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abril 05, 2005

Y., o lambe-botas

Preâmbulo
Se há pessoas que abomino, são os lambe-botas. Vi-os em acção ao longo da minha vida, sobretudo a partir do momento em que passamos ao estado de emancipados. Destaque para o F. "Forreta" e para as meninas da fila da frente dos saudosos tempos em que nos encostávamos lá atrás para passar pelas brasas, nas inolvidáveis aulas de macro à primeira hora, e para os Caetanos desse mundo...

Y., o lambe-botas
O Y. meteu-me pena quando apareceu à minha frente, há já algum tempo. Contou-me a história da carochinha e eu [até] engoli porque me apeteceu. Após alguns anos de África, uma pessoa nunca sabe se o que algumas pessoas nos contam é mesmo verdade tal não é a quantidade de pais, mães e avós que morrem. Pois contou-me ele que era órfão de pai e mãe, vivia sozinho e estava só no mundo pelo que se não trabalhasse não sabia como fazer. Sabia escrever bem, caligrafia de quem estudou uns bons anos, bom aspecto, não se engasgava a falar pelo que decidi arriscar.

Inicialmente mostrava-se esforçado, fazia razoavelmente bem o que se lhe pedia apesar dos [muitos] erros iniciais inconsistentes com um suposto estudante universitário de economia. À viva força, queria o estatuto de Chefe porque era estudante universitário e que, por isso, era mais esperto e sabedor do que todos os outros. Comecei a dar-lhe para trás de uma forma subtil. Até podia ter sido promovido se mostrasse ser merecedor, o que só se consegue com provas dadas e não com garganta. Sendo que a dele até era enorme escondendo por completo as suas [in]capacidades bestiais.

Foi então que adoptou a estratégia mais errada possível e imaginária: impressionar-me com questões tão básicas que conseguiam provocar motins dos meus neurónios, gradualmente maiores. Em vez de impressionar pela positiva conseguia cada vez mais impressionar pela negativa ouvindo o que não queria, a cada tentativa: "ó Y. essa pergunta é própria de quem anda na 9ª classe, não de quem anda no 2º ano de economia!", entre outras que lhe fui dizendo para ver se percebia. Não percebia. Acto contínuo procurou elevar-se junto a mim "oferecendo-me" as vizinhas, colocando-se na posição de intermediário auto-proposto arranjador de gajas. Ui, pior ainda! Face a esta nova estratégia, começou a ser apertado pois já era tempo de mostrar o que realmente valia. Entendeu ele ser este apertão a oportunidade para subir e começou a comportar-se como um chefe. Limites ultrapassados a corda começou a ser puxada sem margem para folgas. Desapareceu do mapa.

Yono.
Miguel S.

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