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setembro 27, 2005

Já [re]começaram

Na estrada, cidade fora, ao reduzir-se a velocidade devido à lentidão do trânsito, um grito da rua do meio de um grupo de trabalhadores de uma conhecida empresa da cidade "chefe volta lá para a tua terra, na Europa!", à nossa passagem. Gratuito e cobarde, motivado apenas pela cor da pele. Igualmente gratuito foi o gesto que lhe fiz com os dedos pela janela fora.

Dizia-me o companheiro do lado: "Estes gajos recomeçaram. Agora andam pela cidade a fazer provocações às pessoas, com bocas deste género. Por isso é que a maioria do pessoal anda com os vidros do carro fechado e é casa/trabalho/casa. Estes gajos são todos zairenses".

Pois, é tudo possível. Que recomeçaram. Que tentem tudo. Entre várias conclusões uma fundamental: o Zaire deve ser uma das maiores merdas ao cimo da terra. Começo a acreditar que quem tem o azar de ir para lá deve ser submetido a um regime intenso de supositórios de grosso calibre de modo a fazê-los ver o mundo só e apenas a duas cores [p&b]: bons (eles)|maus (nós), bons (trabalhadores)|maus (chefes), bons (os maiores merdosos)|maus (gente normal), bons (pobres)|maus (ricos do regime precedente), bons (ignorantes e burros)|maus (cultos e inteligentes), etc, etc, etc...

Yono.
Miguel S.

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Comentários

Imagino que isso aconteça frequentemente, sim. Mas tu sabes o que eles têm de ouvir cá!
Esta é uma daquelas situações a que não sei como dar a volta, porque o ciclo vicioso de humilhação e ódio continua a perpetuar-se.
Eu não sei se serão zairenses... Não achas que isso é tentar dourar a pílula para o lado dos angolanos?

Publicado por: Isabela em setembro 28, 2005 02:04 PM

e que gesto gratuito foi esse? LOLL
Epá quando faltam argumentos válidos reecorrem aos insultos gratuitos mas desesperados por ver o chão a fugir - será sinal de que estão a perder terreno?
Seja como fôr a indiferença é a melhor arma para combater essas agressões.
Boa sorte
(olha lá os emails estão em dia?)

Publicado por: ac em setembro 28, 2005 06:32 PM

Oh Isabela, nem sei que te diga. Apenas que, por vezes, sinto-me de tal forma injustiçado e ofendido tão gratuitamente (como por exemplo 2 encontrões que apanhei num funeral de um trabalhador nosso depois de me mandarem para o car... várias vezes e branco filho-da-p... etc e tal) que já faltou mais para me passar dos carretos. Apenas acho que há questões que são algo delicadas. Quanto aos zairenses não é nada dourar a pílula. Destes anos todos de África, nunca conheci gente assim. Sinceramente. E lido com muitos que nasceram lá mas por serem filhos de gente de cá, deram o salto. Ou forjaram documentos. Ou fugiram para lá e regressaram. Impressionante. Então os genuínos...

Mais indiferente do que eu é impossível ac. Como por exemplo numa reunião em Moçambique com dois quadros séniores da EDM, em que discutíamos questões objectivas de cliente para fornecedor, o quadro mais sénior virar-se para o que estava abaixo dele e dizer que "este senhor não sabe porque como é estrangeiro não lê jornais moçambicanos!"... São situações porreiras mas que vou ignorando dentro do possível.

Publicado por: Miguel S. em setembro 28, 2005 10:38 PM

Eu sei. Eu, que "fui à tropa" e não sou objectora de consciência, acho que a violência não justifica a violência.
Mas se te passasse pela cabeça o que vi e ouvi do nosso lado para o deles! E ainda vejo e ouço.
Sim, tens razão, sim é verdade, eu sei. Mas tu não achas que este ciclo tem se ser quebrado? Claro que achas. A questão é como.

Publicado por: Isabela em setembro 29, 2005 11:54 PM