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março 31, 2005

Ok "prontos"

Quando me passar de vez, ofereço-te umas cuequinhas de gelatina com sabor a cereja para que não demorem muito a desfazer-se.

Yono.
Miguel S.

PS-Só espero que sejam fio dental (o jornalista bem que podia ter perguntado).

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A boleia

Chegada a 5, arranque a 8. Não sei não... O medo é uma coisa f...dida.

Yono.
Miguel S.

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Pão caseiro

Há situações extremas na vida que nos obrigam ao desenrascanço apropriado. O faquico agora até já faz pão em casa, bem bom por sinal!

Yono.
Miguel S.

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Alerta rápido Marburg em Luanda

Para quem precisar, a Direcção Provincial de Saúde de Luanda criou um sistema de alerta rápido com 6 terminais telefónicos, 3 dos quais com epidemiologistas tratando-se por isso de telemóveis com os números:

912 214924 (Movicel)
912 301002 (Movicel)
923 245106 (Unitel)

Yono.
Miguel S.

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Soubemos hoje que...

...afinal ainda não há a confirmação de nenhum caso de Marburg por cá, ou seja, haverá a necessidade de confirmação laboratorial. De qualquer modo, o quadro clínico aponta para tal.

Soubemos igualmente que estão por cá e chegaram hoje reforços da Centre for Disease Control (EUA), Organização Mundial de Saúde, Instituto de Medicina Tropical (Lisboa), Instituto Ricardo Jorge (Lisboa), entre outras organizações com especialistas.

De referir que os 120 casos mortais no Uíge deram-se no espaço de 6 meses.

Por hoje, a comunicação social acalmou na caça ao caso.

Yono.
Miguel S.

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Referendo: IVG

A favor da despenalização.

Yono.
Miguel S.

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Hoje, no Zimbabwe

Yono.
Miguel S.

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março 30, 2005

A piada do dia

A República Democrática do Congo decretou o estado de emergência sanitária por causa da epidemia de febre hemorrágica que assola o norte de Angola.

Yono.
Miguel S.

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Contagem decrescente

Num dia particularmente inaudito e cheio de peripécias. Lentamente, as pessoas começam a tomar consciência da necessidade de se protegeram. Para além da normalidade desconcertante em muitos, algumas cenas caricatas: no banco todos os funcionários com máscara perante o olhar estupefacto dos clientes, na rua algumas pessoas (poucas) já com máscaras e algumas mesmo com luvas, na farmácia as máscaras e luvas postas mas as máscaras descaídas com o nariz a descoberto e [vi eu] a puxarem a máscara para baixo para se perceber melhor o que diziam...

Ficámos hoje a saber, pela rádio, que afinal conseguiu evitar-se uma catástrofe em Luanda. Um dos mortos que tinha sido levado do Uíge já em mau estado para Luanda por um familiar enfermeiro, acabou por sucumbir ao vírus e foi transferido para a morgue onde já se encontravam 21 defuntos. A sorte foi terem dado conta da situação atempadamente e isolado a área com o apoio da polícia, evitando assim o contacto dos vivos com os mortos.

Por cá algumas medidas interessantes como por exemplo a existência desde anteontem de uma equipa de saúde que vê quem chega e quem sai, no aeroporto. Fiquei igualmente a saber que os vôos do pessoal dos petróleos já não aceitam passageiros de "fora", como medida preventiva. Finalmente uma nota para os senhores ouvintes que vão telefonando a denunciar este ou aquele vizinho, afirmando estarem com medo de serem contagiados devido a este ou aquele indivíduo.

De resto, a cidade vai funcionando normalmente como se nada estivesse a acontecer. Como disseram hoje à nossa tesoureira no banco apinhado quando a viram entrar com a máscara posta "Oh mana! 'Tás com medo de morrer?", ao que ela respondeu e bem "Estou!" perante os sorrisos dos sem máscara...

Yono.
Miguel S.

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Mais 1 caso e 1 potencial

Noticiava há instantes a Rádio Comercial. Segundo eles uma senhora que teria estado no Uíge regressou doente e terá ido já para o isolamento. O outro caso, ainda por confirmar, trata-se de um homem que estaria recolhido numa célula de oração num bairro periférico. Estes dados não foram ainda confirmados pelas autoridades competentes.

Yono.
Miguel S.

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março 29, 2005

Vá lá que não houve tsunami

Isso de te acordarem a meio da noite para vos colocarem no meio da ilha é giro. Afinal não levaste o que te aconselhei ! LOL!

Jokas.
Miguel S.

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Não me apetece

Hoje não me apetece mesmo escrever nada. Mais um dia a acelerar o que tenho em mãos para, até ao fim da semana, tomar uma decisão importante perante o actual cenário do Marburg.

Yono.
Miguel S.

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março 28, 2005

Fiz uma boa troca

Consegui 2 frangos congelados, 1 frasco de espargos, 3 latas de salsichas, 2 latas de atum, 2 pacotes de bolachas de água e sal, 4 cebolas e 1 cabeça de alho. Amanhã entrego 10 máscaras. Não é que fosse necessário mas é sempre bom ter amigos com stocks acima da média quer de uma coisa quer de outra...

Yono.
Miguel S.

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O dia de hoje

Como era expectável, foi o tema de início do dia. Já se sabe onde é que a senhora morava; houve pessoal que assim que soube ninguém saiu de casa durante todo o fim-de-semana; foram dadas máscaras a todos os funcionários tendo uma boa parte do pessoal de escritório trabalhado todo o dia com máscara; fez-se já a divisão de talheres, copos e pratos para cada funcionário; foram reforçadas as luvas para o pessoal da limpeza; compraram-se 50 litros de lixívia e chegou-se à conclusão que é difícil encontrar este produto na cidade, estando esgotado em diversas lojas mesmo antes do caso na cidade e não tirámos os ouvidos da rádio.

Aparentemente ainda anda muita gente à vontade e que sorri quando nos recusamos a apertar a mão. Ainda hoje chegou um colega com idade para ser meu pai que ao recusar-me a apertar-lhe a mão se virou e disse "Oh! Você também? Isto aqui não há nada, é tudo invenção!" Sei que ontem apareceu com duas gajas à porta de alguém que o despachou a grande velocidade. Este caramelo é daqueles campeões para quem não há Sida, não há vírus, não há nada. Preocupa-nos porque nos coloca em risco perante a atitude irresponsável do tipo. Estes gajos acima dos 50 são um perigo. Parece que querem viver o que não viveram antes ou têm medo de morrer amanhã e só fazem merda. São acérrimos defensores da velha máxima: tudo o que vem à rede é peixe...

Sabemos que afinal, por cá, estão 26 pessoas de quarentena num hospital a 10km da cidade, noticiou a Rádio Comercial.

Yono.
Miguel S.

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Marburg: indicações

Recebemos hoje algumas indicações escritas sobre o Vírus Marburg para alertar os trabalhadores. Transcrevo o que recebi, devido às inúmeras visitas feitas hoje à procura de info sobre a doença:

Conheça a doença de Marburg
É uma doença provocada pelo vírus de Marburg. Após 7-10 dias do contágio, causa a síndrome febril hemorrágico.
O doente apresenta-se com fortes dores de cabeça, febres altas, náuseas, dores do corpo, vómitos, tremores, ardor e dores de garganta e por vezes conjuntivite e tosse. Depois de 7-10 dias as dores de cabeça tornam-se muito fortes e constantes, febres muito altas, diarreia e vómitos com sangue e muita fraqueza.

Como se contrai a doença?
A doença contrai-se através de:

1) Respiração: espirros, secreções salivares do doente e suor;
2) Feco-oral: Fezes, vómitos, alimentos do doente;
3) Relações sexuais: de todas as formas (mesmo com preservativo);

Como evitar a doença?
Medidas gerais:

1) Higiene pessoal e do ambiente rigorosa;
2) Lavar as mãos com água e sabão antes e depois das refeições;
3) Manter os alimentos protegidos (tapados);
4) Não deixar as moscas poisarem sobre os alimentos;
5) Matar e eliminar as moscas, baratas, ratos e formigas;
6) Tratar a água com 4 gotas de lixívia por cada litro ou ferver antes de beber;
7) Usar luvas e muita lixívia na limpeza dos quartos-de-banho.

Na presença do doente ou morto devido ao vírus de Marburg deve-se:

1) Usar sacos ou luvas nas mãos e botas ou sacos nos pés, se estiver descalço;
2) Usar máscaras ou panos para tapar a boca e o nariz;
3) Não tocar, abraçar ou beijar o doente ou o morto;
4) Comunicar de imediato às autoridades sanitárias mais próximas.

Ficam ainda alguns links para sites com informação útil:

Centre for Disease Control (EUA) Factsheet
Outras informações da CDC
Agência de Saúde Pública do Canadá
Medicine.net
Lyncx (sobre o ébola)

Yono.
Miguel S.

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março 27, 2005

Alguém me dizia esta noite

Daí. Olha lá, não achas que está na altura de voltares para casa?

Se calhar, é capaz de não ser má ideia...

Yono.
Miguel S.

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[foto] Na rua

Yono.
Miguel S.

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Manter a calma

Há que manter a calma, a calma, a calma, a calma, a calma, a calma, a calma, a calma, a calma, a calma... :)

Yono.
Miguel S.

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Embora procuremos descontrair...

...a verdade é que toda a nossa atenção está agora virada para o vírus. Trocamos as informações mais recentes e as preocupações de quem está longe, umas mais normais outras mais em pânico. Os contactos estão algo limitados e sempre com alguma distância. Os cumprimentos costumeiros desapareceram. E vamos acompanhando o evoluir da situação para a tomada de decisões mais graves.

Yono.
Miguel S.

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Dizia o português velhote...

...no hotel ao ouvir as notícias sobre o vírus na RTPi que isto, qualquer dia, já um gajo não pode molhar o bico. Pois, perante o actual cenário só mesmo um preservativo que desse para o corpo inteiro como no Naked Gun!

Yono.
Miguel S.

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O Público (ou a Lusa?) falhou

Nesta notícia diz-se que a taxa de mortalidade do vírus de Marburg é superior a 80% o que é falso. De acordo com os dados da CDC anda em torno dos 23-25%.

Yono.
Miguel S.

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Confirmado Marburg por cá

Aconteceu já a primeira vítima mortal, confirmada. Há já um conjunto de pessoas em quarentena, as que estiveram em contacto directo com o único caso mortal dado ter-se pensado tratar-se de paludismo inicialmente, para que se possa assistir à evolução do seu estado de saúde. De qualquer forma, estão a esclarecer que o facto de terem estado em contacto directo com o único caso não implica necessariamente estarem contaminados. Está neste momento a decorrer um debate/esclarecimento na Rádio Nacional de Angola-Emissora Provincial no sentido de se esclarecer a população incluindo os que estão de quarentena. Iniciaram ontem o esclarecimento junto da população no Bairro onde morava a senhora, no Posto Médico em que foi tratada, junto dos mais velhos, etc. Pretende-se, acima de tudo, evitar uma epidemia na Província.

Discutem-se as questões culturais, nomeadamente a forma como se realizam os funerais e as cerimónias prévias ao enterro.

Fala-se já do controlo de potenciais casos ao nível dos aeroportos, quer à partida quer à chegada.

Yono.
Miguel S.

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março 26, 2005

Hoje o diabo anda à solta

Yono.
Miguel S.

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O que me assusta

Foram diversas as epidemias que vivi ao longo destes anos de África: meningite em Pemba (Cabo Delgado), peste bubónica em Quelimane (Zambézia) e cólera por diversas vezes também em Quelimane (Zambézia). Sempre corremos riscos associados ao facto de andar por estas terras: malária/paludismo e dengue, através do mosquito, entre outras potenciais maleitas locais. Sabemos do HIV, entre outras. E contra a grande maioria temos já mecanismos de auto-defesa e a certeza que, na maioria dos casos, naquelas que não controlamos e acabamos por tornarmo-nos potenciais vítimas, a existência não é posta em causa a não ser em situações extremas e excepcionais.

Desta vez é diferente. Não há profilaxia e não há cura. Já hoje me disseram para não me preocupar em demasia porque a taxa de mortalidade entre a população adulta é de 23-25%. Foda-se! Para não me preocupar?

Desde que se tornou público terem os casos extravasado o Uíge, adoptei medidas de auto-defesa algo extremas: já não cumprimento ninguém, não vou a lado nenhum com aglomeração de pessoas, não bebo nem como nada a não ser da minha casa e mesmo a falar com pessoas só a alguma distância. Inclusivamente no escritório andei hoje até à hora do fecho com máscara. Isto sobretudo depois de me dizerem esta manhã de Luanda: "Well, I don't want to scary you but there ways of protecting yourself. I am sending you the CDC factsheet on Marburg and you should be aware of it all. You should implement the same procedures as we have in Luanda and avoid all contacts with people as this virus spreads through body fluids including sweat and it is airborne. Ah, well... let's get straight to the point Miguel, no girls in the near future [...] Well you have several options: a) total isolation until it fades away, b) take serious measures in order to keep on going but limiting your exposure to people and c) let us know asap if something happens". What a fuck?!

Fui dar a volta de bicicleta do costume. Business as usual. Na boa...

Cá em casa as mudanças que imperam: a empregada não volta a entrar cá dentro para nada, eu é que vou cozinhar para mim e nos próximos tempos não faço compras em lado nenhum. Estou lixado porque vou ter que andar a leite, cenouras, azeitonas, espinafres, couves de bruxelas, sardinha em lata, feijão, arroz, tomate pelado, maçãs, fruta enlatada, etc.

As conversas entre a malta apreensiva, todos. Coloca-se uma questão de fundo: apanhar o avião? E se...? Todos nos lembramos do corre corre que foi andarem em Portugal atrás dos passageiros e tripulação que fez o vôo Abidjan-Lisboa há uns anos atrás, onde também viajou um alemão que acabaria por morrer em isolamento total na Alemanha.

Yono.
Miguel S.

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Precauções a tomar

Por causa disto, disto e ainda disto, a RNA emitiu hoje um comunicado do Presidente da Ordem dos Médicos Provincial, informando a população da tomada de medidas para o "controlo e prevenção da febre hemorrágica do Uíge" e alertando para as formas de contágio: contactos directos com fluidos orgânicos (suor, saliva, sangue, etc) qualquer que seja a via. Preocupante.

Ou seja, se dizia que qualquer dia só saía de casa e do escritório com luvas e máscara, cada vez mais parece uma inevitabilidade. Isso e o deixar de cumprimentar quem quer que seja ou ir a locais públicos (discotecas, restaurantes, etc...).

Informação da CDC (EUA) sobre o vírus Marburg.

Yono.
Miguel S.

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[foto] Na faina

Yono.
Miguel S.

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Na rádio, ao acordar

... e mais um ouvinte do nosso programa "A Voz do Combatente", o soldado Ernesto, natural do Bié, do 154º Batalhão dos Comandos Caçadores do Tando Z., deseja ao comandante da sua unidade Pedro N., aos capitães Manuel G., Adalberto T., António C., sargentos Eduardo R., Francisco S., Filipe S., Estevão K. e aos soldados Balas, Escurinho, João, Manuel, Gigante, Cató, Bumbas... [mais 200 soldados, numa lista interminável que nunca mais acabava], votos de grandes sucessos nas suas actividades.

A atmosfera de guerra demorará muito tempo a passar por estas bandas...

Yono.
Miguel S.

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O jogo do Ntó

A caminho do Yema, a boleia solicitada. Graduado no banco de trás e ajudante-de-campo sentado lá atrás, mesmo tendo eu aberto as portas todas...

Céu cinzento e bastante carregado depois de uma noite de chuva intensa. De um lado e do outro capim verde ligeiramente inclinado ao sabor da brisa matinal. Mais à frente, a equipa de futebol do graduado em duas colunas, ritmo de corrida tipicamente militar, em direcção ao campo.

Mais à frente, depois de deixar o graduado e ajudante-de-campo junto da equipa pondo-se também eles a correr ao mesmo ritmo, o campo de futebol. Só no regresso reparei que ainda estavam a cortar à catanada o capim do campo onde se realizaria o jogo. A equipa anfitriã já equipada a preceito em exercícios de aquecimento, a equipa convidada ainda por chegar e alguns militares no corte do capim faltando ainda pelo menos metade do campo.

Melhor só mesmo em Pemba, onde um dia a equipa da empresa foi realizar um jogo num bairro em que o campo tinha um poço lá no meio.

Yono.
Miguel S.

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março 25, 2005

A propósito da quadra

Nunca deixei de ficar impressionado com as imagens que por esta altura nos mostram o que se passa nas Filipinas: crucificações e afins de voluntários profundamente religiosos. É tão bonita a religião. De igual modo, passando já para o Islão, fiquei particularmente estupefacto perante as cerimónias dos xiitas no Iraque e das imagens da auto-flagelação com facalhões e outros instrumentos de corte, provocando golpes acima do pescoço. Não deixa de ser impressionante... e bárbaro em pleno século XXI. Tudo em nome da religião. Não foi afinal sempre assim?

Yono.
Miguel S.

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[foto] Lândana, ao almoço

Yono.
Miguel S.

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Ainda o vírus de Marburg

Levanta questões mais delicadas como sejam a circulação de pessoas provenientes de um Estado onde nada funciona e onde está tudo "lixado".

Quanto ao amigo locoloco, atendendo a que os casos mais recentes surgiram no Cacuaco, porque não extenderes as tuas férias aí em Portugal por mais uns "tempos" até ver no que vai dar?

Fica aqui a notícia mais recente sobre o assunto, publicada no Jornal de Angola (Entrada Estendida).

Yono.
Miguel S.

Marburg mata em Luanda
Bernardino Manje

O vírus de Marburg, que provocou mais de 90 mortes na província do Uíje, expandiu-se já para a capital do país, que registou, até ontem, cinco casos da doença.
Segundo o director provincial da Saúde Pública em Luanda, Vita Vemba, dos cinco casos diagnosticados, três já pereceram, destacando-se a morte de uma enfermeira italiana, que trabalhava no hospital provincial do Uíje.
A cidadã italiana, cujo nome ainda não foi revelado, deslocou-se há dias para Luanda, depois de se sentir mal, tendo falecido ontem à tarde na clínica Sagrada Esperança.
A outra vítima é um jovem de 15 anos de idade, igualmente proveniente do Uíje, e que veio a falecer na última quarta-feira, no hospital “Josina Machel”. Ainda no mesmo hospital, pereceu a terceira pessoa, de 34 anos de idade, que também era proveniente do Uíje, onde esteve há duas semanas.
Os dois infectados com o vírus estão hospitalizados, sendo um na maternidade “Lucrécia Paim” e outro (por sinal uma criança) no hospital municipal de Cacuaco.
Além dos números avançados, o director da Saúde Pública em Luanda, que falava numa conferência de imprensa, não descartou a hipótese de haver, nas comunidades, outros casos que estão fora do controlo das autoridades sanitárias.
Anunciou, entretanto, que, para o controlo da situação, o Governo da Província de Luanda (GPL) determinou a constituição de um “comité técnico mu-ltisectorial e disciplinar” para a implementação de medidas de contenção e prevenção da epidemia, já declarada pelo Ministério da Saúde.
O referido comité deverá contar com técnicos das direcções provincial de Saúde, da Assistência e Reinserção Social e Investigação Criminal. Os Serviços Comunitários, secretaria geral do GPL, Comando Geral da Polícia Nacional, as Forças Armadas e o Gabinete de Comunicação e Imagem do governo, fazem igualmente parte do comité.
Pelo carácter altamente contagioso da doença e para reduzir o número de infectados, Vita Vemba recomendou a população a lavar as mãos com água limpa e sabão antes de pegar em alimentos, depois de usar a latrina ou cuidar de pessoas doentes.
Recomendou ainda, entre outras, que se ferva a água para beber ou desinfectá-la com 4 gotas de lixívia para cada litro de água, e que se defeque e urine na sanita ou na latrina, mantendo-nas sempre limpas e tapadas. O uso de preservativo (camisinha) também serve de recomendação, uma vez que o vírus Marburg transmite-se igualmente durante as relações sexuais.
Segundo ainda o comunicado do Minsa, em caso de um óbito suspeito (quando a pessoa adulta ou criança morra com os sintomas da doença ou morte súbita), deve-se avisar as autoridades sanitárias mais próximas, evitar os rituais como banho, mexer o cadáver (beijar ou abraçar).
Deve-se ainda realizar o enterro o mais rápido possível (até 24 horas) e desinfectar o carro que transportou o cadáver com hipoclorito de cálcio a 0,1 por cento.

Portugal junta-se à luta contra o vírus

As autoridades portuguesas estão a estudar a possibilidade de enviar especialistas para Angola para apoiar o trabalho que está a ser desenvolvido na província do Uíje para conter a doença de Marburg, que já provocou 106 mortos.
“Está a ser encarada a possibilidade de serem enviados para Angola especialistas portugueses em biologia para apoiar o trabalho que está a ser feito pelas equipas técnicas do Ministério da Saúde na província afectada”, disse ontem fonte diplomática em Luanda.
A província do Uíje, no norte de Angola, está a ser afectada por uma febre hemorrágica originada pelo Vírus de Marburg, que já levou o Governo angolano e a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar a existência de uma epidemia desta doença em Angola, especialmente naquela província.
A doença, que tem como principal vector o macaco verde, transmite-se por contacto com fluidos corporais, como o suor, a saliva ou o sémen, de indivíduos infectados.
Os primeiros sintomas são dores de cabeça e musculares, febre alta, indisposição, vómitos, diarreia e náuseas, surgindo as hemorragias ao fim de cinco a sete dias.
Para apoiar as autoridades sanitárias do Uíje, a Embaixada de Portugal em Luanda já tem na capital angolana um segundo carregamento de material descartável de uso médico, que vai entregar ao Ministério da Saúde logo que seja desalfandegado.
Uma fonte da embaixada portuguesa disse à Lusa que este segundo carregamento, que chegou a Luanda por via aérea, integra mil fatos-macacos de protecção, cinco mil capas de plástico para sapatos, quatro mil pares de luvas e 360 pares de botins.
A doação portuguesa inclui ainda 2 mil e 500 toucas, mil máscaras e mil batas de protecção.
A embaixada portuguesa, que já tinha entregue terça-feira desta semana uma primeira doação de material descartável de uso médico às autoridades angolanas, está a preparar um novo carregamento, que deve chegar a Luanda “durante a próxima semana”.
“O terceiro carregamento será constituído por desinfectantes, soro e roupa para camas de hospitais”, acrescentou a fonte.

Cooperação Italiana disponibiliza USD 30 mil
Helma Reis

O Governo italiano colocou ontem à disposição um financiamento de trinta
mil dólares para aquisição de meios de protecção e de desinfecção destinados ao pessoal das estruturas sanitárias da província do Uíje.
Para além da entrega do valor financeiro feita pelo director da cooperação Italiana, Carlo Cibo, ao presidente e director geral da ONG Lubamba, João Ferreira, a Itália fez igualmente a entrega simbólica de uma caixa contendo amostras de botas, luvas, máscaras, batas e óculos de protecção.
A entrega oficial do material que está em fase de aquisição, será feita nos próximos dias.
Por outro lado, a Cooperação Italiana tem vindo a trabalhar num programa de iniciativas de emergência a favor das vítimas do conflito civil em oito províncias do país, nomeadamente no Uíje, Kwanza-Norte, Huambo, Bié, Huíla, Kuando-Kubango e Moxico.
O referido projecto, iniciado em Fevereiro de 2003, já contemplou cerca de 500 mil famílias vulneráveis das províncias acima referidas, entre elas mulheres, crianças, deslocados e ex-combatentes.
Com as acções de impacto imediato, a Cooperação Italiana fez igualmente uma distribuição de materiais e Kits de construção a 15 mil e 500 famílias, bens de primeira necessidade à outras 8 mil e 500 famílias, bem como alimentos a cerca de 8 mil famílias.
O programa favoreceu também a reabilitação de infra-estruturas, a reintegração dos desmobilizados na sociedade civil e a retomada das actividades de amplas zonas rurais com intervenção nas áreas da Educação, onde a Cooperação reabilitou quarenta e cinco escolas, distribuiu material escolar e imobiliário.

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março 24, 2005

A revolta da barba

Isto de ser homem tem muitos inconvenientes, como por exemplo ter no meio da barba pelos revoltosos que optam pelo inside growth... Nunca me tinha acontecido uma destas.

Yono.
Miguel S.

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[foto] A casa azul

Yono.
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Quirguistão e Geórgia

O que têm em comum? Nada. Até porque tudo acontece por acaso...

Yono.
Miguel S.

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Mastodôntico

Já vai em 298 páginas, 79.967 palavras e 383.695 caracteres (sem espaços). Em duas semanas. Devo ser doido, só pode. Quando acabado, até domingo espero eu deverá ficar-se pelas 700 páginas.

Yono.
Miguel S.

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Por falar em...

...fruta, adoro a local sobretudo este ananás geladinho [ainda] puro. Nham! Quanto aos tomates também os como. Fui ensinado a comê-los esquartejados com muito sal grosso. Que manjar.

Yono.
Miguel S.

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[foto] O off-shore à noite

Yono.
Miguel S.

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O vírus já chegou a Luanda

Bonito. Depois do Bié Uíge já chegou a Luanda onde já fez 2 mortos. No total já matou 106 pessoas. Não é o ébola mas é da família do ébola. Agora pedem as autoridades para que os rituais com os falecidos não sejam realizados e o rápido enterro dos cadáveres.

Yono.
Miguel S.

PS-Daqui a nada só saio do escritório e de casa com máscara e luvas...

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Faites vos jeux

Qui? Moi? Dégage! Dégage toi!

E não é que funcionou? É que há pessoas aqui que só por se sorrir pensam que já são nossas namoradas...

Yono.
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Nunca gostei...

...que me acordassem aos berros lá fora e aos murros na porta! Humpf! Para a próxima abro-a [mesmo] todo nu!

Yono.
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março 23, 2005

[foto] Prédio dos funcionários

Yono.
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Voltou o puto C.

O puto C. chegou hoje de Luanda e veio ter comigo. Impecável. Com um aspecto fantástico. Há coisas que vale a pena desatar aos berros, murros, pontapés e chateá-los incessantemente.

Yono.
Miguel S.

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[foto] Hotel Maiombe

Para o amigo Mapei...

Yono.
Miguel S.

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março 22, 2005

[foto] A casa acima do solo

Yono.
Miguel S.

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Fra Mu, au Zaire

Aqui morre-se muito. Por esse motivo o Fra Mu pediu autorização para se ausentar do país a pretexto de ir às exéquias fúnebres de uma irmã que teria falecido na RDC (ou será apenas Congo?). Hoje apresentou a justificação das faltas. Uma folha A4, branca, escrita à mão, assinada e carimbada. Acho piada a este tipo de documentos pois evidenciam bastante um determinado tipo de organização e a forma como a estrutura do Estado está organizada. No documento lê-se:



Département du Kouilou

Sous-Préfecture de Tchiamba-Nzassi

Comité du Village

De Tandou-Binzénzé

République du Congo

Unité-Travail-Progrés

 

-----------------------

 

Déclaration De Décés

 

 

Je soussigné, Bernard B., Sécrétaire Général du Comité de Village Tandou-Binzénzé, reconnait et atteste que Monsieur UM Fra, de Nationalité Angolaise, est rentré ici en République du Congo le 14 Mars 2005, pour assister aux obséques de la mort de sa defunte grande sœur. Madame B. Albertine, agée de 55 ans, décédée le 14 Mars 2005 ici à Tandou-Binzénzé.

Les obséques ont pris fin le 19 Mars 2005. En foi de quoi, cette présente Déclaration lui est établie pour servir et valoir ce que de droit.

Fait à Tandou-Binzénzé le 19 Mars 2005

 

Le Sécrétaire Général

Bernard B.

 

Documento sem ser reconhecido por ninguém, cuja veracidade apenas poderá ser hipoteticamente considerada em função do carimbo (como gostam de carimbos por estes lados!) e que obrigar-me-á a deslocar ao Congo para confirmar a sua veracidade. :)

Yono.
Miguel S.

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Tanta religiosidade já chateia

Nunca vi e/ou vivi em terra tão [profundamente] religiosa como esta. É tudo treta, mas enfim. É a lógica da exploração dos miseráveis e ignorantes pelos com dois dedos de testa. Se é que isto tem algo de lógico. Eles andam bem montados e bem abrigados, contrariamente à maioria dos fiéis. Mas são outras histórias. O que me chateia mesmo é querer passar por uma determinada zona da cidade por onde habitualmente passo e o trânsito estar, uma vez mais, cortado porque as excelências entendem que a fé está acima de tudo e toca de perturbar a vida normal das pessoas porque têm todo o direito de fazer os cânticos e as rezas no meio da estrada. Mas há lá paciência para isto?

Yono.
Miguel S.

PS-As pessoas daqui têm dois defeitos muito grandes: são grandes adeptos do FC Porto e profundamente religiosos [com todas as farsas associadas].

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Nas férias...

...leva pelo menos um rádio de ondas curtas. E já agora, em vez do hidroavião, pede mas é um balão com capacidade suficiente, não vá o diabo tecê-las. Boas férias pá!

Yono.
Miguel S.

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50/50

Com a predominância dos homens, procurei ter o maior número possível de mulheres no escritório. Curiosamente, por isso conseguimos contratar excelentes funcionárias, são as mais bem preparadas e com maior nível académico destoando a secretária substituta. Aliás, nem lhe devia chamar isso. Talvez apenas e só recepcionista/telefonista. Bom, conseguimos constituir uma equipa no escritório em que eles e elas são em igual número. Embora sejam eles os que me dão maiores dores de cabeça - gingões, malandros, sempre com esquemas funcionando apenas com rédea curta - é sobre elas que escreverei umas breves palavras. Sobre a religião de cada uma. Até parece ter sido de propósito. Temos de tudo: uma católica, uma evangélica, uma da IURD, duas jeovás e duas que se estão nas tintas. Só duas procuraram juntar-me ao seu rebanho, as jeovás e a da IURD. Olha quem!

Yono.
Miguel S.

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Desespero vespertino

Tenho grandeeeeeeeees dificuldades em perceber algumas coisas e a forma como funcionam algumas [muitas] cabeças, o que também não é de admirar. Agora, o que eu não contava mesmo é que uma pessoa jovem com a 11ª classe (é essa a designação oficial), Jeová convicta que sempre tentou convencer-me a ficar com a Despertai e outra publicação qualquer sem sucesso, fosse incapaz não de perceber a carta que lhe disse para fazer mas sim de copiar e emendar no computador as correcções que escrevi à mão na 1ª carta que me entregou... Como? Mas como é possível?! Nem queria acreditar. Até escrevi com maiúsculas, letra de imprensa, para ver se não falhava. Mas falhou. E queria esta secretária substituta substituir-me igualmente a mim?! E não é que a senhora ainda se ri do seu analfabetismo e ainda desgosta que a corrijam?!

É o que dá acreditar em colegas espertalhaços e acreditar nas pessoas para se safarem das merdas em que se metem...

Yono.
Miguel S.

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O nosso cross [USD]

Aos amigos as boas novidades: o FED subiu pela 7ª vez consecutiva as taxas de juro em mais 25pb fixando-a agora em 2.75%, não tendo alterado o seu bias. A reacção foi violenta com o EUR a cair já mais de 100 pips em instantes e os mercados accionistas, nos EUA, a reagirem muito mal.

Na Europa, a revisão do PEC foi bem sucedida mantendo-se os critérios basilares mas com a flexibilização das "sanções" a que os Estados incumpridores estarão sujeitos. Foi necessário termos os "motores" da UE a violarem o PEC, com o Ministro das Finanças francês a manifestar-se publicamente estar-se nas tintas para a rigidez défice orçamental. Acima de tudo, não posso deixar de agradecer ao Dr. Durão Barroso e à Dra. Manuela Ferreira Leite o "afundanço" que provocaram no país em nome do pseudo cumprimento de critérios ignorados pelos grandes mas "religiosamente" cumpridos por nós, os bons alunos!... Somos mesmo cretinos.

Yono.
Miguel S.

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[foto] A baixa

Yono.
Miguel S.

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Respira fundo

Inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira. Isso...Num vale a pena. Já vai na 6ª e nem assim?!

Yono.
Miguel S.

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As crónicas do Paulo [2]

Yono.
Miguel S.

PS-Mais uma da colecção do Ulisses Pereira. Contextualizado fez-nos rir bastante em determinada altura...

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[foto] O transportador de Turbo King

Yono.
Miguel S.

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Calor, chuva

calor, chuva, calor, chuva. E a época das chuvas que nunca mais acaba? Até para os autóctones este ano está a ser demais...

Yono.
Miguel S.

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março 21, 2005

Tenemos gobierno, joder!

Gostei de ver algumas intervenções hoje. Algumas, perfeitamente desconcertantes para os políticos do costume, dos quais estamos fartos. Hoje então [re]confirmei porque é que jamais votaria(votarei) CDS/PP. Para já é promissor, sobretudo pelo pragmatismo patente nas intervenções do não-político Ministro das Finanças., um tecnocrata puro.

Desde o início, Sócrates e os socráticos têm adoptado uma postura que poderá significar a pedrada no charco que imperava. Merecem o benefício da dúvida.

Dois comentários finais que imperam:

1º a Ana Drago não é a parlamentar mais bonita!
2º tivemos a sorte do Sócrates não ter um apelido de Zapatero e ainda de não ser parecido com o Joker.

Yono.
Miguel S.

PS-Seria bom alguém avisar o Sócrates que é acompanhado permanentemente pelo circuito interno de TV pelo que seria importante colocar a mão à frente da boca pois percebe-se tudo o que diz, mesmo as indignações...

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Peguei na bicicleta e meti-me a caminho.

Ao fundo o farol do Bogio, com as ondas do mar algo encrespado a fustigá-lo incessantemente com uma cadência ritmada. O passeio junto ao mar com o vento a salpicar-me com o que sobrou do último embate das ondas nas rochas. Ajudado pelo vento, a alta velocidade é uma inevitabilidade perante a ausência dos crossistas e marchistas anti-qualquer coisa dos tempos actuais. Só vejo o mar e só para ele olho, abstraindo-me da realidade que me rodeia. Acelero. Do lado esquerdo, a loira com os peixes pendurados ao vento. Mais à frente a curva dos ossos, obrigando a uma paragem, escadas abaixo, para uma água tónica (não pela água em si, mas pelo sorriso de quem a serve). De novo a caminho rumo a ocidente. A subida extenuante e logo logo a casa assombrada antes do início de alguma arquitectura engraçada. As torres. Muitas. Solarengas. Mais escadas e o passeio junto ao mar. Sempre ele. Imparável, faça chuva ou faça sol, noite e dia. Incansável. Cheguei ao meu destino depois de passar por muitos mundos, cheiros, cores e gentes originais. A paisagem é avassaladora pela sua imponência. Aquele monte em cima do mar com o farol. O sol enaltecendo as cores. E vento, muito vento. Regressei a alta velocidade para casa, com determinação. Ao chegar, três guardas junto ao portão, dois deles com Ak-47. Oh! Afinal ainda estou por cá?

Yono.
Miguel S.

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As faixas

Por cá, não há semana que não se pendurem faixas um pouco por toda a parte nas 26 ruas da cidade. Para além das banalidades costumeiras, evidenciando claramente a obrigatoriedade do fazer-se, volta e meia há umas que fazem especar o espectador mais atento pela estranheza da mensagem. Hoje, uma faixa tinha escrito:

"Viva o movimento nacional espontâneo!" (ipsis verbis)

O que é que isto quererá dizer?!

Yono.
Miguel S.

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março 20, 2005

Comunicado na rádio

"Solicita-se a quem deixou um saco com jinguba e milho num taxi esta tarde que se dirija às instalações da Rádio Nacional nesta cidade para o levantar".

O que uma pessoa se ri enquanto conduz.

Yono.
Miguel S.

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[foto] Local de culto

Yono.
Miguel S.

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Nojo

Demonstração de auto-estima ou arrogância?

Yono.
Miguel S.

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Como é...

...que se determina o sucesso de uma vida?

Yono.
Miguel S.

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março 19, 2005

No dia do pai...

...relembro um episódio não teria ele ainda chegado aos 30 anos, era eu puto cheio de caracóis castanho escuros. Numa tarde, ao descermos do seu apartamento da Estrada de Benfica, ao vermos a porteira junto à entrada disse-me para que se perguntassem o que é que eu lhe era para dizer que éramos irmãos. Chegados à porta, vendo o meu pai com um puto ao colo lá se terá saído a porteira com um vulgar "-Ai que miúdo tão bonito, é seu filho?" ao que o meu pai terá dito que não, éramos apenas irmãos. Perante a incredulidade da senhora, lá fez o meu pai a pergunta cuja resposta tinha sido previamente combinada. "-O que é que tu me és Miguel?", perguntou ele para ouvir prontamente um "-Irmão." Depois das bocas costumeiras e das brincadeiras que tanto gosta ao querer que eu confirmasse que era de facto seu filho, bem que se lixou pois eu parecia um disco riscado e não saía do "irmão". Como ele me disse para dizer aquilo, assumi que era a verdade absoluta e também, com a idade que tinha na altura, não tinha a maturidade suficiente para saber se de facto era meu pai ou irmão...

Um abraço [ou um beijinho?].
Miguel S.

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Surto de febre hemorrágica

Desta vez na Província do Uíge, tendo as autoridades afirmado não se tratar de ébola. De qualquer modo, tecidos das inúmeras vítimas terão sido já remetidos para a capital para análises mais detalhadas que permitam determinar de que vírus se trata.

angolasat.png

O Uíge é "já ali" depois do rio Zaire e apenas vem confirmar o que é a minha sensação há já algum tempo: dos vizinhos nem bom vento nem bom casamento...

Yono.
Miguel S.

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Afinal, onde é que ele está?

Yono.
Miguel S.

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"asena dos chapas na cidade de maputo"

"omaior número dos trabalhadores que habitam nos bairros urbanos; estão numa situação tolorosa.depois da inutação que tivemos, para os homens que fazem os chapas cem; tiveram grande oportunidade;visto que as licenças que eles têm; por exemplo: central para t3, já não chegam mais; se querem chegar é ligaçao. assim coprão 4 mil meticais so ida.
mesmo isto, as paragens figam cheios, sinto pena das senhoras que não se consequem em tefronte da grande luta e dos mizeráveis de não tiverem dinheiro para licações só ida 4 mil meticais eida e volta 8 mil meticais.
os atrazos são muitos; nos sectores de serviços; dificultando como justificar. FALTAS DE ATRAZOS
ali e necessário ter uma paciência absoluta de um a outro perdoar oseucompanheiro quando o lhe pisar.
ali bufa-se amaneira por causa de se apertar muito.
sai cheiros de feijão; inlhancane; cacana; makovi EMAIS. awena!...
tudo quando se junta é um veneno que não se suporta no teu l;
vala pena comprar uma bicicleta do que esperar dos chapas!
disse; um dos passageiros hoje dentro do chapa.
alguém sai limpo em sua casa e chega no serviço sujo.
já envergonhado parece minha mulher não ter lavado aminha roupa. repetiu ele!
paulo muito calma já estáva a gravar para escrever.
assim saiu este jornal ladam nesta hora:
BUBLICIDADE LADAM"
paulo mitilage"

Yono.
Miguel S.

PS-Agradecimentos ao Ulisses Pereira pela facultação de tão precioso texto :)

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março 18, 2005

Madagascar

The curse of the Jade Scorpion

Aiaiaiaiaiaiaiai! Qual será a minha palavra mágica?...

Yono.
Miguel S.

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Da especulação sobre o ouro negro

Eles aí estão e com força. Fala-se deles em toda a parte: de manhã, enquanto tomo banho, vou ouvindo os especialistas na CNBC e na imprensa webisada que a eles se tem referido cada vez mais. Recordo-me de alguns episódios em que estiveram em acção, passando alguns a ser famosos como o Soros, sendo o mais importante o forte ataque especulativo contra a libra inglesa, tendo criado então a maior crise de sempre no MTC do SME culminando na saída da libra do SME e consequente revisão e flexibilização das bandas para garantir a estabilidade do sistema e menos vulnerável a ataques especulativos.

Desta vez, fala-se à boca cheia de especuladores a apostarem em força na alta do crude pondo inúmeros comentadores, em desespero de causa, a apontar o dedo justificando-o pela ausência de fundamentais na origem das recentes subidas do crude. No passado, justificavam-se as repentinas subidas pela instabilidade no Iraque, pelos ataques aos oleodutos, pela crise na Nigéria, pela instabilidade na Venezuela, pela inflexibilidade da administração Bush em abrir mão das reservas estratégicas, pela inexistência de fontes alternativas de petróleo de qualidade para fazer face ao aumento da procura, etc... Agora são os especuladores, à falta de melhor. Ou terão sido sempre eles?!

Li há instantes um artigo interessante na The Economist sobre a OPEC, a Arábia Saudita e a evolução dos preços. E veio-me de imediato à memória um outro artigo lido há uns anos na Géopolitique sobre a Arábia Saudita e outras petromonarquias do Golfo Pérsico pós-Guerra do Golfo. Sucintamente, nesse artigo fazia-se uma análise muito interessante sobre a forma profunda como a guerra alterara esses países e o que perspectivava para o futuro: petróleo a preços baixos, enormes custos de reconstrução, corrida às armas (num cenário em que Saddam Hussein "apenas" tinha sido escorraçado do Kuwait mas não deposto) provocando tudo isto um enorme desbalanceamento das contas destes Estados. Uns anos mais tarde, qual passo de mágica, o petróleo atinge níveis nominais nunca vistos...

E para terminar este despejar de palavras sobre este assunto, uma curiosidade sobre o lançamento no mês passado pelo Millennium BCP de turbo warrants "indexados ao crude oil, petróleo negociado nos EUA na bolsa de mercadorias de Nova York.", no mercado português. Admirável mundo novo, este.

Da minha parte, mau grado a catástrofe que representa para os bolsos da maioria, é com satisfação que observo o que está a acontecer pois decerto acelerará de forma irreversível a corrida às energias alternativas. Pena é que a Comissão Europeia e os privados tenham acordado tão tarde para esta necessidade [cada vez mais] imperiosa no Velho Continente.

Querida, queres um call ou um put do Nymex Light, Sweet Crude Oil?

Yono.
Miguel S.

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6ª feira à tarde

Dois polícias embriagados a barrar-me o caminho na primeira pedalada em três semanas pelas ruas da cidade. Já devia ter aprendido umas coisas e arrepiar caminho...

Yono.
Miguel S.

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Não esquecer!

Amanhã é dia do pai (esqueço-me sempre destas coisas, obrigado ac).

Yono.
Miguel S.

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Êeeeeeee!

Mas branco também conduz assim?! (da janela do outro carro cá para fora)

Yono.
Miguel S.

PS-Branco não, português fachavor!

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A secretária substituta

P. foi informada que durante as férias da A. apoiar-me-ia na qualidade de secretária, só. Não porque tenha propriamente competência para tal mas apenas porque era a pessoa mais disponível para o efeito. Qual não é o meu espanto quando hoje sou informado sobre um incidente com um cliente envolvendo a P.. É que, para além de substituir a colega, entendeu P. que também me substituía na minha ausência... :|

Yono.
Miguel S.

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Paulinho, o homem dos 7 ofícios

Quando o conheci, em 1995, o Paulinho era o chefe da cozinha em Pemba. Pequenote, cerca de metro e meio, era o melhor cozinheiro que lá tínhamos. Treinado pelos italianos, ele sabia fazer pizzas, esparguete à bolonhesa, enfim um sem número de iguarias para nosso deleite uma vez ou outra. O que mais destoava nele era a troca dos "bês" por "pês" e então, de vez em quando, lá saía um "patatas" em vez de "batatas" quando perguntávamos o que era o petisco.

Macua do Chiúre, o Paulinho, assim chamado por ser baixote e um tipo engraçado para evitar confusões com o Paolo, para além de chefe da cozinha era igualmente pastor e carpinteiro nas horas vagas. E um bom samaritano. Conseguiu arranjar emprego para o sobrinho como ajudante da cozinha e mainato. O puto sorria bué mas não percebia nada do que lhe dizíamos. Ficava a olhar. O nosso Paulinho lá foi andando, chegou até a fazer umas cadeiras para a empresa, até que um dia foi chamado para uma missão que alteraria por completo o seu futuro: tornar-se o cozinheiro e mainato particular do grande chefe em Maputo. Assim foi. O Paulinho meteu-se a caminho todo satisfeito pois nunca tinha ido tão longe na vida dele. Colocámos no seu lugar o Mário Naiona (fica para outra história) que também viria a sair de Pemba para se tornar no meu cozinheiro e mainato particular em Quelimane.

Em Maputo, o Paulinho começou bem. Desempenho exemplar, era o "dono" da vivenda na Avenida do Zimbabwe. Já sonhava em construir casa, a igreja começou a ficar cada vez mais para trás e Paulinho, muito mais atrevidote que no Alto Gingone, começou a meter-se com as maputenses. Ganhava muito mais do que em Pemba, já pensava estar bem na vida. Casa, cama, comida, roupa lavada e muito dinheiro no bolso foram bastantes para que o Paulinho se transformasse. Cheguei a vê-lo algumas vezes em Maputo, quando ficava lá em casa. Até que um dia já não o encontrei. Tinha sido despedido por ter entrado em determinado tipo de "esquemas" por causa das rabudas de capolana que viam no Paulinho o homem das suas vidas.

Com pena, o Paulinho lá acabou por ser admitido na empresa pois já não queria voltar para Pemba, decidira ficar em Maputo e estava a passar mal. Tornou-se rapidamente querido de todos. Sem falhar, sempre à mesma hora diariamente, o Paulinho percorria os corredores com a bandeja ao alto com os cafés e chás do pessoal. E ele era um bom fazedor de cafés e chás. À medida dos gostos de cada um. Muito cedo, fazia a limpeza dos escritórios e, depois da distribuição dos cafés e chás, ainda lhe sobrava muito tempo. Foi então que um dia decidiu tornar-se jornalista, no jornalista da empresa.

Com a ajuda da telefonista, conseguiu começar a escrever à máquina. O que lhe foram ensinar... Todos os dias o Paulinho começou a brindar-nos com as suas crónicas hilariantes, as quais retratavam os seus sentimentos, cartas de amor cuja ousadia jamais lhe imaginávamos, a sua visão da empresa e episódios do seu dia-a-dia que relatava de forma ímpar. Era a viagem de chapa até ao escritório, das conversas dos passageiros, de alguém que tinha comido feijão na véspera, da chuva, dos vizinhos, enfim um ror de histórias para grande admiração de todos nós.

Como em tudo na vida, há os bons e há os maus. Mas é minha profunda convicção que para além destes ainda há outros: os filhos-da-puta! Aqueles que se deleitam em dar cabo da vida dos demais. E foi assim que o Paulinho deixou de escrever, com as mudanças que entretanto se operaram no nosso quotidiano colectivo com a chegada do obtusus irrecuperabilis. O Paulinho era modesto e safava-se como podia, incluindo com a nossa ajuda. Um belo dia, descobrimos que por ordem superior o pessoal teria que chegar como quisesse ao escritório e que o Paulinho tinha que fazer mais de 2 horas a pé em cada sentido todos os dias. Isto porque o que ele ganhava era insuficiente para cobrir as despesas com os chapas e manter uma sobrevivência mínima. Insurgimo-nos contra isto e o obtusus irrecuperabilis, das pessoas que mais me envergonharam e meteram nojo por ter sido português e educado em Portugal até determinada altura da vida dele, respondeu que nada podia fazer pois não se podia suportar os custos de transporte (míseros tostões!)... Passámos nós a contribuir para que o Paulinho não viesse a pé, através de boleias (a casa em que ele vivia era confrangedora) ou dinheiro para os chapas.

Do Paulinho, não mais vieram as crónicas, nem os petiscos italianos, nem os bancos e muito menos as tentativas de conversão religiosa. Tão-só passou ao estatuto de pobre coitado.

E não é que o obtusus irrecuperabilis dizia que era comunista?!

Yono.
Miguel S.

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março 17, 2005

Viel Danke!

Yono.
Miguel S.

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Quem são estes gajos?!

Na 1ª página do Jornal de Angola de 11 de Março último, uma chamada, logo abaixo das fotos de dirigentes partidárias femininas do país, para a visita de empresários lusos "aguardados no país". Mais adiante, na página 10 e já no Caderno de Economia, faz-se luz sobre quem são estes empresários portugueses cujas empresas, muito sinceramente, não me dizem rigorosamente nada. Foi esta excursão organizada pelo ICEP Portugal (afinal ainda existe?).

Diariamente lemos notícias de investimentos pesados vindos de várias zonas do mundo, mas à séria, sejam eles americanos, chineses, brasileiros, espanhóis, franceses, etc e tal metidos no que "realmente" interessa.

O que é me escapa nisto tudo?

Yono.
Miguel S.

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Esta é peregrina

"Fractura do pénis

Pergunta:
Sofri uma lesão no pénis e o médico disse que se trata de uma fractura. Não entendo, porque no pénis não há osso. Preciso de um esclarecimento.
Lucas do N."
in Jornal de Angola, nº9965, p.14 de 2005.03.12

Yono.
Miguel S.

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Choque anafilático

Foi afinal o que eu tive, confirmado hoje por 2 médicos distintos. O de Luanda ainda teve o desplante de afirmar esta tarde que não me disse nada na altura para evitar que eu entrasse em pânico. Simpático...

Yono.
Miguel S.

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Grande dilema

Fui informado há pouco do nosso primeiro caso de HIV/Sida.

Yono.
Miguel S.

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"E já agora arranje-me uma sandes...

...de presunto com queijo da serra, se faz o favor." pedi ontem de manhã à minha secretária no gozo, como já era habitual noutras paragens, para descontrair um bocado. Ela respondeu "está bem" e desapareceu. Passado algum tempo apareceu com o que parecia ser uma sandes embrulhada num guardanapo, num prato. Ora, sabendo que não tenho presunto nem queijo da serra num raio de 500km, no mínimo, o que raio estaria à minha frente? Apenas uma sandes de chouriço! "Oh, então mas isto é presunto? Eu estava a brincar P.!..." É para deixar de me armar em parvo.

A propósito desta história lembrei-me de outra situação ocorrida em Moçambique. Tinha uma secretária que era um verdadeiro estafermo. Chamava-se a rapariga Josina C.. Em determinada altura, suspeitei que ela não percebia nada do que lhe dizia. Um dia, para experimentá-la, chamei-a ao gabinete e disse-lhe [em russo]"Josina, izvinitié pajalusta. Sitchás uprajniénié nomer adin. Ve panimaitié? Yá nié znaiú... Está bem?", ao que ela respondeu com um "Sim." saindo de seguida. Fiquei intrigado mas esperei para ver no que daria. Passado um bom bocado, apareceu-me com uma chávena de chá...Tirei então todas as dúvidas.

Yono.
Miguel S.

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março 16, 2005

Em resultado da análise...

...mais detalhada aos processos individuais de algumas centenas de trabalhadores, uma constatação terrível: a taxa de analfabetismo entre os mais velhos (nascidos entre 1950-1970) é incomparavelmente maior do que a registada entre os nascidos após a independência.

Yono.
Miguel S.

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Il comandante Giovani e arrivato

E com boas cores. Ufa! Mais galhofa nos próximos tempos assim que reentrar na engrenagem.

Yono.
Miguel S.

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Menos umas células cinzentas

Estas noites em branco são tramadas. Aproveitando a aparente vigília, aproveitei para acelerar alguns trabalhos em mãos, enquanto invejava os demais mortais em sono profundo algures. Para minha surpresa, eis que me deparo esta manhã com a blond girl e a catarina igualmente em "branco". Bawls! Quero Bawls!!! Esta DHL já não é o que era...

Yono.
Miguel S.

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Raça?

Porque é que cá aparece no BI um campo onde se discrimina a [inexistente] raça?

Yono.
Miguel S.

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março 15, 2005

Sobre o Mourinho na CNN

in 20 minutes:
Portuguese man of war
CNN, 2005.03.15

Não aprecio o homem, mas lá que este título faz jus ao "nosso" estatuto faz. Deviam era ter escrito men em vez de man. Afinal "semos" machos latinos ou não?! Fez-me lembrar o companheiro de fim de curso, o Zé R., a explicar-nos que não usava preservativo porque ele era transmontano e muito "matcho", enquanto batia com a mão direita fechada no peito... [lembras-te disso mapei? :)]

Yono.
Miguel S.

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Eu sei lá pá! (o meu cross)

Yono.
Miguel S.

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85 aninhos...

...é o que o ex-Administrador-Delegado da Worldcom, nos EUA, poderá "apanhar" em resultado da fraude contabilística de "apenas" 11 mil milhões de dólares. Simplesmente impressionante. Por tudo e também pelo que foram os anos loucos da Nova Economia, enquanto duraram. Qualquer papel voava, mesmo que parecesse bom demais para ser verdade...

Yono.
Miguel S.

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Retirada síria do Líbano

A eventual retirada total da Síria do Líbano, inusitada pela celeridade com que decorre, apenas poderá ser interpretada à luz de uma de duas opções "possíveis":

1. [a pessimista] evitar uma eventual guerra civil no Líbano;

2. [a optimista] negociações com Israel visando a retirada deste Estado dos Montes Golã num cenário negociado quanto à partilha da água do lago Kinneret, para além de garantias de segurança.

Prefiro esta última. Caso se confirmasse, significaria que o empenho do Ocidente e do mundo árabe para a solução da questão mais premente do Médio Oriente estaria, finalmente, a ser considerada seriamente visando a constituição de um Estado de direito palestiniano e o reconhecimento do Estado de Israel.

Yono.
Miguel S.

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O Quénia a aquecer?!

30 mortos em resultado de um ataque a uma aldeia por milícias, no nordeste do país. Na sua maioria os 22 aldeões mortos eram mulheres e crianças. Nalgumas regiões do Quénia têm acontecido ao longo do ano "incidentes" entre tribos e grupos por causa do acesso à água e terras.
notícia completa

Até o idílico e pacífico Quénia?!

Yono.
Miguel S.

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[foto] Após a borrasca

Yono.
Miguel S.

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TAP, 60 anos depois

Com um dia de atraso, não podia deixar de registar no meu blog este dia. Afinal, sempre são 30 anos de vivência de perto com este mundo outrora cheio de glamour e hoje em dia tão mal tratado.

Lembro-me perfeitamente do primeiro vôo, um Lisboa-Porto, com o meu pai. Devia ter uns 3 anos. Assustei-me de tal forma que no fim do vôo estava todo "encharcado" para desespero de quem teve a ideia de proporcionar-me o baptismo de vôo.

Alguma vez poderia esquecer a primeira vez que fiz um Lisboa-Funchal (1981) a bordo de um 727-100, no cockpit, sentado atrás do comandante, olhar para o lado esquerdo perante o olhar curioso dos 3 tripulantes e ver um 747 a passar-nos literalmente ao lado? Nessa mesma viagem a sensação que foi a aproximação à pista de Santa Catarina, em descida com viragem à direita a sair das nuvens e ver a pista a 30º? Ou ainda a aproximação que era feita para se aterrar com terra do lado esquerdo e o mar do lado direito, com aqueles ventos laterais todos, a excitação que era sentir o avião a abanar todo, a pista pequeníssima à nossa frente, a azáfama no cockpit com o comandante agarrado ao manche com correcções e mais correcções, o co-piloto a ajudar e o mecânico de vôo no meio no apoio? Os barulhos do cockpit, os indicadores, terra a aproximar-se e a travagem que se sentia ainda no ar? E a aterragem na cabeceira da pista com travões a fundo? Isto para não falar da descolagem.

O glamour foi-se perdendo ao longo dos anos. O mundo da aviação sofreu profundas transformações afectando-o significativa e irremediavelmente. Uma época que começou por dar os primeiros sinais do seu fim com o desaparecimento de alguns gigantes dos ares: desde a Pan Am, à TWA, passando pelas mais recentes UTA, Air Inter, Sabena, Swissair e KLM, embora por razões diferentes. A mesma lógica [aumentar os EPS e consequentemente os dividendos aos accionistas] ditou o fim do avião comercial mais espectacular que alguma vez voou, o concorde.

A TAP, independentemente de tudo, conseguiu aguentar os embates mais fortes incluindo o desaparecimento de duas parceiras da aliança Qualiflyer (Swissair e Sabena), bem maiores do que ela, acabando por revelar-se, com o brasileiro Fernando Pinto ao seu leme, uma aposta vencedora mesmo em tempos conturbados como os actuais na sequência do 911. Que o Sócrates não siga a lógica dos "bois".

Porque a memória não se apaga e porque graças a ela pude conhecer "meio mundo", o meu abraço ao meu pai e ao pessoal fantástico que conheci através dele ao longo dos anos.

Yono.
Miguel S.

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março 14, 2005

Ideias para Debate

O jpt fez alusão a este blog o qual é mesmo interessante, em particular para quem esteve em Moçambique no período 1995-2001 e acompanhou de perto estes acontecimentos.

Foi com agrado que reli um artigo saído então no Metical e que provocou uma grande surpresa entre nós, estrangeiros, pelo facto de focar alguém que bem conhecíamos. Este alguém foi, em determinada altura, alvo de alguns ataques direccionados ficando por saber até que ponto parte da informação dos artigos mencionados no Ideias para Debate não enfermam do mesmo.

De qualquer modo, é interessante ler sendo de realçar que o Metical, na minha perspectiva e de mais alguns companheiros de estrada, não era exactamente o Le Monde. E isto por conhecimento de "causa" relativamente a algumas matérias. Paralelamente, por razões profissionais e pessoais, passe a redundância, nem tudo o que parecia era pelo que algumas ilacções não corresponderiam de todo à verdade.

Yono.
Miguel S.

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Grande jantar

Peguei na metade de morcela que tinha restado de ontem, cortei-a em rodelas relativamente finas, uma cebola pequena picada até me virem as lágrimas aos olhos, dois alhos cortados em fatias finas, azeitonas verdes cortadas, nozes, muita pimenta preta, sal grosso, azeite e um cálice e meio de vinho do Porto. Couves de bruxelas a acompanhar com uma salada de cenoura (queria fazer em tiras mas como não trouxe o raio da máquina de Portugal lá tive que fazer algo de parecido à mão e sem cortar nenhum dedo). Como se acabou o tinto, tive que acompanhar isto com branco maduro Planalto de 1999. Nham, nham! Estava delicioso. Ou isso ou facto de estar aqui há tempo demais!...

Yono.
Miguel S.

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Ataque na estrada, esta manhã

As notícias correm depressa. A cerca de 70-100km da cidade terá havido esta manhã um ataque a um camião, resultando em diversas baixas segundo os rumores que circularam esta manhã aqui. Incluindo o filho de alguém conhecido. Desconhece-se a origem do ataque. Ou seja, nos próximos tempos vou reduzir ainda mais a minha mobilidade por razões óbvias...

Yono.
Miguel S.

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O casal de Brazaville

Depois do almoço a secretária veio anunciar-me a presença de um casal que só falava francês e que queria falar comigo. Ao indagar quem seriam, respondeu-me que era um casal e que a senhora era branca. Mandei entrar. Para meu espanto, a tal senhora branca era afinal asiática. Fiquei surpreendido pelo facto da minha secretária não saber que as orientais não são exactamente brancas...

Vieram de Brazaville via Ponta-Negra até cá. À procura de negócios. Aparentemente interessante, meia dúzia de contas mais tarde e já não era assim tão interessante. Entretemo-nos então a conversar, pois eram bastante simpáticos. Falámos do Congo Brazaville e do ex-Zaire. Fiquei a saber que os portugueses foram, na sua maioria, embora de Brazaville e mesmo Ponta-Negra. Os acontecimentos de 1997 terão sido a machadada que fez estes resistentes de tantas guerras e fugas desistir por completo do sonho africano. E com eles, muito do que era o comércio onde havia de tudo foi igualmente embora.

Ficou o convite para uma visita a Brazaville. É desta que regressarei após uma paragem de poucas horas em 1991.

Yono.
Miguel S.

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O papa voltou para o Vaticano

Gloria, gloria in excelsis Deo
Gloria in exceeeeeeelsis Deo

Yono.
Miguel S.

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Afinal?

"A mão amiga do Vaticano"
in JA (1ª página), Ano 29, Nº9961, 8 de Março de 2005

Yono.
Miguel S.

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As cartas do Fra Mu

Pedido do Fra Mu* a uma das nossas chefias...

"Excelência, é com muito júbilo vendo as suas pesadas responsabilidades que, desempenhas não é fácil, chefeiar, há mais de cem trabalhadores ou homens, com diferentes classes baixas e alto nivel.

Eu, teu subordinado Fra Mu, venho através desta missiva pedir muito favor, se digne Sua Excelência me colocar, numa secção ou me promover para me aliviar a situação social que, tenho. Só com, este meu salário não irei, conseguir comprar um quintal, para erguer uma casa.

Excelência, não serei ingrato junto da sua alta personalidade, nem lhe envergonharei. Irei, cumprir as ordens e deveres, sem desvincular: tenho confiância em ti meu supervisor; posso me sacrificar durante 90 dias, nos partir o que me derem no meu salário. Assim, termino o meu desejo, esperando o seu deferimento. Só o chefe que, podes me acudir nesta vida."

Isto na sequência de uma outra um mês antes em que se dirigia ao mesmo indivíduo "com profundo amor e carinho"...

Yono.
Miguel S.

* O Fra Mu é um indivíduo perigoso a reter na memória futura para quando escrever as memórias desta passagem.

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março 13, 2005

O futuro: quem precisa de petróleo?

Yono.
Miguel S.

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Apenas um susto?

Às vezes as transparências deviam ser opacas para alguns olhares.

Yono.
Miguel S.

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[foto] A moura de serviço

Yono.
Miguel S.

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Eu também vou!

Dizia o puto de 10 anos para o pai, enquanto nós aguardávamos, porque até tinha tomado banho, tinha-se arranjado todo e até tinha lavado os dentes e tudo.

Yono.
Miguel S.

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Primeira noite fora...

...depois de 7 semanas intensas. A noite está a melhorar com alguma música recente a passar também por cá, para nosso alívio. O espaço habitual estava bem preenchido, com a sofisticação costumeira de uns contra a descontracção de meia dúzia. Ao balcão, enquanto pedia uma bebida, senti de repente um aconchego nas costas seguido de umas mãos a agarrar-me a cintura. Encostei-me mais ao balcão pensando tratar-se de alguém que estaria a tentar passar atrás de mim quando senti um encosto mais forte, dando a perceber tratar-se de uma mulher e as mãos a passarem já para a barriga. Sem reacção condigna, pôs-se ao meu lado largando-me. Ufa! É que eu até gosto de potência, mas não me preocupo apenas com o número de cavalos...

Yono.
Miguel S.

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Batido à mão, sff!

Yono.
Miguel S.

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março 12, 2005

O meu pavor de tubarões

Sabendo de antemão que o Índico está cheio de tubarões, embora adore nadar, sempre refreei qualquer aventura mais audaz para águas mais profundas. Cheguei mesmo a entrar em pânico, em Pemba, quando fui a nado até ao recife de coral a uns bons 150-200 metros da praia com o Américo. Ele tinha sido comando e era doido mas eu não porra! Parecia uma lancha a nadar até à areia quando fiquei aflito.

Em Angola, embora as águas sejam mais frias e turvas, eles também andam aí. Também cá não me aventuro muito com todos a dizerem "naaaaaa, aqui não há nada!". Ora saiu no Jornal de Angola, esta semana, uma notícia que clarifica tudo. A propósito de um esclarecimento sobre o grupo "Corta-cabeças", a Polícia Nacional explicou que o corpo de uma jovem que tinha morrido por afogamento "numa das praias de Luanda, aparecendo dois dias depois o corpo separado da cabeça que surgiu na Ilha de Luanda e outra parte do organismo na Samba, porque mutilada por um tubarão, segundo relatório legista".

Yono.
Miguel S.

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"Pérolas"

"A Avenida Almirante Reis tem tudo que um repórter angolano em Lisboa precisa: pensões e restaurantes a preço camarada, casas de câmbio e internet barata.

Contígua à Almirante Reis está a Rua de Angola, espaço aprazível, com restaurantes, cafés e livrarias. Tem também imponentes casarões, símbolos da rica arquitectura colonial portuguesa.

Ao lado, pedreiros angolanos trabalham na reforma de um prédio centenário, provavelmente construído com dinheiro de antigos barões do café da então colónia de Angola.

Num dos restaurantes, uma menina loirinha desperta à minha atenção com afectuoso beijo no rosto. Pouco depois, um canto harmonioso e melancólico penetra de mansinho no espaço.

São os pedreiros a cantar Muxima, canção popular angolana eternizada pelo N'gola Ritmos. Com isso, silenciam dois cabo-verdianos e um brasileiro, que falavam animadamente de Filipe Mukenga e Teta Lando, dois talentos da música angolana.

Assim, germinava um pedaço da alma da gente na Rua de Angola, via contígua à Almirante Reis, uma graciosa avenida da baixa lisboeta."
por Raimundo Salvador in Jornal de Angola

Yono.
Miguel S.

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O A. já vai

Ficando no seu lugar o P. É o 4º em 18 meses. Pim-pam-pum cada bola mata um...

Yono.
Miguel S.

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março 11, 2005

[foto] Off-shore

Yono.
Miguel S.

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Ngola, o arranja tudo

(para desanuviar)

Passaram-se meses desde a primeira tentativa de Ngola em entrar na empresa. Dia após dia, ao longo de meses, sentava-se no muro do outro lado da estrada, à espera de uma qualquer vaga. O convite do professor não tinha sido do seu agrado pois implicava sair da cidade, ir trabalhar para o campo e receber apenas USD 50,00 por mês. Até que um dia quando se abriram novas vagas, alguns trabalhadores pediram para que lhe fosse dada uma segunda oportunidade (a 1ª tinha-a perdido por ter chegado 2h atrasado à entrevista). Assim foi, apesar de se achar que era demasiadamente magro e meio passado.

- Então como se chama? - perguntava o entrevistador* enquanto olhava para a ficha de inscrição e demais documentos do candidato.
- A. Ngola.
- Habilitações literárias?
- Chefe?
- Que estudos tem?
- Escapei de fazer a 12ª. - com esta resposta provocou Ngola alguns sorrisos entre os presentes.
- Escapou de quê?
- Sim chefe. Eu estudei muito e sei fazer muita coisa. Sei arranjar ventoínha, relógio, tudo o que o chefe precisar. - afirmava com grande convicção.
- Escreva aí o seu nome. - pediu o entrevistador* enquanto dava um bloco de papel e uma caneta ao candidato.
- Bom, mas o meu nome é A. Ngola, eu sei muito bem!
- Sim, nós sabemos. Agora escreva lá aí o seu nome, no papel.
- Ora - dizia enquanto segurava na caneta encostando-a ao papel - Aaaa Neeeeee... - a mão trémula evidenciava o que não se conseguia ver por detrás do bloco - Chefe! Não consigo. Estou muito nervoso.

Ngola acabou por nunca escrever o seu nome da mesma forma que o fazem a grande maioria dos que estudaram alguns anos. Mas acabou por revelar-se um excelente trabalhador na área em que foi colocado e que era meramente física. Afinal era mesmo dotado para arranjar o que quer que fosse. Soubemos depois que enquanto esperou ao longo de meses por um emprego, foi ganhando dinheiro a arranjar relógios a outros candidatos e até funcionários da empresa.

Yono.
Miguel S.

* esta foi o puto que a fez

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@"#?&/$#"%!!!

AAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
Punf! Clap! Plof! Zás! Crunch! Crunch! Nhaaaaaaaccccc!
Ainda faltam 45 minutos p'rácabar o dia?!

Yono.
Miguel S.

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Este blog...

...está uma confusão dos diabos. A ver se o arrumo a partir do fim-de-semana, tempo mais adequado para as lides domésticas.

Yono.
Miguel S.

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março 10, 2005

Pistas para bicicletas já!!!

"The New York Mercantile Exchange reported that this week an option with a strike price of $100 a barrel was traded for the first time."
in The Economist

Yono.
Miguel S.

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Escravatura? Naaaaa, não temos cá nada disso!

Hoje, 10 de Março de 2005, ainda lemos destas coisas:

"The government of Niger, which had blessed the release of 7,000 slaves, scheduled for last week, changed its mind, denied that there were any slaves on its territory and intimidated the slave-owners into parroting this denial. No slaves were freed."

E depois vão para cimeiras como a de Durban exigir reparações financeiras às antigas potências coloniais por danos desta natureza.

Yono.
Miguel S.

Adenda: E parece que aqui ao lado, na RDC, também os .

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Líbano, tremido ou nem tanto?

Hoje apetece-me falar um bocado "destas" coisas.

"Half a million Lebanese, mostly poor and Shia Muslim, demonstrated in favour of the Syrian army, which occupies Lebanon. The rally was a response to last week's protest by anti-Syrian Lebanese, largely middle-class and non-Shia, which had prompted last week's resignation of Lebanon's pro-Syrian prime minister, Omar Karami. However, this week, Mr Karami was renominated for the job by the country's parliament."
in The Economist [artigo completo]

Não deixa de ser surpreendente a forma como evoluiu a situação no Líbano. Isso e o timing do atentado que vitimou o agora "glorificado" Hariri. Uma leitura mais atenta e detalhada sobre Hariri apontará algumas razões pelas quais poderá não ter sido, afinal, vítima dos sírios como muitos apontam. Assim sendo, qual a agenda que perseguem os seus autores? Porquê tanta pressa em redesenhar a correlação de forças na região e o mapa geopolítico?

Alguns elementos são igualmente relevantes e de se tomar nota. A ocorrência do atentado não muito tempo depois das conversações israelo-palestinianas é logo a primeira. A disputa, uma vez mais, entre a França (aos gritos em bicos de pés), ponta-de-lança da UE, e os EUA (arrivistas) sobre quem "dá" ordens à Síria. Em pano de fundo, o futuro que se está a desenhar na questão israelo-palestiniana e israelo-árabe com os EUA a quererem o papel principal ao lado dos israelitas e a UE ao lado dos palestinianos.

A acompanhar de perto porque nunca se sabe no que dará. Mais a mais, o Líbano está já a poucos km de distância da fronteira com a UE.

Yono.
Miguel S.

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a 95%

Ufa. Como sabe bem, apesar de ter sido às 4:30 da manhã, acordar quase como novo e com tudo [bem, quase tudo] no sítio. Ahhhhhhhhhhhhh :)

Yono.
Miguel S.

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[foto] Por cá, esta manhã

Yono.
Miguel S.

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O weblog perdeu os IPs

Terá sido da migração? No MT kaput...

Yono.
Miguel S.

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Ó S.Pedro, tem lá calma pá!

O sacana acordou-me às 4:30 da manhã tal não era a barulheira. Até agora. Chuva intensa, muito calor com humidade e o raio da época das chuvas que nunca mais passa...

Yono.
Miguel S.

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março 09, 2005

Larguei.

A decisão mais difícil.

Yono.
Miguel S.

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[foto] Foi "nesta" farmácia?!

Yono.
Miguel S.

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O guarda há instantes

"Esteve cá um branco num carro preto à procura do chefe".

Como é que soaria isto se se passasse na Europa e se alterassem as cores todas da frase?

Yono.
Miguel S.

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Hora de começar a fazer as malas?

Aproximam-se, a passos largos, as próximas eleições em Angola e as primeiras depois da tentativa efectuada no fatídico ano de 1992. Previstas para 2006, sentem-se já no dia-a-dia as consequências da confirmação da realização das mesmas (legislativas e presidenciais). Embora muita gente não acredite que algo possa correr mal, desta vez, eu incluído, não posso deixar de referir a opinião do ex-Director Nacional das Eleições há bem pouco tempo. Dizia ele:

"O ex-director nacional das eleições angolanas de 1992, Onofre dos Santos, considerou que o próximo acto eleitoral em Angola, previsto para 2006, vai ser "mais difícil" do que o realizado na sequência dos Acordos de Bicesse. "As eleições de 2006 vão ser muito mais difíceis do que as de 1992. Nessa altura, todos acreditavam que tudo ia correr bem, mas agora parece que é o contrário, todos acreditam que vai tudo correr mal", afirmou Onofre dos Santos.

Para o antigo director nacional das eleições, esta situação resulta de "todos partirem de um princípio de desconfiança, o que leva a pensar que devem tomar todas as iniciativas e prevenções para se evitar a desilusão de as pessoas não aceitarem os resultados eleitorais".".
Fonte: Lusa

Por cá onde me encontro, não tenho qualquer margem para dúvidas que o ambiente tenderá a aquecer com o pretexto das eleições.

Yono.
Miguel S.

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Já são 9 dias

Desde que acordei todo torto. 9 dias [quase sempre] enfiado em casa/escritório graças, ao que tudo indica, à ingestão de medicamentos adulterados/fora do prazo/deteriorados. Fica registado. E isto que não passa?! Desta feita deram-me Cotrimoxazol 960mg 12/12 e Solotone 12/12 com início a 07.03.2005 à noite. A parte positiva é a perca de peso, já visível...

Yono.
Miguel S.

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março 08, 2005

Que diabo?



The Bald Avenger

Esta catarina arranja-me cada uma... Grandes gargalhadas :)

Yono.
Miguel S.

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Diagnostic Test

Estreia.

S1 [30:00|30:00]
Reading Comprehension
15|25 F
S2 [24:46/25:00]
Problem Solving
14|17 E (2 guess) 34555667777899|889
S3 [20:26/25:00]
Critical Reasoning
12|17 G
S4 [25:00/25:00]
Problem Solving
11|17 G 44556677789|6788|66
S5 [20:12/25:00]
Sentence Correction
8|21 P

Yono.
Miguel S.

PS-[5] 271,2/min

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Dados preliminares

-Intervalo possível: 200-800;
-Valores raros: abaixo de 250 e acima de 700;
-2/3 dos resultados estão compreendidos entre os 380 e os 600;
-A média é de 480/490;
-A média nos EUA em 95/96 foi 511;
-As médias por origem foram as seguintes: física 584, informática 525, inglês 524, ciência política 514 e gestão 483;
-Ler 300 palavras/min

Yono.
Miguel S.

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Feriado

Dia Internacional da Mulher.

Não se faz puto e a esta hora não me apetece escrever mais nada sobre o assunto.

Confesso que sou dos que não gostam de determinado tipo de efemérides. E com muitos porques que não irei aqui discriminar. Poderia deixar aqui um "muitos beijinhos às mulheres, sem vocês o que seria de nós", mas parece-me que peca pela redundância e chavão costumeiro [machista?] ouvido aqui e acolá quando necessário sendo certo que se espera sempre que continuem a desempenhar o seu papel [fundamental] na sociedade... Daí que não aprecie muito dias como o de hoje. Até pode ser que para muitas mulheres hoje seja um dia diferente, mas também para muitas o amanhã não será mais do que o back to business as usual.

Sobre o meu país, é com grande gozo e satisfação que vejo um futuro muito mais interessante para a minha maninha de 18 anos do que propriamente as que a precederam. Acima de tudo, as oportunidades da afirmação e realização do "eu" cada vez maiores, indispensáveis, na minha perspectiva, ao aumento das probabilidades de se atingir o que nos move a [quase] todos nesta existência: a felicidade. E parte dela está directamente relacionada com a realização pessoal, sendo esta resultante de uma opção e não imposição qualquer que seja a sua origem.

Vem-me agora à memória que nunca fiquei a saber se a minha avó ao longo dos seus 92 anos terá sido feliz... Ou se a outra, para além da sua infância, terá alguma vez sido feliz ao longo dos seus parcos 45 anos de existência... Sendo certo porém que o conceito é demasiadamente aleatório e por isso, se calhar, mais facilmente concretizado por muitos.

Bom e não me apetece escrever muito mais sobre isto.

Acima de tudo fica a constatação que se evoluiu muito mas que o caminho ainda é longo. Por toda a parte. Então ao nível da mentalidade, há mesmo muito por fazer (neles e nelas).

Yono.
Miguel S.

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Paixão

Jurei ser eu o teu olhar
Brilhar só eu no teu olhar

Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim (Paixão...)
...paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim

Oh por favor vá lá sorri
Dou-te esta flor um beijo a ti

Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim (Paixão...)
...paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim (Paixão...)

Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim

Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim (Paixão...)
...paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim

por Heróis do Mar

Yono.
Miguel S.

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Constatação

De todas as conferências de imprensa dadas pelo porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, ainda não o ouvi dizer uma única vez que o papa está a recuperar "graças a Deus".

Yono.
Miguel S.

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março 07, 2005

Conferência da ONU em Maputo

Diz a notícia que metade das 6.000 línguas actualmente faladas no mundo desaparecerão em menos de 100 anos. Que destas cerca de 2.000 são faladas em África, das quais 200 têm já menos de 500 falantes. E ainda que metade da população mundial fala apenas 8 línguas: chinês*, inglês, hindu, espanhol, russo, árabe, português e francês. E depois começa o artigo a falar sobre Moçambique de uma forma que me parece algo retro.

NB: * começa mal o artigo ao referir-se a uma língua que não existe...

Adiante. Diz então:

"Along a boulevard lined with flowering acacia trees, young people in designer clothes and high-heeled shoes chatter on the sidewalk struggling to be heard over the driving Latin rhythms spilling from a nightclub.

Maputo's vibrant nightlife lets people forget it is the capital of one of the world's poorest countries. Here you can eat Italian, dance like a Brazilian and flirt in Portuguese.

One thing that's in ever shorter supply and perhaps even less demand: Mozambique's own indigenous languages, the storehouse for the accumulated knowledge of generations."

Demasiadamente redutor porque igualmente desconexo da realidade. E continua:

""Sons no longer speak the language of their fathers ... our culture is dying," laments Paulo Chihale, director of a project that seeks to train Mozambican youths in traditional crafts."

Prosseguindo mais à frente:

"Chihale looks up from his cluttered desk at MozArte, the U.N.- and government-funded crafts project, and complains bitterly about how his nation's memory is fading away."

Para finalmente ainda nos mandarem com esta:

"In Mozambique, cheap foreign imports have destroyed the market for local crafts beyond what little can be sold to tourists. Horacio Arab, the son of a basket weaver who learned his father's trade, said he improved his skills at MozArte but then abandoned weaving because he could not make a living."

Este tipo de artigos incomodam-me um bocado, em abono da verdade. Porque saídos de um qualquer quarto de hotel, dos bons, da cosmopolita Maputo no âmbito da Conferência da ONU, certamente. Falam com 2 ou 3 tipos e a história está feita. Só revelou que não deve ter fugido muito à Julius Nyerere, Costa do Sol e, eventualmente, baixa durante o fim-de-semana.

Alguém que me foi muito próximo durante alguns anos falava 5 línguas: kimwani, macua, makonde, português e inglês. E era jovem. A grande maioria das pessoas da cidade falava, pelo menos, a língua dos pais para além do português e, em última instância, algo da língua do mainato.

A pessoa que fala, desconhece as danças tribais e batucadas dos bairros seguindo a preceito as tradições onde se continua a mostrar aos mais jovens o legado dos "mais velhos".

Esta perspectiva fatalista das coisas incomoda-me sobremaneira. Se assim fosse, o artesanato sul-africano há muito que teria desaparecido. E de igual modo o artesanato abundante que se encontra na Associação dos Makondes do lado esquerdo da estrada que vai para a praia em Pemba! Esse mesmo que sai de Pemba a $5,00 e depois pretende-se vender em Maputo a $500,00. Não é normal que não singre?!

Da malta jovem que conheci, conheci um que realmente só sabia falar português por razões familiares (pai makonde tanzaniano e mãe lomué) e alguns urbanos que por snobismo recusavam-se a falar as línguas dos pais...

Yono.
Miguel S.

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E já vão dois

Confirma-se a deglutição do 2º bispo, neste [complexo] jogo de xadrez. Sem estes, o jogo começa a ficar mais claro. Mesmo com o papa enfermo. Afinal quem assina?!

Yono.
Miguel S.

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Na sala de espera do consultório

A televisão ligada no canal nacional. Hora do Diário Regional.

Não consegui conter a gargalhada sonora perante a peça que estava a passar sobre a visita das candidatas a miss aos comandos caçadores a algumas dezenas de km daqui. Em determinada altura, vira-se o repórter em off e diz "...e ofereceram aos soldados camisas-de-vénus...". Não aguentei! Isso e as respostas que algumas deram ao serem entrevistadas "Sim, não sei explicar o que sinto por estar aqui. É tão tão inexplicável que só vivendo é que se sente o que estou a sentir. Não tenho palavras para explicar".

A segunda peça interessante foi a constatação de facto que por estas paragens, qualquer pessoa é sacerdote. São 35 as igrejas presentes nesta Província. Parece que também não é muito difícil constituir uma. Como amanhã se comemora o dia internacional da mulher, toca de se reunirem num pavilhão desportivo bem conhecido aqui da terra e dizia a pastora (que não tinha nada ar disso):

- ...porque a mulher deve ser fonte de benção, amen.
- Amen - ouvia-se em off.
- ...porque a mulher deve ser a mensageira da paz, amen.
- Amen - ouvia-se em off.

E continuou com esta lenga-lenga, provocando inúmeros sorrisos entre os presentes na sala de espera. Mas este tipo de gente consegue arranjar seguidores, isso é que é impressionante.

Não me recordo de em Moçambique isto ser assim, nem de perto nem de longe.

Yono.
Miguel S.

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Ena, ena, tanta gente?

A Emiéle hoje ao colocar um link no Afixe (local a visitar diariamente) a propósito da jornalista italiana resgatada do Iraque, trouxe a este blog muita gente. O acto reflexo do clique sobre um link é impressionante.

Isto é apenas um blog para onde vou atirando o que me apetece. As coisas mais sérias e do quotidiano vou respondendo ao que escreveres no Afixe, obrigando-me assim a manter-me sentado enquanto o faço. Ainda bem.

Yono.
Miguel S.

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Acho curiosas as...

...designações comerciais dos preservativos em Moçambique e Angola:

Jeito (Moçambique) e Legal (Angola).

De tal forma que algumas frases curriqueiras terão eventualmente adquirido um outro significado por estas paragens...

Yono.
Miguel S.

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HIV: a hecatombe anunciada no subcontinente

U.N.: AIDS may kill 80M Africans by 2025
Date: Monday, March 07, 2005
By: Associated Press

E é isto.

Até 2025 prevê-se que possam morrer 80 milhões e que uns adicionais 90 milhões possam ser infectados, apontando as estimativas actuais para 25 milhões de seropositivos.

A parte trágica de tudo isto é a que está contida no seguinte excerto:

"UNAIDS estimated that nearly $200 billion is needed to save 16 million people from death and 43 million people from becoming infected, but donors have pledged nowhere near that amount."

Em suma, quem é que vai financiar isto? Ninguém, estou convencido. Limitar-nos-emos à constatação da terrível realidade descrita nas estatísticas dos próximos anos e de mais uma ou outra conferência internacional que terá eco durante alguns dias pelo mundo fora e depois business as usual.

Mas, estará alguma coisa a mudar? Estou convencido que sim. Embora seja fortemente crítico e não goste minimamente da Igreja Católica, reconheço-lhes o papel fulcral, nesta parte do mundo, na sensibilização da população local através da monogamia e fidelidade embora aqui seja tendencialmente poligâmica. Do mal o menos. Da parte do Estado, grandes campanhas de sensibilização um pouco por toda a parte: outdoors enormes, empresas estatais (ex: Sonangol), spots televisivos muito bem feitos e assustadores pelo realismo, spots radiofónicos, debates e conferências. Tudo muito bem feito e já com alguns resultados palpáveis, sobretudo entre as camadas mais jovens da população. Estas e as urbanas, mais sensibilizadas quanto mais não seja por conhecimento de causa do vizinho, do familiar, do amigo e de conhecer alguém que conhece alguém que...

Mas a grande solução para este delicado problema passa, quanto a mim, por uma questão de fundo essencial: o desenvolvimento económico e social sustentado. Enquanto as pessoas continuarem a viver apenas para o dia de amanhã, tudo o resto é secundário.

Ficam alguns registos do que se passa por cá. A ideia entre determinadas camadas da população que isso da SIDA é invenção dos brancos, a tabela de preços diferenciada das prostitutas congolesas em função do uso do preservativo sendo mais caro sem ele (não percebo esta lógica), entre outras.

Há cerca de meio ano, fiquei parvo com alguns números anunciados aquando da inauguração de um hospital periférico. Dizia-se então que o mesmo já estava dotado de meios e fármacos suficientes para tratar em regime ambulatório quase 1.200 grávidas seropositivas registadas para evitar o contágio do feto... Elucidativo e aterrador.

Apesar de tudo, muitas coisas já estão a mudar. E têm que continuar a mudar pois os "USD 200 billion" nunca mais.

Como alguém dizia quando aqui cheguei: "Eu? Eu é só com dois e meto sempre jindungo entre o primeiro e o segundo. Se começar a gritar é tempo de bater em retirada."

Yono.
Miguel S.

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O trinca espinhas ameaçador

Rica maneira de começar o dia. Livrei-me da alergia mas parece que ganhei 3 ites o que dá uma (in)disposição simpática. Ora, logo de manhã, um meia leca peso-pluma aparece aqui no escritório a exigir não-sei-o-quê nem-sei-o-que-mais e que só saía depois de falar com o Director. Disse à secretária para informar o Exmº Senhor que estava doente e que não recebia ninguém hoje. A Excelência não contente começou a barafustar. Saí do gabinete, disse-lhe duas e regressei ao gabinete. Então não é que o artista começou a proferir ameaças de morte? Que andava armado e que ia dar tiro em alguém, bla bla bla bla bla. Já não há paciência para estes tipos. Já só lá vai à estalada!

Yono.
Miguel S.

PS-Afinal o homem é do exército. Hummmm... Polícia na mesma, já agora!

Adenda: afinal terá dito que "primeiro vai ver com o motorista e depois vai ver com o branco que isso aqui não é Portugal" para rematar de seguida com um eloquente "eu fiz juramento para matar e durmo acordado com arma que aqui não é Portugal para mandares!". Caraças que pena eu não ter ouvido isto... quanto mais não seja para lhe perguntar o que é isso de "dormir acordado".

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março 06, 2005

Já no sul

Não valia a pena o puto adiar as férias. Arrancou na 6ª e chegou ontem ao Namibe. Afinal parece que ainda consegue ser pior que isto aqui. Se cá só há "20" pessoas, parece que por aquelas bandas apenas haverá "10". Ca raio! E eles que falam tanto daquilo como se fosse um espectáculo. Já me faz lembrar estes de cá sobre a floresta...

Boa viagem até Windhoek pá! Tira muitas fotografias para ver se vale a pena ir até lá.

Um abraço,
Miguel S.

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Vi isto...

...no 100nada da catarina e deu-me este resultado:

CWINDOWSDesktopFightclub.jpg
Fight Club!


What movie Do you Belong in?(many different outcomes!)
brought to you by Quizilla

Afinal?!

Yono.
Miguel S.

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Tipo de sangue

O+

É que como nunca me lembro disto, fica em arquivo.

Yono.
Miguel S.

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Afinal podia ter patinado

E eu sem me aperceber de nada. À velocidade a que estava a progredir a alergia, pelo facto do elemento alérgico não ter sido eliminado após a primeira manifestação, bastava ter evoluído para um edema da glote. Simpático. Isto de um gajo ser vizinho do fim do mundo tem coisas nas quais raramente pensamos. Bom, a 4ª e última já cá canta. Alergia praticamente liquidada...

Para registo o que me prescreveram no dia 01.03.2005:

1. Amoxicilina 500mg (1 cápsula de 8 em 8 horas);
2. Paracetamol (1 comprimido de 8 em 8 horas);
3. Vitamina C (1 comprimido de 8 em 8 horas).

Primeira reacção alérgica a 04.03.2005, ao acordar, após 8 cápsulas de amoxicilina! (sintomas: ver fotos) Manutenção da amoxicilina após a 1ª injecção de hidrocortisona e manifestação alérgica generalizada após mais 2 cápsulas de amoxicilina (sintomas: ver fotos). Só após a 3ª injecção de hidrocortisona a reacção alérgica começou a regredir. Cronologia da hidrocortisona:

1ª injecção às 12:30 de 04.03.2005 (depois desta +2 cáp. amoxicilina)
2ª injecção às 02:30 de 05.03.2005
3ª injecção às 09:30 de 05.03.2005
4ª injecção às 12:00 de 06.03.2005

Pesquisa de plasmódio efectuada a 01.03.2005 e 04.03.2005, ambas negativas.

Isto a propósito de uma simples gripe...

Yono.
Miguel S.

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A [latina] musa 2

Yono.
Miguel S.

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Acordas muito cedo.

Tu. ;)

Yono.
Miguel S.

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março 05, 2005

[Re]Início do GMAT e TOEFL

É desta...

Yono.
Miguel S.

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Os 16 magníficos

Merecem o benefício da dúvida. É uma aposta e, entre os minitros anunciados, confesso a minha simpatia pelo que já fizeram deixando antever poderem fazer algo de [bastante] positivo num cenário de maioria confortável.

Merece ainda mais um voto de confiança pelo facto de muitos ex-governantes que deixaram má recordação do tempo do Guterrismo não fazerem parte deste governo. Daí a figura patética de alguns actores da [nova] oposição ao invocarem a ausência de determinados nomes para definir este governo como de 2ª. Mas, tratando-se de um governo de maioria absoluta, haveria por acaso alguém dos supostamente "importantes" que não gostaria de fazer parte deste governo?

Boa Sócrates. Dá-lhes!

Yono.
Miguel S.

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Jean, o kitandista

- Ahhh, monsieur le docteur. Ça marche?
- Pas mal mon vieux, mais je suis malade.
- Ah bon? C'est quoi alors?
- Je ne sais pas moi, on croit que c'est à cause des medicaments. Regarde ça. - E mostrei-lhe os braços e a barriga.
- Ehhhh, monsieur. Il faut faire attention. On est en Afrique, climat tropical, vous savez. S'il vous arrive quelque chose on dira plus tard que vous étiez empoisonné! Il faut fair attention ahn? Mais alors, qu'est-ce que vous cherchez? Ah, ça? Venez avec moi.- E pegou-em na mão e percorreu as bancas do mercado central comigo ao seu lado enquanto me agarrava na mão como se fosse meu pai e eu o seu puto indefeso. Encontrámos o que era necessário para a canja de galinha.

- Bonne chance le docteur.
- Merci mon vieux. À plus tard.

Conhecera o velho Jean devido a uma carta que dirigiu à empresa a solicitar o arresto do salário de um dos nossos funcionários por burla. Tinha este prometido emprego no Malongo desde que lhe pagassem USD 300.00. A carta que nos enviou foi apenas a ponta do iceberg tendo este camelo sido despedido após a tentativa de organização de greve ilegal e inúmeros pedidos de dinheiro por burlas efectuadas. Uns dias depois de ter sido despedido andava na cidade a ver se me apanhava para me dar um tiro. Alguém resolveu o assunto... Desde então o velho Jean faz-me uma grande festa sempre que me vê. O velho zairense ou de cá? Ou os dois?

Yono.
Miguel S.

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Tá descoberto

Reacção alérgica à amoxicilina. Meu rico rabinho agora...

Yono.
Miguel S.

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E a pequena tornou-se grande

Ao ponto de apenas me deixar dormir duas horas e meia. Dizem que esta alergia poderá afinal ter algumas origens distintas. Bonito. O dedo está apontado e muita água vai correr debaixo da ponte. Uma das possibilidades é o antibiótico que me deram estar fora do prazo...

Yono.
Miguel S.

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março 04, 2005

Angola: [des]dolarização da economia?

Quando cheguei a Angola, ao colocar algumas questões a quem de direito foi-me dito peremptoriamente "Isto não é como em Portugal! Aqui quem manda é o dólar. Em Angola a inflação é igual à desvalorização do kwanza". Ora este gráfico fala por si e desmonta por completo esta abordagem ao tema. É extremamente interessante analisar alguns dados da economia angolana. Os dados da inflação, desvalorização da moeda e taxas de juro oferecidas permitiram em 2004 ganhos substanciais em moeda forte.

Yono.
Miguel S.

PS-São estas as vantagens de uma alergia medicamentosa terrível, febre e outras maleitas. Perder o sono.

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Angola: passos firmes

A estabilização da economia e de alguns indicadores macroeconómicos como corolário das medidas implementadas no decorrer do ano de 2003. Os resultados estão à vista. Introdução de mais moeda com valor facial bastante mais elevado sem o disparar da inflação, estabilização cambial e [livre] acesso bastante mais facilitado à moeda externa estando a dar cabo do paralelo. O quadro acima com a evolução da taxa de inflação homóloga (mensal) em Angola até Janeiro de 2005 é elucidativo.

Alguns indicadores para 2004: inflação 31.0%, PIB 14.0%, desvalorização face ao USD 9.6% e redução do spread para o paralelo para níveis inferiores a 3%.

Cada vez mais parece-me estar a reviver Moçambique mas numa economia muito mais poderosa e dinâmica com os recursos endógenos de que dispõe.

Yono.
Miguel S.

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Que azar...

...tem este puto. Hoje foi a mãe que foi ter com ele ao escritório para o informar que o irmão tinha morrido em resultado dos ferimentos abdominais provocados pelos bandidos ontem à noite na buala. Para lhe roubarem os parcos haveres, encheram-no de balas de AK-47. Não aguentou. Primeito a mulher, agora o irmão. E eu à rasca com a gripe e alergia...

Yono.
Miguel S.

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Ai como é bom...

...ter uma D. por perto. Sempre me fez a canja de galinha. É também por estas coisas que gosto dela.

Yono.
Miguel S.

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Mas também está com aleijão?

Perguntava com um ligeiro sorriso olhando para baixo o homem da seguradora, de seu nome Pobre, perante a minha descrição dos males que me afectavam. O importante era mesmo não estar com aleijão, isso sim seria uma verdadeira calamidade.

Yono.
Miguel S.

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A gripe...

...não era suficiente por isso toma lá uma pequena alergia. Porreiro. Não sei é a quê. E os médicos também não, por isso toca de lhe dar com uma injecção. Porreiro.

Yono.
Miguel S.

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março 03, 2005

Resíduos tóxicos, na Somália?

O tsunami de Dezembro terá provocado a libertação de substâncias tóxicas na Somália estando já a provocar o aparecimento de inúmeras doenças, tais como: hemorragias da cavidade bocal, infecções respiratórias, hemorragias abdominais e reacções alérgicas cutâneas desconhecidas. Supõe-se que a origem deste lixo tóxico seja a Europa, de acordo com testemunhos de despejos ocasionais, por questões de ordem económica: $2.50/ton para largá-lo ao largo da Somália contra $250.00/ton para o seu devido tratamento na Europa.

Yono.
Miguel S.

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Os nossos vizinhos aqui do lado

MSF has treated 2,567 rape victims, from aged from 4-months-old to 80-years old, at its hospital in Bunia, capital of Ituri district, since June 2003.

Yono.
Miguel S.

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Não é "canja"

Apesar de agora bem me apetecer uma canjinha de galinha, mas como a "governanta" não sabe fazer bem que m'entalei. Andei a pesquisar e descobri que a tesoureira, do centro de Angola, sabe fazer. É que, disse-me ela, por aqui não há o hábito de se comer sopa. Amanhã a D. não se safa!

Voltando ao assunto, uma pequena reflexão sobre a "malta". É impressionante a rotação de quadros, em particular portugueses, do grupo. Aquando da minha última deslocação a Luanda cheguei à constatação que sou dos mais veteranos por cá. E isto em 2 anos. Ainda não percebi muito bem o que determina algumas decisões. Talvez seja o momentum.

O que me parece claro é que a selecção em Portugal falha completamente. Ainda agora, em Luanda, foi-me apresentado um novo colega com idade para ser meu pai, todo bem arranjado (fato e tudo) e com muito bom ar. Vem de uma boa zona do país. Nunca esteve em África, sendo esta a sua estreia. Imagino-o reformado antecipado e farto de estar sem fazer nada. Mas será que alguém lhe disse exactamente para onde vai? Não é exactamente o fim do mundo, mas é certamente o último apeadeiro... Valerá a pena a troco dos magros patacos com que esta malta está a vir de Portugal nos últimos tempos, a preços de saldo?

Yono.
Miguel S.

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Da perfeição

Fiquei perplexo perante a incapacidade de percepção da ironia sobre a visão clássica da perfeição estética exaustivamente estereotipada. Mas sobretudo com o que me deixa cada vez mais atónito, tal não é a multidão dos que se outorgam o direito e a capacidade de julgar outras perspectivas do perfeito, conceito esse tão polémico. Afinal, sendo o homem por natureza um ser imperfeito, impossível será de imaginar o homem perfeito isento de imperfeições aos olhos de terceiros. Daí que a perfeição, vista singularmente, nada mais é do que isso mesmo: a nossa. Cheia de perfeições e imperfeições mas que se nos afiguram como perfeitas, suficientes para o total preenchimento do conceito. Já chega.

Yono.
Miguel S.

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Salvou-me a rede mosquiteira

De [mais] uma queda da cama abaixo. Descobri a sua segunda função durante a noite...

Yono.
Miguel S.

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P., o boer evoluído

Tipo simpático, tipicamente boer à excepção de não andar permanentemente de calções e sandálias ou botas, em tudo o resto cumpre com o estereótipo: alto, gordo e forte, loiro e branco rosado.

Apanhou-me no escritório e num momento de pausa a troca de impressões costumeira. Contei-lhe algumas coisas. Despertei o seu interesse de tal forma que não mais me largou durante a estadia de Luanda. Queria e muito ver as fotografias que tirara aquando da deslocação em coluna ao mato e a descida do rio nas lanchas dos fuzas para o piquenique. Disse-me que noutros tempos viam de vez em quando alguns cubanos no meio do mato mas nunca tinham visto algumas destas caras e estava cheio de curiosidade para ver como seriam...

O que me impressiona é, com a idade que o P. tem, isto ter acontecido "ontem".

Yono.
Miguel S.

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Congo, a vermelho.

Ontem violentos combates terão ocorrido no leste do país, resultando em 2 feridos entre os soldados paquistaneses ao serviço da ONU e 60 mortos entre as milícias. Isto depois de 9 soldados da ONU terem sido mortos na véspera.

Por aqui, parece que a cidade sofreu alguma animação durante o dia. Passaram pelo centro da cidade uns mísseis terra-ar o que não é nada de novo. Devem ter ido mudar as baterias ou ver se ainda teriam capacidade aérea... Calma puto, não é para amanhã!

Yono.
Miguel S.

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março 02, 2005

The beast

Bom filme para um fim de dia.

Yono.
Miguel S.

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Sinistrado é o quê?

O que eu muito me ri esta manhã quando me fizeram esta pergunta enquanto escrevia na factura a razão da despesa, acrescentando a senhora "é nome de pessoa ou título?".

Yono.
Miguel S.

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março 01, 2005

[foto] No Rocha Pinto

Yono.
Miguel S.

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Não consigo dormir

Porreiro. Calor insuportável e tenho que aguentar. Até ir à rua torna-se penoso perante o calor ofegante das 23:00. Intenso e húmido. Mesmo sem sol. Sem qualquer tipo de brisa a aliviar. A noite promete. Comprimidos, água, comprimidos, água, comprimidos. Suores. Muitos. E não é paludismo. Mas parece, faltando apenas os febrões...

Yono.
Miguel S.

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Paludismo ou gripe?

Isto de ir a Luanda dá nisto. Acordei com a cabeça prestes a rebentar, nariz congestionado, garganta inflamada, suores frios e olhos inflamados. Porreiro. Aparentemente, a gripe que assolou Portugal terá igualmente chegado a estas paragens. Falta a confirmação se será apenas só gripe...

Yono.
Miguel S.

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