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setembro 19, 2006
O passado, afinal ainda presente
A neblina matinal tornava agradável o que na véspera tinha sido um verdadeiro forno. Pela marginal fora, seguia contemplando a paisagem de praia, arvoredo, gente, esplanadas, barcos e todo o movimento frenético próprio das zonas turísticas. Gente e mais gente. Já no regresso, após a rotunda de Cascais, fazem-me sinais para parar e, dado conhecer o outro, dou indicação para falarmos mais adiante, junto à Estação do Estoril já que os carros estavam a apitar atrás de mim. Mas não, insistia para que parasse ao que não acedi. Como é que podia parar no meio da estrada? Seguiram-se os sinais de luzes por mim ignorados. Continuei. Repentinamente, encosta-se ao meu lado e faz-me sinal para encostar o que ignoro indicando a Estação do Estoril. Descontente por não ter parado, ultrapassa-me o suficiente para começar com diagonais, aos "ésses", qual filme de acção, tendo sido obrigado a sair da estrada para não bater. Saí, ainda perplexo com o que estava a acontecer, enquanto os carros iam passando e buzinando. Cumprimento o cão de fila, por quem outrora nutria uma simpatia ocasional dado ser um daqueles elementos neutros mas com ar simpático. Visivelmente perturbado, pergunta-me se estava autorizado a fazer aquilo. Mas aquilo o quê, pergunto? Você sabe, diz-me enquanto agarra o telemóvel. Oh, aquilo? Sorrio inocentemente. Aparece um outro carro, coloca-se à minha frente enquanto o primeiro me fecha a traseira. Estava imobilizado. Tranco-me no carro e pego também no telemóvel. Em plena marginal, entre Cascais e o Estoril. Os carros passam, ninguém pára. Vão buscar a PSP, enquanto prossigo com os contactos. Estrangeiro na minha terra. Identificação, pedem. Apeteceu-me dizer um "vai-te foder", mas a calma prevaleceu. Seguimos, todos para o local indicado. O surrealismo prossegue perante o meu olhar estúpido e irritantemente calmo para os demais. Transferem-nos para a central. Não, isto não é aqui. Vão. Ainda me dizem o que fazer ao que respondo [já] não poder. Podes sim. Eu sou da PIDE e sei muito bem o que estou a dizer. Afinal? Imaginei-me a sussurrar-lhe ao ouvido, enquanto lhe trincava a orelha à Mike Tyson, "assassino de merda, seu grande verme como é que tu 30 anos depois ainda tens orgulho nisso?" Passa por mim, desiludido com o sistema e a vociferar enquanto o olho demoradamente enquanto se afasta. Os pensamentos surgem em catadupa. Tive a sorte de ter crescido em democracia e de ter sido educado em liberdade. Aos algozes do passado, ainda é algo de inconcebível.
Qualquer semelhança com pessoas, locais, factos ou instituições é pura coincidência.
Miguel
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Comentários
arranca a pele velha e segue em frente ;)
deu para sentir o aperto!
beijinhos
Publicado por: ac em setembro 20, 2006 09:39 PM
E não contei tudo mulher. Ou quase nada. Só um bocadinho para não me esquecer. Quando estivermos juntos novamente, contar-te-ei como a realidade nada tem a ver com o que presumimos real. Beijinhos.
Publicado por: Miguel em setembro 20, 2006 09:44 PM










