setembro 26, 2006

O blog na Argélia

Nestas andanças, por esta África fora, temos a sorte e, porque não dizê-lo, mesmo o privilégio de conhecer pessoas que vão rareando por esse mundo fora, sobretudo no desenvolvido. Digo desenvolvido porque, cada vez mais, acredito que o desenvolvimento, ou subdesenvolvimento mascarado daquele, torna as pessoas cada vez mais egocêntricas, sacanóides doutoradas e predominantemente dissimuladas. E aqui sou obrigado a divagar mais um bocado, coisa que não gosto mesmo nada. Há uns tempos atrás alguém, sem me apontar o dedo, dizia que eu era mau. É daquelas afirmações que me provocam um mal estar de tal forma que fico com insónias... Confesso que ainda perco alguns segundos a reflectir sobre a minha maldade e se a mesma será de cariz benigno ou maligno. Invariavelmente concluo pela primeira (mal seria). Simplesmente não tenho muita paciência para um determinado tipo de gente. Adiante. Ora, tive a sorte de, há uns anos trás, conhecer nas terras de Cabinda o companheiro - gosto desta palavra tão em desuso - Manuel (Manel p'rós amigos). Diferente, inconformado, lutador, sentimentalão versão homem maduro (chora e tudo!) e, sobretudo, frontal já que diz o que pensa. Para mim é positivo mas há muito quem não goste. Onde é que eu ia? Bom. Esta malta de África há-os em muitas versões. Agora mais, raros são os que se aventuram além capitais. Esses nunca conheceram África. A verdadeira. Mais espertos do que nós, verdadeiros asnos da "nata" emigrante - jovens, entre os 25-35, licenciados e que se puseram ao fresco, à aventura pelo último continente - dos últimos 10 anos - asnos porque só um tipo que não está no seu perfeito juízo é que vai para perto do fim do mundo, ah e os que têm espírito de missão (o que quer que isso queira dizer) e ainda os religiosos - que provaram algo parecido com o pão que o diabo amassou. Mas depois aparecem uns eruditos que dizem que a malta vivia muita bem, melhor do que os outros todos, etc e tal. Ya. É mesmo isso. Adiante. Bom, graças ao Manel que agora parte para a Argélia, esse grande país, vou ter o prazer de deleitar-me com as suas fotografias e de poder deixá-las neste blog, no fotoglobo, em Argélia.

Pá Manel, um grande abraço e, do fundo do coração, que esta nova aventura seja coroada de sucesso e de muitas histórias para contares.

Miguel

PS-Sobre os asnos e por aí fora e do que dizem, um dia deixarei aqui algumas palavras sobre o assunto. Tal como uma reportagem que apareceu numa revista do Expresso no final da década de 90 e que focava os inúmeros casos de "sucesso" de jovens portugueses nesse país tão promissor chamado Moçambique...

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março 24, 2006

Evanescence

No regresso a espaços de outros tempos, o mexer no pó para ver melhor as cores vivas dos panos que então me cobriam, a estranha sensação da my immortal. Dos porquê de então sem os respectivos porque, como sempre. Os silêncios infinitamente repetidos na sequência do comummente imperceptível, incapaz de te assumires sem grilheta. Fica o brilho do olhar e as sardas. O pulsar de viver, tão forte. Inesquecível.

Miguel

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setembro 28, 2005

B.

O forte abraço aos que persistem na verticalidade ou de como é melhor jogar à bisca na boa do que lerpa a dinheiro...

Yono.
Miguel S.

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julho 18, 2005

Não sou de choros

Aliás, raramente choro. Tenho a mania de vestir a capa de duro quando acordo, a qual começou a ser mais usada depois de ir para Moçambique. Uma forma de sobrevivência em ambientes hostis. Ao longo destes anos, foram diversas as pessoas com quem não mais me cruzarei ao longo da minha caminhada. Várias delas já depois de ter vindo para Angola.

Abel, um abração da terra que te viu nascer.

Estamos juntos!
Miguel S.

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abril 07, 2005

Oh! Afinal?

Desinteressadamente distante. E não é que não custa mesmo nada?

Yono.
Miguel S.

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março 19, 2005

No dia do pai...

...relembro um episódio não teria ele ainda chegado aos 30 anos, era eu puto cheio de caracóis castanho escuros. Numa tarde, ao descermos do seu apartamento da Estrada de Benfica, ao vermos a porteira junto à entrada disse-me para que se perguntassem o que é que eu lhe era para dizer que éramos irmãos. Chegados à porta, vendo o meu pai com um puto ao colo lá se terá saído a porteira com um vulgar "-Ai que miúdo tão bonito, é seu filho?" ao que o meu pai terá dito que não, éramos apenas irmãos. Perante a incredulidade da senhora, lá fez o meu pai a pergunta cuja resposta tinha sido previamente combinada. "-O que é que tu me és Miguel?", perguntou ele para ouvir prontamente um "-Irmão." Depois das bocas costumeiras e das brincadeiras que tanto gosta ao querer que eu confirmasse que era de facto seu filho, bem que se lixou pois eu parecia um disco riscado e não saía do "irmão". Como ele me disse para dizer aquilo, assumi que era a verdade absoluta e também, com a idade que tinha na altura, não tinha a maturidade suficiente para saber se de facto era meu pai ou irmão...

Um abraço [ou um beijinho?].
Miguel S.

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março 08, 2005

Paixão

Jurei ser eu o teu olhar
Brilhar só eu no teu olhar

Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim (Paixão...)
...paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim

+ "Paixão" ?

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fevereiro 09, 2005

[.]

File closed. De volta ao trabalho.

Yono.
Miguel S.

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Caramba!

Nunca cheguei a utilizar o tiro certeiro que me foi ensinado pelo Moritz:

Darf Ich dihr mein briefmarkensamlung zeigen, bitte?

Yono.
Miguel S.

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fevereiro 08, 2005

De mim para ti

A solidão nada mais é, para mim simplisticamente, do que um estado de espírito. Todos os argumentos [que possas invocar] para negá-lo, nada mais são do que imagens reflexas distorcidas para disfarçar as incapacidades inatas e adquiridas ao longo da vida no relacionamento genuíno e desinteressado, afinal saudável e natural, entre as pessoas. É a incapacidade da projecção do eu para além do material.

De que adianta ter-se tudo se o custo é a anulação do eu, enquanto pessoa!?

Liga-te. Sim, liga-te! Mas ao mundo real... [Re]aprende a sentir. Tudo. Será que ainda és capaz!?

Mais do que um beijinho, um abraço apertado.
Miguel S.

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janeiro 22, 2005

É

...

Yono.
Miguel S.

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Complicar pa quê?

Easy - The Commodores
Know it sounds funny
But, I just can't stand the pain
Girl, I'm leaving you tomorrow
Seems to me girl
You know I've done all I can
You see I begged, stole and I borrowed! (Yeah)

Ooh, that's why I am easy
I'm easy like sunday morning
That's why I'm easy
I'm easy like sunday morning

Why in the world would anybody put chains on me
I've paid my dues to make it
Everybody wants me to be
What they want me to be
I'm not happy when I try to fake it! No!

Ooh, that's why I am easy
I'm easy like sunday morning
That's why I'm easy
I'm easy like sunday morning

I wanna be high, so high
I wanna be free to know
The things I do are right
I wanna be free
Just me! Whoa, oh! Babe!

That's why I am easy
I'm easy like sunday morning, yeah
That's why I'm easy
I'm easy like sunday morning, whoa
'cause I'm easy
easy like sunday morning, yeah
'cause I'm easy
easy like sunday morning

Yono.
Miguel S.

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Receitas da avó

E não é que descobri hoje num dos meus livros em branco, de 1989, as receitas dos biscoitos e bolachas da minha avó? Aos 18 anos deu-me para lhe pedir as receitas dos doces que fazia tendo na altura recebido das suas mãos diversos instrumentos e assistido à feitura de alguns doces :D

Yono 'vó!
Miguel S.

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Eu, nega? Nada disso!

Caramba pá! Não tem nada a ver. Se fosse escrever aqui as coisas que gosto em Portugal nunca mais acabava. Sou é bastante mais crítico com isto por ser a "minha gente", a "minha terra" e estarem aqui as "minhas raízes (?)" independentemente do meu avô me chamar marroquino!

Yono.
Miguel S.

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No sol desta tarde

Meu amor já não me quer,
Já me esqueceu e me desama.
Tão pouco tempo a mulher
leva a provar que não ama!

Fernando Pessoa
in "Cartas de Amor de Fernando Pessoa", Ed. Nova Ática

Yono.
Miguel S.

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janeiro 21, 2005

O pai

É. Ainda se tentou mas não deu. Os tempos mudaram e os campeões passaram a ser maiores, treinos diários de não sei quantas horas e todas as condições do mundo. Ainda ganhei algumas coisitas mas nada de especial. Não me dava pica nenhuma aquilo. O stress antes do "Aos seus lugares!" e até ao apito era terrível. Isso e a grande cabeçada que mandei no fim dos primeiros 25 metros no Areeiro por não ter visto a merda da parede...

Ao mexer nas "coisas" velhas, deparei-me com um cromo do meu pai a preto e branco. No verso diz que naquele ano tinha sido campeão nacional sénior de natação dos 400 e 1500 metros livres, no tempo em que nem todas as competições eram feitas em piscinas... Diz no verso do cromo "Com os tempos de 5m 52,7s e 23m 49,6s, respectivamente, nos 400 e 1500metros livres, a sua superioridade sobre os restantes competidores foi notória, em especial na 2ª prova em que a "distância" que o separou do 2º classificado se cifrou em 1m 56,4s".

Yono.
Miguel S.

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Nós

Tive uma sorte dos diabos em conhecer algumas pessoas da minha família. Ainda mais pelo facto dos 60 anos de diferença não terem sido impedimento para um conhecimento mais profundo ao longo de várias décadas (a malta tem a mania de morrer [muito] depois dos 80 com o bisavô a dizer até já depois dos 100...). Mas introdução à parte, esta entrada é apenas para aqui deixar dois poemas escritos pela minha avó ao meu avô, não sabia eu ainda que viria a nascer, por altura dos seus aniversários. Ei-los:

Ao meu querido esposo
Esta prenda venho dar
É pouco p'ró que merece
Mas foi o que pude arranjar

Pois como deves saber
Tenho falta de dinheiro
Pois que por minha vontade
Te daria o mundo inteiro

Um cravo também queria
Para te dar de presente
Mas só encontrei a rosa
Que te envio juntamente

Muitos parabéns e beijos da
Irene
14.12.1965

Três anos depois escreveu:

Ângelo:

Pelo teu aniversário
Muitos, muitos parabéns
E que gozes com saúde
Juntamente com teu bem

No dia dos namorados
É que tu fazes anos
Que importa a nossa idade
Se ainda nos amamos

Um dia muito feliz
São os votos da tua
Irene
14.12.1968

Fiquei parvo quando os li. Que orgulho.

Yono.
Miguel S.

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dezembro 30, 2004

5ª Geração*

Yono.
Miguel S.

*que conheci (a minha é a 4ª)

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