna com estas chamadas e ninguém me resolve o problema. Pois, compreendemos e lamentamos mas mudámos de sistema para melhorar o serviço pelo que é possível que até amanhã esteja operacional. Mas desculpe, já me andam a dizer isso há 3 dias. Com quem posso falar já que vocês não conseguem resolver o problema? Fico aqui com os seus dados e remeterei de imediato a sua questão ao departamento técnico... 5 dias e 7 ou 8 chamadas depois tenho novamente acesso.
Só me apetece dizer asneiras!
Felizmente ainda há surpresas agradáveis por cá. Como a barmaid com a tatuagem no ombro direito, piercing na língua, lábios fantásticos bem pintados, unhas rasas bem cortadas, olhos magníficos e sorriso demolidor...
Yono.
Miguel S.
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...mas escusava de ter fechado mal a participação com um chavão tão batido! O Fernando Rosas vem com a "não basta dar-lhes o peixe é preciso ensinar-lhes a pescar"?! Não há paciência. Estragou tudo. Estes académicos são uns teóricos... Deviam dar uma volta, a Moçambique por exemplo, para ver in loco os resultados dos ensinamentos dos amigos soviéticos, chineses, cubanos, vietnamitas, norte-coreanos, romenos, búlgaros, checoslovacos, alemães democratas e tantos outros que por lá passaram no tempo da fraternidade entre os povos rumo ao desenvolvimento "sustentado".
Yono.
Miguel S.
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Em determinada altura, o [sempre] politicamente correcto Seguro, refere que a cena que mais o impressionou no rescaldo do maremoto foi o testemunho da mãe que teve que fazer a opção entre o mais novo e o mais velho. Há coisas diabólicas na vida. E não é que foi precisamente isso o que referi aqui como sendo uma das situações que mais me chocaram? Tinha que ser o Seguro? Azar... Nunca lhe achei particularmente piada desde os tempos da jota. Por nada de especial. Depois as bocas do sacrifício de Bruxelas. E aquela pose que me incomoda sempre que fala. E agora isto? Serei eu, afinal, também um socialista? Afinal já não bastavam algumas parecenças [físicas]? Logo o Seguro...
Yono.
Miguel S.
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Localizada a nordeste de Quelimane, capital provincial, a pequena localidade de Pebane consistia basicamente numa rua com o que restou das casas e prédios do período colonial. Sem energia eléctrica, foi lá que vi pela primeira vez na vida frigoríficos e congeladores a petróleo! Lá não se passava rigorosamente nada. Toda a actividade económica do tempo colonial tinha desaparecido completamente. O aeródromo estava em ruínas, o farol apodreceu com o tempo e estava tombado sobre si mesmo, na rua principal as ruínas de um prédio dinamitado pela Renamo, as ruínas de um posto de abastecimento do tempo colonial completamente destruído, o porto de nome já que de resto era virtual, o único banco que não movimentava nada, as ONGs sempre presentes nestes meios como principais empregadoras...
Uma das poucas vezes que me desloquei a Pebane (cinco no total) fui obrigado a pernoitar pois já não tinha luz do dia suficiente para o regresso. Tive que dormir numa palhota-hotel, redonda, com telhado de folha de coqueiro e aberto entre o telhado e a parede da palhota para circulação de ar. A palhota estava dividida ao meio com casa-de-banho entre os dois quartos. Ultra sofisticado. Mosquitos eram aos milhões. Sem energia. Lá vivia-se apenas com a luz do sol. Sem computadores. Sem televisão. Sem nada eléctrico.
O mais giro eram as refeições. O que quer que seja tinha que ser encomendado com muita antecedência pois eram poucos os visitantes e, também por isso, era sempre necessário matar o animal primeiro (galinha, cabrito ou ir à procura do peixe à praia...).
Ficará para sempre na memória, a "discoteca" improvisada com o apoio de um pequeno gerador na base de cimento do "complexo" turístico Jimáyma, Lda. Nunca na minha vida tinha ouvido o som de tantos chinelos a arrastar numa base de cimento cheia de areia e terra...
Yono.
Miguel S.
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Algumas das muitas fotografias que tirei ao longo do tempo que por lá estive. Instantâneos tirados no fim do século passado e que poderiam, nalguns casos, muito bem ser do início do mesmo, no meio, em qualquer momento... Fragmentos das existências de companheiros com quem nos cruzámos. Longe dos circuitos turísticos. Lá. Bem no mato.
Yono.
Miguel S.
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É dantesco. Mas começou bem o ano.
Yono.
Miguel S.
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Não sou bloquista. Há uns 15 anos atrás ainda cheguei a pensar em virar para o trotskismo e achei piada, durante algum tempo, ao PSR. Coisas da juventude...
Ao longo das nossas estradas começaram já a surgir os primeiros outdoors. Claramente o do BE é o melhor de todos. E é assim que deve ser [pelo menos parte d]o marketing político. Uma vez mais o do PS começa a revelar-se demasiadamente incipiente. Não sei, mas parece faltar alguma coisa. Não há rasgos de nada por cá?
Yono.
Miguel S.
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Escangalhei-me a rir ao fim desta manhã num qualquer bar de praia solarengo da linha, ao ler a coluna do JP Coutinho no Expresso. Entre outras a que mais delirei e que passo a transcrever:
"Primeiro Nobel da Literatura para o Zaire. A escritora Malinekka Buttuta vence sem concorrência à alura: Buttuta é lésbica, descendente de escravos, vegetariana desde os treze e fundadora do partido marxista-leninista-trotskista-maoísta local. Apesar de nunca ter escrito um livro, vai a Estocolmo e agradece a honra com um discurso sentido, onde denuncia «os constantes atropelos do homem branco», sobretudo na estrada que liga a sua casa ao centro de Kinshasa." in Expresso, edição deste fim-de-semana
Yono.
Miguel S.
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No último dia do ano, comprei muito do que a nossa imprensa tem de bom. Gosto de ler o que pensam os outros, as referências da [nossa] sociedade. Houve um que me tocou mais profundamente pelo seu minimalismo inconformista: 2005 será melhor porque 2004 foi muito mau e pior do que 2003 e 2002, ou algo do género. Ya! podes crer meu! É, sem qualquer dúvida, lapidar essa argumentação não deixando qualquer margem para discussão.
Já quando 2003 se aproximava do fim, muitos ansiavam para que terminasse rapidamente pois tinha sido francamente mau aquele ano. Tal como agora. Existirão assim tantas razões para crer que 2004 tenha sido assim tão mau? É que, desgraça das desgraças, 2004 está longe de se poder considerar um ano "mau". No limite terá sido uma constipaçãozeca de fim-de-semana, cujos efeitos se fizeram sentir ao de leve para desespero de quem, em vez de enfrentar os rigores do inverno vestido a preceito, entende ser mais adequado ir de manga curta e calções. E quando chegar a malvada gripe ou, pior ainda, a temida pneumonia?
Do espartano miserável ao consumidor histérico foi um passo. Curto. Demasiadamente curto. E, se de repente, como que por milagre, as taxas de juro subirem um niquinho? E se a taxa de desemprego subir mais uns pb's valentes?
Mas, lá diz o outro, pior? pior é impossível pá! Pois...
Yono.
Miguel S.
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...que me impressionaram vindas do Oriente. A da mãe que se viu forçada a escolher um dos filhos - o mais velho - para se salvar a ela e ao mais novo. Arrepia-me só de pensar na [necessidade da] escolha. Ainda mais o puto que se viu, na hora da aflição, largado pela mãe, primeiro, largado pela senhora que o procurou agarrar e que, graças a si, nadando à cão acabou por agarrar-se a uma porta e assim escapar. Aos 5 anos não mais esquecerá o largar da mãe, numa escolha de vida ou morte.
A segunda situação que me deixou impressionado e que apenas veio reforçar o meu [cada vez maior] ateísmo refere-se ao pároco singalês que se perguntava como é que iria agora pedir aos fiéis para acreditarem e rezarem a um Deus protector e salvador?
Yono.
Miguel S.
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Aproveito as férias para deixar aqui muito do que tinha espalhado aqui e acolá.
Yono.
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