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março 26, 2005

O que me assusta

Foram diversas as epidemias que vivi ao longo destes anos de África: meningite em Pemba (Cabo Delgado), peste bubónica em Quelimane (Zambézia) e cólera por diversas vezes também em Quelimane (Zambézia). Sempre corremos riscos associados ao facto de andar por estas terras: malária/paludismo e dengue, através do mosquito, entre outras potenciais maleitas locais. Sabemos do HIV, entre outras. E contra a grande maioria temos já mecanismos de auto-defesa e a certeza que, na maioria dos casos, naquelas que não controlamos e acabamos por tornarmo-nos potenciais vítimas, a existência não é posta em causa a não ser em situações extremas e excepcionais.

Desta vez é diferente. Não há profilaxia e não há cura. Já hoje me disseram para não me preocupar em demasia porque a taxa de mortalidade entre a população adulta é de 23-25%. Foda-se! Para não me preocupar?

Desde que se tornou público terem os casos extravasado o Uíge, adoptei medidas de auto-defesa algo extremas: já não cumprimento ninguém, não vou a lado nenhum com aglomeração de pessoas, não bebo nem como nada a não ser da minha casa e mesmo a falar com pessoas só a alguma distância. Inclusivamente no escritório andei hoje até à hora do fecho com máscara. Isto sobretudo depois de me dizerem esta manhã de Luanda: "Well, I don't want to scary you but there ways of protecting yourself. I am sending you the CDC factsheet on Marburg and you should be aware of it all. You should implement the same procedures as we have in Luanda and avoid all contacts with people as this virus spreads through body fluids including sweat and it is airborne. Ah, well... let's get straight to the point Miguel, no girls in the near future [...] Well you have several options: a) total isolation until it fades away, b) take serious measures in order to keep on going but limiting your exposure to people and c) let us know asap if something happens". What a fuck?!

Fui dar a volta de bicicleta do costume. Business as usual. Na boa...

Cá em casa as mudanças que imperam: a empregada não volta a entrar cá dentro para nada, eu é que vou cozinhar para mim e nos próximos tempos não faço compras em lado nenhum. Estou lixado porque vou ter que andar a leite, cenouras, azeitonas, espinafres, couves de bruxelas, sardinha em lata, feijão, arroz, tomate pelado, maçãs, fruta enlatada, etc.

As conversas entre a malta apreensiva, todos. Coloca-se uma questão de fundo: apanhar o avião? E se...? Todos nos lembramos do corre corre que foi andarem em Portugal atrás dos passageiros e tripulação que fez o vôo Abidjan-Lisboa há uns anos atrás, onde também viajou um alemão que acabaria por morrer em isolamento total na Alemanha.

Yono.
Miguel S.

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Comentários

cuidadoso já sabemos que és, agora só tens que mostrar (mais uma vez) que és um resistente!
beijinhos

Publicado por: ac em março 26, 2005 11:45 PM

Pois, mas sabes como é não é?...

Publicado por: Miguel S. em março 27, 2005 12:51 PM