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abril 04, 2005
A incontornabilidade do [falecimento do] Papa
Confesso que a morte do Papa foi para mim só e apenas isso, nada mais. Os dois únicos episódios mais vivos na minha memória foram a passagem do avião da Alitalia que o transportou escoltado por dois caças da Força Aérea a sobrevoarem a minha casa, com a minha mãe a ir para a varanda e desatar a chorar fazendo com que eu também a imitasse por estar ela com lágrimas nos olhos (quando se é puto estas coisas acontecem mais facilmente) e o cartoon que saiu no Expresso com o papa ostentando um preservativo no nariz, tendo na altura esse cartoon provocado uma celeuma inacreditável.
Claro que este Papa, ao longo do seu pontificado, desempenhou um papel interessante ao nível das Relações Internacionais [o que mais me interessa] e, procurou recuperar o tempo perdido em diversos domínios que à humanidade dizem respeito. Mas, como diz o velho ditado, mais vale tarde que nunca...
O futuro pós-João Paulo II continua a preocupar-me pois não me parece que nada de relevante/importante se altere no que se refere às questões fundamentais da nossa civilização e das questões mais prementes que a afectam nos dias de hoje. Acima de tudo, preocupa-me que uma estrutura com a dimensão do Vaticano, presente no mundo inteiro, detenha ainda tanto poder por esse mundo fora. Uma estrutura que para além de espiritual é política e económica, cometendo hoje alguns dos erros passados. Mas isto levar-me-ia a escrever bastante sobre as razões pelas quais não gosto da Igreja Católica Apostólica Romana [e das outras todas, mas por não acreditar em Deus entre outros motivos].
Finalmente o triste espectáculo que nos é proporcionado de forma diluviana pelos abutres dos nossos dias, a ver qual deles tem o fato de luto "mais melhor" do meio... Isso e a quantidade de gente importante que vai estar no funeral. Até o Kabila da RDC vai estar lá! Impressionante.
Mais importante do que parecer é ser. Ontem, hoje e amanhã.
Yono.
Miguel S.










