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julho 11, 2006

Luena

Até ao momento terá sido uma das viagens mais "difíceis" que já fiz. O primeiro aviso vinha de quem já lá tinha estado e que me informou logo que só uma companhia aérea aterrava na cidade devido ao mau estado da pista. Por forma a evitar o risco de uma pedra saltar para dentro dos reactores, apenas os jactos com reactores "altos" eram permitidos aterrar na cidade (tipo DC-9, Fokker 100).

E, de facto, impõe respeito aterrar numa pista em mau estado e ver, ao longo daquela, um grande número de aeronaves que se terão despistado, feito aterragens de emergência ou, pura e simplesmente, dinamitados. Impressionante. Tal como o facto do Moxico ser 2 1/2 maior que Portugal e ter uma população que não chega a 1 milhão de habitantes com um quarto deste número concentrado na capital. A realidade tornou-se rapidamente perceptível. A dureza da guerra, tal como a viveram os angolanos, passeia-se à nossa frente a cada metro que avançamos. Os buracos das balas nalguns edifícios, as ainda consequências de obuzes, os mutilados, uma sensação de falência total de todas as estruturas tal como existiam, o olhar das pessoas, sofrido, as 88 horas necessárias para percorrer por terra os 1500 km que distam de Luanda a Luena - na época das chuvas pode chegar aos 12 dias, a presença de diversas ONGs (PAM, UNHCR, MAG, Oxfam, Unicef, etc), a quase total ausência de estrangeiros, apenas 1 café na cidade se é que assim se pode chamar, a ausência do que quer que seja para se fazer depois de escurecer (mesmo durante o dia...). Depois de Luanda, N'dalatando e agora Luena, a constatação clara do que terá sido 1992...

Miguel

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Comentários

Ok, por onde começar? As tuas fotos são, como já te disse, momentos impressionantes de vivência!
Sim, mais do que testemunhos de vivências permitem-nos experimentar sensações não habituais na simples foto!
Quanto ao texto, com a mesma intensidade, percebe-se que é a mesma pessoa a tirar as fotos e a relatar por palavras o que viu e sentiu.É sempre impressionante perceber como o mundo "bola e rebola ".
parabéns e beijinhos
P.S. escusavas de te armar em mariquinhas e mostrar um "pequeno aumento de temperatura!, loll as melhoras miudo ;)

Publicado por: ac em julho 11, 2006 01:31 PM

Qual pequeno aumento pá! Estou de molho! Chuif!!! :S

Publicado por: Miguel em julho 11, 2006 04:30 PM

Boa reportagem!!!
Foi muito fácil ver nitidamente o que é essa terra.
:(

Publicado por: Emiéle em julho 11, 2006 04:34 PM

Olha??!!!
Quando escrevi, não tinha ainda entrado a tua resposta e achava que já estavas bom!
Mas vais ficar bom depressa, de certeza!
Um abraço.

Publicado por: Emiéle em julho 11, 2006 04:35 PM

É curioso. Gostava de saber se um cenáro de guerra nos parece tão mau à segunda como à primeira. O choque da primeira vez foi desolador. Forte. Impressionante. Repetirei, como tu?

Publicado por: filipe em julho 17, 2006 05:07 PM