outubro 31, 2006

Porto Amboim

Depois de algumas centenas de km sempre a abrir, a paisagem que se vê a seguir à curva que antecede as salinas, nas proximidades de Porto Amboim, é simplesmente magnífico. A localidade em si tem a o seu "quê" mas o estado de abandono em que se encontra é confrangedor. A forma como cresceu o musseque é impressionante, assim como o aspecto geralmente desolador de toda a localidade. Fica a simpatia apática dos locais e o enquadramento paisagístico muito bem desenhado pela natureza.

Miguel

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outubro 29, 2006

Da águia, no Bengo

Majestosa, foi com imensa pena que constatámos, ao "zoomarmos" a fotografia, ter tão magnífico animal no bico apenas um saco plástico com o qual se debateu durante algum tempo. Pena porque sintomático de algo que não está bem e tarda em compôr-se. Afinal um animal é apenas um animal, não é mesmo?

Miguel

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Estrada afora, mato adentro

Na época quente, Luanda acaba por tornar-se uma verdadeira seca, durante o dia, ao fim-de-semana. O fenómeno a que assistimos actualmente, relembra-me os tempos de miúdo e as fantásticas férias de verão, as dos quase 4 meses (comérabom!). Por norma, nunca íamos à piscina ou à praia nem ao domingo nem à segunda-feira por causa dos azeiteiros. O triângulo das bermudas descia à cidade tornando-a insuportável. Ficavamo-nos pelos restantes dias da semana. Por cá, o fenómeno repete-se tornando a cidade, ou algumas partes dela, impossível. Decidimos assim começar a sair. Hoje fomos ao Kwanza Sul, passando pelo Bengo.

Cabo Ledo já é famoso entre todos os que andam por estas bandas. A única vez que lá fui não gostei. Não me disse rigorosamente nada. Quando comparo o que já vi por cá com Moçambique, este último continua a marcar pontos. E muitos. Decidimos então rumar ao Sumbe (capital da Província do Kwanza Sul). Afinal, a estrada era uma "pista" e aquilo era giro. Então a marginal, nem se falava. E as praias?!

Passar por detrás do posto da UGP, antes das bombas da Sonangol com o rodízio em Luanda Sul, proporcionou o primeiro momento de galhofa. Pela estrada não se pode, mas pela picada que contorna o posto, pode! O segundo foi o "buraco" antes de Cabo Ledo. O buraco onde toda a gente partia o carro e que tardava em aparecer. Epa, cuidado, é já na curva a seguir! E agarravam-se a tudo o que podiam dentro do carro como se estivesse eminente qualquer tragédia. Por isso é que demorámos 4 horas a chegar ao Sumbe!... Por isso e por causa da famosa "pista" que era a estrada.

O resto fica para depois e traduzido nalgumas fotografias. Serviu de teste para a ida a Benguela/Lobito/Huambo ou Lubango via terrestre. Suponho que a irmos, o avião será mesmo a melhor opção...

Miguel

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outubro 19, 2006

AAA

Acedi ao pedido de encontro surpresa para apresentação da seguradora, até porque andamos há imenso tempo à procura de alternativas dado o mau serviço que nos prestam actualmente. Pedi aos demais directores para que estivessem igualmente presentes no encontro.

Entraram com alguma pompa mas manifestamente pouca circunstância. Duas miúdas - vinte e tais - "atreveram-se" a uma abordagem do género "ah, já que aqui estamos vamos visitá-los!" para angariar novos clientes. Sem qualquer segmentação e/ou preparação para além da visão redutora do mercado balizado pela mesma bitola.

- Sim?... - procurei ser suave e dar início à conversa.
- Blá, blá, blá, blá, blá...

De repente, por causa de uma resposta qualquer que me deram a uma pergunta simples, não aguentei o surrealismo da cena e fui forçado a baixar a cabeça e pôr a mão à frente da boca para rir silenciosamente, o que parece ter demorado alguns minutos. Já com as lágrimas enxutas, coloquei uma pergunta à qual recebi uma resposta de tal forma inesperada e ridícula que não aguntei de todo e desatei a rir-me que nem um perdido com grandes gargalhadas, provocando a fuga dos meus colegas directores da sala às gargalhadas por não aguentarem mais com a cena. A tentar recompor-me das fortes gargalhadas, ao levantar a cabeça, apercebi-me que os colegas já tinham saído ficando só eu com as comerciais. Ainda a rir-me e a chorar, tentei falar a sério com elas mas era impossível pois cada vez que abriam a boca para dizer alguma coisa, escangalhava-me a rir até que entendi terminar a reunião por não estarem reunidas as condições para a sua continuação tendo eu prometido que iríamos visitá-las às suas instalações...

Quando fui ter com os colegas directores, ainda estavam a rir-se que nem uns perdidos e ainda demos mais umas gargalhadas em conjunto com o insólito.

Caramba, há que tempos que não me ria daquela maneira. A última vez que me deu tanta vontade de rir foi quando ouvi o R. dizer aos microfones com toda a solenidade "Vencedor do Prémio Camarada Presidente com a obra Do Écran Ao Esperma"...

Miguel

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outubro 17, 2006

173

É o número de empresas de segurança existentes em Angola, 87% das quais em Luanda. 279 à espera de licenciamento. Tudo tem uma explicação.

Miguel

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outubro 16, 2006

Pérolas bis

Sim, são pérolas [pá, murcão]. Pérolas. Pérolas... Que rejeitais da mesma forma que insistis em olhar o dente do cavalo dado. Ai que pena eu tenho de não poder dizer uns caralhos de vez em quando, alto e bom som... De por tudo preto no branco ou vice-versa, de ter que ser um auto-controlado, auto-dominado em nome e em prol do negócio, de ter que ferver por dentro sem suar por fora. De, de e de. Ai se eu pudesse... Mas não posso! Como dizer, aos que comigo se sacrificam no dia-a-dia, que tudo foi posto em causa por chamar burro ao asno, imbecil ao idiota, acéfalo ao quadrado?

Miguel

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outubro 15, 2006

O regresso do norte

Corremos a estrada até deixar de ser boa. A grande velocidade e o suficiente para perceber a falta de qualidade da obra chinesa por comparação com o que os nossos vão fazendo. As variações de nível do pavimento são de tal forma que o carro oscilava de forma anormal. Mesmo assim conseguimos chegar a Cassoneca (Bengo), a terra. Das duas casas. E do fim da estrada, a mesma que nos levou, cinco meses antes, a Ndalatando (Kwanza Norte). Sendo generoso, digamos que os chineses conseguiram fazer 18km de estrada naquele período.

Deleito-me a apreciar a gradiosidade da paisagem. Ladeando a estrada imensos imbondeiros havendo, a espaços, verdadeiras florestas de cactos enterrados em terreno seco, castanho. Ao fundo, a área de influência do rio Kwanza onde acabámos por chegar indo até ao Bom Jesus, da água. Bonito. A repassar para algumas fotografias dado o enquadramento.

Excepcional acabou por ser o caos na Estalagem do Leão. Vimo-nos, de repente, cercados de carros em contramão estando dispostos em duas faixas na parte correcta da estrada e completamente atravessados na nossa faixa de rodagem de modo a retomarem a sua. Com o trânsito completamente bloqueado, apareceu a BET que tratou de abrir caminho para que passássemos, nós e a ambulância da Desminagem... Surrealista. O agente da BET a mandar avançar o autocarro não querendo saber ia passar por cima das bancadas informais estacionadas na estrada, a gesticular para os que estavam atravessados na nossa faixa de rodagem para que recuassem (para onde?). Uns gritavam. Outro saiu do carro e já queria lutar com alguém. A senhora que nos viu de frente para ela tendo desatado a fazer marcha atrás sem olhar para o retrovisor espetando-se contra um candongueiro. O primeiro polícia da BET que desistiu de organizar o trânsito. Enfim. De outro mundo que não este e de como ficou totalmente provada a teoria dos vasos comunicantes... Desde que dê para andar, tudo é faixa de rodagem.

Miguel

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outubro 13, 2006

Kifangondo

Ao meu lado um dos que combateram a famosa batalha. A mesma batalha que já ouvira contar diversas vezes por diversos oradores que nela participaram. A versão de ontem, de quem aos 20 se encontrou deitado no chão de um monte a norte de Luanda, observando as tropas da FNLA - "eles eram mais de 12000 e nós só 1500" - a caminhar em direcção à capital após o famoso discurso de Holden Roberto, explicou sucintamente como tudo terá acontecido. Disse que se não fossem os BM-21* não tinham escapado. E fez questão de dizer que as tropas da FNLA eram na sua maioria zairenses "dados" pelo Mobutu ao Holden Roberto. Depois mais à frente, na zona do Porto Quipiri, mostrou-me o local onde as lanchas - ainda do tempo dos portugueses - desembarcaram o pessoal que surpreendeu pela rectaguarda as tropas da FNLA. E conversámos, conversámos e conversámos mais. Gosto de ouvir histórias mesmo que não correspondam completamente à verdade.

Miguel

* BM-21 é afinal a arma que ficou conhecida por órgãos de Estaline.

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outubro 08, 2006

Stiviandra O.

angola1.jpeg

Simplesmente fenomenal, daqueles raros diamantes brutos que vão surgindo aqui e acolá, a Miss Angola 2006 ficou em 4º lugar no Miss Mundo 2006 realizado no fim do mês passado na Polónia. A fotografia fala por si.

Miguel

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agosto 16, 2006

China em baixa, em Angola

9 mil milhões de dólares depois, começa a surgir nos jornais de fim-de-semana um verdadeiro bombardeamento aos chineses e à forma como estão a decorrer as obras por eles encetadas no último biénio. É um grande conjunto de acusações fortes que deixam antever uma clara inversão de tendência não daqui a muito tempo. Desde já parece que se negoceia um novo financiamento de 2 mil milhões de dólares com os Emirados Árabes Unidos. Alguém terá ficado surpreendido com isto?

Miguel

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Fim do Cacimbo

Caramba, já me esquecia disto. O cacimbo acabou oficialmente ontem, 15 de Agosto. E com ele, espera-se, terá ido embora um dos cacimbos mais frios de que há memória entre os de cá. Mesmo na África do Sul, há mais de 25 anos que não nevava tanto. E eu não me lembro de ter tido tanto frio em África. Está a chegar o tempo do calor! Hummmm :P

Miguel

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agosto 15, 2006

Kamba B.

Celebrou ontem o 51º. Um personagem. Grande companheiro no enclave. Recebeu-me de portas abertas e foi graças a ele também que me aguentei tanto tempo lá por cima. Cheio de dinamismo, maluco pelo desporto como praticante é sempre uma grande companhia. Demos muitas voltas juntos lá por cima e mesmo para o exterior. Foi graças a ele que fui ao Ruanda ver Angola.

Ontem à noite, os convidados exigiram um discurso. E ele não se fez muito rogado. Fê-lo. Original, no mínimo. "Ai querem discurso? Pois bem, o ano passado quando comemorava o meu 50º aniversário estavam presentes duas pessoas que hoje não estão aqui. Um deles até se virou para alguém e disse "pôxa, o teu cunhado está acabado!", pois foi ele o primeiro a morrer. Pois digo-vos então hoje que quando há festa é mesmo para festejar! À séria! Porque digo-vos desde já que é melhor assim porque para o ano há mais dois que não vão estar!". Humor negro, humor negro...

Miguel

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agosto 14, 2006

Código da Vinci

Não podia perder a oportunidade de ver o filme no cinema. Foi esta noite no Cine Atlântico. Antes de mais uma nota em particular para o espaço em si que é fenomenal. Pela primeira vez fui a um cinema ao ar livre, espectacular. O filme em si, agradável até por causa de alguns dos actores. Mas o mais interessante e que me fez mandar umas gargalhadas, para além de relembrar-me como era ver um filme em Moçambique, foi a reacção do público a algumas cenas do filme: o momento em que Silas agride a freira, o momento em que se fica a saber que afinal ela era descendente de Jesus Cristo - grande uhhhhhhhhhh no espaço - e, abreviando, o momento em que estão a despedir-se no castelo para além de ter gerado uma grande reacção do tipo "ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!" ter servido igualmente de catalizador para muita gente sair acreditando que seria o fim do filme. Um fartote.

Miguel

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agosto 12, 2006

Kabila à frente

Finalmente saíram os primeiros resultados referentes às presidenciais da República Democrática do Congo. Colocam o [ainda] presidente Kabila na liderança do escrutínio com 43,51% seguido do vice Bemba com 19,76%. Nada de particularmente surpreendente. Os resultados obtidos são ainda parciais das Províncias do Baixo Congo, Equador, Katanga, Maniema e Kasai Oriental, totalizando 32 circunscrições das 169 em todo o país.

RDC 1.jpg

Quem de lá veio há pouco tempo, por razões relacionadas com o processo eleitoral, acredita que vai ser complicado. Contrariamente ao que tem vindo a sair para a opinião pública, através da comunicação social (alguma) e comunicados de imprensa. Agora é só mesmo aguardar, sendo certo que o que dali sair afectará positiva ou negativamente Angola.

Miguel

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agosto 08, 2006

Morangos

Comi-os hoje, pela primeira vez. Morangos de Angola! A exclamação vem pelo facto de, até há uns anos atrás, não me fiar muito quando ouvia os angolanos dizerem que esta terra dava tudo e mais alguma coisa. E não acreditava muito, achava exagerado até que comecei a ver (para crer). Alguma vez esperava eu ver olivais à entrada do Namibe?! Ouvir o Administrador Municipal falar em lagares?! Azeite made in Angola?! E os morangos?!

Esta história fez-me lembrar de imediato os exageros dos de cá. Como os protagonizados pelo meu grande amigo, também comentarista, Mapei. A única pessoa que vi, até hoje, a despejar - literalmente - jindungo na sopa. Na sopa! Um bocadinho de jindungo num caldo de peixe às 6 ou 7 da manhã, depois de uma noite carregada, com banana-pão e mandioca cozidas, ainda vá que não vá. Agora em sopa normal? Mamawê!

Miguel

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julho 23, 2006

1.500.000+

Unitel 082006.jpg

Surpreendentemente o número de clientes do maior operador móvel do país superou já a cifra de 1.500.000 clientes (!). Um milhão e meio. O 2º operador, a Movicel, terá já um número igualmente colossal. E já se fala da entrada no mercado de um 3º operador móvel... Nada de produndamente anormal se tivermos em consideração que pessoas com salários de 150 USD pedem empréstimo ao banco para comprar o seu. O que é que um telemóvel terá de mágico?!

Miguel

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julho 21, 2006

Pub angolana, bonita

Sonair.jpg

Miguel

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julho 11, 2006

Luena

Até ao momento terá sido uma das viagens mais "difíceis" que já fiz. O primeiro aviso vinha de quem já lá tinha estado e que me informou logo que só uma companhia aérea aterrava na cidade devido ao mau estado da pista. Por forma a evitar o risco de uma pedra saltar para dentro dos reactores, apenas os jactos com reactores "altos" eram permitidos aterrar na cidade (tipo DC-9, Fokker 100).

E, de facto, impõe respeito aterrar numa pista em mau estado e ver, ao longo daquela, um grande número de aeronaves que se terão despistado, feito aterragens de emergência ou, pura e simplesmente, dinamitados. Impressionante. Tal como o facto do Moxico ser 2 1/2 maior que Portugal e ter uma população que não chega a 1 milhão de habitantes com um quarto deste número concentrado na capital. A realidade tornou-se rapidamente perceptível. A dureza da guerra, tal como a viveram os angolanos, passeia-se à nossa frente a cada metro que avançamos. Os buracos das balas nalguns edifícios, as ainda consequências de obuzes, os mutilados, uma sensação de falência total de todas as estruturas tal como existiam, o olhar das pessoas, sofrido, as 88 horas necessárias para percorrer por terra os 1500 km que distam de Luanda a Luena - na época das chuvas pode chegar aos 12 dias, a presença de diversas ONGs (PAM, UNHCR, MAG, Oxfam, Unicef, etc), a quase total ausência de estrangeiros, apenas 1 café na cidade se é que assim se pode chamar, a ausência do que quer que seja para se fazer depois de escurecer (mesmo durante o dia...). Depois de Luanda, N'dalatando e agora Luena, a constatação clara do que terá sido 1992...

Miguel

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julho 05, 2006

Modas

Há situações que, de tão insólitas, me fazem rir que nem um perdido por estas paragens (noutros lados também, diga-se pois parto-me a rir com muito do que vejo). A moda que já perdura há alguns meses por cá tem a ver com a descoberta que ter óculos de "vista" mesmo sem precisar deles é chique. É assim que se vê, um pouco por toda a parte de Cabinda ao Cunene, gente que nunca precisou de óculos para ver bem com eles postos, de todas as cores e feitios, uns de marca outros nem por isso. O ridículo atingiu o expoente máximo quando um empregado do café onde costumo tomar a bica e o pastel de nata apareceu também ele com óculos. Olhei para ele, para os óculos e procurei o desfazamento da linha do rosto atrás das lentes. Nada. Pudera, não tinham qualquer graduação!

Miguel

PS-Para quem como eu redescobriu alguns pequenos prazeres de ver bem sem óculos graças às lentes de contacto, após 11 anos com óculos, não deixa de ser irónica a estupidez desta moda.

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julho 04, 2006

Cabeças na areia

Esta é uma das melhores histórias que por aqui ouvi. Do A., pessoa a quem acho muita piada. Um personagem. Logo após os acordos de paz (os primeiros), ainda ao serviço da Cabgoc, teve que ir à Ilha do Cabo de manhã muito cedo num belo dia de cacimbo. Ao longo do caminho, numa das praias que era possível ver a partir da estrada - penso que na zona do Panorama - viu a praia repleta de cabeças humanas. Assustou-se com a paisagem e perguntou o que se tinha passado. Afinal, não se tratava de nenhum depósito de cabeças cortadas mas tão-só o cenário madrugador de um [vasto] grupo de desmobilizados que tinham pernoitado na zona para tratarem dos seus assuntos. Para fugir ao frio que se intensifica noite dentro, a técnica consistia em enterrarem-se na areia por completo à excepção da cabeça para respirarem. E esta?

Miguel

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julho 03, 2006

I. dva

- Olá! - sorriso (com a boca, com os olhos, com as orelhas, tudo)
- Olá! - sorriso (com a boca, com os olhos, com as orelhas, tudo)

Isto é um bocado estúpido não é? E os lábios da I.? Aiaiaiaiaiaiaiaiaiaiai!

Miguel

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No meio da estrada

O maluco, em frente à Cooperação Militar Portuguesa, que se pôs assim, no meio da estrada, a olhar para o carro que avançava devagar na sua direcção para flectir as pernas, apontar com as mãos e disparar. Disparou e saiu da frente, a andar torto.

Fez-me lembrar de imediato a conversa com o polícia que nos acompanhou ao hospital aquando do acidente com os motoqueiros. Enquanto o ferido era visto, ficámos na conversa. Dizia ele que tinha estado na tropa quase 18 anos, nos comandos. Aliás, tinha feito muitas especialidades. E agora que tinha deixado a tropa, não conseguia estar em casa mais de meia-hora sem começar aos gritos com as filhas, com a mulher e começar a bater. Invariavelmente, tinha que sair de casa para acalmar. A surpresa veio apenas da forma como o disse.

Miguel

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Está um frioooooooo, brrrrrrrrrr

Eu sei que é pouco crível, mas que está frio está! Desde ontem... Ou então, sou eu que já estou "tropicalizado".

Miguel

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junho 21, 2006

+ 2.000 milhões de USD

Que o governo chinês, através do Eximbank, irá disponibilizar a Angola dentro do esforço de reconstrução nacional. O Império do Meio soma e segue na sua estratégia de ping! ping! ping!

Giro giro foi ver a meio da manhã de hoje cerca de duas dezenas de chineses, vestidos a rigor e com bandeirinhas da RP da China, à espera do PM chinês para a despedida. Ou para um "ni hao, tás bom pá?!" não são todos de Macau?

Miguel

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E o jogo?

Parece que metade do país parou hoje. A meio gás, o país lá funcionou mas a capital não assistiu esta tarde ao caos habitual de trânsito que dela se apodera. Nós tivemos que trabalhar. Por forma a contornar a questão, mandei comprar uma televisão, instalámos uma antena exterior apoiada no tejadilho do meu carro e conseguimos assistir ao jogo na TPA. Descrentes na vitória, foi a medo que gritaram golo quando o Flávio marcou. O sonho esteve hoje muito perto de se tornar realidade (que sonho?).

Miguel

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Parabéns Angola

Pelo desempenho na sua estreia na fase final do mundial de futebol. Está de parabéns por vários motivos. O que os palancas conseguiram é de louvar. Imagino-me no seu lugar a ler os jornais nacionais onde tanto se escreveu da desgraça que, tão certa como eu chamar-me Miguel, iria rodear a participação da selecção nacional. Que foi por acaso que lá chegou, nem estavam preparados para isso, seriam só cabazadas, etc e tal. De repente, após a derrota com Portugal por 0-1 passou-se do 8 ao 80. O empate com o México deu origem a uma festa dos diabos. Até parecia que tinha ganho o campeonato... Acima de tudo, dar os parabéns ao treinador angolano que conseguiu levar a selecção tão longe e, independentemente de tudo, pelo facto de sair do mundial com apenas 1 golo sofrido (e 1 golo marcado!).

Até 2010!

Miguel

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junho 20, 2006

N'dalatando: a viagem

Finalmente chegou o dia para os meus amigos irem a N'dalatando, terra que deixaram pela última vez, sem o saberem, há mais de 30 anos. Para a irmã do Filipe, a carga emocional era muito mais pesada pois tinha ido apenas de férias escolares à metrópole. Não teve assim tempo para se despedir das pessoas, da casa, das coisas, das árvores, das flores, da escola, dos baloiços, dos cheiros, do Kilombo. Mais de 30 anos passaram sem que o tempo tenha feito esquecer tanto dos tempos de garota.

Talvez tenha visto coisas onde elas não existiram mas acabei por ficar com a sensação, nos dias que antecederam a viagem a N'dalatando, que os níveis de ansiedade e, talvez por isso, a necessidade de algum isolamento, começaram a crescer entre os meus amigos, com particular destaque para a Nor. Na véspera tive a sorte de organizar uma boa despedida da Angola boa, cosmopolita, do primeiro mundo onde até parece que o paraíso está mesmo ali, tão perto. A ida ao Mussulo foi, também para mim, divinal. Fechámos em grande, os dias que antecederam a ida a N'dalatando.

5:17 em ponto abalávamos para o Kwanza Norte sem sabermos bem o que nos esperava. Uma celebridade local informara-nos, uns dias antes, que em menos de 3 horas estaríamos em N'dalatando. Cerca de 250km em 3 horas seria excelente. E isto pelo Dondo! A necessidade de reconfirmação é sempre boa nestas coisas. Afinal, segundo quem anda na estrada todas as semanas, levaríamos cerca de 5 horas para chegar lá não indo pelo Dondo. Tínhamos que apanhar um atalho com uma picada de quase 100km.

(continua)

Miguel

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junho 10, 2006

Selecção Angolana

Será então assim, segundo a imprensa local:

João, Locô, Jamba, Kali, Delgado, André, Figueiredo, Mendonça, Zé Kalanga, Akwá e Mateus (Edson, Mantorras, Titi Buengo, Love, Flávio, M. Abreu, M. Airosa, Miloy, R. Marques e Lamá).

O próprio Mantorras suplente?! É a maior das contradições quando no SA se escreve que "Este é seguramente o mais difícil dos três encontros que os «Palancas Negras» vão disputar em terras alemãs. Não apenas por se tratar de um adversário reputadíssimo, mas também devido à carga emocional que envolve o desafio. Por razões de ordem histórica - Angola foi durante 500 anos colónia portuguesa e muitos dos seus jogadores são marginalizados nos campeonatos lusos, apesar da sua qualidade -, este jogo é considerado a «final» de Angola, o campeonato dos angolanos".

Pessoalmente, só espero que o Zé Kalanga e o Akwá não estejam inspirados no jogo de amanhã.

Miguel

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maio 26, 2006

Por cá

Um colega, o L., foi ontem à noite agredido violentamente estando internado no hospital com, pelo menos, o nariz partido e mais alguma coisa. Esta manhã o R., em pleno Kinaxixi pelas 08:00, parado no semáforo com o trânsito chato daquela hora a ser vítima de uma tentativa de assalto com um dos gatunos a bater-lhe no carro do lado dele enquanto o outro tentava abrir a porta do lado do pendura. Logrou ver um "buraco" no trânsito e arrancar velozmente. Ontem, o L. a assistir a uma cena de pancadaria entre dois putos como forma de resolver a disputa de quem ficaria a guardar o seu carro. A mim, há dois dias atrás, o roubo da roda sobressalente do carro à porta do ginásio. Normalmente, lê-se nos jornais. Alguma vez tem que nos tocar a nós, não é?

Miguel

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maio 20, 2006

Ainda do Namibe

Alguns registos, necessários pelo deslumbramento do conjunto. Com mais vagar e tempo, a preservação segura neste blog do que já vão sendo alguns anos, poucos é certo, de vivências e registos de várias andanças que muito gozo me darão recordar daqui a uns anitos. O Namibe deixou-me muito boa impressão como já o referi há tempos. Algo abandonado, a riqueza do física e humana de espaço tão inóspito contrariam completamente qualquer desalento já vivido em situações de abandono idênticas e mesmo piores vividas noutras partes do mundo. Local a visitar e revisitar, sempre que possível.

Miguel

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maio 18, 2006

Cacimbo

É oficial. Começou mesmo no passado dia 15 de Maio. As chuvas já foram e o frio toma conta da cidade (e da minha garganta!).

Miguel

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maio 13, 2006

Rosa Angolana

PubAngola 3.png

Quase que ia para uma noite de lazer sem deixar aqui a pérola, em termos de publicidade, do que encontrei nos últimos tempos por cá. É a da nova revista feminina "Rosa angolana". Terá alguma coisa a ver com a "Maria (portuguesa)"?

Miguel

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Nome mascote Angola

Palanca mascote.jpg

Imagem em ponto grande

A FAF abriu um concurso para o nome da mascote oficial da selecção, conforme imagem acima. Quem quiser contribuir poderá fazê-lo para o e-mail mascotefaf@hotmail.com, justificando a sua escolha, até às 15:00 do dia 17 de Maio de 2006.

A selecção de Angola merece todo o nosso apoio nesta inauguração de fase final de um mundial. Apesar do que muitos querem fazer crer, é muito mais o que nos une do que o que nos devede (como dizia o saudoso encarregado da nossa serração em Quelimane, o F. de Sever do Vouga).

Miguel

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Pub angolana 3

Por mais incrível que possa parecer (ou talvez não, olhando para a realidade portuguesa), qualquer gato pingado por cá tem o seu telemóvel. Quanto mais não seja só para receber chamadas dos outros. Tanto assim é que por vezes testemunham-se diálogos do género "o teu móvel funciona? sim, mas só recebe.". É a maca do saldo... Mas, dizia eu, a necessidade do (tele)móvel é de tal forma gritante que até um simples varredor de rua tem o seu "móvel". Já para não falar das cenas mais fantásticas do quotidiano. Ontem, em plena subida para o aeroporto de quem vem da Maianga, não é que o tipo que ia na lambreta tipo Sis Sachs à minha frente abranda para tirar o telemóvel do bolso e atendê-lo em pleno andamento?! E eu a secar atrás dele enquanto falava ao telemóvel e conduzia a motorizada com uma mão.

Bom, fica aqui a publicidade mais recente das duas operadoras de telemóveis em Angola: Movicel pela novaimagem|sumo e a Unitel pela Brandia.

PubAngola 2 Telcos.jpg

Miguel

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Pub angolana 2

Ainda a banca, com estilos bem diferentes. A do BFA sem agência identificada e a do BCA feita pela Etnia Tamta.

PubAngola 2 Banca.jpg

Miguel

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Surrealismo 782

Ao subir da marginal para o largo do ambiente e, com um pesado carregado de cimento do lado direito, ao ultrapassar pela esquerda ver de repente dois adolescentes numa motorizada em contramão e um polícia com a metralhadora no meio da estrada a tentar apanhá-los para, após a fuga dos mesmos, fazer um sinal com a mão tipo "caraças, fugiram!" para o colega que se entretinha a "entrevistar" os que, antes, não conseguiram encetar uma manobra evasiva...

Miguel

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Sobre o desemprego

Agora, Ano X, 6.05.2006, nº475, p.4

" Só não se sabe se os engraxadores de sapatos chineses também estão a vir trabalhar para Angola, tirando o pão aos donos da terra."

Miguel

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maio 12, 2006

Pub angolana

É uma área sobre a qual não percebo rigorosamente nada mas que me atrai desde sempre. Mais do que as palavras, é mesmo a imagem que me seduz. Gosto de observar calmamente o que o publicitário (e a empresa) escolheu para nos mostrar. É, e assim deverá ser regra geral, uma "droga" leve com conteúdo positivo num contexto predominantemente negativo com que somos bombardeados diariamente. A título de exemplo, sou assinante do Público online e recebo diariamente no meu e-mail largas dezenas de notícias. As poucas positivas que recebo estão normalmente associadas aos mercados, com títulos lacónicos do tipo "PSI-20 abriu positivo" ou "Dow Jones abriu em alta". O resto, é só tragédias, catástrofes ou crises. Por onde é que terá ficado o jornalismo positivo, no meio disto tudo? Ou o mundo é ele só negativo?

Por cá, é bem evidente o salto qualitativo da publicidade nos mais diversos domínios à excepção (parece-me) da televisão e rádio. Com o apuramento de Angola para o Mundial e a forte dinâmica que se vive actualmente no país no sector da banca, são estes que, a par das empresas de telecomunicações, apostam mais forte em publicidade. Inicio esta temática interessante (para mais tarde recordar) com a publicidade de dois bancos angolanos, o BAI e o BIC, e duas agências de publicidade, a Executive Center e a Brandia, respectivamente.

Pub Angola 1.jpg

Miguel

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Em directo

Acabado de descer da avenida que vem do Prenda para a Samba, na rotunda, foi por pouco que não atropelei um indivíduo que só instantes mais tarde me apercebi tratar-se de um gatuno. Agarrou-se ao carro e continuou a dar com as pernas a alta velocidade com uma carteira na mão e o tipo que tinha sido roubado ainda no encalce dele, acabando por desistir pouco depois. Na mesma direcção do gatuno, ainda o vi correr, na boa, por entre as pessoas e olhando para trás. Menos mal.

Miguel

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Praga

Um fim de tarde, penso que na semana passada ou mesmo antes, notei um insecto diferente do habitual a deslocar-se nas folhas A4 brancas da minha impressora. Vermelho e preto, coisa invulgar. Não lhe dei grande importância, limitando-me a acompanhar pelo canto do olho a sua movimentação de modo a certificar-me não vir na minha direcção.

paederus.jpg

O referido insecto era, afinal, o que se vê na foto e sobre o qual saiu há pouco tempo um alerta em forma de comunicado das autoridades competentes alertando para evitar o contacto directo pela forte possibilidade de ocorrências cutâneas similares à herpes zoster. Aliás, basta ver neste site o tipo de lesões que o bichinho provoca!

Miguel

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maio 08, 2006

Vou já aderir! Onde é que encontro a menina?

TVCabo Angola.jpg

Miguel

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maio 07, 2006

Nham! Camarão tigre

A sorte que tenho. Chegar a casa depois do treino e encontrar o jantar feito pelo R., sendo eu a cobaia dos manjares que vai preparando para os jantares de velas com as suas musas. Quanto a ontem, não me importei nada que estavam deliciosos os camarões tigres moçambicanos que há muito não comia. Em troca, ensinei-lhe a abrir uma garrafa de cerveja sem saca-rolhas, apenas utilizando a fechadura de uma porta interior de casa.

Miguel

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abril 28, 2006

Cólera

A situação complicou-se. Nas últimas 24 horas, noticiava hoje a Rádio Luanda, foram registados na cidade de Luanda 487 novos casos e 2 óbitos. Para além disso, a interdição das praias da ilha ao Cacuaco por estar lá o vibrião. Certo é que em 7 Províncias do país já se contam quase 20.000 casos e perto de 1.000 mortos. E andávamos nós preocupados com o Marburg...

De qualquer modo, não deixa de ser interessante ver como é que alguns reagem às notícias que são publicadas na imprensa nacional. Não pelas notícias em si mas pelos comentários.

Miguel

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abril 04, 2006

Paz há 4 anos

Permanece, de pedra e cal. Algo desanimadores para os mais exigentes no período inicial do pós-guerra, os resultados da paz são gradualmente visíveis no dia-a-dia. Em tudo, faz-me lembrar Moçambique havendo apenas uma colossal diferença entre os dois. No Índico os escassos recursos não permitiram ao país outra solução que não o forte apoio internacional para que pudesse promover a normalização do país. Já no Atlântico, por um conjunto de circunstâncias altamente favoráveis, a locomotiva vai a todo o gás. Promissora esta parte do planeta.

Miguel

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fevereiro 25, 2006

Foi uma rajada de vento

Corre o boato na capital do enclave sobre a morte súbita de Daniel T. (Adm Mun Adj), o qual conheci e encontrei em diversas ocasiões, que me deixou surpreendido. Pragmático, o relacionamento foi sempre fácil. Pois, voltando ao tema, dizem então que foi uma rajada de vento que o matou e mandou o guarda-costas para a Província a sul, para tratamento tradicional em resultado dessa rajada de vento. Dizer mais o quê?

Miguel

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fevereiro 24, 2006

Chê ué?!

el1.jpg

Campanha de sensibilização a decorrer em Luanda há já alguns meses.

Miguel

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fevereiro 23, 2006

Prevenção Rodoviária Angolana

PNVT1.jpg

É mais uma confirmação da mudança em curso. Para melhor. Este é um dos panfletos que anda a ser distribuído actualmente na cidade de Luanda. Uma constatação de facto é a mudança de hábitos por parte das pessoas. Lentamente, mas está a ir.

Na entrada extendida, um panfleto de maiores dimensões evidenciando bem o tipo de problemas constatados pelas autoridades.

Miguel

+ "Prevenção Rodoviária Angolana" ?

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fevereiro 22, 2006

Cólera: 24 horas sem mortos

Boa notícia, aqui.

Miguel

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fevereiro 21, 2006

Comunicado [sobre a cólera]

Local seguro, em caso de necessidade, na entrada estendida.

Miguel

+ "Comunicado [sobre a cólera]" ?

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fevereiro 20, 2006

Sporting 2 - Nicoicoi 0

Mais uma vitória para o nosso Sporting. Em toda a parte, o leão mostra a sua raça. Num jogo disputado no Estádio Municipal do Tafe, os leões de Cabinda venceram o Nicoicoi do Congo por 2-0. Nestas terras de África por onde passei, também nelas encontrei grandes equipas leoninas sempre (ou quase) nos lugares cimeiros.

Miguel

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Epidemia de cólera em Luanda

Bom, a última epidemia a sério que vivi passou-se em Moçambique, nomeadamente em Quelimane, já perto do final da década de 90 (provavelmente 1998) com a instalação de um hospital de campanha a cerca de 300 metros da minha casa.

Desta feita, lamentavelmente, a capital está a viver desde o início da semana passada o que foi declarado ontem, pelas autoridades sanitárias, como uma epidemia de cólera. Localizada no Bairro da Boavista (Município das Ingombotas), à saída da zona do Porto de Luanda, na estrada do Cacuaco, esta epidemia registou já 32 casos dos quais 6 foram fatais (sobretudo crianças com menos de 5 anos).

Miguel

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fevereiro 15, 2006

O brilho do bronze

Feijoo.jpg

Lançado hoje ao fim do dia no átrio da sede do BPC, na baixa de Luanda, a última obra de Lopito Feijóo. Foi interessante ouvi-lo falar, assim como ao José Luís Mendonça ou ainda, com muita classe, o Jomo Fortunato. Acima de tudo o privilégio de poder ouvir e ver o sentir e pensar diferentes (mas tão iguais) de gente interessante.

Miguel

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Haikais angolanos

4
Malembe malembe malembe
Ponta negra no astral
África Austral de pedra e cal

J.A.S. Lopito Feijóo K. in O brilho do bronze, Haikais

Miguel

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fevereiro 11, 2006

Isso são tiros de pistola

Makarov?! Ainda pensei perguntar. Para quê a redundância da questão quando os disparos estavam a ocorrer na perpendicular à nossa a menos de 200 metros? Um tiro, seguido de três e mais quatro. De seguida. Como sempre, procurei aperceber-me de onde estariam a vir para me antecipar caso viessem na nossa direcção. Digo viessem por partir do princípio que haverá sempre pelo menos um perseguido e um perseguidor. Perguntei ao guarda onde é que estava a metralhadora dele. Não percebeu. Perguntei-lhe então onde estava a arma. Sorrindo, levantou a camisa e indicou para o coldre dizendo com ar seguro que estava ali. Cheguei junto à estrada e estava o guarda do lado já com a AKM pronta e a tentar perceber o que estaria a acontecer e de que lado. Instantes depois, o carro da polícia aos círculos na zona dos disparos. Isto sim, é adrenalina...

Miguel

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Problemas dos trópicos

O relacionado com o facto de, por estar (permanentemente) calor, ficar sempre muita gente na rua até altas horas, sobretudo a uma sexta-feira à noite, inviabilizando qualquer tentativa de discrição...

Miguel

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fevereiro 08, 2006

Tchilar

Vamos tchilar ou dar uma queta?

Miguel

PS - Intervalo.

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fevereiro 04, 2006

Dos amigos

É bom tê-los por cá. Sobretudo para as saídas, sendo que três são uma multidão um, dos bons, é o indicado para o efeito.

Miguel

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Festival Rock Super Bock em Luanda

sb.jpg

Miguel

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$60|m2

A terrível tarefa de encontrar um espaço com um mínimo de condições, na cidade de Luanda, leva-nos quase ao desespero. Há de tudo um pouco, sendo a norma apartamentos todos rebentados e vivendas que já o foram. Das poucas visitas que fiz, fiquei perplexo pelas exorbitâncias exigidas pelos proprietários. Impressionante. De tal forma que me vi impelido a procurar espaços mais condignos com uma passagem agradável por estas bandas. Na baixa, num prédio relativamente novo (<10 anos), com muito bom aspecto, segurança, limpo, elevadores, gerador e sem falta de água, apenas pediram $60,00 por m2 acrescidos de $1,00 por m2 para condomínio. Contas feitas, um T1 fica "apenas" por $3.540,00/mês + $59,00/mês para condomínio. Noutro, bem posicionado e sito no Largo do Ambiente, recentemente recuperado por chineses mas com bons acabamentos e totalmente equipado (cozinha, móveis, pratos, talheres, almofadas, lençóis, ie, chave na mão), com segurança, videovigilância, elevador, gerador e sem falta de água, também um T1 por $3.500,00/mês + $300,00/mês de condomínio.

Este último apartamento fui ver por curiosidade já que as ofertas anteriores do mesmo intermediário eram de fugir. Disse-me o intermediário que apenas estava a mostrar-me os apartamentos para ter uma ideia da qualidade do que faziam porque o prédio inteiro já tinha sido alugado. Só as petrolíferas tinham ficado com vários andares...

Miguel

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janeiro 29, 2006

No relaxe

Ao fim de um dia violento, encontrei dois bons refúgios musicais para acalmar o espírito. Em Eclectismo Musical e n'A Passarinha...

Miguel

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janeiro 28, 2006

Gasosa

Toda a gente sabia que o A. tinha um quarto reservado para quem queria, a todo o custo, fazer a cadeira. Era Lei. E ele o mais alto magistrado. De qualidade académica irrefutável, diga-se. Comentavam as más línguas que dissertava longamente, desde o pai da ciência acabando nas teses que defendera do outro lado, com o duplo objectivo de ensinar e vir-se enquanto gritava "Vai Lucaaaaaaaaa!". Resumindo: o que é que passará pela cabeça de alguém quando decide criar uma conta designada por "Gasosa" e considerar imobilizado incorpóreo aquisições de bens palpáveis não imobilizáveis em n-1? Terão faltado os açoites? Au...quê?!

Miguel

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janeiro 25, 2006

O Luís M.

Em Cabinda éramos poucos. Um punhado deles, de tal modo assim era que conhecíamo-nos quase todos. O Luís era algo diferente, assim como a Isabel, e já com muitos anos de África. Conhecia a Guiné-Bissau como as palmas das suas mãos, daí o seu fascínio por aquela terra, muita daquela gente lá, do mato. A experiência alentejana, de gente livre, acabou por levá-lo e à Isabel novamente para África. Um casal interessante, boa conversa, boa comida, dados à arte, gente livre e também por isso desprovida de preocupações mundanas. Salvou-me o Luís da desgraça certa, já com quase 20km nas pernas, ao "obrigar-me" a subir no carro e ir à boleia até Lândana. Aproveitei para ficar a conhecer muito do que fazia por lá. Tinha pinta o Luís. Determinado e enérgico. Próprio. Até esta noite.

Miguel

PS-Fica o almoço que te fiquei a dever para um dia destes, onde quer que seja...

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janeiro 24, 2006

China & Ca.

Aos [largos] milhares, por aqui aterraram ou vieram de uma forma ou de outra porque, ao certo ao certo, ninguém se apercebeu muito bem como chegaram. Apenas vieram e são agora muito visíveis. Por toda a parte: em altos jipes, a conduzir um camião, carregados aos magotes nas caixas dos camiões, a conduzir máquinas, nos restaurantes, bares, supermercados, enfim, em tudo quanto é sítio.

O Império do Meio a sair deste para os lados e com o apetite de quem viveu para dentro durante tantos milénios. Não falam uma palavra de português pelo que são hilariantes as mais diversas cenas que vamos observando um pouco por toda a parte. É o agente da BET (Brigada Especial de Trânsito) que manda parar um camião conduzido por um chinês a quem solicita os documentos. É de uma pessoa se atirar para o chão a rir, embora não tenha piada nenhuma já que, talvez por ser chinês e a comunicação ser impossível, ao fim de algum tempo se desista... No supermercado, é impressionante. Eles muito se riem uns para os outros. Ainda não consegui foi atingir a razão pela qual se riem tanto: bonitos não são, as bocas horríveis, as indumentárias de fugir... Rirão de quê, afinal? Das bocas que em sons estridentes vão mandando uns aos outros independentemente de estarem a incomodar sobremaneira quem está à sua volta de tal modo que já ninguém - a não ser chineses, entenda-se - quer ficar sentado perto deles? Ou estarão a fazer juz à velha máxima do ri melhor quem ri por último?

Miguel

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janeiro 21, 2006

Angola: Gestão Fiscal 2004

Rel2004b.jpg

Muito interessante esta publicação que circula já há alguns meses, com dados importantes sobre a economia angolana até 2004 e perspectivas futuras. Um país de futuro.

Miguel

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janeiro 19, 2006

Nação Coragem

Da TPA, o Ponto de Reencontro|Nação Coragem é dos programas mais impressionantes a que já assisti. As pessoas, em fila, esperam pelos seus segundos de televisão onde pedem ajuda para encontrar parentes desaparecidos e/ou mandar mensagens para pessoas que viram pela última vez há décadas. Confesso que dá vontade de chorar, por vezes, tal não é a aflição ou o olhar profundamente triste que carregam as pessoas que atiram o seu apelo cá para fora.

pr.png

Alguns excertos:

"Estou à procura do meu irmão, desaparecido na Lunda Norte, em 1987..."
"Chamo-me P.F. e nos tempo das FAPLA andei na Província X onde deixei grávida de 9 meses a fulana tal. Hoje essa criança deve ter 18 anos. Se me estás a ouvir, entra em contacto pelo terminal 92.........."
"Chamo-me G.S. e a minha irmã foi levada para Portugal em 1974/75 por uns senhores, para Lisboa, Província de Coimbra. Se me estiveres a ouvir liga-nos."
"A minha filha desapareceu em Setembro de 2005. Saiu e faltou à novela das 22:30. Se algum senhor ou bandido a tem devolva faz favor."
"... contactem pelo terminal 91... ou então no mercado tal, a senhora tal..."

40 anos de guerra deixam realmente marcas profundas.

Miguel

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janeiro 17, 2006

Ao jantar, em Luanda

Ontem, no Espaço Baía situado na marginal em frente à última estação de serviço, em direcção à ilha, e no quarteirão dos CTT, um dos melhores espaços da cidade: bar com palco no rés-do-chão, restaurante com bar no 1º andar com espaço amplo e aberto permitindo ver tudo o que se passa no rés-do-chão e o terraço com sofás, mesas, bar e as estrelas do céu, em boa companhia. Decoração fantástica. O que nos leva lá é o Camembert frito, como entrada. Embora tudo o resto seja excelente, esta entrada é mesmo para matar. Isso e o preço: $50,00 por pessoa. Mas ao menos sabe-se ao que se vai, sem surpresas. Adoro fetuccine de salmão e caviar.

Hoje, já na ilha, no espaço mais recente e onde, aliás, fizemos a passagem de ano: o Chill-Out Surf. Boa música, excelente ambiente, espaço localizado na praia e também uma decoração excepcional com uma diversificada oferta de espaços. Carpaccio excelente e uns peitinhos de frango roquefort com ervas aromáticas. Um Fuiza a acompanhar e já está: $50,00 por pessoa. É, actualmente um dos melhores espaços da Ilha de Luanda, situado no extremo norte. Telefone: 912202887. Nham!

Miguel

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Palo's

Sítio espectacular na baixa de Luanda, perto do Largo da Mutamba, bom ambiente, boa música - cosmopolita - e uma decoração aliada ao sítio em si realmente bom. Para além disso alguma beautiful people da capital. Deixou de ser interessante a partir do momento em que as largas dezenas de pulas que ali arribavam todas as semanas nunca terem percebido que eram 7 cães a 1 osso, criando assim um espectáculo dantesco. O que seria supostamente um local para se passar bem a noite, ao ar livre, com boa música, bom ambiente, num espaço único em Luanda, tornou-se algo desagradável pela forte concentração de dezenas de pulas no bar de baixo, encostados do lado de esquerdo, quedos e mudos de copo na mão qual caçador agachado à espera do melhor momento para atirar na presa.

Miguel

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Palo's

Sítio espectacular na baixa de Luanda, perto do Largo da Mutamba, bom ambiente, boa música - cosmopolita - e uma decoração aliada ao sítio em si realmente bom. Para além disso alguma beautiful people da capital. Deixou de ser interessante a partir do momento em que as largas dezenas de pulas que ali arribavam todas as semanas nunca terem percebido que eram 7 cães a 1 osso, criando assim um espectáculo dantesco. O que seria supostamente um local para se passar bem a noite, ao ar livre, com boa música, bom ambiente, num espaço único em Luanda, tornou-se algo desagradável pela forte concentração de dezenas de pulas no bar de baixo, encostados do lado de esquerdo, quedos e mudos de copo na mão qual caçador agachado à espera do melhor momento para atirar na presa.

Miguel

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janeiro 12, 2006

Os boers por cá

Ao jantar o Giovanni a relatar parte dos seus 50 anos de Angola, uma história que terá ocorrido no Namibe. Os sul-africanos terão vindo de submarino e, ao largo do Namibe, desembarcado utilizando mergulhadores (sabem lá eles se terá sido mesmo assim...). Já na costa e a uma certa distância da cidade, colocaram duas estruturas em forma de tripé com misseis montados e regulados para disparar com temporizadores. Nessa mesma altura, terão entrado na zona portuária onde colocaram cargas explosivas num navio soviético e noutro cubano, poupando o angolano que se encontrava entre eles. Por volta das 4 da manhã, tudo a acordar com o rebentamento de um depósito de combustível atingido por um dos mísseis e os dois navios afundados com o rebentamento das cargas explosivas. Nessa mesma manhã ter-se-á descoberto o segundo míssil ainda montado que, por qualquer motivo, não terá sido accionado.

A outra história é do Lubango. Diz ele que os Mirage da SAAF, provenientes de Walvis Bay, teriam por missão atacar um depósito de armamento da SWAPO localizado na cidade. Sem que fossem detectados, devido ao vôo rasante, desencadearam o ataque tendo por referência uma casa sendo que no local existiam duas exactamente iguais. A casa atingida foi a errada tendo morrido na altura 74 trabalhadores, ficado para trás uma cratera com uns 2 metros de profundidade e uma nova fonte. O armazém, esse, permaneceu intacto.

A quantidade de incursões que estes tipos fizeram no tempo do apartheid quer em Angola quer em Moçambique é significativa.

Miguel

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Os boers por cá

Ao jantar o Giovanni a relatar parte dos seus 50 anos de Angola, uma história que terá ocorrido no Namibe. Os sul-africanos terão vindo de submarino e, ao largo do Namibe, desembarcado utilizando mergulhadores (sabem lá eles se terá sido mesmo assim...). Já na costa e a uma certa distância da cidade, colocaram duas estruturas em forma de tripé com misseis montados e regulados para disparar com temporizadores. Nessa mesma altura, terão entrado na zona portuária onde colocaram cargas explosivas num navio soviético e noutro cubano, poupando o angolano que se encontrava entre eles. Por volta das 4 da manhã, tudo a acordar com o rebentamento de um depósito de combustível atingido por um dos mísseis e os dois navios afundados com o rebentamento das cargas explosivas. Nessa mesma manhã ter-se-á descoberto o segundo míssil ainda montado que, por qualquer motivo, não terá sido accionado.

A outra história é do Lubango. Diz ele que os Mirage da SAAF, provenientes de Walvis Bay, teriam por missão atacar um depósito de armamento da SWAPO localizado na cidade. Sem que fossem detectados, devido ao vôo rasante, desencadearam o ataque tendo por referência uma casa sendo que no local existiam duas exactamente iguais. A casa atingida foi a errada tendo morrido na altura 74 trabalhadores, ficado para trás uma cratera com uns 2 metros de profundidade e uma nova fonte. O armazém, esse, permaneceu intacto.

A quantidade de incursões que estes tipos fizeram no tempo do apartheid quer em Angola quer em Moçambique é significativa.

Miguel

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janeiro 09, 2006

Angola: Trinta Anos Depois

É o tema de vários artigos publicados no semanário O Independente (www.oindependente.info), todos eles escritos pelo embaixador Alcides Sakala. Fica aqui um excerto do publicado n'O Independente, Ano VI, nº 318, de 31.12.2005:

"Mas um facto curioso chamou a minha atenção quando cheguei a vila da Chikala. Muitos soldados e alguns oficiais - que dominavam perfeitamente as técnicas da guerra de guerrilhas - levavam muito a sério a prática da "blindagem humana" que se adquiria através de rituais complexos e misteriosos. Era uma manifestação profunda da cultura africana, diziam-me. Os adeptos dessa prática acreditavam que a "blindagem" os protegia da morte em combate."

Miguel

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Ai é?! Jura lá você!

"Vamos ter de aturar também esta pouca-vergonha?
De repente o país despertou para uma situação antes impensável: dois «gays» de Luanda entenderam que as suas vidas só teriam sentido partilhando, além da cama, o mesmo tecto. Foi o que os jovens Chano (ele) e Bruno (ela) fizeram no dia 6 de Maio escandalizando a nossa sociedade, cujos valores morais assentam no cristianismo, que apenas admite a prática de sexo num quadro heterossexual. (In)conscientemente, por simples modismo ou mesmo pela força da natureza, Bruno e Chano tentaram subverter o padrão. Neste jornal, não nos calamos e condenamos essa «Pouca-Vergonha», conforme então titulamos em letras garrafais. Em oito páginas, escalpelizámos a união dos dois pederastas com comentários sobre a posição inequívoca do jornal e a opinião abalizada de Sérgio Adolfo, um jurista que mostrou que a lei angolana não consagra o casamento entre homossexuais. Outra autoridade, o médico obstreta e ginecologista Pedro Almeida, taxou a homossexualidade como um fenómeno perturbador da vida em sociedade. Mostramos as fotos da vegonha, algo que qualquer pai que se preze não quer dos filhos, descrevemos o que foi a festa e fizemos o retrato de família de Chano & Bruno. Saímos à rua para perscrutar a «vox populi» e o que captámos foi somente o asco e a repulsa por entre a população. «Kikola» (do kimbundo, é abominável), opinou peremptório o escritor e etnomusicólogo Jorge Macedo, embora opinião inversa tenha tido uma intelectual, a jornalista Luísa Rogério, que acha que a sociedade não deve discriminar os «gays». Mas, hoje, as notícias que vêm da Terra Nova, para onde Chano e Bruno foram viver depois de juntarem as trouxas, falam de uma ruptura da relação. Quer dizer que os jovens não estavam convictos daquilo que faziam e ainda bem. Ufa, se a moda pega..."
in Semanário Angolense, Edição de 17 a 24.12.2005, p.7 Política

O que me ri com a notícia. 8 páginas? Mamauê!!!

Miguel

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Acesso internet grátis (Angola Telecom)

Acessível em Luanda, Benguela, Huíla, Cabinda, Kwanza Sul, Zaire, Moxico, Malange, Namibe, Huambo, Lunda Sul e Cunene.

Número de acesso: 610 610 009
Username: internet@facil
Password: facil

Miguel

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Comué camarada?!

"Ao referir-se aos atrasos até aqui registados e à forma como se encara solucionar tal questão, Dinguanza atribuiu o primeiro facto «À falta de responsabilidade de alguns trabalhadores angolanos, que não têm ainda a cultura do trabalho». Como solução, disse, «houve necessidade de recrutar mão-de-obra chinesa, que veio dar um outro alento às obras». «O ritmo das obras agora é maior com as empresas chinesas que temos a operar na cooperativa. O atraso (verificado anteriormente) deveu-se ao facto de alguns dos nossos trabalhadores não terem, ainda, cultura do trabalho. São bastante lentos e poucos responsáveis. Isso levou-nos a procurar mão-de-obra chinesa», insistiu. Tal, declarou, deu grande impulso ao projecto. ?Posso dizer que, à partida, o projecto estava um pouco comprometido por causa do comportamento não adequado de alguns trabalhadores angolanos, que acabava por ser muito mais caro que o trabalhador chinês, que em termos de rendimento de trabalho veio dar em seis vezes mais, em relação a mão-de-obra angolana»."
in Semanário Angolense, Edição de 17 a 24.12.2005, p.28 Sociedade

Os comentários guardo-os para mim.

Miguel

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Ai as férias na santa terrinha...

"[...] apenas poderão fazer um pronunciamento oficial a partir de Janeiro do próximo ano, altura em que os administradores da empresa regressarão de férias, de Portugal."
in Cruzeiro do Sul, Ano I Nº 19, Edição de 24.12.2005, p.7 Economia

Desculpe?!

Miguel

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janeiro 06, 2006

Pai Natal do SME

Santa.jpg

Miguel

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MTVBase em Luanda

g.jpg

Vamos tendo aqui umas festitas porreiras!

Miguel

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MTVBase em Luanda

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Vamos tendo aqui umas festitas porreiras!

Miguel

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janeiro 04, 2006

Não sei não

Dizia-me esta noite o meu amigo B., após o que começou a descortinar todo um conjunto de queixas da filha mais caçula, logo secundado pela mulher. Daí até às generalizações e questionar o futuro do país por causa do comportamento desta juventude foi um passo.

Por acaso é a minha maninha apenas 1 ano mais velha do que a caçula do B., permitindo-me assim tentar estabelecer algum tipo de paralelismo entre o cá e o aí. Na verdade, poucas serão havendo contudo esta ou aquela que poderão constituir um denominador comum quanto a comportamentos. Indo em concreto ao problema do meu amigo B., não deixa de ser interessante constatar que, por exemplo, o B. e a esposa ainda viveram o período colonial tendo o primeiro, à data, apenas 18 anos. Viveu a independência. Viveu todas as conturbações subsequentes tal como aquela que o faz referir inúmeras vezes "pergunta lá a alguém da minha idade se quer participar nalguma manifestação seja ela qual for a ver se vai!". Passou mal. Como quase todos. Mas sempre notei algum orgulho na forma como sempre abordou o período do partido único, apesar de todos os sacrifícios. Resumindo, teve que lutar muito para poder atingir o nível de vida que hoje tem.

A caçula de 18 anos já encontrou uma realidade completamente diferente. Não somatizou o período colonial e muito menos o do partido único. Cresceu já num ambiente de abundância e diversidade na oferta de bens essenciais e acessórios. Aos 18 foi-lhe dada a carta de condução. Há vários anos que estuda inglês, incluindo viver na África do Sul para aprender a língua. Frequentou o ano 0 de uma privada na capital. Tem acesso à MTVBase, Channel O, às novelas que passam na Globo Internacional com todos os modelos perfeitos de felicidade terrena com "aqueli sôtáqui", etc e tal. Nunca teve que estudar/ler Marx, Engels, Mao ou Lénine mas pode ler a Caras (versão angolana) e todo um conjunto de pasquins cheios de histórias cor-de-rosa...

De que se queixará afinal o meu amigo B.? E de que se queixarão afinal os que na cidade caídos, da mata armados, forem paulatinamente sendo substituídos pelos que das armas saberão talvez apenas (e mal) os nomes?

Miguel

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Mulato, vai para a tua terra!

Há cenas que é de uma pessoa se atirar para o chão a rir. Esta passou-se com o R. (bd). Numa das inúmeras cenas de trânsito que por aqui ocorrem devido ao caos que é conduzir por cá, o R., algo acelerado, lá terá feito alguma entrada menos canónica provocando uma reacção estapafúrdia do "lesado".

- Então? Você não sabes conduzir? Se não sabes conduzir fica em casa! - gritou o outro condutor enfurecido, gesticulando.
- Vá, passa lá. - disse o R. enquanto sorria descaradamente para o outro.
- 'Tás-te a rir de quê, ahn? Vai p'rá tua terra mulato do car...! - gritou o outro para o R. provocando neste fortes gargalhadas.

É que o R. e eu somos, de facto, morenos mas daí até dizer-se que o R. é mulato vai uma enorme distância. Essa e a de me perguntarem se eu era cabrito!...

Miguel

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outubro 07, 2005

Liquelembe

Acto de emprestar a alguém, normalmente colegas de trabalho, parte do salário no fim do mês. Criado o grupo do liquelembe, mensalmente alguém recebe o seu salário mais uma parte do salário de 2, 3, 4 ou mais colegas para que reúna as condições financeiras que lhe permitam adquirir um "bem durável"... Só não tem piada nenhuma quando se tem que dar aos outros, durante alguns meses seguidos, ou o beneficiado se põe a milhas!

- Mas porque é que em vez de fazer o liquelembe não guarda o dinheiro e vai juntando ao longo dos meses? - perguntei ao puto C., o tal que foi evacuado em Fevereiro.
- Guardar chefe? - sorriu - Não dá para guardar. Dinheiro em casa não dura, gasta logo.
- Pois e depois vem cá pedir um vale, não é?

Yono.
Miguel S.

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agosto 16, 2005

Ainda cacimbo?

Mais rigoroso desde que estou em África, confirmado por muitos locais que dizem estar este ano muito mais frio do que é habitual, as opções ficam substancialmente reduzidas quanto ao que fazer. Se a praia já era em si uma opção menor, com este frio muito menos. Não deixo de ficar perplexo com as temperaturas elevadíssimas que se fazem sentir em Portugal e nós aqui com manga comprida e camisola interior pela manhã e depois de escurecer. É que está mesmo frio! Já não me lembro quando é que liguei pela última vez o ar condicionado no escritório.

Ainda com as malas por fazer, apesar dos parcos haveres que transportarei (normalmente é malas vazias para Portugal e cheias no regresso), a azáfama provocará aqui um intervalo podendo este ser interrompido, eventualmente, durante as férias. É que branco como estou, ninguém acreditará que estou em África até porque em Moçambique ia sempre de férias extremamente bronzeado. Assim sendo e porque preciso de ar fresco, até Outubro.

Yono.
Miguel S.

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agosto 05, 2005

Feijão maluco (ou macaco, em Moçambique)

Ontem ao ligar o carro, o arranque automático do rádio com uma reportagem em directo a partir da Escola G. nos arredores da cidade. A escola estava encerrada devido a um misterioso pó branco, o qual teria provocado uma reacção alérgica a diversos alunos entretanto hospitalizados. Os entrevistados davam as mais diversas explicações até que o jornalista entrevistou um dos suspeitos pela situação. Dizia este que tinha sido um amigo dele o autor da ideia de se ir buscar feijão maluco, para os lados do aeroporto, de modo a vingar-se de alguém que lhe teria batido. Assim feito, entregou o feijão maluco ao amigo desconhecendo o que teria feito ao feijão, mas tudo apontava para que o amigo, por razões completamente desconhecidas, tivesse espalhado o feijão macaco em pó (?) na escola.

Relembrou-me este episódio, o Fernando e a Ana após uma ida ao mato na zona de Montepuez, em Cabo Delgado, Moçambique. Na altura, andávamos à procura de novas áreas de exploração e, numa dessas incursões pelo mato fora, entraram numa área cheia de feijão macaco. É uma planta relativamente alta que tem uma vagem cheia de picos, tipo alfinete, e quase imperceptíveis a olho nu. À sua passagem, na sequência do movimento e abanar da planta, os picos das vagens começaram a voar em todas as direcções penetrando a roupa e a pele em todo o corpo. A consequência imediata foi uma irritação cutânea de grandes proporções fazendo-os coçar até não poderem mais. Daí o nome de macaco em Moçambique e maluco por estas bandas. O que me ri na altura, dos dois, quando regressaram ao acampamento!

Yono.
Miguel S.

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agosto 01, 2005

Gastronomia norte-coreana

Ia para a massagem e acabei por ver frustradas as minhas intenções, terminando em amena cavaqueira com olhos orientais semi-cerrados a tentarem perceber o que dizia, acompanhada de um jantar invulgar.

Uma couve meia cozida, num líquido meio avinagrado com jindungo norte-coreano. Um espectáculo. A acompanhar uma bebida feita de whisky e jinseng norte-coreano. Interessante. Finalmente, peixe cozido molhado num molho feito com feijão (norte-coreano, claro) e algumas ervas norte-coreanas. Delicioso. Isso e o chá para rematar a refeição seguido de jinseng para chupar. Diferente.

Já prometida a refeição coreana, experimentada em 1992 e confeccionada pela amiga Hyun-Jung em França, feita de arroz, vegetais e galinha, enrolada em folhas de algas. Imperdível e já à espera da ocasião... Ficaram espantados com a mestria do manuseio dos "pausinhos", coisa que ainda não tinham visto por cá. Também, quantos malucos é que há por cá?

Yono.
Miguel S.

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julho 31, 2005

Estrada fora

A volta nos arredores de Luanda. Desta vez para a zona de Viana e para os lados de Calumbo, passando pelo Zango. Esta última localidade criada para o realojamento de pessoas oriundas do Boavista, Alvalade e outras zonas da cidade. Vimos ainda um campo de regugiados vindos do Uíge, antes do fim da guerra. Também a vedação que existia no tempo da guerra à volta da cidade de Luanda, a qual deveria funcionar como entrave à progressão dos guerrilheiros. Interessante e impressionantes todas estas coisas.

Yono.
Miguel S.

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Algo está a mudar por cá

E é forte. Depois da estabilização macroeconómica o investimento estrangeiro que aumenta visivelmente. A FILDA (equiparável à FIL, para os portugueses e FACIM, para os moçambicanos)foi a mais concorrida de sempre.

Este fim-de-semana andei a visitar os arredores de Luanda. Onde vai ser construído o novo aeroporto da capital, com capacidade para receber o novíssimo A380, o novo caminho-de-ferro já em construcção pelos chineses que ligará Luanda a Malange e daí servirá o país inteiro, a cidade está muito mais limpa, a zona industrial de Viana (por exemplo) já sem áreas para venda com a instalação de diversas empresas.

O reassentamento da população dos bairros degradados da capital para zonas novas (tipo township sul-africana) de grandes dimensões, nos arredores.

E, já agora, os hoteis estão sempre cheios. Todos eles...

Interessante, muito interessante mesmo.

Yono.
Miguel S.

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Dificuldade ou faculdade?

Estes manos inventam cada uma...

Yono.
Miguel S.

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julho 30, 2005

De novo em Luanda

Para uma estadia inferior a 24h. Se já houve alturas em que me parecia estar na civilização e era uma lufada de ar fresco, neste momento nem por isso.

Yono.
Miguel S.

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julho 29, 2005

Mega concerto

"Diz não à droga" foi o mote para a realização de três concertos em Angola: Luanda, Benguela e Cabinda. Por cá, aconteceu ontem à noite e foi simplesmente fenomenal. Perante uma assistência entre 20 a 25 mil pessoas no relvado graças à entrada gratuita, pudemos ver e ouvir ao vivo os grandes grupos nacionais com muita e boa música de todos os estilos ao ritmo de 1 a 2 músicas por banda. Fantástico! As fotos para mais tarde.

Yono.
Miguel S.

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julho 24, 2005

Dos Tocoístas

Diz a notícia sobre as comemorações locais que para os Tocoístas o dia 25 de Julho de 1949, marca a descida do Espírito Santo em África por intermédio do "Profeta" Simão Gonçalves Toco, fundador da referida religião. Num culto assistido por crentes de diferentes denominações cristãs [...] defendeu que graças à descida do Espírito Santo sobre Simão Toco, ocorrida no então Congo Belga, actual República Democrática do Congo (RDC), os africanos receberam de facto Cristo. Para ele, esse acontecimento criou condições para as independências dos territórios na altura subjugados por potências europeias."

Finalmente fiquei a perceber melhor o que era isto do Tocoísmo que tão popular é por aqui (andam todos com um crachá ao peito).

Yono.
Miguel S.

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julho 16, 2005

Estranhezas

O Banco de Fomento de Angola anunciou na Filda 2005 que "poderão, a partir de Agosto do corrente ano, consultar o seu saldo de conta bancária" e que "o sistema, a ser disponibilizado, já existe para particulares. De acordo com Paulo Bastos, vai ser um site em que as empresas vão evitar as deslocações morosas ao banco à espera do atendimento." Agosto de 2005? Então como é que eu tenho consultado as nossas há já pelo menos 1 ano?

Yono.
Miguel S.

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Massagem norte-coreana

Com algumas amolgadelas em cima por causa do trambolhão foi com agrado que fui apresentado aos médicos coreanos que andam por cá há quase um ano. Largamente acima dos 40, ambos com um pin do grande líder Kim Jong-Il na roupa, foi com surpresa que constatei a forma como era fácil comunicar com eles em português. Acertámos a hora para a massagem com o objectivo de avaliar o estado dos membros e recolocar alguma coisa no devido sítio. Com tudo ainda dorido, foi simpática a experiência. A mulher deve ter sido militar, só pode! Tal não é a força que tem nas mãos!... Mas também se fartou de suar comigo. Afinal sou ou não um [macho] latino?!

Começou pela inspecção visual para de seguida premir com bastante força algumas zonas. Impressionante. "Dói?", perguntava enquanto apertava forte. "Dóiiiiiiiii!!!!!!!", respondia eu enquanto esticava a perna e me agarrava à cama com a mão livre. Depois foi subindo. Na mão entre o polegar e o indicador, uma dor lancinante. E continuou subindo até chegar ao ombro direito. Enfiou-me os dedos na omoplata que foi obra. E no pescoço. Sei lá. Deve ter andado à procura da "linha dolorosa". Uma vez descoberta, a massagem. Nunca apanhei tanta cacetada na minha vida. Uma hora e tal de martírio! A massagem espectacular porque extremamente dinâmica e multifacetada tão variadas eram as técnicas e tipo de massagem que aplicou. Uma delas, extremamente dolorosa, parecia que me estavam a arrancar os pelos do braço puxando-os até saírem. Depois parecia que estava a apanhar apertões, tipo beliscão, mas com mais "chicha" entre os dedos da massagista. Depois deu-me tantas chapadas na cara (bom mais propriamente na zona do pescoço mas apanhava-me a cara por baixo) que já não estava a perceber bem se estava a ser massajado ou a apanhar uma valente tareia. Agarrou-me na cabeça com as duas mãos e começou a girá-la de uma forma que eu jamais me faria a mim próprio, enquanto perguntava "dói?" ao que respondia ela própria perante o meu silêncio "pouco?"... Impecável o português destes norte-coreanos. Nunca imaginei.

Finalmente a perna. Quando ela me pegou no pé e apertou em determinadas zonas agarrei-me de tal maneira à cama já com os dois braços que até deu para esquecer o "amolgado". Incomodou-me bastante quando passou pelas feridas na perna, da largura de uma palma de mão aberta, como se nada lá estivesse. Até vi estrelas, confesso. Mas deixei-a fazer o trabalho.

No fim perguntei quanto era e não cobraram nada. Nem ela nem o médico que esteve a ver depois a anca. Disseram que quando eu quisesse para dar o que entendesse se ficasse satisfeito com o seu trabalho. É muito melhor quando há uma tabela, não é?

Amanhã seguir-se-á a segunda sessão de massagem. Pediu-me a massagista para não ir de boxers que dá muito trabalho. Que vá de bikini...

Yono.
Miguel S.

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julho 11, 2005

A frase da festa

"Por isso é que não te gostam."

Yono.
Miguel S.

PS-O que nós nos rimos com isto. O puto a dizer isto já não sei a quem. O português falado por estas paragens tem alguma piada e originalidade. Ao ponto de ser tão facilmente apreendido.

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junho 29, 2005

Proposta de nova bandeira para Angola

Yono.
Miguel S.

Fonte: Flags of the world

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Inflação em Angola

De vento em popa. 23º mês consecutivo de queda da inflação mensal homóloga. Apesar da melhoria, dever-se-á chegar ao fim do ano acima dos 15% mas provavelmente abaixo dos 20%. Normalmente este valor era atingido logo no 1º mês... Interessante de assistir in loco a estas alterações quando se chegou cá com a inflação mensal nos 8% e uma desvalorização galopante.

Yono.
Miguel S.

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Quando é que acabou a guerra?

Pergunta feita ao pessoal a propósito de um relatório. Uns responderam 92, outros 75 e não é que ninguém referiu 2002? Teve que ser o segurança que tinha sido militar a responder... A guerra tornada banalidade? Um lugar-comum?

Yono.
Miguel S.

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junho 25, 2005

Novo plano de numeração da telefonia fixa em Angola

Pela utilidade da informação, transcrevo aqui as mudanças que ocorrerão na rede nacional de telefonia fixa a partir de hoje à meia-noite. Todos os números de telefone em qualquer parte do território angolano passam a ter 9 números. Com a nova numeração será necessário marcar:

Código da Rede Fixa + Código da Província + Código do Operador + Número de Telefone Actual

A título de exemplo, um dos telefones da Embaixada de Portugal em Luanda, o 330850. A marcar-se de fora da Província de Luanda seria necessário marcar 02 330850.

Agora, obrigatoriamente, dever-se-á marcar de qualquer acesso em território nacional o seguinte número 2 2 2 330850.

+ "Novo plano de numeração da telefonia fixa em Angola" ?

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junho 19, 2005

Alambamento

do Quimb. kilembu

s. m., Angola, casamento entre negros;
festas dessas bodas;
dote de casamento.

Muito falado, ultimamente.

Yono.
Miguel S.

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maio 28, 2005

Feriado municipal por cá

Comemorou-se hoje o 49º aniversário da ascensão de Cabinda a cidade. Poucas voltas. Muito mas mesmo muito trabalho.

Yono.
Miguel S.

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abril 26, 2005

Sayonara "Japão"!

A caminho do Joaquim Portugal, a passagem estreita com o cenário algo alterado. O Japão foi-se. No seu lugar uma reles e vulgar mercearia. Não é que o Japão não fosse igualmente reles e vulgar, mas sempre era o Japão!

O que era afinal o Japão? Nada mais do que "a" discoteca africana de bairro dentro da cidade. Algo do além. Estrategicamente bem localizada, na confluência dos bairros 4 de Fevereiro e A Luta Continua com a parte urbanizada da cidade, situava-se no fim da travessa que ligava a Rua de Macau à Rua da Prisão até à Duque de Chiazi. Uma varanda a um metro de altura do passeio decorada com lâmpadas amarelas e vermelhas a toda a extensão, com uma esplanada geralmente cheia: de profissionais zairenses e de "procuradores" de infortúnio. À entrada, as ofertas costumeiras. Porque outra razão iriam brancos a sítio tão pouco frequentado por eles? A música sempre estridente, kwassa kwassa claro!, a sair de umas colunas enormes nos cantos para um espaço na penumbra iluminado apenas pelas luzes do bar. O bar era apenas um buraco na parede da sala com uns 3 metros de largura e meio metro de altura, com muitas grades iluminado com umas 2 lâmpadas normais, sem candeeiro. Lá dentro uma arca frigorífica e um barman invariavelmente a dormir, independentemente do som que até faria acordar os mortos mais distraídos.

De bom tinha o Japão a cerveja zairense em garrafas de 1 litro (Turbo King, um must!) e o facto de uma pessoa lá dentro não se sentir branco apesar de sermos os únicos. Era a descontração total dos que não tinham dez dólares para ir às discotecas normais. Ou isso ou a apresentação adequada. Ali ia qualquer pessoa. Foi lá que vi uma das cenas mais inesquecíveis desta passagem por cá: um tipo já meio grosso a dançar kwassa kwassa de uma forma que nunca antes tinha visto. Provavelmente zairense, pois são eles os pais deste estilo de música. Ele dobrava-se todo como se não tivesse ossos com uma garrafa quase cheia e aberta de Turbo King na cabeça. Ele deitava-se no chão de costas com ela na cabeça e dançava deitado, pernas dobradas. Ele levantava-se, contorcia-se, eu sei lá! e a garrafa sempre no sítio. Depois o malabarismo dos cigarros. Na escuridão, ver a brasa da ponta do cigarro desaparecer na boca dele para depois voltar a aparecer tudo num jogo de língua, deixou-me espantado. Tanto mais que ele deveria estar grosso. Completamente.

Chamavam ao Japão o antro. Não porque o conhecessem mas por terem ouvido falar ou terem reparado no espaço de passagem. Lembro-me das fortes críticas vindas de alguns sectores a propósito daquela deslocação, coisa que nunca me fez perder o sono. As pessoas [algumas pelo menos] continuam sem perceber a diferença entre ir aos locais pelo puro prazer da descoberta do desconhecido e o mandar-se o motorista buscar uma puta qualquer para passar a noite...

Fica assim o bas fond da cidade mais pobre e nós sem o local apropriado para praxar os que chegam [sobretudo os que nunca estiveram em África].

Sayonara Japão.

Yono.
Miguel S.

PS-Para memória futura. A 1ª vez que lá fomos foi pela mão do ancião Giovanni [quando ainda o era]. Para além dele, o A., o R. também conhecido por Lucas [ahahahhahahaha] e eu. Da 2ª vez, o faquico, a anaquica, o programador e eu. Convencemos momentaneamente o programador que a noite por cá era só daquilo.

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abril 11, 2005

Descida das taxas de juro

Não deixo de ficar impressionado com isto. O ano passado o Banco de Fomento de Angola (Grupo BPI) baixou as taxas de juro [para empréstimos] de 100% para 50% e até ao fim deste ano deverá cair ainda mais fixando-se entre os 20-25%.
in Jornal de Angola nº9983

Yono.
Miguel S.

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abril 09, 2005

Produção duplicará até 2007

De petróleo e aqui em Angola, o que não me espanta, diz o FMI. É que são cada vez mais as chamas na linha do horizonte depois do anoitecer. Ainda bem que não tenho nenhuma janela virada para o mar...

Yono.
Miguel S.

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abril 03, 2005

3 anos de paz!

Comemora-se amanhã, aqui em Angola, o 3º aniversário da paz após quase 40 anos de guerra praticamente ininterrupta.

Yono.
Miguel S.

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março 24, 2005

O vírus já chegou a Luanda

Bonito. Depois do Bié Uíge já chegou a Luanda onde já fez 2 mortos. No total já matou 106 pessoas. Não é o ébola mas é da família do ébola. Agora pedem as autoridades para que os rituais com os falecidos não sejam realizados e o rápido enterro dos cadáveres.

Yono.
Miguel S.

PS-Daqui a nada só saio do escritório e de casa com máscara e luvas...

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março 23, 2005

Voltou o puto C.

O puto C. chegou hoje de Luanda e veio ter comigo. Impecável. Com um aspecto fantástico. Há coisas que vale a pena desatar aos berros, murros, pontapés e chateá-los incessantemente.

Yono.
Miguel S.

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março 19, 2005

Surto de febre hemorrágica

Desta vez na Província do Uíge, tendo as autoridades afirmado não se tratar de ébola. De qualquer modo, tecidos das inúmeras vítimas terão sido já remetidos para a capital para análises mais detalhadas que permitam determinar de que vírus se trata.

angolasat.png

O Uíge é "já ali" depois do rio Zaire e apenas vem confirmar o que é a minha sensação há já algum tempo: dos vizinhos nem bom vento nem bom casamento...

Yono.
Miguel S.

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março 17, 2005

Quem são estes gajos?!

Na 1ª página do Jornal de Angola de 11 de Março último, uma chamada, logo abaixo das fotos de dirigentes partidárias femininas do país, para a visita de empresários lusos "aguardados no país". Mais adiante, na página 10 e já no Caderno de Economia, faz-se luz sobre quem são estes empresários portugueses cujas empresas, muito sinceramente, não me dizem rigorosamente nada. Foi esta excursão organizada pelo ICEP Portugal (afinal ainda existe?).

Diariamente lemos notícias de investimentos pesados vindos de várias zonas do mundo, mas à séria, sejam eles americanos, chineses, brasileiros, espanhóis, franceses, etc e tal metidos no que "realmente" interessa.

O que é me escapa nisto tudo?

Yono.
Miguel S.

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Esta é peregrina

"Fractura do pénis

Pergunta:
Sofri uma lesão no pénis e o médico disse que se trata de uma fractura. Não entendo, porque no pénis não há osso. Preciso de um esclarecimento.
Lucas do N."
in Jornal de Angola, nº9965, p.14 de 2005.03.12

Yono.
Miguel S.

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março 16, 2005

Em resultado da análise...

...mais detalhada aos processos individuais de algumas centenas de trabalhadores, uma constatação terrível: a taxa de analfabetismo entre os mais velhos (nascidos entre 1950-1970) é incomparavelmente maior do que a registada entre os nascidos após a independência.

Yono.
Miguel S.

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março 12, 2005

O meu pavor de tubarões

Sabendo de antemão que o Índico está cheio de tubarões, embora adore nadar, sempre refreei qualquer aventura mais audaz para águas mais profundas. Cheguei mesmo a entrar em pânico, em Pemba, quando fui a nado até ao recife de coral a uns bons 150-200 metros da praia com o Américo. Ele tinha sido comando e era doido mas eu não porra! Parecia uma lancha a nadar até à areia quando fiquei aflito.

Em Angola, embora as águas sejam mais frias e turvas, eles também andam aí. Também cá não me aventuro muito com todos a dizerem "naaaaaa, aqui não há nada!". Ora saiu no Jornal de Angola, esta semana, uma notícia que clarifica tudo. A propósito de um esclarecimento sobre o grupo "Corta-cabeças", a Polícia Nacional explicou que o corpo de uma jovem que tinha morrido por afogamento "numa das praias de Luanda, aparecendo dois dias depois o corpo separado da cabeça que surgiu na Ilha de Luanda e outra parte do organismo na Samba, porque mutilada por um tubarão, segundo relatório legista".

Yono.
Miguel S.

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março 10, 2005

Ó S.Pedro, tem lá calma pá!

O sacana acordou-me às 4:30 da manhã tal não era a barulheira. Até agora. Chuva intensa, muito calor com humidade e o raio da época das chuvas que nunca mais passa...

Yono.
Miguel S.

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março 09, 2005

Hora de começar a fazer as malas?

Aproximam-se, a passos largos, as próximas eleições em Angola e as primeiras depois da tentativa efectuada no fatídico ano de 1992. Previstas para 2006, sentem-se já no dia-a-dia as consequências da confirmação da realização das mesmas (legislativas e presidenciais). Embora muita gente não acredite que algo possa correr mal, desta vez, eu incluído, não posso deixar de referir a opinião do ex-Director Nacional das Eleições há bem pouco tempo. Dizia ele:

"O ex-director nacional das eleições angolanas de 1992, Onofre dos Santos, considerou que o próximo acto eleitoral em Angola, previsto para 2006, vai ser "mais difícil" do que o realizado na sequência dos Acordos de Bicesse. "As eleições de 2006 vão ser muito mais difíceis do que as de 1992. Nessa altura, todos acreditavam que tudo ia correr bem, mas agora parece que é o contrário, todos acreditam que vai tudo correr mal", afirmou Onofre dos Santos.

Para o antigo director nacional das eleições, esta situação resulta de "todos partirem de um princípio de desconfiança, o que leva a pensar que devem tomar todas as iniciativas e prevenções para se evitar a desilusão de as pessoas não aceitarem os resultados eleitorais".".
Fonte: Lusa

Por cá onde me encontro, não tenho qualquer margem para dúvidas que o ambiente tenderá a aquecer com o pretexto das eleições.

Yono.
Miguel S.

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março 08, 2005

Feriado

Dia Internacional da Mulher.

Não se faz puto e a esta hora não me apetece escrever mais nada sobre o assunto.

Confesso que sou dos que não gostam de determinado tipo de efemérides. E com muitos porques que não irei aqui discriminar. Poderia deixar aqui um "muitos beijinhos às mulheres, sem vocês o que seria de nós", mas parece-me que peca pela redundância e chavão costumeiro [machista?] ouvido aqui e acolá quando necessário sendo certo que se espera sempre que continuem a desempenhar o seu papel [fundamental] na sociedade... Daí que não aprecie muito dias como o de hoje. Até pode ser que para muitas mulheres hoje seja um dia diferente, mas também para muitas o amanhã não será mais do que o back to business as usual.

Sobre o meu país, é com grande gozo e satisfação que vejo um futuro muito mais interessante para a minha maninha de 18 anos do que propriamente as que a precederam. Acima de tudo, as oportunidades da afirmação e realização do "eu" cada vez maiores, indispensáveis, na minha perspectiva, ao aumento das probabilidades de se atingir o que nos move a [quase] todos nesta existência: a felicidade. E parte dela está directamente relacionada com a realização pessoal, sendo esta resultante de uma opção e não imposição qualquer que seja a sua origem.

Vem-me agora à memória que nunca fiquei a saber se a minha avó ao longo dos seus 92 anos terá sido feliz... Ou se a outra, para além da sua infância, terá alguma vez sido feliz ao longo dos seus parcos 45 anos de existência... Sendo certo porém que o conceito é demasiadamente aleatório e por isso, se calhar, mais facilmente concretizado por muitos.

Bom e não me apetece escrever muito mais sobre isto.

Acima de tudo fica a constatação que se evoluiu muito mas que o caminho ainda é longo. Por toda a parte. Então ao nível da mentalidade, há mesmo muito por fazer (neles e nelas).

Yono.
Miguel S.

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março 07, 2005

Na sala de espera do consultório

A televisão ligada no canal nacional. Hora do Diário Regional.

Não consegui conter a gargalhada sonora perante a peça que estava a passar sobre a visita das candidatas a miss aos comandos caçadores a algumas dezenas de km daqui. Em determinada altura, vira-se o repórter em off e diz "...e ofereceram aos soldados camisas-de-vénus...". Não aguentei! Isso e as respostas que algumas deram ao serem entrevistadas "Sim, não sei explicar o que sinto por estar aqui. É tão tão inexplicável que só vivendo é que se sente o que estou a sentir. Não tenho palavras para explicar".

A segunda peça interessante foi a constatação de facto que por estas paragens, qualquer pessoa é sacerdote. São 35 as igrejas presentes nesta Província. Parece que também não é muito difícil constituir uma. Como amanhã se comemora o dia internacional da mulher, toca de se reunirem num pavilhão desportivo bem conhecido aqui da terra e dizia a pastora (que não tinha nada ar disso):

- ...porque a mulher deve ser fonte de benção, amen.
- Amen - o