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setembro 28, 2006

Sem fotos

Roubaram-me a máquina fotográfica, após uma paragem no sítio do costume, com os guardas do costume por perto. Ou não terá sido um roubo? Assim sendo, até à minha (próxima) ida a Portugal, não haverá fotos. Tanto poderá ser uma semana, como um mês, como três meses. Depende. E não é de mim. Um espanto.

Miguel

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Do crime organizado

"Não há crime organizado em Angola", 1ª página do Jornal de Angola, edição do dia 26.09.2006.

Miguel

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setembro 26, 2006

O blog na Argélia

Nestas andanças, por esta África fora, temos a sorte e, porque não dizê-lo, mesmo o privilégio de conhecer pessoas que vão rareando por esse mundo fora, sobretudo no desenvolvido. Digo desenvolvido porque, cada vez mais, acredito que o desenvolvimento, ou subdesenvolvimento mascarado daquele, torna as pessoas cada vez mais egocêntricas, sacanóides doutoradas e predominantemente dissimuladas. E aqui sou obrigado a divagar mais um bocado, coisa que não gosto mesmo nada. Há uns tempos atrás alguém, sem me apontar o dedo, dizia que eu era mau. É daquelas afirmações que me provocam um mal estar de tal forma que fico com insónias... Confesso que ainda perco alguns segundos a reflectir sobre a minha maldade e se a mesma será de cariz benigno ou maligno. Invariavelmente concluo pela primeira (mal seria). Simplesmente não tenho muita paciência para um determinado tipo de gente. Adiante. Ora, tive a sorte de, há uns anos trás, conhecer nas terras de Cabinda o companheiro - gosto desta palavra tão em desuso - Manuel (Manel p'rós amigos). Diferente, inconformado, lutador, sentimentalão versão homem maduro (chora e tudo!) e, sobretudo, frontal já que diz o que pensa. Para mim é positivo mas há muito quem não goste. Onde é que eu ia? Bom. Esta malta de África há-os em muitas versões. Agora mais, raros são os que se aventuram além capitais. Esses nunca conheceram África. A verdadeira. Mais espertos do que nós, verdadeiros asnos da "nata" emigrante - jovens, entre os 25-35, licenciados e que se puseram ao fresco, à aventura pelo último continente - dos últimos 10 anos - asnos porque só um tipo que não está no seu perfeito juízo é que vai para perto do fim do mundo, ah e os que têm espírito de missão (o que quer que isso queira dizer) e ainda os religiosos - que provaram algo parecido com o pão que o diabo amassou. Mas depois aparecem uns eruditos que dizem que a malta vivia muita bem, melhor do que os outros todos, etc e tal. Ya. É mesmo isso. Adiante. Bom, graças ao Manel que agora parte para a Argélia, esse grande país, vou ter o prazer de deleitar-me com as suas fotografias e de poder deixá-las neste blog, no fotoglobo, em Argélia.

Pá Manel, um grande abraço e, do fundo do coração, que esta nova aventura seja coroada de sucesso e de muitas histórias para contares.

Miguel

PS-Sobre os asnos e por aí fora e do que dizem, um dia deixarei aqui algumas palavras sobre o assunto. Tal como uma reportagem que apareceu numa revista do Expresso no final da década de 90 e que focava os inúmeros casos de "sucesso" de jovens portugueses nesse país tão promissor chamado Moçambique...

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Price tag

Andar com um invisível nas costas é do mais desconfortável que possa haver.

Miguel

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setembro 22, 2006

90

Dias de férias por gozar. Como saberia bem uma volta ao mundo, relaxado, qual sabática.

Miguel

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A sombra

Dizem-me que não posso andar ao sol sem sombra. Que a sombra é fundamental, sobretudo em países onde há tanto sol. E eu, satisfeito com o meu desassombramento de sempre, aterrado com a possibilidade mais que certa de passar a ser mais um assombrado. De tal forma que até de noite se verá, e bem, a minha sombra.

Miguel

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setembro 21, 2006

Era uma vez...

... (como sempre, aliás) uma terra onde viviam muitos "O"s. Havia-os amarelos, vermelhos e laranjas não sendo estes últimos propriamente homogéneos. Entre eles existiam os blaranjas, os claranjas, os dlaranjas, os flaranjas, os glaranjas e por aí fora. Uns perfeitos outsiders do sistema, posicionando-se um função das conveniências do momento, ora mais para o lado dos vermelhos ora mais para o lado dos amarelos. Havia amarelos que, de tanto apanharem sol, mais pareciam doirados. Minoria entre os amarelos, brilhantes ao sol e também por isso igualmente designados por “O”s doirados, movimentavam-se com grande fluidez no seio de todos os "O"s de uma forma ostensivamente altiva. Movimentavam-se bem sim, qualquer que fosse o sentido da corrente, até porque faziam questão de afirmar amiúde que eles eram a corrente! E, afinal, quem é que se atrevia a desafiar qualquer um dos “O”s doirados?

Um dia surgiram, provenientes das terras onde predominavam as letras vermelhas, uns “O”s amarelos auto-designados sábios. Eram-no, na verdade. Até porque, universalmente aceite, um mais um sempre foi igual a dois. Timidamente ao início, começaram a espalhar a boa nova da universalidade matemática. Foi notícia pois a generalidade dos “O”s pouco ou nada sabia de números (de letras também não, pois só conheciam os “O”s). Arrastados, os vermelhos aumentaram. Também eles acreditavam piamente que um mais um era mesmo igual a dois. Pouco tempo durou já que, à socapa usando “O”s doirados disfarçados de sábios amarelos, alguns doirados fizeram espalhar por todos os meios que um mais um seria igual ao que bem entendessem e não o que os recém-chegados pretendiam fazer crer a grande maioria. A eficácia foi tremenda já que não estava mais em causa quanto era um mais um, até porque, a grande maioria dos “O” amarelos estava mais interessada em saber se aqueles “O”s eram dos seus ou vermelhos disfarçados de amarelos. Se, na realidade, não seriam “D”s disfarçados de “O”s e por aí fora. Quanto aos outros, limitaram-se a escapar pela mais que certa nulidade, pela passagem de “O” a “zero”, almejando agora, também eles, passar a “O”s doirados.

Miguel

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setembro 20, 2006

Socialismo, o muerte!

De entre as situações mais surrealistas [por que tenho passado] dos últimos tempos, há uma que me tinha passado completamente ao lado e que, graças a um recato mais forçado permitindo-me pôr a leitura em dia, me parece completamente estapafúrdio. Esse grande estadista conhecido por Hugo Chávez, após a sua visita a Angola, irá propor um referendo nacional para a transformação da Venezuela em República Socialista e a sua perpetuação no poder tornando-o presidente (ou outra coisa qualquer) vitalício. Quem se segue? Evo Morales? São estes os novos paladinos dos povos "oprimidos"?

Miguel

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setembro 19, 2006

O passado, afinal ainda presente

A neblina matinal tornava agradável o que na véspera tinha sido um verdadeiro forno. Pela marginal fora, seguia contemplando a paisagem de praia, arvoredo, gente, esplanadas, barcos e todo o movimento frenético próprio das zonas turísticas. Gente e mais gente. Já no regresso, após a rotunda de Cascais, fazem-me sinais para parar e, dado conhecer o outro, dou indicação para falarmos mais adiante, junto à Estação do Estoril já que os carros estavam a apitar atrás de mim. Mas não, insistia para que parasse ao que não acedi. Como é que podia parar no meio da estrada? Seguiram-se os sinais de luzes por mim ignorados. Continuei. Repentinamente, encosta-se ao meu lado e faz-me sinal para encostar o que ignoro indicando a Estação do Estoril. Descontente por não ter parado, ultrapassa-me o suficiente para começar com diagonais, aos "ésses", qual filme de acção, tendo sido obrigado a sair da estrada para não bater. Saí, ainda perplexo com o que estava a acontecer, enquanto os carros iam passando e buzinando. Cumprimento o cão de fila, por quem outrora nutria uma simpatia ocasional dado ser um daqueles elementos neutros mas com ar simpático. Visivelmente perturbado, pergunta-me se estava autorizado a fazer aquilo. Mas aquilo o quê, pergunto? Você sabe, diz-me enquanto agarra o telemóvel. Oh, aquilo? Sorrio inocentemente. Aparece um outro carro, coloca-se à minha frente enquanto o primeiro me fecha a traseira. Estava imobilizado. Tranco-me no carro e pego também no telemóvel. Em plena marginal, entre Cascais e o Estoril. Os carros passam, ninguém pára. Vão buscar a PSP, enquanto prossigo com os contactos. Estrangeiro na minha terra. Identificação, pedem. Apeteceu-me dizer um "vai-te foder", mas a calma prevaleceu. Seguimos, todos para o local indicado. O surrealismo prossegue perante o meu olhar estúpido e irritantemente calmo para os demais. Transferem-nos para a central. Não, isto não é aqui. Vão. Ainda me dizem o que fazer ao que respondo [já] não poder. Podes sim. Eu sou da PIDE e sei muito bem o que estou a dizer. Afinal? Imaginei-me a sussurrar-lhe ao ouvido, enquanto lhe trincava a orelha à Mike Tyson, "assassino de merda, seu grande verme como é que tu 30 anos depois ainda tens orgulho nisso?" Passa por mim, desiludido com o sistema e a vociferar enquanto o olho demoradamente enquanto se afasta. Os pensamentos surgem em catadupa. Tive a sorte de ter crescido em democracia e de ter sido educado em liberdade. Aos algozes do passado, ainda é algo de inconcebível.

Qualquer semelhança com pessoas, locais, factos ou instituições é pura coincidência.

Miguel

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setembro 18, 2006

T-Yn

Geralmente, quando estou à beira da tomada de grandes decisões, começo a eliminar elementos que me prendem ao presente, como que a aliviar a "carga". Processo que me permite visualizar com maior clarividência qual o rumo a seguir, para além de ser uma forma de auto-regeneração. Sai a pele velha, gasta e usada, cheia de marcas e entra a novinha em folha, fortalecida, resistente e ainda incólume, fresca. Foi também nessa perspectiva que tinha ditado o fecho deste espaço. Os últimos acontecimentos levaram-me a reabri-lo.

Miguel

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