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fevereiro 13, 2005
Abraço jpt
O barbudo bonacheirão meteu-se [novamente] a caminho. Com muita pena ó machambeiro! Pena porque foi giríssimo reencontrá-lo na blogosfera alguns anos depois de ter deixado Moçambique, pela excelente qualidade, diversidade e novidades daquela terra que ia relatando. Independentemente da erudição transposta para a escrita, fazendo-me lembrar o Prof. Vasconcelos na Introdução ao Direito e verdadeiro terror dos caloiros.
Ainda puto, aterrei em Março de 1995 no aeroporto de Pemba. Naquela altura pouco ou nada havia para além do Nautilus e do Santos, na baixa. Éramos apenas três portugueses na empresa, os quais perfazíamos a totalidade dos recém-chegados à cidade. Era o U., o C. e eu. Mais ninguém. Na Província, para além de nós, havia ainda mais dois portugueses: o Firmino, encarregado da pedreira em Montepuez, e o jpt que, fiquei a saber depois, vivia para lá de Montepuez numa aldeia macua.
Em Pemba para além do Bar Viking, em frente ao AS e ao 7 andares, pouco ou nada havia para fazer em qualquer fim de tarde. O C., não sei se a pedido do U., procurou integrar-me e levou-me algumas vezes ao Viking onde, numa célebre noite, no meio de várias cervejas, foi-me apresentado o jpt que estava de regresso do mato. Sim, mato. Reencontrámo-nos algumas vezes na cidade, aquando das suas passagens fugazes em trânsito pela mesma.
Lembro-me perfeitamente de olhar para ele e ficar admirado pela audácia de ir para o mato. Sobretudo Montepuez. Eu, ao início, que já achava que não devia estar bom da cabeça por me ter enfiado num ermo como Pemba, fiquei estupefacto quando vi o que era Montepuez. Esta cidade distava 200km de Pemba, para o interior, em direcção à Província do Niassa. Uma viagem que era sempre uma aventura tal era o estado em que se encontrava a estrada, em particular depois de Metoro. Mas, apesar disso, todos nós encarávamos aquela viagem como uma aventura ao ponto de haver uma competição para ver quem era o mais rápido.
Montepuez era uma pequena cidade sem energia elécrica e sem uma única estrada asfaltada. A única energia eléctrica era fornecida por um gerador que apenas funcionava algumas horas por dia, se não estivesse avariado e se o combustível não tivesse acabado. A cidade, se é que se podia assim chamar, tinha basicamente uma rua onde se encontrava um velho C-47 da FAP (ou DC-3 mas na versão militar) em frente ao Posto Médico. Pouco ou nada havia na cidade. Basicamente nós (e talvez a Lomaco) representaríamos uma boa parte da actividade económica da zona. Nunca mais me esqueço da necessidade de encomendar o almoço assim que lá chegávamos por volta das 8h para estar garantido por volta das doze... Só havia dois pratos: galinha ou cabrito. Habitualmente vivos no quintal prontos para a panela a qualquer momento. Comida mais fresca seria impossível.
Recordo-me de ficar sempre satisfeito cada vez que regressava de Montepuez, onde nunca ficávamos mais do que umas horas, e, depois da noite caída e a alta velocidade pela picada/estrada fora, ver aparecer ao fundo a iluminação de Pemba. Sempre todos partidos. Montepuez era difícil, nem que fosse só por algumas horas quanto mais as semanas que lá passava o jpt.
Vai daqui um abração e p'rá frente!
Miguel S.
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Comentários
O Rui sentirá quando regressar a este Velho Continente a saudade de cada momento, de cada dificuldade, de cada vitória conseguida nesse ambiente tão diferente, mas também tão atraente para todos nós.
Continue a escrever, e com facilidade lançaremos as memórias desse tempo.
Por falar em Montepuez, lembra-se do Tomé?
Publicado por: Ulisses Pereira em fevereiro 13, 2005 10:40 AM
Então não lembro do Tomé, lol! O sindicalista que escreveu uma carta à Direcção da empresa com conhecimento ao Presidente da República, ao Primeiro-Ministro, todas as bancadas parlamentares, Governador Provincial, Sindicatos, Tribunal não sei do quê e já nem me lembro bem se ao Papa também, a chamar-nos tudo e mais alguma coisa?! Aquele que, já depois da sua saída, nos armou uma cilada em Montepuez em que ficámos eu, o seu substituto e o DG Adjunto cercados pelos trabalhadores a abanarem o carro connosco lá dentro?! Como é que poderia esquecer?! LOL
Publicado por: Miguel S. em fevereiro 13, 2005 11:31 AM
o ulisses pereira por aqui? abraços de nampula para ambos, isto já está o suficente para uns copos valentes. [miguel, eu vivia para lá de montepuez, na via de balama, um dia para chegar a montepuez, outro ate pemba-dai a sede na cidade-grande.]
ate breve
Publicado por: jpt em fevereiro 14, 2005 12:54 PM
É bom reencontrar amigos, que adivinhamos atrás do JPT... Seria excelente estarmos "ao vivo", partilhando aquilo que são percursos certamente diferentes, mas com pontos de referência comuns que muito mos dizem
Publicado por: Ulisses Pereira em fevereiro 14, 2005 10:31 PM
Isto dos blogs realmente tem a sua piada. Um abraço aos dois.
Publicado por: Miguel S. em fevereiro 14, 2005 11:48 PM










