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fevereiro 23, 2005
Ai como é bom
Esta será uma entrada sem pés nem cabeça tal não é a quantidade de pensamentos que me assomam, assim, em catadupa.
Pensava eu como assim vale a pena. Chegada a Luanda rumei ao Alvalade, saí de lá para um reduto da empresa onde me deixaram sozinho, isolado: uma vivenda protegida de olhares indiscretos, decoração africana, piscina ao centro, quartos e áreas comuns à volta da piscina, terraço no primeiro andar a toda a volta da piscina sendo afinal este o elemento central da casa. O esforço assim o exige. São já semanas de intenso trabalho e poucas horas de sono noite após noite. Em princípio até amanhã estará finalmente concluído. Reserva-se então, para surpresa minha, o descanso do guerreiro no Mussulo. Estendido ao sol, mulatas, o batido de abacate, mulatas, o mergulho, mulatas, jantar a olhar para o céu estrelado, mulatas, algumas centenas de metros a nadar com alguma intensidade para ter os músculos definidos ao sair (e encolher só um bocadinho a barriguita a ver se se disfarça um pouco o pneu dos 30), mulatas, o pino mal feito, mulatas e mais mulatas. Não as chamei para aqui por alguma fixação mas apenas porque quando alguém fala do Mussulo, é como se lá apenas existissem mulatas e mais mulatas "boas comó milho!" dizem...
No meio destes devaneios de quem já não vê a luz do sol há algum tempo e disfruta a tal piscina no silêncio da noite, água ainda morna do sol, completamente nu - o gozo que me dá nadar nu - acabo por pensar como é bom estar aqui nestas condições. E penso de repente nos outros. Não consigo deixar de fazê-lo como quando hoje fui comprar algo na rua. Alguns descalços e mal amanhados. As miúdas sem soutien com as t-shirts largas e colarinhos descaídos. Os operários na barraca feita estufa num almoço sabe-se lá de quê, dos candongueiros que passam cheios de gente, estranha. Não consigo deixar de pensar como é bom tudo isto, de como é bom estar nesta África com estilo, com muita desta malta sem saber o que é um bom par de sapatos, sem saber o que é comer uma refeição a uma mesa, sem saber o que é uma casa, sem saber o que é chegar a casa, viver em condições, sem mosquitos a morder a toda a hora, sem os cheiros horríveis de algo que não devia estar cá fora a ampliar os odores nefastos do calor húmido tropical. Sim, isto é espectacular. Sobretudo quando conseguimos olhar sem ver e perceber sem sentir, pois de outro modo não conseguiríamos andar por aqui muito tempo.
Yono.
Miguel S.
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Comentários
lolll não fosse já ter lido o resto do blog, eu diria que a tua vida aí até parece não ser tão dura...;)
Publicado por: ac em fevereiro 24, 2005 09:21 AM
Não me faças chorar, até pareces um puto que chegou há ano e meio aqui. Quanto às mulatas apanha uma e volta rapidamente que eu quero ir embora de férias.
PS.: Não dá para montar uma casa dessas aqui.
Publicado por: Tubarão em fevereiro 24, 2005 01:46 PM
Mas que indisciplina vem a ser esta pá? Olha que quando chegar aí ainda mando fazer uma carta de aviso!!!
Publicado por: Miguel S. em fevereiro 24, 2005 02:20 PM
Mas também é possível...
Lutar para que seja possível.
Os heróis também têm o seu descanso.
E a arte humana pode ser tão bela.
Os outros, são os momentos amargos e díficeis que temos que combater mesmo que sejam com pequenos actos diários.
E por cá também os há, não há mesma dimensão. Talvés menos visíveis. Os dramas da vida.
Mas continuo a acreditar que amanhã será sempre melhor...E vai ter que ser.
Sabes quanto me custa também não estar a partilhar essa luta diária.
Daqui só posso desejar que continues a ter a alma "IMENSA".
Força
Publicado por: Mapei em fevereiro 24, 2005 02:21 PM
Ya ... tou a ver quem é o Tubarão!!!
então puto?!!!
Ya ... começas a dizer que foste "comprado" ...
para ver se portas "bem" durante (mais) uam temporada ...
Acabas com a consciencialização social, que, aposto, todos os que lêem este blog, têem...
Começo a pensar que de facto estás cansado ...
ou pelo menos, não inspirado.
Não leves a mal, não gostei.
Um abraço
Publicado por: pulapula em fevereiro 25, 2005 01:43 PM










