Levanta questões mais delicadas como sejam a circulação de pessoas provenientes de um Estado onde nada funciona e onde está tudo "lixado".
Quanto ao amigo locoloco, atendendo a que os casos mais recentes surgiram no Cacuaco, porque não extenderes as tuas férias aí em Portugal por mais uns "tempos" até ver no que vai dar?
Fica aqui a notícia mais recente sobre o assunto, publicada no Jornal de Angola (Entrada Estendida).
Yono.
Miguel S.
Marburg mata em Luanda
Bernardino Manje
O vírus de Marburg, que provocou mais de 90 mortes na província do Uíje, expandiu-se já para a capital do país, que registou, até ontem, cinco casos da doença.
Segundo o director provincial da Saúde Pública em Luanda, Vita Vemba, dos cinco casos diagnosticados, três já pereceram, destacando-se a morte de uma enfermeira italiana, que trabalhava no hospital provincial do Uíje.
A cidadã italiana, cujo nome ainda não foi revelado, deslocou-se há dias para Luanda, depois de se sentir mal, tendo falecido ontem à tarde na clínica Sagrada Esperança.
A outra vítima é um jovem de 15 anos de idade, igualmente proveniente do Uíje, e que veio a falecer na última quarta-feira, no hospital “Josina Machel”. Ainda no mesmo hospital, pereceu a terceira pessoa, de 34 anos de idade, que também era proveniente do Uíje, onde esteve há duas semanas.
Os dois infectados com o vírus estão hospitalizados, sendo um na maternidade “Lucrécia Paim” e outro (por sinal uma criança) no hospital municipal de Cacuaco.
Além dos números avançados, o director da Saúde Pública em Luanda, que falava numa conferência de imprensa, não descartou a hipótese de haver, nas comunidades, outros casos que estão fora do controlo das autoridades sanitárias.
Anunciou, entretanto, que, para o controlo da situação, o Governo da Província de Luanda (GPL) determinou a constituição de um “comité técnico mu-ltisectorial e disciplinar” para a implementação de medidas de contenção e prevenção da epidemia, já declarada pelo Ministério da Saúde.
O referido comité deverá contar com técnicos das direcções provincial de Saúde, da Assistência e Reinserção Social e Investigação Criminal. Os Serviços Comunitários, secretaria geral do GPL, Comando Geral da Polícia Nacional, as Forças Armadas e o Gabinete de Comunicação e Imagem do governo, fazem igualmente parte do comité.
Pelo carácter altamente contagioso da doença e para reduzir o número de infectados, Vita Vemba recomendou a população a lavar as mãos com água limpa e sabão antes de pegar em alimentos, depois de usar a latrina ou cuidar de pessoas doentes.
Recomendou ainda, entre outras, que se ferva a água para beber ou desinfectá-la com 4 gotas de lixívia para cada litro de água, e que se defeque e urine na sanita ou na latrina, mantendo-nas sempre limpas e tapadas. O uso de preservativo (camisinha) também serve de recomendação, uma vez que o vírus Marburg transmite-se igualmente durante as relações sexuais.
Segundo ainda o comunicado do Minsa, em caso de um óbito suspeito (quando a pessoa adulta ou criança morra com os sintomas da doença ou morte súbita), deve-se avisar as autoridades sanitárias mais próximas, evitar os rituais como banho, mexer o cadáver (beijar ou abraçar).
Deve-se ainda realizar o enterro o mais rápido possível (até 24 horas) e desinfectar o carro que transportou o cadáver com hipoclorito de cálcio a 0,1 por cento.
Portugal junta-se à luta contra o vírus
As autoridades portuguesas estão a estudar a possibilidade de enviar especialistas para Angola para apoiar o trabalho que está a ser desenvolvido na província do Uíje para conter a doença de Marburg, que já provocou 106 mortos.
“Está a ser encarada a possibilidade de serem enviados para Angola especialistas portugueses em biologia para apoiar o trabalho que está a ser feito pelas equipas técnicas do Ministério da Saúde na província afectada”, disse ontem fonte diplomática em Luanda.
A província do Uíje, no norte de Angola, está a ser afectada por uma febre hemorrágica originada pelo Vírus de Marburg, que já levou o Governo angolano e a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar a existência de uma epidemia desta doença em Angola, especialmente naquela província.
A doença, que tem como principal vector o macaco verde, transmite-se por contacto com fluidos corporais, como o suor, a saliva ou o sémen, de indivíduos infectados.
Os primeiros sintomas são dores de cabeça e musculares, febre alta, indisposição, vómitos, diarreia e náuseas, surgindo as hemorragias ao fim de cinco a sete dias.
Para apoiar as autoridades sanitárias do Uíje, a Embaixada de Portugal em Luanda já tem na capital angolana um segundo carregamento de material descartável de uso médico, que vai entregar ao Ministério da Saúde logo que seja desalfandegado.
Uma fonte da embaixada portuguesa disse à Lusa que este segundo carregamento, que chegou a Luanda por via aérea, integra mil fatos-macacos de protecção, cinco mil capas de plástico para sapatos, quatro mil pares de luvas e 360 pares de botins.
A doação portuguesa inclui ainda 2 mil e 500 toucas, mil máscaras e mil batas de protecção.
A embaixada portuguesa, que já tinha entregue terça-feira desta semana uma primeira doação de material descartável de uso médico às autoridades angolanas, está a preparar um novo carregamento, que deve chegar a Luanda “durante a próxima semana”.
“O terceiro carregamento será constituído por desinfectantes, soro e roupa para camas de hospitais”, acrescentou a fonte.
Cooperação Italiana disponibiliza USD 30 mil
Helma Reis
O Governo italiano colocou ontem à disposição um financiamento de trinta
mil dólares para aquisição de meios de protecção e de desinfecção destinados ao pessoal das estruturas sanitárias da província do Uíje.
Para além da entrega do valor financeiro feita pelo director da cooperação Italiana, Carlo Cibo, ao presidente e director geral da ONG Lubamba, João Ferreira, a Itália fez igualmente a entrega simbólica de uma caixa contendo amostras de botas, luvas, máscaras, batas e óculos de protecção.
A entrega oficial do material que está em fase de aquisição, será feita nos próximos dias.
Por outro lado, a Cooperação Italiana tem vindo a trabalhar num programa de iniciativas de emergência a favor das vítimas do conflito civil em oito províncias do país, nomeadamente no Uíje, Kwanza-Norte, Huambo, Bié, Huíla, Kuando-Kubango e Moxico.
O referido projecto, iniciado em Fevereiro de 2003, já contemplou cerca de 500 mil famílias vulneráveis das províncias acima referidas, entre elas mulheres, crianças, deslocados e ex-combatentes.
Com as acções de impacto imediato, a Cooperação Italiana fez igualmente uma distribuição de materiais e Kits de construção a 15 mil e 500 famílias, bens de primeira necessidade à outras 8 mil e 500 famílias, bem como alimentos a cerca de 8 mil famílias.
O programa favoreceu também a reabilitação de infra-estruturas, a reintegração dos desmobilizados na sociedade civil e a retomada das actividades de amplas zonas rurais com intervenção nas áreas da Educação, onde a Cooperação reabilitou quarenta e cinco escolas, distribuiu material escolar e imobiliário.
Deixado por Miguel S.
| Recados (0)
| Tirem-me daqui!
| Topo %0