Finalmente chegou o dia para os meus amigos irem a N'dalatando, terra que deixaram pela última vez, sem o saberem, há mais de 30 anos. Para a irmã do Filipe, a carga emocional era muito mais pesada pois tinha ido apenas de férias escolares à metrópole. Não teve assim tempo para se despedir das pessoas, da casa, das coisas, das árvores, das flores, da escola, dos baloiços, dos cheiros, do Kilombo. Mais de 30 anos passaram sem que o tempo tenha feito esquecer tanto dos tempos de garota.
Talvez tenha visto coisas onde elas não existiram mas acabei por ficar com a sensação, nos dias que antecederam a viagem a N'dalatando, que os níveis de ansiedade e, talvez por isso, a necessidade de algum isolamento, começaram a crescer entre os meus amigos, com particular destaque para a Nor. Na véspera tive a sorte de organizar uma boa despedida da Angola boa, cosmopolita, do primeiro mundo onde até parece que o paraíso está mesmo ali, tão perto. A ida ao Mussulo foi, também para mim, divinal. Fechámos em grande, os dias que antecederam a ida a N'dalatando.
5:17 em ponto abalávamos para o Kwanza Norte sem sabermos bem o que nos esperava. Uma celebridade local informara-nos, uns dias antes, que em menos de 3 horas estaríamos em N'dalatando. Cerca de 250km em 3 horas seria excelente. E isto pelo Dondo! A necessidade de reconfirmação é sempre boa nestas coisas. Afinal, segundo quem anda na estrada todas as semanas, levaríamos cerca de 5 horas para chegar lá não indo pelo Dondo. Tínhamos que apanhar um atalho com uma picada de quase 100km.
(continua)
Miguel
Deixado por Miguel S.
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