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agosto 31, 2005

Tina

À chegada à mesa, pouco depois o aparecimento de Tina à procura de freguês. 9 anos de idade e já muito saber da venda de ginguba e banana, a primeira acima da cintura e a segunda à cabeça. Com uns calções justos e top mostrando a barriga dilatada. Chinelos verdes a condizerem com o fato amarelo. Tranças. Sorriso generoso ao comprarmos toda a ginguba e as bananas que trazia para vender. Às 18h00 já tinha feito o dia e podia regressar a casa sem medo de apanhar uma sova, como nos confidenciou. Oferecemos-lhe as bananas que lhes comprámos. Para que as comesse, em vez dos figos verdes que chupava. Demos também parte da ginguba que comprámos. Ainda lhe demos pasteis de bacalhau e rissóis de camarão regados por um refrigerante local de ananás. Ia olhando para nós, da outra mesa. Ela, Tina, sentada numa mesa de restaurante como aqueles a quem habitualmente vendia. A comer e beber o que os outros comiam e bebiam. Ao acabar, a limpeza da mesa enquanto nos olhava pelo canto do olho tipo a confirmar que estava a fazer bem a limpeza. Um grande sorriso e um adeus discreto. E foi-se. Amanhã, um novo dia de bananas e ginguba para vender...

Yono.
Miguel S.

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Zimbabwe’s ruling party votes to change constitution

"Mugabe’s ZANU-PF party used its two-thirds parliamentary majority to approve changes that will allow the government to nationalise white-owned farms, impose travel bans on “traitors” and re-introduce a second legislative chamber (Senate) that critics say will be packed with Mugabe’s allies."

Não fosse isto tão grave e seria de uma pessoa se atirar para o chão a rir.

"ZANU-PF MP’s broke into song and dance after the vote, while angry opposition legislators stalked out of the chamber."

E tiveram muita sorte os do ZANU-PF, se fosse em Taiwan não teriam tido muito tempo para cantar e dançar no parlamento.

Mais do mesmo aqui.

Yono.
Miguel S.

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agosto 30, 2005

Barrancos

A barbárie institucionalizada.

Yono.
Miguel S.

PS-O progresso não é sempre ascendente... Viva o povo! (que unido, jamais será vencido!)

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Surrealista

Surrealista
A juntar à lista do lado. Porque também fala da minha segunda terra, entre outros assuntos focados de forma interessante por diversos autores. Mais recentemente a viagem por Moçambique, África do Sul e Suazilândia, passando pelo "vizinho" Gabão... Parece ser gente gira. A visitar com regularidade.

Yono.
Miguel S.

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agosto 29, 2005

Oh Zimbabwe, a luta continua*

Já não bastava a selecção de cricket do Zimbabwe ter sido vergonhosamente esmagada pela sua congénere indiana [terão os melhores jogadores procurado outras paragens?] e agora isto:

Farmers Fail to Repay Loans
The Herald (Harare)

Não, não é possível. Não fosse o jornal zimbabweano de Harare e dir-se-ia que seria mais uma montagem da propaganda britânica, esses qualquer-coisa-da-mãe (mas também pode ser o Morgan Tsvangirai, esse rapaz do MDC).

"ABOUT 60 percent of farmers who accessed Government agricultural loans under various schemes during the 2004/05 agricultural season have failed to repay, threatening the continuity of the facility. This has made it difficult for various agro-lending institutions to finance new applications and could hamstring the Government's efforts to finance agricultural activities to achieve food self-sufficiency."

Pois, com rácios desses deve ser realmente complicado continuar a financiar o que quer que seja.

"Although the entire Southern African region was affected by drought, inadequate commitment to production by new farmers who benefited from agrarian reform had also impacted negatively on the production of the staple maize crop."

Não pode ser. Mas será isso mesmo verdade?! Então afinal a reforma agrária não era a solução de todos os males?...

"Besides being afforded this rare opportunity to borrow at concessionary rates and without collateral, farmers have failed to meet their side of the bargain."

Atão, assim é ca gente gosta! Responsabilidades, o que é isso?

"It is also understood that some farmers, instead of channelling the funds to agriculture, diverted the funds to non-farming activities, taking advantage of the absence of collateral security on loans."

Não fosse o facto do governo de Mugabe ter feito a reforma agrária e dir-se-ia que esses agricultores seriam aqueles sacanas dos descendentes dos ingleses que andariam a retirar o capital do país...

Yono.
Miguel S.

*Miriam Makebo

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E a Europa (onde está)?

Yono.
Miguel S.

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Citações

"[...] assentes numa perspectiva futurologista filosófica, [...]"

Os sindicalistas são iguais em toda a parte. Escusavam de escrever tanta palha numa perspectiva futurologista filosófica e quedar-se sobretudo pelas questões objectivas...

Yono.
Miguel S.

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Pedido de patrocínio

"Assunto: Pedido de patrocínio

Os nossos cumprimentos.

Sendo o Matrimónio a União Conjugal entre o Homen e a Mulher, visto que se avizinha a data de mais um Enlance Matrimonial na 1ª quinzena de Setembro do ano em curso, por falta de meios financeiros por parte dos conjuges, viemos por meio desta solicitar qualquer tipo de ajuda que seja benéfica, para tornar este acto mas brilhante.

Sem mais de momento, os nossos agradecimentos antecipados."

Yono.
Miguel S.

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agosto 28, 2005

Do blog

Tem andado como o dono, à velocidade do pensamento por isso descuidado e impreparado, preocupado sobretudo em registar o momento. Extensão material do que lhe vai passando. Sem preocupações de estilo. É o que é. Mais do que para os outros, é sobretudo para mim. Porque é aqui que despejo muito do que não posso [não tenho, não quero] noutros locais...

Yono.
Miguel S.

PS-Estou mesmo a precisar de férias...

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Ao km 17

Raptado da estrada pelo L. e pela I., deitando assim por terra o que prometia ser a pedalada mais rápida do trajecto dos últimos 50 anos (cof, cof, cof)...

Lândana é realmente a pérola desta Província.

Yono.
Miguel S.

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agosto 27, 2005

Depilação, no masculino

O que levará um macho a rapar os pelos dos braços com regularidade deixando os do peito? E o que levará um macho a fazer o trabalho de forma imperfeita deixando zonas por rapar, para risota de escárnio generalizada?

Yono.
Miguel S.

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A terra das festas

Nunca me habituei muito bem a estas merdas das festas privadas, apenas conhecidas em África. Filho da grande cidade foi com estranheza que comecei a aperceber-me deste tipo de realidade. O giro disto é a guerra da socialite local para estar em todas... Não chegaram ainda ao nível dos nossos porque, para além d'outras questões sobre as quais não vale a pena dissertar, são em tão reduzido número que ainda insuficientes para a existência d'algo a si dedicado.

Pessoalmente, sempre gostei das coisas descontraídas. Ir onde não se é conhecido, beber um copo na boa com gente normal e descontraída. Sem preocupações de detalhes como o que vestir para sair à noite, sem preocupações de ver quem está e quem deixou de estar, do que é que aquele(a) trouxe vestido, qual o carro que deixaram à porta da festa ou sequer a táctica de se chegar com mais de 2 horas de atraso para se ter a certeza de se ser visto por todos. Bof!

O que anima estes eventos "sociais" locais é, sobretudo, a quantidade de árvores de Natal que deambulam em feroz competição, sendo certo que o Natal ainda está longe e não é por estas noites que aparecerá o bonacheirão vestido de vermelho com as barbas brancas e o seu Oh! Oh! Oh!...

Yono.
Miguel S.

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Rumores locais

"Ah porque eu ouvi dizer, de fonte segura, que fulano tal é tão bom tão bom tão bom que até está suspenso. E isto é de fontes seguras". Causou alguns calafrios nas caras de alguns, bem evidente. O rumor espalhou-se rapidamente. E assim se manchou a reputação de alguém só porque sim. Porque se percebe a realidade como nos é inculcada não havendo espaço para a diferença. Porque o normal é ser-se convencional, vulgar.

Estranhamente, hoje, ao dar uma boleia à vítima (inconsciente) do rumor, qual não é o meu espanto quando a mesma prossegue as suas actividades normalmente...

Há pessoas que entendo execráveis. As que sabem sempre tudo e ouviram alguém dizer que tal e tal e tal sobre esta, aquela e aqueloutra pessoa. Mesmo sem terem a certeza, não hesitam em reproduzir informações não confirmadas com um potencial elevado de manchar a reputação d'outrém. Tão portuguezinha esta forma de estar.

Yono.
Miguel S.

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agosto 24, 2005

14.000 pés

Cheio de vontade e a pensar seriamente nisto.

Yono.
Miguel S.

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agosto 23, 2005

Batido

Hoje a volta mais rápida no trajecto habitual fazendo-o, pela primeira vez, abaixo dos 8:00. Nos 7:57, foram retirados 0:32 à última volta mais rápida. Interessante*.

Yono.
Miguel S.

*É uma das formas que encontro para me manter normal por cá. Inventar permanentemente desafios. Ir atrás de algo. No início, há uns meses atrás, a volta era dada em torno dos 10:00.

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Pena adequada

A que, com mão pesada, condenasse os incendiários comprovados a executar tarefas de replantação e manutenção das áreas ardidas ao longo de toda a sua pena.

Yono.
Miguel S.

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[foto] O repasto

Yono.
Miguel S.

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agosto 22, 2005

Pela segunda vez...

... o telefone tocou.

- Olá, sou eu novamente. - disse a C. do outro lado da linha, esquecendo-se que pelo telemóvel já tinha percebido de quem se tratava.
- Sim C., então? - perguntei descontraidamente sentado ao balcão do bar do hotel, enquanto esperava pelo meu café.
- Olha, esqueci-me de te perguntar uma coisa. Posso? - disse-o de forma moderadamente receosa.
- Sim, claro que podes. - enquanto cumprimentava alguém que chegava e o café era finalmente servido.
- Quanto tempo ag.... a f... s... seg...do? - perguntou sem que conseguisse perceber bem a pergunta devido ao ruído na linha e às pessoas que chegavam.
- Como? Não percebi bem por causa do ruído.
- Perguntei quanto tempo é que aguentas fazer sexo seguido. - disse a C. do outro lado da linha enquanto eu largava as rédeas a uma gargalhada sonora no bar do hotel.
- Bem, depende de várias coisas. Não é algo que seja propriamente linear...
- Mas aguentas pelo menos 2 horas, não aguentas?...

E ri-me que nem um perdido durante algum tempo no bar do hotel perante alguns olhares curiosos.

Yono.
Miguel S.

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[foto] Ao largo

Yono.
Miguel S.

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agosto 21, 2005

Os primeiros 50km

Ontem tinha decidido ir a Lândana de bicicleta, nas calmas e para ver se aguentava a ida e volta perfazendo 100km. Deitado tarde e acordado cedo pelo F. às 10h (ainda de madrugada) acabei por responder ao desafio de ir almoçar à capital do Cacongo indo lá ter de bicicleta (50km). Esqueci-me de dois pormenores importantes: de carro é mais fácil e depois de 30km a abrir, as pernas para fazer prémios de montanha de 1ª categoria já não estavam lá!... Mas para as descidas, impecáveis. Em pé e sem mãos, nesta estúpida busca por alguns momentos de adrenalina que tanto gozo me dá.

Nestes 50km existem, pelo menos, 7 classificativas de montanha de 1ª categoria e umas 5 classificativas de montanha de 2ª. Com duas paragens obrigatórias pelo caminho, para reabastecimento, no Luís e no Paragem Necessária, vi-me forçado a fazer 3 classificativas de 1ª a pé (na subida antes do cruzamento para o Sassa Zau, na subida a seguir à terra batida onde faziam os ataques após a grande descida com a floresta densa de ambos os lados e, finalmente, na última subida antes de Lândana). Percebo agora porque é que as competições oficiais fazem-se do Malembo para a cidade e não ao contrário!

O regresso, logo a seguir ao almoço, foi muito melhor e bastante mais rápido: sentado no banco de trás do carro do F. e a bina (como aqui se diz) na pick-up do L.

Yono.
Miguel S.

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Jornada Mundial da Juventude

"Bento XVI mobiliza 800 mil jovens e condena totalitarismos"
in Publico online 21.08.2005

"A festa começou cedo a animar: bandas de música, cantos, danças, fotos de recordação, sacos-cama que se estendiam no chão a marcar terreno para a noite fresca que se adivinhava, bandeiras - são às centenas, os símbolos nacionais neste mar universal de quase 200 países."

O que é que isto terá a ver com a festa do Avante?

Yono.
Miguel S.

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agosto 20, 2005

Ganda noitada

Início com um delicioso aniversário. Malta porreira com camarão e passas, um delicioso caril de atum e, para rematar, um gelado com algo de muito bom regado com chocolate quente. Como sabe bemmmmmm! Depois a Gala à sexta-feira da TPA em directo para todo o país a partir daqui. Muitas caras novas e mulheres impressionantes. Muitos músicos ao vivo e bons, muito bons. Semba, entre outros. Músicos que costumamos dançar na discoteca ao vivo! Grande jantar. Discoteca ao rubro! Férias? Sim, para a semana.

Yono.
Miguel S.

PS (já em condições):
Noite soberba com muita música e som ao vivo, conforme notícia da Angop aqui.

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agosto 18, 2005

[foto] Onde eles atracam

Yono.
Miguel S.

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agosto 17, 2005

Férias adiadas

[...]

Yono.
Miguel S.

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agosto 16, 2005

[foto] Mamana

Yono.
Miguel S.

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Ainda cacimbo?

Mais rigoroso desde que estou em África, confirmado por muitos locais que dizem estar este ano muito mais frio do que é habitual, as opções ficam substancialmente reduzidas quanto ao que fazer. Se a praia já era em si uma opção menor, com este frio muito menos. Não deixo de ficar perplexo com as temperaturas elevadíssimas que se fazem sentir em Portugal e nós aqui com manga comprida e camisola interior pela manhã e depois de escurecer. É que está mesmo frio! Já não me lembro quando é que liguei pela última vez o ar condicionado no escritório.

Ainda com as malas por fazer, apesar dos parcos haveres que transportarei (normalmente é malas vazias para Portugal e cheias no regresso), a azáfama provocará aqui um intervalo podendo este ser interrompido, eventualmente, durante as férias. É que branco como estou, ninguém acreditará que estou em África até porque em Moçambique ia sempre de férias extremamente bronzeado. Assim sendo e porque preciso de ar fresco, até Outubro.

Yono.
Miguel S.

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[foto] ...

Yono.
Miguel S.

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[foto] Nas traseiras da cidade, escondidos

Yono.
Miguel S.

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agosto 15, 2005

Grande par...

...de mamas! A festa parou toda ou, melhor dizendo, os olhos de tudo o que era homem parou no decote da C. (pseudónimo, mesmo não sabendo o nome verdadeiro dela). Que coisa impressionante. Mesmo sabendo que o soutien é que estava a aguentar [parcialmente, espera-se...] tamanha dádiva da natureza. Extremamente gira e fazendo sobressair o que tinha de mais interessante, fica muito melhor de panos disfarçando [paradoxalmente] a ausência de rabo e ancas. Mas a cara dos homens fica na memória. A cara, os sorrisos, os sinais com os olhos...Ah! E a guerra pelo troféu. Fria, pois algo discreta e sem chapadas, murros, pontapés ou puxões de cabelos...

Yono.
Miguel S.

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'Tás a ir no bom caminho...

"Constitutional amendment to restrict travel"

Quem mais senão o brilhante Robert M. e os seus correligionários? De vento em popa, hasta la muerte! (no?)

Yono.
Miguel S.

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Ao jantar, histórias d'África

Muitas foram elas contadas à mesa enquanto degustávamos umas deliciosas ameijoas. Bem regadas. Com todo o tempo do mundo. Histórias de quem por cá nasceu, deste ou do outro lado, e que, por opção, deixou para trás a terra fria que nunca fora a sua, para andar nas últimas décadas um pouco por toda a África. Histórias surrealistas, mesmo para quem já conhece um pouco desta África, do Zaire de Mobutu e da RDC de Kabila (Banana, Goma, Matadi, Kinshasa com as suas avenidas de 14km), da Guiné colonial e de Nino, o Cabo Verde contemporâneo, o sul de Angola.

No meio de tudo isto, ainda se vão encontrando algumas pessoas interessantes tendo, todas elas, algo em comum: uma ligeira pancada. Ainda bem que assim é!...

Yono.
Miguel S.

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[foto] O Sr. João...

Yono.
Miguel S.

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[foto] Res non verba

Yono.
Miguel S.

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[foto] Escravos, junto à árvore

Yono.
Miguel S.

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agosto 11, 2005

Depois do Zimbabwe, a África do Sul?

"South African VP Wants To Adopt Mugabe's Policies"

Nem mais. Andamos todos a aprender muito, sobretudo desde que Mugabe deixou cair a máscara. Go get 'em boys!...

Yono.
Miguel S.

PS-Em que categoria enquadrarão os bosquímanos?

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Malawi: once upon a time

É impressionante observá-los a cair, um atrás do outro. Nesta África Austral, é particularmente interessante observar a ascensão e queda de diversos países, alteradas que foram as prioridades geoestratégicas e o redesenhar das esferas de influência das superpotências com o fim da guerra fria.

Lentamente, mas com passos firmes, Moçambique e Angola têm denotado um movimento claramente antagónico ao dos seus vizinhos. Felizmente. Porque também eles têm muito a ver connosco. É assim que a Suazilândia deixou de ocupar um lugar interessante após o fim do apartheid na África do Sul e destino de eleição para quem queria sair de Maputo, com a construção da auto-estrada (com portagens!) que liga Maputo a Nelspruit, na RAS. De igual modo, o Zimbabwe já não interessa a "ninguém" e deixou, há muito, de ser um posto avançado do ocidente livre e democrático, em pleno hinterland, rodeado de regimes pró-soviéticos e do anátema sul-africano. Já para não falar da Zâmbia (que não consegui conhecer ou, como se diz aqui, desconsegui de conhecer), da estranheza em torno de um país "fraco", sem nada de particularmente relevante a não ser talvez a sua parte das Victoria Falls, que condenou a prisão um ex-Presidente da República por suposta sodomia a um guarda-costas... O Zaire do desaparecido Mobutu também aquele país desaparecido (para sempre, digo eu).

Chegam-nos, agora, notícias preocupantes do Malawi, do já saudoso Banda. Digo saudoso pois assim o falaram aquando das nossas diversas visitas ao país entre os anos de 1998 e 1999. Já na altura... Era uma delícia entrar naquele país rumo a Blantyre entrados a partir de Milange, em Moçambique. As plantações de chá, dos dois lados da estrada, com centenas de apanhadores com os cestos às costas, as casas antiquíssimas, o verde, muito verde. As montanhas e o frio. Blantyre simplesmente impecável e um bafo de civilização e desenvolvimento. Tudo muito organizado e limpo. A ida a Lilongwe de carro, até Senga Bay no Lago Malawi. Um assombro de enquadramento paisagístico. A cada ida, a sensação de decadência. Agora, também, confirmada aqui. Fome. No Malawi?!

Apetece-me aqui citar Gabriel "O Pensador" (é que a minha ignorância não me permite socorrer-me de um qualquer filósofo clássico ou pensador contemporâneo) em mais um dos seus gritos de inconformismo.

Yono.
Miguel S.

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Finalmente

O início da retirada de Gaza, independentemente do potencial maquiavélico implícito ao gesto.

Yono.
Miguel S.

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Overbookings

Há muitos anos atrás, quando os aviões ainda não eram autocarros suburbanos, as empresas não faziam overbookings e não era particularmente difícil encontrar um lugar vazio em qualquer vôo.

Sou dos que detesta o que quer que seja marcado. Sobretudo no que toca a férias. Jamais conseguiria marcá-las com 6 meses ou mais de antecedência. Encaro-o como algo de terrífico. Sempre gostei de decidir em cima da hora o que continua perfeitamente funcional nas rotas em que a concorrência é livre. Por cá, apenas duas companhias fazem a rota de Luanda estando os vôos sempre cheios.

Ou seja, estou lixado. Cheira-me que ainda terei que dar uma volta para chegar a Lisboa ou adiar as férias.

Yono.
Miguel S.

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agosto 10, 2005

Ontem, à conversa

- Foda-se Caramba que isto é um cu de boi tramado!
- Podes crer, esta merda isto é do piorio.

Psicose colectiva ou realidade? E não é que ainda não ouvi ninguém dizer que isto é porreiro*?

Yono.
Miguel S.

*ressalva feita para os quarentões/cinquentões que já varreram bué...

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Cri quê? Onde?

"African Union appoints mediator in Zimbabwe crisis"

Não há lá nada disso e tudo o que houver [de mal], a culpa é dos ingleses...

Yono.
Miguel S.

PS-Só agora?

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O H5N1 à solta

O surto de gripe das aves detectado na Sibéria (Rússia) passou já para os países vizinhos, Mongólia e Cazaquistão, noticiava hoje a Reuters. A estirpe da gripe das aves detectada é a H5N1 a qual foi responsável pela morte de mais de 50 pessoas na Ásia desde 2003.

Com mais de 14 regiões da Sibéria a detectarem a existência do vírus e agora os países vizinhos, teme-se que possa ter início uma pandemia com uma dimensão maior do que os 40 milhões de mortos provocados pela gripe espanhola, no fim da primeira guerra mundial.

Já não sei onde é que se está bem, se no hemisfério norte se no sul...

Yono.
Miguel S.

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agosto 09, 2005

Desenvolvimento 2

4 (quatro!) navios de médio e longo curso escalaram o porto durante o fim-de-semana, tendo atracado na ponte cais para carga e descarga de contentores.

E depois ainda dizem que nada se fez. Basta ver como era há 2 anos atrás, os navios (nenhum) não podiam atracar na ponte cais sendo a descarga feita ao largo para barcaças as quais transportavam os contentores para terra.

Yono.
Miguel S.

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agosto 08, 2005

[foto] Hargeysa, Somalilândia

E eu que pensava já ter andado por sítios difíceis!... A única vantagem do local parecem ser os semáforos que ainda funcionam.

Yono.
Miguel S.

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[foto] São Tomé

Um dia destes, por lá.

Yono.
Miguel S.

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Ahn?

"Concorda que os senhorios possam ter acesso a informações sobre o rendimento dos inquilinos?"
in Publico online 08.08.2005

Terá tudo ensandecido? Tudo bem desde que os inquilinos possam ter acesso aos rendimentos dos senhorios...

Yono.
Miguel S.

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Dos salários dos deputados por cá

Discussão polémica em torno do package remuneratório dos deputados da Assembleia Nacional, com estes a defenderem a atribuição de um subsídio vitalício que permitisse aos ex-deputados terem condições de vida condignas após o exercício da função parlamentar. Beneficiariam apenas os deputados que contassem com 8 anos de exercício.

Ainda mais polémico o rumor que corre nos corredores (noticiava o JA que "fala-se...") sobre a vontade dos parlamentares em aumentarem o salário base de um deputado do equivalente a USD 1.390,00 para algo como USD 5.000,00...

Yono.
Miguel S.

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agosto 07, 2005

Ao jantar: os norte-coreanos

Depois de vários jantares em casa deles depois da massagem, fiz o convite aos coreanos para que viessem à minha casa [jantar]. Atendendo a que os gostos são algo diferentes, optei por incluir no jantar muitas coisas diferentes e neutras para que o choque não fosse muito violento.

Como aqui não há assim tanta coisa, esmerei-me e tentei fazer mais do que o habitual mesmo sem tempo. Assim, preparei uma sopa de espargos, espinafres salteados (o que quer que seja que isto quer dizer), feijão verde, chouriço assado, morcela assada, azeitonas verdes e pretas, costeletas de porco, pão, paté, banana-pão frita, tudo isto regado com Dão tinto e água e, para a sobremesa, queijo da serra, papaia, banana, maracujá, morangos e iogurte.

À chegada, a surpresa deles perante tanta diversidade à mesa. "Muito bom", disse ele. E o jantar lá começou com algum receio da parte deles. Não sabiam bem por onde começar. Cheiraram quase tudo. Aliás, como eu faço quando vou para terras estranhas e me dão a comer coisas que desconheço.

Ela foi à morcela e colocou no prato, seguindo-se um pouco de espinafres e depois, grande desastre, iogurte de morango e queijo da serra. Pegou num bocado de queijo da serra molhou no iogurte e levou à boca. Fez uma careta do caraças a qual me deu uma vontade de rir dos diabos! ahahahahhahaha! Depois deu uma dentada na morcela, mas com muito cuidado e deixou até ao fim o resto. De seguida pegou nos morangos e disse que eram deliciosos (mesmo com sabor da morcela e espinafres?).

Ele já foi mais audaz e fez menos confusões. Comeu de tudo um pouco. Quando lhe disse que tinha utilizado azeite na confecção da comida e que o azeite vinha das azeitonas, não percebeu a relação e fui buscar o azeite para ele ver. Despejou um pouco numa colher e pôs na boca para saborear, para depois dizer que era muito bom para a saúde.

Ao menos, comeram bastante fruta o que já não foi mau. As costeletas só eu é que comi. É que para eles, a carne de porco é a pior de todas. Estranhei também terem comido pouco espinafres e feijão verde...

Depois do jantar, a discussão política em torno das conversações sobre a questão nuclear norte-coreana. Mas isso, fica para outra altura.

Yono.
Miguel S.

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Os 4 tipos de pessoas que demandam terras de África

(Segundo o mais-velho do norte que já se encontra por cá há 9 anos)

1. Os aventureiros;
2. Os [só com uma pontinha, claro] loucos;
3. Os falidos;
4. Os fugitivos*.

Ao ouvi-lo perguntava-me qual deles seria eu, sendo certo que uma das opções estaria excluída à partida...

Yono.
Miguel S.

* pessoal que foge da vida e prefere esconder-se num qualquer lugar, longe de tudo e de todos.

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Reencontros

Não deixa de ter a sua piada quando, inesperadamente, reencontramos velhos amigos, companheiros de estrada. Aconteceu ontem, novamente. Três chamadas inatendidas no telemóvel, feitas a partir de Luanda e de número desconhecido.

- Estou? Boa noite, tenho três chamadas no meu telemóvel a partir do seu... - e deixei-me ficar à espera da reacção do outro lado.
- Mas quem fala? - perguntaram num português, hummmm, original.
- Quem fala? Isso gostaria eu de saber. - sem revelar a minha identidade que, por estas paragens, convém sempre mantê-la desconhecida.
- Oh! Miguel? 'Tás bom pá? - perguntaram já noutro tom, sem que eu conseguisse identificar quem falava.
- Sim, estou... - e fiquei-me, à espera de perceber quem seria, rebuscando no meu baú de memórias auditivas de quem seria esta voz.
- Então, ainda não sabes quem fala?
- Não... - (vergonha! vergonha!)
- É o Eduardo.
- Eduardo? Oh! Estás em Luanda pá? Há quanto tempo...
- Pois é. Quem diria não é?

Caramba, o Eduardo em Angola. O tipo mais casmurro do curso em Luanda??? ahahahahha! Jamais o imaginaria por estas paragens. Ainda há apenas dois meses por cá e já está farto. Já não aguenta mais. Não gosta nada disto. Bate certo com o que dele conheço. Daí a surpresa. Mas terá a sua piada um almoço na ilha, para matar saudades dos tempos académicos.

Relembrou-me este episódio o Alcino, em 1995. Estava eu a recuperar de uma noitada em Pemba quando me bateram à porta. E com bastante força. Saí disparado, pronto para pôr alguém na ordem quando, ao abrir a porta, deparo-me com o Alcino e a Ana à minha frente, sorridentes. Estavam na Província de Tete, nos Leigos para o Desenvolvimento, e tinham vindo até Pemba, em grupo, pois não queriam sair de Moçambique sem conhecer Cabo Delgado. Foi giro matar saudades desta malta na praia do Wimbe e ouvir a sua história sobre a ida de barco ao Ibo, no meio de uma tempestade.

Mundo pequeno este...

Yono.
Miguel S.

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agosto 06, 2005

Ainda as massagens (norte-coreanas)

Andamos todos divertidíssimos com esta novidade. Depois de mim, já foram à norte-coreana mais uns 10 portugueses que por aqui andam. O ror de males de que sofrem as pessoas é interminável. A curiosidade reside nas reacções de cada um à massagem em si. E são elas profundamente díspares.

Não consigo conter algumas risadas perante as queixas de alguns. Há já uma desistência. Que não conseguiu dormir nas duas noites a seguir às massagens. Que estava pior do que no início. Que achava demais ter que pagar para ser torturado, ahahahhahahaha! E o gozo que dá quando ela, num português algo esquisito nos diz, à frente da vítima, "ele jovem mas corrrrrrpo muito velho!" gesticulando bastante e fazendo caretas. Está a ser motivo de grandes galhofas numa terra onde as novidades e as coisas diferentes são raras...

Hoje, fixou o olhar na minha mão esquerda. Depois pediu-me a direita. E começou a ler-me as mãos. Para além da excelente massagista que é, percorrendo os nervos todos do corpo (fazendo-nos descobrir zonas que jamais imaginaríamos que pudessem doer tanto), também lê as mãos. E isto faz-me rir que nem um perdido por não acreditar em nada disto. Mas deixo-a divagar, enquanto sorri ao ler as linhas. "Você vai ter só um filho. Não vai fazer casamento religioso."

Hoje provoquei-a em resposta às mais diversas provocações que foi fazendo ao longo destas duas semanas. Disse-lhe que os "brancos têm muitos pelos não é?" ao que me respondeu prontamente "sim, mas eu gosta!", passando a mão pelos meus pelos do peito ahahahahahah! A vontade de rir que tive é indescritível, pelo à vontade. Imagino o que contará na Coreia sobre os seus contactos de perto com os brancos, aquando da sua primeira vivência no estrangeiro.

Yono.
Miguel S.

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De volta aos treinos

Finalmente. E já cheio de saudades após o espalhanço de bicicleta. Ontem a primeira corrida e hoje a primeira volta de bicicleta seguido de corrida. A fantástica sensação de potência, de ter o corpo todo junto como se tivesse sido reconstruído eliminando todos os pequenos espaços, funcionando em bloco... As pernas leves, o corpo mais ágil e sem queixas. Até a lesão de há 4 anos atrás desapareceu. Esta é uma passagem que jamais esquecerei, a que me fez conhecer os norte-coreanos.

De igual modo e após os primeiros dois dias de treinos, deu-se por findo o programa de massagens a que fui submetido nas últimas duas semanas (acho eu). Sofri hoje uma geral. Fartei-me de rir perante o olhar espantado da massagista que a cada risada perguntava o que se passava.

Yono.
Miguel S.

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agosto 05, 2005

Feijão maluco (ou macaco, em Moçambique)

Ontem ao ligar o carro, o arranque automático do rádio com uma reportagem em directo a partir da Escola G. nos arredores da cidade. A escola estava encerrada devido a um misterioso pó branco, o qual teria provocado uma reacção alérgica a diversos alunos entretanto hospitalizados. Os entrevistados davam as mais diversas explicações até que o jornalista entrevistou um dos suspeitos pela situação. Dizia este que tinha sido um amigo dele o autor da ideia de se ir buscar feijão maluco, para os lados do aeroporto, de modo a vingar-se de alguém que lhe teria batido. Assim feito, entregou o feijão maluco ao amigo desconhecendo o que teria feito ao feijão, mas tudo apontava para que o amigo, por razões completamente desconhecidas, tivesse espalhado o feijão macaco em pó (?) na escola.

Relembrou-me este episódio, o Fernando e a Ana após uma ida ao mato na zona de Montepuez, em Cabo Delgado, Moçambique. Na altura, andávamos à procura de novas áreas de exploração e, numa dessas incursões pelo mato fora, entraram numa área cheia de feijão macaco. É uma planta relativamente alta que tem uma vagem cheia de picos, tipo alfinete, e quase imperceptíveis a olho nu. À sua passagem, na sequência do movimento e abanar da planta, os picos das vagens começaram a voar em todas as direcções penetrando a roupa e a pele em todo o corpo. A consequência imediata foi uma irritação cutânea de grandes proporções fazendo-os coçar até não poderem mais. Daí o nome de macaco em Moçambique e maluco por estas bandas. O que me ri na altura, dos dois, quando regressaram ao acampamento!

Yono.
Miguel S.

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agosto 04, 2005

De vez em quando

Dou uma vista de olhos pelo mundo. Porque não é de bom tom ir à metrópole de férias e dar uma de ignorante quanto ao que no mundo se vai passando, confirmando o alheamento [quase] total do nosso mundo e das suas "grandes" preocupações.

Do quotidiano daí é com total indiferença que assisto às jogadas de bastidores tornadas públicas sobre os presidenciáveis, interrogando-me apenas cada vez que assisto no zapping, a algo sobre o assunto, quando é que teremos um presidente fora da esfera político-partidária?

Sobre as autárquicas nem vale a pena muito comentar sobre as tristes figuras, amiúde repugnantes, em permanente esforço mediático.

Desta parte do mundo, muito e mais do mesmo fugindo apenas à monotonia pela diversidade dos palcos e actores que deambulam em digressão aleatória, sem que com isso consigam muito mais do que efémeras reacções de um qualquer piscar de olhos.

É assim que constatamos estarem já centenas de milhar condenados a morrer de fome ou a viver as consequências da desnutrição aguda, tal como outros milhões nas últimas décadas. Mais um golpe de estado ou a tentativa dele em Nouakchott, supostamente um subúrbio de Riade, como noticiava há dias o JA. Ou ainda as consequências do desaparecimento do VP Garang, no Sudão, relembrando que os equilíbrios são permanentemente aparentes e nada mais do que isso, em determinadas zonas do planeta.

E chega.

Yono.
Miguel S.

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Desenvolvimento 1

A cidade já tem uma limousine branca.

Yono.
Miguel S.

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agosto 03, 2005

Há dias que se deve beber até cair para o lado

Como quando alguém escapa de um choque frontal a velocidades incontáveis para a recta em questão, observando o outro a ziguezaguear e a capotar três vezes antes de ficar atravessado na estrada. Tiveste sorte puto...

Yono.
Miguel S.

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agosto 02, 2005

Tarefa difícil

A de explicar a um norte-coreano o conceito de desconto comercial...

Yono.
Miguel S.

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agosto 01, 2005

[foto] À chegada

Yono.
Miguel S.

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Empty handed

É preciso ter azar. O pobre pensava que conseguiria trazer para casa $1.000 milhões e afinal só conseguiu $6 dos chineses. Menos mal. Corre agora a campanha na África do Sul para que Thabo Mbeki não apoie financeiramente o seu vizinho Mugabe, desesperado sem divisas.

Yono.
Miguel S.

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Gastronomia norte-coreana

Ia para a massagem e acabei por ver frustradas as minhas intenções, terminando em amena cavaqueira com olhos orientais semi-cerrados a tentarem perceber o que dizia, acompanhada de um jantar invulgar.

Uma couve meia cozida, num líquido meio avinagrado com jindungo norte-coreano. Um espectáculo. A acompanhar uma bebida feita de whisky e jinseng norte-coreano. Interessante. Finalmente, peixe cozido molhado num molho feito com feijão (norte-coreano, claro) e algumas ervas norte-coreanas. Delicioso. Isso e o chá para rematar a refeição seguido de jinseng para chupar. Diferente.

Já prometida a refeição coreana, experimentada em 1992 e confeccionada pela amiga Hyun-Jung em França, feita de arroz, vegetais e galinha, enrolada em folhas de algas. Imperdível e já à espera da ocasião... Ficaram espantados com a mestria do manuseio dos "pausinhos", coisa que ainda não tinham visto por cá. Também, quantos malucos é que há por cá?

Yono.
Miguel S.

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[foto] Boleia?

Yono.
Miguel S.

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A sério?

"Zimbabwe rules out white farmers' return."

Yono.
Miguel S.

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Ou há moral...

Esta já é velhinha mas só agora é que a vi. O rol de empresas a serem investigadas pelo fisco é grande e com nomes sonantes. Decerto que faltarão algumas mas espero que este seja apenas o início do processo.

Yono.
Miguel S.

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Geração falhada

Interessante este artigo de opinião do Baptista Bastos, com o qual concordo em muito do que escreve.

Yono.
Miguel S.

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