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junho 01, 2005
C., um caso difícil [parte 2]
parte 2
Em Maputo a recepção costumeira para quem chegava pela primeira vez. Fiquei naquele verão moçambicano na casa do M. e da R., com o puto e o doberman. Tudo novo e interessante. Sem tempo para mais pois trataram de me meter no avião para Pemba na tarde seguinte. Ainda entusiasmado, entrei no avião em Maputo e fui observando todos os detalhes que o vôo me permitia observar. A descolagem com uma vista interessante sobre Maputo, o recorte da costa, as tripulantes com penteados arrojados e passageiros com características tão díspares, a escala em Nampula e, finalmente, a magnífica Pemba já ao fim do dia. Sala pequena e temperatura ao nível de uma sauna a das chegadas com as malas a serem atiradas à mão para o "tapete". A romaria costumeira da cidade, quase ilha, rumo ao aeroporto para ver quem chegava e quem partia nos dois vôos semanais. Infalível.
Naquele dia fomos jantar ao Nautilus, o melhor sítio que lá havia. Um bife de marlin na companhia do U. e do C., com o Carlos H. da Lomaco na mesa ao lado (quem diria?). As imagens nocturnas da cidade eram algo desoladoras e acabaram por ser confirmadas na manhã seguinte quando o U. andou comigo pela cidade. "Vamos ver a cidade?", perguntou-me logo pela manhã ao que anuí com interesse pois estava cheio de curiosidade. Abalámos estrada fora em direcção ao centro, na única estrada que dava acesso à cidade. Do Alto Gingone, onde estávamos baseados, até à cidade distavam uns 4 ou 5 km de uma estrada larga com 4 faixas. Do lado esquerdo o aeroporto, do lado direito a casa da namorada oficial do C., mais à frente do lado esquerdo as ruínas de qualquer coisa e as de um avião que se tinha despenhado havia uns anos, até que à entrada da cidade o quartel à esquerda, os armazéns do Osman Yacub, a Toyota dos animadíssimos "gordos" (já não me lembro do nome) , o take-away mais famoso à esquerda depois da curva, a liquorstore, a LAM, a rotunda com o cinema ao ar livre em pedra do lado direito, em frente a "feira" e, do outro lado da rua, o Hotel Cabo Delgado. Rua acima, a zona comercial de Pemba, com o supermercado do lado direito, a loja do Faria do lado esquerdo, mais acima pequenas lojas onde se vendiam algumas iguarias e coisas de pequena monta com muitas capulanas à mistura. Nunca mais me esqueço da pequena livraria no canto do largo dessa avenida, por detrás do prédio da Geologia e Minas onde morava o Abdul Ibrahimo Pingalsi, e da cara do empregado quando comprei todos os livros que lá estavam: relíquias de outros tempos ao preço da chuva. Desde Mia Couto a Gulamo Khan, Lina Magaia e Eduardo White, entre outros, levei tudo. Até livros em português feitos pelos soviéticos [eram dessa altura, da URSS]. Do lado direito a Manica do Narciso e da sua grande mulher [literalmente], as vivendas e o palácio do governador para depois chegarmos ao miradouro no cimo da avenida e a grandiosa baía de Pemba. Fomos por ali abaixo, um jardim, a Administração Municipal do lado direito, mais abaixo o BCM e a casa dos Neru com os seus BMW naquelas estradas... o mercado municipal, à direita e depois a rua principal da baixa com o tasco do Santos, o Niassa Comercial do Claudino e a sua máquina de calcular mecânica à manivela e mais umas lojecas com muitas capulanas. Virámos ao fundo da rua, passando por detrás da baixa e observando o bairro à esquerda conhecido por Paquite cheio de tanzanianos e, quanto a mim, igualmente de mwanis. É algo perigoso, disse-me o U. Confesso que andei por lá muitas vezes. Mais à frente o Ruela à esquerda, subimos a picada que dava a volta a parte da cidade junto ao mar, com as instalações da TDM do lado direito, as dos fuzas abandonadas até chegarmos à zona dos "maus cheiros" antes da rotunda que dava acesso ao Meia-Via.
Em menos de meia-hora demos a volta à cidade. Fiquei medianamente aterrorizado ficando este sentimento esbatido pela magnífica praia do Wimbe. E do que mais tarde vim a conhecer, mesmo o C. um caso difícil...
Yono.
Miguel S.
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Comentários
uiii fiquei exausta com o passeio;)
Os tempos mudam não é verdade?agora precisas de quanto tempo para dar a volta "à Cidade"? 10 minutos?
Publicado por: ac em junho 1, 2005 08:10 PM
Como tem menos buracos... LOL! O passeio foi algo exaustivo pois quis deixar escritos os locais para que possa visualizar a cidade daqui a uns anos e lembrar-me de como era. Escrito, é mais fácil visualizar do que ir ao sótão da memória.
Publicado por: Miguel S. em junho 1, 2005 09:16 PM
Pela afinidade que nos leva a Pemba, o passeio pela cidade acontece também no 'ForEver PEMBA'.
Ficamos então', Miguel, à espera da 'parte 3', claro que depois do "descanso' !
Publicado por: Jaime Luis Gabão em junho 2, 2005 06:19 AM
como hás-de calcular já li isto várias vezes. obrigado
Publicado por: jpt em junho 2, 2005 08:26 AM
Acredito que sim jpt. Às vezes é giro relembrar outros tempos. Um abraço e não tens nada que agradecer pá, ora essa! Abraço.
Publicado por: Miguel S. em junho 2, 2005 09:17 PM
É verdade Jaime. Mais daqui a algum tempo continuarei. Um abraço daqui.
Publicado por: Miguel S. em junho 2, 2005 09:18 PM
Gostei imenso de ler e estou à espera de mais!, abraço, IO.
Publicado por: IO em junho 2, 2005 11:01 PM
Na realidade, seria uma pena que esta memória não ficasse guardada da forma tão exuberante, mas também sempre tão real, como o Rui a descreve.
Escreva sempre que possa sobre esses espaços que compartilhámos, pois será sempre uma recordação que nos acompanhará, e quem sabe um dia poderá "dar à luz" num outro formato.
Publicado por: Ulisses em junho 4, 2005 07:24 PM
então ?
Publicado por: jpt em junho 17, 2005 10:23 PM
Já lá deixei a Parte 3. Se calhar menos interessante porque muito mais pessoal. Estou a aproveitar para realizar um exercício de memória.
Publicado por: Miguel S. em junho 17, 2005 10:36 PM










