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setembro 21, 2006
Era uma vez...
... (como sempre, aliás) uma terra onde viviam muitos "O"s. Havia-os amarelos, vermelhos e laranjas não sendo estes últimos propriamente homogéneos. Entre eles existiam os blaranjas, os claranjas, os dlaranjas, os flaranjas, os glaranjas e por aí fora. Uns perfeitos outsiders do sistema, posicionando-se um função das conveniências do momento, ora mais para o lado dos vermelhos ora mais para o lado dos amarelos. Havia amarelos que, de tanto apanharem sol, mais pareciam doirados. Minoria entre os amarelos, brilhantes ao sol e também por isso igualmente designados por “O”s doirados, movimentavam-se com grande fluidez no seio de todos os "O"s de uma forma ostensivamente altiva. Movimentavam-se bem sim, qualquer que fosse o sentido da corrente, até porque faziam questão de afirmar amiúde que eles eram a corrente! E, afinal, quem é que se atrevia a desafiar qualquer um dos “O”s doirados?
Um dia surgiram, provenientes das terras onde predominavam as letras vermelhas, uns “O”s amarelos auto-designados sábios. Eram-no, na verdade. Até porque, universalmente aceite, um mais um sempre foi igual a dois. Timidamente ao início, começaram a espalhar a boa nova da universalidade matemática. Foi notícia pois a generalidade dos “O”s pouco ou nada sabia de números (de letras também não, pois só conheciam os “O”s). Arrastados, os vermelhos aumentaram. Também eles acreditavam piamente que um mais um era mesmo igual a dois. Pouco tempo durou já que, à socapa usando “O”s doirados disfarçados de sábios amarelos, alguns doirados fizeram espalhar por todos os meios que um mais um seria igual ao que bem entendessem e não o que os recém-chegados pretendiam fazer crer a grande maioria. A eficácia foi tremenda já que não estava mais em causa quanto era um mais um, até porque, a grande maioria dos “O” amarelos estava mais interessada em saber se aqueles “O”s eram dos seus ou vermelhos disfarçados de amarelos. Se, na realidade, não seriam “D”s disfarçados de “O”s e por aí fora. Quanto aos outros, limitaram-se a escapar pela mais que certa nulidade, pela passagem de “O” a “zero”, almejando agora, também eles, passar a “O”s doirados.
Miguel
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Comentários
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