Um + ou -?
Aqui não vem a comparação de peitos. Ufa!
Yono.
Miguel S.
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« maio 2005 | Entrada | julho 2005 »
Aqui não vem a comparação de peitos. Ufa!
Yono.
Miguel S.
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Yono.
Miguel S.
Fonte: Flags of the world
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Nem tudo o que parece é.
Yono.
Miguel S.
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...para dizer e não poder. Das coisas que mexem profundamente connosco e não as podemos contar. Nem mesmo num reles blog.
Yono.
Miguel S.
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De vento em popa. 23º mês consecutivo de queda da inflação mensal homóloga. Apesar da melhoria, dever-se-á chegar ao fim do ano acima dos 15% mas provavelmente abaixo dos 20%. Normalmente este valor era atingido logo no 1º mês... Interessante de assistir in loco a estas alterações quando se chegou cá com a inflação mensal nos 8% e uma desvalorização galopante.
Yono.
Miguel S.
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Pergunta feita ao pessoal a propósito de um relatório. Uns responderam 92, outros 75 e não é que ninguém referiu 2002? Teve que ser o segurança que tinha sido militar a responder... A guerra tornada banalidade? Um lugar-comum?
Yono.
Miguel S.
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Perante o que se vai vendo (e lendo) a perplexidade pela forma como se confunde democracia com anarquia, liberdade de imprensa com diarreias mentais transformadas em manchetes e imparcialidade com vendettas à medida das encomendas.
Yono.
Miguel S.
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Grande, grande filme.
Yono.
Miguel S.
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Parar em frente à loja da Estação de Serviço ao fim de mais um dia de trabalho, sair calmamente mas com ar determinado para a rua puxando o palito para o canto da boca, deixar descair ligeiramente o chapéu à cowboy para trás, coçar as calças de ganga gastas antes de entrar, piscar o olho à caixa, dirigir-me sem olhar para os lados para o fundo da loja, tirá-lo com cuidado, ir para a caixa com o nível de excitação alterado, apressar-me a pagar, sair para a rua, abri-lo com cuidado para dar de seguida uma trinca lenta saboreando-o com prazer.
Ai como é bom comer um Magnum da Olá, made in Portugal, perto do fim do mundo.
Yono.
Miguel S.
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Nas notícias a história da senhora com um bébé que tinha acabado de chegar de Cabo Verde e queria ir para a Cova da Moura de taxi. Perante a recusa de vários taxistas em levá-las, acabou a senhora por dizer que "isto é racismo". Não há paciência...
Yono.
Miguel S.
PS-Tendo a cena durado apenas 1 hora, como é que estavam lá a SIC e a TVI? E já agora, porque é que esta porcaria é notícia?
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O gabinete a meia luz com a avantesma sentada com o cu a meio da cadeira, por detrás de uma secretária, a olhar para o infinito.
-Bom dia. O senhor é o A.? - perguntei sem obter qualquer resposta e sem que o fulano olhasse sequer para mim.
-Desculpe, o senhor é que é o A.? - perguntei novamente aproximando-me mais do que parecia ser uma pessoa.
-Eu? - perguntou sem olhar e não se apercebendo que para além dele, funcionário, e eu, cliente, não havia mais ninguém na sala.
-Sim, o senhor. - tentando manter a calma enquanto via o altamente produtivo funcionário a olhar para um papel que estava do lado esquerdo da secretária, pegar nele com uma calma que faria inveja a um caracol e a tentar perceber o que estaria escrito à mão nele, não indiciando qualquer esboço de tentativa de resposta à pergunta.
Na minha terra saberia como reagir. Aqui, costas viradas porta fora.
Mais um ponto para o cartão dos mesmos.
Yono,
Miguel S.
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- E ele é de confiança?
- Pode ficar sossegado. Está do nosso lado.
Yono.
Miguel S.
PS-O cartão dos pontos está praticamente preenchido.
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A minha amiga catarina fez referência a um post neste blog sobre o que uma gaja procura num gajo. Fartei-me de rir. Não me parece ser um caso perdido...
Yono.
Miguel S.
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Nem nos bairros ias encontrar parceira se fosses angolano. As tradições aqui são lixadas. Tu com quase 34 anos sem filhos e nem casado és? Nem sequer um divórcio, nada, nada, nada? Sem filho, sem nada que se visse? Iam logo dizer que não tinhas nenhuma responsabilidade! Xéeeeee. Estavas arrumado aqui! A tua sorte é que lá vocês é diferente, agora aqui?! Não vale a pena.
Tudo isto só porque manifestei ao meu amigo Bon alguma perplexidade perante o casamento da filha dele com 22 anos... Passarei a guardar as minhas manifestações para mim próprio, fogo! Muito me rio com estas coisas.
Yono.
Miguel S.
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Nada justifica que nada tenha sido feito até à data, mas é preciso ter um grande azar para que tenha ocorrido o acidente de ontem em Paramos. Antes de mais, perante a perplexidade do país fazendo quiçá lembrar outras paragens, convém ter-se em consideração que o aeródromo em causa não obedece (ou não obedecia) às características do conceito associado a tal infraestrutura.
Muitas vezes passei de bicicleta com os meus primos e amigos a caminho da praia na referida estrada. A pista era raras vezes utilizada até porque o aeródromo em si definhava e o tráfego tinha praticamente desaparecido. Já não havia mais planadores e mesmo os monomotores rareavam. Tínhamos acesso fácil aos barracões e podíamos ver e mesmo tocar nos aviões ou no que restava deles. Os vôos, esses, ocorreriam de vez em quando ao fim-de-semana.
Tal como ontem. Um vôo de fim-de-semana. Provavelmente um dos raros vôos do chamado "aeródromo". As probabilidades do acidente ocorrer seriam ínfimas. Mas por isso mesmo é que há estatística. Aconteceu mesmo. Ao fim de 70 anos.
Yono.
Miguel S.
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Apenas mais uma data. E mais um motivo para escrever algumas palavras. As fortes mudanças que se registaram no país nos últimos anos. Têm vindo a público notícias menos boas sobre a actual situação do país ao nível alimentar, das insuficiências alimentares que ocorrem actualmente.
Para além de todos os males provocados pelos homens e as suas desavenças, Moçambique tem pago uma pesada factura das alterações climáticas que vão assolando o planeta. Ora apanha com secas tremendas, ora sofre as consequências de fartas inundações. No período em que vivi em Moçambique, vivi as cheias do sul com a Província onde vivia na altura permanentemente a sofrer as consequências da ausência de chuva. Dois ciclones atingiram o país, com o primeiro a passar ao largo em Cabo Delgado, atingindo em cheio Nampula e a Zambézia em 1995 ou 1996. Depois, um novo ciclone em 1999 (ou 98?) que nos passou ao largo na Zambézia mas foi atingir impiedosamente Sofala afundando um dos nossos arrastões no Porto de Pesca da Beira, tendo este ficado literalmente na vertical como se de um foguetão se tratasse pronto a ir para o espaço...
Muito se fez desde então. Um país que logrou ser o mais pobre do mundo durante anos a fio, conseguiu alguns milagres. Outros seguir-se-ão sem dúvida. Acredito que daqui a 30 anos, Moçambique encher-nos-á de orgulho pelo que conseguiu realizar.
Aos meus amigos moçambicanos, aquele abraço.
Estamos juntos!
Miguel S.
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Pela utilidade da informação, transcrevo aqui as mudanças que ocorrerão na rede nacional de telefonia fixa a partir de hoje à meia-noite. Todos os números de telefone em qualquer parte do território angolano passam a ter 9 números. Com a nova numeração será necessário marcar:
Código da Rede Fixa + Código da Província + Código do Operador + Número de Telefone Actual
A título de exemplo, um dos telefones da Embaixada de Portugal em Luanda, o 330850. A marcar-se de fora da Província de Luanda seria necessário marcar 02 330850.
Agora, obrigatoriamente, dever-se-á marcar de qualquer acesso em território nacional o seguinte número 2 2 2 330850.
Os códigos das Províncias são os seguintes:
Bengo 34
Benguela 72
Bié 48
Cabinda 31
Cunene 65
Huambo 41
Huíla 61
Kuando Kubango 49
Kwanza Norte 35
Kwanza Sul 36
Luanda 2
Lunda Norte 52
Lunda Sul 53
Malange 51
Moxico 54
Namibe 64
Uíge 33
Zaire 32
Os códigos das operadoras fixas são os que se seguem:
Angola Telecom 2
Mercury 6
Mundo Startel 7
Nexus 8
Wezacom 9
Yono.
Miguel S.
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Soube pelo telefone que ias casar no sábado. Caramba! Uma das minhas últimas referências para justificar o meu estado civil a fugir-me por entre os dedos? Bom, mas pelo menos sempre aguentámos 20 anos, o que é obra. Uma vezes mais juntos, outras mais afastados. Só pelo espaço. Aqueles tempos de teenagers. Os copos no Bairro Alto. As corridas pela rua fora com a chuva a cair intensamente. O Alentejo ainda rústico. Os teus magníficos olhos azuis e o sorriso quando te batia à porta sem avisar que já não estava a 9000km de distância. Bom S., um forte abraço e que a vida te dê sempre motivos para que esses olhos continuem com o brilho que merecem.
Yono.
Miguel S.
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A começar o enquadramento completamente surrealista que só me estava a dar vontade de rir enquanto segredava ao vizinho do lado "eu não acredito nisto! eu não acredito nisto!".
Iniciado o discurso, sai-se o responsável em determinado momento com uma frase que foi particularmente esclarecedora:
- Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Claro. Nem mais.
Se perplexo estava, estarrecido fiquei com o nível de algumas intervenções subsequentes. Algo de muito grave deve ter acontecido nas universidades portuguesas no pós-25 de Abril...
Yono.
Miguel S.
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Voltei a vê-las. Fortes e garridas. Num pano congolês à volta de uma deslumbrante cintura, encimada pela juba natural da G..
Yono.
Miguel S.
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Não tenho em grande conta os sindicatos e sindicalistas. Cá e lá. Por muitas e variadíssimas razões. Quanto mais não seja porque já não estamos em 1917 e porque também eles não escapam à mediocridade que assola o país em termos de representatividade.
Yono.
Miguel S.
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- Dr. P. uma última pergunta antes de terminarmos o programa. Morre-se muito por cá com trombose. Afinal é o quê? Dizem que é feitiço...
- Não claro que não é feitiço nem vingança de colegas de trabalho por inveja...
- Então é o quê?
[...]
Tudo e mais alguma coisa tem justificação esotérica. É impressionante. Ainda a propósito do alambamento diziam-me que é fundamental para evitar doenças nos filhos, entre outras desgraças...
Yono.
Miguel S.
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Um Africano morre e vai para o inferno. Lá, ele descobre que há diferentes infernos para cada país. Ele vai ao inferno Alemão e pergunta, "O que é que fazem aqui?" E respondem-lhe: "Primeiro, põem-te numa cadeira eléctrica por uma hora. Depois,deitam-te numa cama de pregos por mais uma hora. Depois, o diabo Alemão vem e chicoteia-te pelo resto do dia."
O homem não gosta do que acaba de ouvir e segue em frente. Ele vai ao inferno Americano, Russo e muitos mais, e descobre que são todos, mais ou menos, como o inferno Alemão.
Daí,ele vai para o inferno Africano e vê uma longa fila de gente à espera de poderem lá entrar. Espantado, ele pergunta: "O que é que fazem aqui?" E dizem-lhe: "Primeiro, põem-te numa cadeira eléctrica por uma hora. Depois,deitam-te numa cama de pregos, por mais uma hora. E depois, o diabo Africano vem e chicoteia-te pelo resto do dia." "Mas isto é exactamente igual a todos os outros infernos! E porquê tanta gente esperando para entrar? Porquê?!" "Ué! A manutenção é tão má que a cadeira eléctrica não funciona, os pregos da cama foram todos roubados, e o diabo é um antigo funcionário do Governo, de modo que ele vem, assina o livro de ponto e depois volta pra casa."
Yono.
Miguel S.
PS-(Não sei se tem copyright, mas foi recebido por e-mail e não resisti a colocá-la aqui)
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O F., também conhecido por Giovanni (nome de guerra), é uma das personagens frequentes do nosso quotidiano. Com mais anos de África do que eu de vida, é com algum gozo que vou ouvindo muitas das suas histórias de cá e também de lá. Há uns tempos atrás, entre umas fatias de presunto e queijo, começou ele a falar dos seus tempos de tropa na década de 50. A cena ter-se-á passado assim na inspecção:
- Especialidade?
- Columbófilo.
- Está cheia! Outra.
Escangalhei-me a rir pela forma como o contou e também pela escolha. Este F. é mesmo só surpresas.
- Então F. columbófilo?! Columbófilo?! - lancei umas fortes gargalhadas só de visualizar a cena do franzino com a mania que é malandro, há 50 anos atrás.
- Sim pá, columbófilo. Na altura era uma grande especialidade e comia-se bem.
- E o exército tinha pombos na altura?
- Claro que tinha. Ainda se usavam os pombos-correio, pensas o quê?
Depois lá me contou que era doido por pombos, ele e os amigos, nos arredores de Lisboa, havendo mesmo competições organizadas. E que até chegava a dormir no pombal, junto dos pombos...
Que grande mudança de vida aconteceu ao F. após a tropa, tendo para isso sido apenas necessário trocar o "o" por um "a". Já não se fabricam destas personagens.
Yono.
Miguel S.
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Com o rebentar do servidor e reinstalação das cópias de segurança automáticas, toca de explorá-lo para certificar-me que estava tudo no sítio. Ao fazê-lo tropecei no que seria um pedido de alambamento e que aqui transcrevo ipsis verbis para memória futura.
O que mais estranhei neste alambamento foi o valor em causa que me pareceu extremamente baixo. Inquérito feito de imediato no escritório e fiquei a saber que afinal este alambamento tinha sido modesto porque a pretendida era da aldeia.
Com esta descoberta veio-me à memória o inesquecível fim de tarde nos escritórios de Quelimane, com o Mapei e o Robert C. (também conhecido por Roberto R. dependendo da nacionalidade do documento que apresentasse...), em que este último nos contou detalhadamente o seu lobolo aquando da Etelvina. Essa história (não gosto de estória) e a da bola de cristal.
Yono.
Miguel S.
REPÚBLICA DE ANGOLA
PROVÍNCIA DE ...
ASSUNTO FAMILIAR: ALAMBAMENTO
■ 2 (Duas) grades de Cerveja;
■ 2 (Duas) grades de Gasosa;
■ 20L (vinte litros) de Vinho;
■ 5 (Cinco) Garrafas de Aguardente -
ABC;
■ 10L (Dez litros) de Caparroto;
■ 1 (Uma) peça de Pano;
■ 1 (Uma) Saiota;
■ 1 (Um) Lenço de «Cabeça»;
■ 1 (Um) par de Chinelos;
■ 1 (Um) Fato;
■ 1 (Um) par de meias;
■ 1 (Um) par de sapatos nº 42;
■ 400 Kz (Quatro Centos Kuanzas) em dinheiro.
Feito em ... aos ... de Junho de 2004
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Pergunto-me, às vezes, até que ponto valerá a pena dar ouvido aos rumores, sendo certo que, ao fazê-lo, a forma como perspectivamos o que quer que seja fica irremediavelmente afectado pelo rumor.
Dizia-me há tempos o meu amigo Bon que ficava preocupado quando não mais se ouviam. Fico eu mais preocupado quando hão. O que o L. me contou hoje deixou-me com os cabelos não em pé mas com uma inclinação de 45º...
Yono.
Miguel S.
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Afinal o que nos move?
Olho à minha volta e deixei de ver as cores. Fortes e garridas. Esgotou-se a total ausência de novidade, confirmação do niilismo omnipresente e constante. Imbatível porque generalizado. Há muito aculturado porque solução única para justificar o injustificável, a visão inexoravelmente maniqueísta do presente.
Porque sim.
Yono.
Miguel S.
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do Quimb. kilembu
s. m., Angola, casamento entre negros;
festas dessas bodas;
dote de casamento.
Muito falado, ultimamente.
Yono.
Miguel S.
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Fizeram-se as casas, os acessos, os passeios, electrificaram-se as áreas, deram-se nomes às ruas, plantaram-se as árvores e marcaram-se os lugares de estacionamento milimetricamente a branco no asfalto impecável. Esqueceram-se de fazer as gentes.
Yono.
Miguel S.
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Festa de apresentação da Smirnoff Spin no Hotel Pôr-do-Sol, Rua das Mangueiras (junto à Missão) a partir das 23h. Entre outros, concurso da tatuagem mais audaz. Música. Bebida. Bom ambiente prometido para mais logo. Imperdível.
Apareçam.
Yono.
Miguel S.
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Aniversário da maninha amanhã. 19 anos. Como o tempo passa depressa... e nem com ele aprendi a não me esquecer dos aniversários dos outros.
Yono.
Miguel S.
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...sem fundamento. Só por isso, lembro-te aqui um famoso programa da nossa infância: "quando o telefone toca".
Yono.
Miguel S.
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O C. era um tipo com um carácter particularmente forte. Não era daquelas pessoas com quem se simpatiza logo de início. Era difícil. Foi a primeira pessoa que conheci quando cheguei a Pemba. Ainda por cima, éramos não só vizinhos como os únicos habitantes do acampamento outrora prenhe de italianos.
- Até amanhã! - e lá desapareceu o C. por detrás da porta da sua casa, perpendicular à minha no acampamento do Alto Gingone. Que céu tão estrelado. E que silêncio. A luz na zona era praticamente só e apenas a nossa. Sem sono, bastante cedo ainda, a volta para reconhecimento do espaço que viria a ser também o meu nos meses seguintes.
- Boa noite - respondeu o guarda ao meu cumprimento munido de uma AK-47 a um canto fora do alcance da luz e junto à entrada para o acampamento. Era ainda jovem. Magro, calças descosidas e rasgadas nas pontas terminando ligeiramente acima do tornozelo. Sorriso nos lábios.
Estávamos confinados a um espaço relativamente grande com um campo de ténis, rede algo esburacada, e sem ninguém para jogar. Uma piscina sempre vazia porque tinham rebentado com a bomba. Um ginásio vazio. Salvava-se a mesa de ténis de mesa. Isso e o jardim. Do outro lado a área industrial. Típica. Rapidamente se chegava à entrada. Os guardas makondes. O espreitar cuidado para as palhotas ali mesmo ao lado da fábrica, com as luzes de algo a queimar e as sombras deambulando pelo meio das palhotas ou gente, sobretudo mulheres envoltas em capolanas, sentada nas esteiras.
Após uma noite mal dormida, a alvorada às 5:30 da manhã, já quente e húmida, para iniciar a jornada de trabalho às 6:30, foi algo estranha. E violenta. Sobretudo violenta para quem gosta do silêncio da noite. À entrada do escritório pré-fabricado a telefonista/recepcionista, a Ancha, que sofria de bócio mas era extremamente simpática. À direita e no primeiro gabinete à esquerda a Antónia, anafadíssima e de grande sorriso, tesoureira, com o puto Lourenço, já contabilista em estado inicial. Do lado direito, o gabinete do C.. Ao fundo do corredor a área de Recursos Humanos onde pontificava o inesquecível (e futuro vizinho, uns anos mais tarde) Abdul Ibrahimo Pingalsi. Um espectáculo de pessoa. Ronga, tinha ido parar a Pemba cumprir o serviço militar e por lá ficou com uma mwani. De uma integridade impressionante este Abdul. Com ele trabalhava a makonde com um cú enorme e anca larguíssima, penso que se chamava Z.. As formas mais violentas que jamais vira, em tamanho e consistência encimadas por um tronco e cara incomparavelmente magras. Foi ela que me safou quando as coisas apertaram um ano mais tarde. No sentido oposto ficavam os gabinetes dos Directores, o meu espaço logo a seguir ao do Engº Rangeiro, formado na RDA, em frente o do UP e ao fundo a sala de reuniões (local onde viria a ser apanhado pelo DG a receber uma massagem da mulatíssima Olga...).
"Onde eu me vim meter?", pensei eu inúmeras vezes naquelas primeiras semanas, sobretudo após a fase da descoberta em que tudo é novidade. O escritório era pré-fabricado já com algum tempo, mas cheio de malta simpática a colorir o ambiente. O acampamento pré-fabricado, apesar de alguma qualidade, mas sobredimensionado para apenas dois gatos pingados. Depois das 17h era a solidão alimentada pela escuridão do cair da noite pouco depois. A chuva intensa da época das chuvas. Sem televisão, sem internet, sem jornais, sem revistas, sem bica, sem pastel de nata, quase sem telefone, só restava mesmo a descoberta do desconhecido.
Yono.
Miguel S.
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Deixa-me ir para a tua ilha.
Yono.
Miguel S.
PS-Vou deixar de ver os noticiários. Daqui em diante só mesmo o Cartoon ou o Disney...
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Churches in Zambia to Promote Condom Use to Fight AIDS
The leader one of Zambia's main Christian church groups is calling for the use of condoms to prevent the spread of AIDS in the southern African nation where nearly one in five are infected with the deadly disease.
Yono.
Miguel S.
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"ferias pa adolescentes sem dinheiro"
Yono.
Miguel S.
PS-Adoro ver como é que o pessoal vem cá parar...ahahhahaha
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(Tenho acompanhado mais ou menos atentamente o desenrolar dos acontecimentos pós Carcavelos. Engraçado ter dito à minha amiga ac há dias que muito provavelmente seriam uns 50 tipos mas já estariam a dizer serem 500. Seja. Fossem 50 ou 500...)
Esta madrugada acordei com um senhor alto comissário para as minorias étnicas e mais qualquer coisa falar em "raças". Mas, não deveria o mesmo saber que isso de raças no que se refere à espécie humana é doutros séculos? Adiante. Sobre isto e sobre os comentários "clássicos" feitos num Opinião Pública na SICn. Mais do mesmo, reciclado.
Muitas pessoas assumem ainda serem muitos negros estrangeiros em Portugal, apenas pela cor da pele. Think again. Serão provavelmente tão portugueses como nós. Talvez não há tantas gerações, nascidas e criadas em Portugal continental, mas não eram já os seus avós e demais antepassados tão portugueses como os da metrópole, após a colonização? E para além disso, nós somos Portugal e não uma qualquer república africana que restringe alguns direitos aos nacionais pelo facto de o serem há apenas algumas gerações...
O que tem vindo a público nos últimos dias tem um denominador comum: actos de delito comum perpretados por jovens negros, supostamente e sobretudo oriundos da Cova da Moura. Junte-se a isto comentaristas armados com dados estatísticos que disparam uns números porreiros: 7% da população é imigrante (legais e ilegais), 17% dos reclusos são imigrantes/estrangeiros e destes 57% são negros.
Não me incomoda que o Rossio esteja pejado de negros, estrangeiros ou não. Da mesma forma que não me incomodou muito ver a feira de Clermont-Ferrand cheia de portugueses, típicos portugueses. Ou ainda as centenas de filipinas sentadas no chão de algumas ruas de Hong-Kong.
Sempre fui contra a política dos "coitadinhos". É precisamente por se assumirem essas políticas que se passam estados estereotipados quando os visados deviam tão-só ser tratados como iguais. Nesta perspectiva, a abordagem a este caso deverá merecer exactamente a mesma objectividade... nem mais, nem menos. Há actos de delito comum passíveis de procedimento criminal? Actue-se. Há actos de flagrante delito que requerem o uso da força? Aplique-se.
O resto? O resto a quem de direito. E não será a visita do Sampaio à Cova da Moura que alterará o que quer que seja neste domínio.
Yono.
Miguel S.
PS-Já agora, sou de Lisboa e foi na minha cidade que sempre fui assaltado e, uma única vez, agredido. Foram os meus agressores brancos. E?
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Numa qualquer província, um responsável local aguardava nervosamente pela visita de um ministro do governo central. Volta e meia, saía do gabinete e vinha à entrada do edifício ver se o ministro já tinha chegado.
- O Ministro já chegou?
- Não chefe.
Meia hora mais tarde...
- O Ministro já chegou?
- Não chefe, ainda não chegou.
A cena repetiu-se inúmeras vezes até que finalmente o tal Ministro chegou.
- Ai tu é que és o Ministro? - perguntou o guarda.
Perante a resposta afirmativa, num misto de incredulidade e estupefacção, o Ministro ainda ouviu do guarda:
- Tás fodido! Tu não conheces o chefe!!!
Yono.
Miguel S.
PS- O guarda devia ser do Cunene ou de como todos os países têm os seus alentejanos...
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Assim se chamava a discoteca de Luanda nos idos de 91, segundo o P. no café desta noite. Não havia muitos sítios para ir, na altura. Contou-me diversos episódios hilariantes d'outros tempos. Grandes gargalhadas esta noite.
À chegada ao St. Tropez, a abertura do postigo após as batidas na porta. Um olhar algo demorado do outro lado. Na abertura da porta, a recepção de metralhadora apontada e o espreitar para a rua para se confirmar que não havia mais ninguém. Porta fechada, o porteiro sentado no sofá com a AK-47 pousada ao lado. A discoteca nada mais era do que uma sala, com um DJ num plano mais elevado munido de gira-discos convencional com paralisação da música a cada mudança de disco enquanto perguntava se os discotequeiros estavam a curtir o som. Outros tempos...
A cena mais hilariante, a de cá há 13 anos atrás. Não havia quase nenhum sítio para se ir. Após uma (re)inauguração, uma exploração nocturna ao único sítio conhecido para uma Primus. Sugerido por alguém, uma ida a um outro local situado a uns 300 metros do centro. Lá chegados e ainda dentro do carro, iniciou-se um tiroteio que os fez baixar-se por baixo do volante e do tablier do carro durante 20 minutos. Balas para cima, balas para baixo com os dois dentro do carro à espera do terceiro que tinha ido ver se o local se encontrava aberto. Safaram-se. Mas só de imaginar o local onde se terá passado a cena, aqui tão perto, e a forma como foi descrito o episódio provocou umas fortes gargalhadas.
Yono.
Miguel S.
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(O repórter) E temos já junto a nós um jurista que está a participar no encontro e a quem vou perguntar o que está a achar sobre o mesmo.
- Boa tarde. Qual é a sua opinião deste encontro?
- Éeeeee antes de mais boa tarde para si e para os senhores ouvintes. (pausa) Eu queria dizer que é bom estar vivo (pausa) e quero agradecer a Deus estar vivo e nós todos estarmos vivos. (pausa) Depois (pausa) queria agradecer e saudar "à" minha família. (pausa) Agora sobre o encontro (pausa) era importante estarmos preparados...
Com tanta gente com qualidade não havia pessoas mais interessantes para entrevistar? Imagino a cara do jornalista.
Yono.
Miguel S.
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Nada como a verticalidade intelectual. Apesar de tudo.
Yono.
Miguel S.
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Uuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmma! :D
Uma. :)
Meia... :|
Fiquei assim a perceber o seu significado, graças ao meu amigo Bon. Da próxima vez que me perguntarem, saberei de imediato qual a resposta a dar.
Yono.
Miguel S.
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Um alvo e dardos dos pesados semi-qualquer coisa para relaxar ou quebrar a monotonia. É que apalpar o rabo à secretária já não é contemporâneo.
Yono.
Miguel S.
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- Estamos aqui devido a uma situação muito desagradável.
Foi com esta frase que o Geovanni deu início à curta conversa comigo, na presença do mais velho que o acompanhava. O enredo costumeiro: mulheres, sexo, maridos enganados, candidatos a enganadores de maridos ciumentos, demasiada virilidade (sem cor nem rosto) confirmando o género. O mais velho, nascido e criado lá para os lados do Macúti, ultimamente mais habituado aos ares do Shaka, ter-se-á metido em aventuras potencialmente perigosas pelo desnivelamento da interacção. Quando se vai aos gambuzinos, as precauções são fundamentais e, por cá, podem fazer a diferença entre o continuar-se a ser ou não, dependendo das circunstâncias.
- Hello? ó dôtor isto num tem nada a ver comigo. Pus a minha tropa no terreno e não é atrás de mim que andam.
Então?...
O 4 já sabe e telefonou-me esta tarde, assustado.
Não estamos particularmente espantados quer se trate de cara ou coroa. Era previsível, em certa medida. Mais uma chatice perfeitamente dispensável.
Yono.
Miguel S.
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Não é que eu seja nacionalista mas, independentemente de todos os defeitos que temos e do mau momento por que passa o nosso país, tenho orgulho em ser português e não trocaria a minha nacionalidade por qualquer outra (de ânimo leve). É a minha terra. Foi lá que nasci e é lá que estão os meus. Foi igualmente lá que aprendi a andar, falar e a sentir. O nosso sentir. Jamais esquecerei o enorme prazer que senti quando em 1989 o comboio parou na Estação de Sta. Apolónia, após 30 dias de inter-rail por essa europa fora. Não éramos nós ainda tão desenvolvidos...
Por cá o 10 de Junho está a ser completamente ignorado. Estima-se que a comunidade portuguesa ronde as 200 almas, actualmente. Entre estas muita malta jovem recém-chegada. Não me chateia que não haja a sardinhada habitual, com broa, as febras na brasa, carrascão e os jogos populares que fazíamos em Moçambique (corrida de sacos que tantas gargalhadas provocavam, corridas de andas ou ainda partir o pote pendurado com os olhos vendados). Pior do que isso, é o facto de existir por cá um suposto consulado que ninguém sabe muito bem onde fica, não há uma bandeira nacional hasteada no local e, por cá, o ser-se português é feito de uma forma muito discreta e desinteressada. Não o percebo. E muito menos quando noutras paragens do país o cenário é bem diferente.
Independentemente de tudo, continua a chocar-me o facto dos "nossos" digníssimos representantes tratarem a nação com uma displicência estranha. Em bom português, estão completamente a cagar-se para a bandeira das quinas para além dos seus próprios interesses. É assim mesmo! (Em surdina bloguística) Viva Portugal! Vivam os portugueses!
Que pena tenho eu de não estar aí para gozar um fim-de-semana prolongado na praia...
Yono.
Miguel S.
Adenda ao post:
Nestas coisas entre o estar por estar e o não estar, sou definitivamente a favor do não estar.
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Como que a recordar os bons velhos tempos. Rotação perfeita. Nem sabia bem onde estava. Boca seca. Pele branca e macia, deliciosa aos sentidos. A visão idílica num gesto fugaz, com um piscar de olhos e sorriso desafiador. Foram três. Afinal?
Ainda!
Yono.
Miguel S.
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Se há coisa que aprecio é conversa de macho latino. Aqui descobri um prazer ainda maior: a conversa de macho africano.
À mesa do jantar várias nacionalidades com algo em comum: a língua. Em determinada altura do jantar sai-se o meu amigo Bon com uma experiência sua vivida no Rio de Janeiro há 20 anos atrás. Saiu à noite e no local para onde foi viu um mulherão. Ao aproximar-se, uns tipos que lá estavam iam dizendo "cuidado, isso é veado" e ele continuava na sua acção de conquista. Já no desenrolar da estratégia de circunstância eles iam dizendo "cuidado, isso é veado", até que a boazona acabou por ir embora por qualquer motivo. Virou-se para os tais fulanos e perguntou "afinal o que é isso de veado? eu aqui na minha e vocês a dizer veado, veado!". Quando lhe disseram que o mulherão era um homem não queria acreditar porque "nós aqui em Angola até 1984 não se ouvia falar disso de travesti, gay e não sei quê quê quê". Yeap. Não havia de certeza.
Yono.
Miguel S.
PS-O primeiro parágrafo não tem muito a ver com a história mas sim com as conversas dos aperitivos antes do jantar.
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Já comecei os treinos guiando uma banheira automática por estas estradas fora...
Yono.
Miguel S.
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Extenuado. Voltarei logo que o sinal esteja restabelecido.
Yono.
Miguel S.
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Não compreendo como conseguiu dela escapar. Alguém cometeu, na altura, um erro muito mas mesmo muito grave...
Yono.
Miguel S.
PS-Compreendo cada vez menos como é que alguém no seu perfeito juízo possa querer ser contabilista na vida.
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3 dias terríveis para o Euro. 3 dias excelentes para mim. No fim do dia, passada a tempestade, veremos quem teria razão: o de aspecto conservador Allan Greenspan mas com atitude "vanguardista" e os americanos perfeitamente nas tintas para os seus défices ou o alucinado Duisenberg [e agora Trichet] com as suas atitudes conservadoras e os europeus tão preocupados com o défice...
Yono.
Miguel S.
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Depois da França a Holanda. De uma forma simplista, o que salta já à vista, avassaladoramente, é o divórcio entre os que governam e os governados. Serão interessantes os próximos tempos na [nossa] Europa.
Yono.
Miguel S.
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parte 2
Em Maputo a recepção costumeira para quem chegava pela primeira vez. Fiquei naquele verão moçambicano na casa do M. e da R., com o puto e o doberman. Tudo novo e interessante. Sem tempo para mais pois trataram de me meter no avião para Pemba na tarde seguinte. Ainda entusiasmado, entrei no avião em Maputo e fui observando todos os detalhes que o vôo me permitia observar. A descolagem com uma vista interessante sobre Maputo, o recorte da costa, as tripulantes com penteados arrojados e passageiros com características tão díspares, a escala em Nampula e, finalmente, a magnífica Pemba já ao fim do dia. Sala pequena e temperatura ao nível de uma sauna a das chegadas com as malas a serem atiradas à mão para o "tapete". A romaria costumeira da cidade, quase ilha, rumo ao aeroporto para ver quem chegava e quem partia nos dois vôos semanais. Infalível.
Naquele dia fomos jantar ao Nautilus, o melhor sítio que lá havia. Um bife de marlin na companhia do U. e do C., com o Carlos H. da Lomaco na mesa ao lado (quem diria?). As imagens nocturnas da cidade eram algo desoladoras e acabaram por ser confirmadas na manhã seguinte quando o U. andou comigo pela cidade. "Vamos ver a cidade?", perguntou-me logo pela manhã ao que anuí com interesse pois estava cheio de curiosidade. Abalámos estrada fora em direcção ao centro, na única estrada que dava acesso à cidade. Do Alto Gingone, onde estávamos baseados, até à cidade distavam uns 4 ou 5 km de uma estrada larga com 4 faixas. Do lado esquerdo o aeroporto, do lado direito a casa da namorada oficial do C., mais à frente do lado esquerdo as ruínas de qualquer coisa e as de um avião que se tinha despenhado havia uns anos, até que à entrada da cidade o quartel à esquerda, os armazéns do Osman Yacub, a Toyota dos animadíssimos "gordos" (já não me lembro do nome) , o take-away mais famoso à esquerda depois da curva, a liquorstore, a LAM, a rotunda com o cinema ao ar livre em pedra do lado direito, em frente a "feira" e, do outro lado da rua, o Hotel Cabo Delgado. Rua acima, a zona comercial de Pemba, com o supermercado do lado direito, a loja do Faria do lado esquerdo, mais acima pequenas lojas onde se vendiam algumas iguarias e coisas de pequena monta com muitas capulanas à mistura. Nunca mais me esqueço da pequena livraria no canto do largo dessa avenida, por detrás do prédio da Geologia e Minas onde morava o Abdul Ibrahimo Pingalsi, e da cara do empregado quando comprei todos os livros que lá estavam: relíquias de outros tempos ao preço da chuva. Desde Mia Couto a Gulamo Khan, Lina Magaia e Eduardo White, entre outros, levei tudo. Até livros em português feitos pelos soviéticos [eram dessa altura, da URSS]. Do lado direito a Manica do Narciso e da sua grande mulher [literalmente], as vivendas e o palácio do governador para depois chegarmos ao miradouro no cimo da avenida e a grandiosa baía de Pemba. Fomos por ali abaixo, um jardim, a Administração Municipal do lado direito, mais abaixo o BCM e a casa dos Neru com os seus BMW naquelas estradas... o mercado municipal, à direita e depois a rua principal da baixa com o tasco do Santos, o Niassa Comercial do Claudino e a sua máquina de calcular mecânica à manivela e mais umas lojecas com muitas capulanas. Virámos ao fundo da rua, passando por detrás da baixa e observando o bairro à esquerda conhecido por Paquite cheio de tanzanianos e, quanto a mim, igualmente de mwanis. É algo perigoso, disse-me o U. Confesso que andei por lá muitas vezes. Mais à frente o Ruela à esquerda, subimos a picada que dava a volta a parte da cidade junto ao mar, com as instalações da TDM do lado direito, as dos fuzas abandonadas até chegarmos à zona dos "maus cheiros" antes da rotunda que dava acesso ao Meia-Via.
Em menos de meia-hora demos a volta à cidade. Fiquei medianamente aterrorizado ficando este sentimento esbatido pela magnífica praia do Wimbe. E do que mais tarde vim a conhecer, mesmo o C. um caso difícil...
Yono.
Miguel S.
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